14 de dezembro de 2007

A Verdadeira Face do RPM

Acabei de ler a biografia do RPM que saiu no dia 05/12/2007. Foi escrita por Marcelo Leite de Moraes, autor do ótimo livro sobre Madame Satã, a melhor casa noturna paulistana dos 80.

A biografia do RPM é uma coisa que eu sempre pensei em escrever, mas sempre relutava em ir atrás por nunca ter gostado da banda, pelo contrário, sempre achei RPM muuuuito chato, cafona e altamente brega.


Sou amigo de P.A., temos milhares de amigos em comum e o conheci quando ele montou a banda MAPA, que tocava um heavy de prima! Dessa amizade, uma vez fui a casa dele para conversarmos sobre um projeto de biografia dele mesmo, mas saí de lá tentando convencê-lo a respeito de uma biografia do RPM. Logo depois dessa conversa, muitas coisas mudaram na minha vida e na dele, pois o RPM estava armando sua volta. Por conta disso, nunca mais falamos sobre o projeto.


O que me levava a querer escrever uma bio do RPM era o fato dela ter sido a única banda que levou ao extremo o “sexo, drogas e rock’n’roll” e por isso ter tido uma carreira meteórica. 
Queria colocar no livro todas as histórias que ouvia da banda nos anos 80, os erros, as podreiras, enfim, a verdadeira ascensão e queda da banda.

Mas por outro lado jamais teria a coragem de escrever algo como “Paulo Ricardo é um dos maiores compositores e letristas do rock brasileiro” ou “o RPM foi a maior banda do rock brasileiro dos anos 80”. Ao meu ver, eu estaria mentindo, e mentindo feio.


O RPM pode ter sido o maior nome do pop brasileiro entre 1985 e 1986, mas não a melhor banda da década. Longe disso, muito longe. Assim como Paulo Ricardo e Luiz Schiavon nunca foram grandes compositores.

Há muitos erros quando se escreve sobre RPM. A começar pelo fato de ela nunca ter sido uma banda de rock. Tentou fazer rock em Os Quatro Coiotes, mas foi um fracasso. Até porque uma banda que usa calça de pregas, blazer com enchimentos nos ombros e mullet, jamais poderá ser uma banda de rock.

As letras de PR são razas. Mas ok, se pensarmos que é uma proposta pop onde a melodia tem a mesma ou maior importância que a letra.


O RPM caiu nas graças do popular. O RPM foi literalmente o pôster no quartinho da empregada, aquela mesma que gostava de Gilliard, José Augusto, Sidney Magal, Biafra e Roberto Carlos.


O popular do RPM era isso aí. Não era o jovem brasileiro roqueiro. O jovem brasileiro roqueiro gostava de Legião Urbana, Titãs, Ira!, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso.


Há méritos para o RPM? Sim, há. Foi por causa dele, e também muito por Ney Matogrosso, que as bandas deixaram de tocar em danceterias com aparelhagem podre, sem cenário, sem uma iluminação apropriada, para tocarem em teatros, ginásios e até estádios. Os shows melhoraram de fato. Mesmo sendo um grande feito, para por aí a contribuição do RPM.

Dizer que a banda contribuiu para uma nova geração de bandas, isso é absurdo, fantasioso!


Verdade seja dita também: muitos jornalistas, amigos ou não da banda, rasgavam a seda para o RPM quando a banda era underground, e depois que estourou, passaram a falar mal. Se há motivo para tal, coisa de bastidores, eu não sei. Mas houve sim uma mudança de postura, talvez por parte da banda também...

O RPM foi uma coisa de momento, como foi o Menudo e o New Kids On The Block. Paulo Ricardo e Luiz Schiavon nunca mais conseguiram compor coisas como “Louras Geladas”, “Olhar 43” e “A Cruz e a Espada”. Tanto é que, contando com a volta, foram gravados 4 discos, sendo que 3 desses 4 tem praticamente o mesmo repertório.

Não tenho nada contra a banda – nem tenho motivos para tal – mas só quero ser realista, ter os pés no chão em relação ao RPM. É como o Poladian falou sobre o disco Quatro Coiotes: “O disco não foi bem porque é um disco ruim”. 

O que me irrita é essa pose que fazem de super banda, isso não dá. RPM teve sua grandeza e foi efêmera. 

Do primeiro disco com 11 músicas gravadas, ao menos 6 fizeram grande sucesso. Do segundo, ao vivo, 4 inéditas, sendo uma instrumental, duas são versões, e apenas uma autoral, e bem fraca.

Pra mim, é desculpa fraca dizer que o show tinha sido pirateado e que tiveram que lançar. Conversa fiada de quem não tinha material inédito bom, o que o tempo comprovou. Analise o que o RPM lançou entre 1985 e 1988, e compare com as outras bandas amigas da época, como Legião, Titãs, Ira!, Paralamas, Engenheiros. Para o RPM 1984 durou até 1987. PR, Schiavon, PA, Deluqui dormiram no ponto, não foram capazes de compor mais nada, enquanto as outras lançaram discos que tocaram inteiros nas rádios.

O RPM não deu certo pelo simples fato de ter sido uma banda de momento, de surgir e estar no lugar certo, na hora certa. Com Paulo Ricardo bonitão e tratado como galã pela gravadora e mídia.

Quanto à biografia de Marcelo, todos os méritos para ela, pois o Brasil ainda engatinha em relação a esse tipo de publicação. Há fatos importantes ali documentados. É maravilhoso saber que temos mais uma boa bio para ler e comprar. Mas eu teria me aprofundado mais no ‘sexo, drogas e rock’n’roll’, até porque tem muita, mas muuuuita história legal que ficou de fora do livro. Mais uma vez o RPM deixou o bonde passar.

28 de novembro de 2007

Matéria com Capital inicial na Bizz de setembro de 1986

A HORA DA VERDADE

Certamente os leitores que acompanham a BIZZ já ouviram essa história mais de uma vez - de como Brasília começou a exportar um rock de boa qualidade, com vigor juvenil, para o resto do país.
E não foi necessariamente num artigo sobre o Capital Inicial, porque o começo da sua história comum ao Legião Urbana e ao Plebe Rude. É a história de alguns garotos de Brasília que acabaram injetando uma expressiva dose de energia no rock nacional.
Vamos lembrar alguns pontos capitais desta aventura.
Tudo começou quando estes garotos descobriram o punk rock em 78. Alguns como os irmãos Felipe Flávio Lemos (baterista e baixista do Capital), moraram na Inglaterra em 77. Outros, atentos aos parcos lançamentos em dia da indústria fonográfica nativa, conheciam o disco dos Sex Pistols. Bem, além de gostar de punk, eles acreditaram no punk, e algum tempo depois montaram suas próprias bandas. As primeiras apresentações Felipe diz que a palavra certa é "intervenção" aconteciam onde era possível. O Aborto Elétrico (os Lemos mais Renato Russo) se apresentou pela primeira vez numa lanchonete, em um centro comercial. Imagine Brasília em 1980 - os ventos da abertura não passavam de débeis sopros, militares no poder, meninas - veneno e babas da mesma espécie no rádio. Agora imagine uns garotos com buttons, alfinetes, pulseiras de tachas e instrumentos chegando numa lanchonete e fazendo uma barulheira. Ninguém entendia nada. Muitos odiavam. Outros ficavam absolutamente seduzidos. O Dinho foi um que ficou tão seduzido que virou o vocalista do Capital Inicial, filho do casamento do Aborto Elétrico e da Blitz 64, onde tocava o guitarrista Loro Jones.
"Uma das metas da nossa música no começo era criar nosso próprio entertainment, a gente não precisava de nada do mundo comum. "A tribo foi crescendo, o entretenimento foi ficando cada vez mais uma "necessidade vital" e Brasília cada vez menor. Quando vieram para São Paulo em 83 para tocar num show do Sesc, A Hardcore Rock Night, sacaram que tudo aquilo não era uma brincadeira solitária: "A gente se sentiu encaixado num contexto de vanguarda", diz Fê. Discussões teóricas à parte, o fato é que isso deu uma força para eles decidirem levar a aventura até o final. No Rio, que vivia ainda da Blitz, o impacto foi maior. Ao longo de 83/84, continuaram com os shows a demo tocando na FIuminense e o desejo de parar de fazer shows só para os amigos. Em 85 assinaram com CBS e só agora, no meio de 86, estão lançando seu LP de estréia pela Polygram. Esta estréia retardada por um ano e meio e a troca de gravadora é mais um episódio da sempre repetida mas igualmente sempre criticável estreiteza das gravadoras. O Loro conta como aconteceu: "A gente era uns burros, cara disse que nós não éramos acessíveis e tentou ensinar para gente a fórmula do sucesso". Eles acabaram conseguindo um contrato que garantia a gravação dé um compacto e a promessa de LP. As coisas começaram a ficar pretas quando eles se recusaram a ir nos programas de Hebe Camargo e Flávio Cavalcanti a gravadora respondeu fechando as portas da divulgação em rádio e televisão. "Eles não levaram em conta a autenticidade", reclama o Dinho, entre outras imprecações menos publicáveis. O LP foi ficando uma promessa cada vez mais longínqua, e, depois de um ano de indefinições, resolveram sair da CBS. Várias gravadoras já tinham feito propostas; escolheram a Polygram. Dinho fala do lado bom da bomba: "Depois de um ano de batalha, dando shows só com um compacto, a gente saiu vencedor. Mas eu não passaria por isso de novo".
Uma bela capa envolve os quatros anos de existência do Capital Inicial. As pérolas da primeira fase estão todas lá "Psicopata", "Leve Desespero" e a censuradíssima "Veraneio Vascaína". O disco é um registro desta trajetória do divertido anonimato em Brasília aos últimos shows, em que um respeitável público (falo de quantidade) ficou de pé o tempo inteiro. Como o Capital vê sua própria trajetória? Esta questão provocou uma certa polêmica. O Flávio acha que mudou a MPB, que o rock passou a existir. O Loro discorda, citando as bandas dos anos 70: "O que mudou foi a transa do rock.. Quem fazia o rock mais radical, quando começou a ser divulgado, passou a pensar de maneira mais liberal. A gente tá caindo no que a gente não acreditava no rock. Isto é super sério até na gente". Palmas para a sinceridade. Esta discussão sobre a relação com a mídia cai sempre em formulações ambíguas, mas isto é próprio da natureza da relação rock-mercado. O Fê conclui de alguma forma: "O que mudou foi a mídia. As bandas não mudaram, cresceram fora da mídia e ela teve que aceitar o rock. Taí o Cure na novela das oito". O Capital ao menos se mostra seguro em estar fazendo uma coisa autêntica, não abrem mão de, por exemplo, incluir "Veraneio Vascaína" no disco.
A música, feita em 80, foi vítima tanto da censura da Velha República quanto desta vaga conservadora mais recente. Com o respaldo da Polygram conseguiram liberar a música para o disco, mas ela continua proibida para a execução pública e, veja só, para menores de 18 anos.
A censura, na verdade, mais promoveu a banda do que qualquer outra coisa, como demonstra a apresentação que fizeram no aniversário de Brasília. Tocaram "Veraneio" para 25 mil pessoas (!!), na frente do Congresso Nacional.
O selinho que vem na capa do LP ("proibido para menores de 18 anos") mais contribui para o charme da banda do que impede alguém de comprar o disco. Vai aí uma dica do Flávio para os fãs menores que toparem com vendedores implicantes: "Levem o irmão mais velho". A música é uma "homenagem" à polícia de Brasília "assassinos armados, uniformizados/com uma arma na mão eu boto fogo no país/e não vai ter problema eu sei/estou do lado da lei".
Como a conversa ameaçava voltar para o passado, o Fê insistiu mais uma vez: "Isso já acabou". Fala do presente: "Não dá para fazer uma" Psicopata número dois´. Agora é uma fase de compor boas canções. O que a gente gosta é de compor música para os pés, mas com letras que não são para os pés". Futuro? "O futuro é funk", anuncia Loro. A aventura continua.

15 de outubro de 2007

Kiss no Monsters of Rock


Em 1994 rolou a 1ª edição do festival Monsters of Rock brasileiro e foi memorável. O Fúria se deu bem, pois fizemos entrevistas exclusivas com os grandes nomes dessa 1ª edição: Kiss, Slayer e Black Sabbath.



Enquanto o resto da imprensa tinha que se contentar com as coletivas, nós tivemos uma sala só para nós, lá no Maksud Plaza, onde todas as bandas estavam hopedadas. Elas saiam da coletiva e iam direto para nossa sala... hehe.



Eu e Gastão lá felizes da vida... também não é por menos... Conhecer as três bandas de perto, cumprimentar cada um de seus integrantes com um aperto de mão... venhamos e convenhamos que é um tremendo privilégio!!! Nós ali cara-a-cara com Paul Stanley, Gene Simmons, Tom Araya, Kerry King, Tony Iommi Geezer Butler, Bill Ward é realmente uma coisa pra ficar na memória para o resto da vida, quiça pós-vida!!!!!!



Bom, mas o fato é que além de dirigir o Fúria, eu iria ajudar na transmissão do Monsters. Foram apenas flashes durante a programação, mas deu um baita trabalho.

Lá estava eu no Pacaembú, as 09h00 da manhã. Fui o 1° da equipe a chegar, pois iria receber a UM (Unidade Móvel) da MTV, determinar o local onde cada VJ estaria - quem ficaria na pista, arquibancada, bastidor...



A 1ª banda a passar o som seria o Kiss. Não a banda propriamente dita, mas a equipe dela, claro. Pois estava eu atrás do palco passando de lá pra cá, quando cruzo com um dos membros da equipe do Kiss carregando duas guitarras de corpo preto, braço de madeira, e estranhei pois elas estavam nuas e cruas. Não havia cordas, captadores, tarrachas, nada, absolutamente nada. Estranhei e me perguntei: "Pô, os caras ainda vão montar a guitarra? Como assim?". Não entendi nada.



Bom, esse fato passou, a correria foi braba e eu por vezes me lembrava das guitarras, pois fiquei curioso em saber o motivo delas estarem 'peladas'.



O dia passou, o festival começou, as transmissões foram redondas, vi alguns shows do palco (quando dava) como o do Raimundos e Suicidal Tendencies. A noite veio e, claro, minha espectativa estava em ver o Kiss do palco.



Chegou o momento do show, eles chegaram de Van até a boca do palco, Gastão fez uma rápida entrevista ao vivo com eles e assim que terminou eles subiram. Para nossa decepção, para subir ao palco, naquela hora, era preciso um adesivo de bolinha laranja que ficava colado no crachá. E o meu crachá dava permissão para qualquer lugar. Era a credencial Top! Mas nem eu e nem Gastão tínhamos o tal adesivo laranja. O show começou e nós lá no backstage correndo como doidos atrás da bolinha laranja!



Eis que finalmente conseguimos o adesivo com dois operadores de áudio da MTV que ficavam o tempo inteiro no palco e que naquele momento, 10 minutos depois do início do show, não iriam mais trabalhar. Colamos a bolinha laranja em nossa credencial e subimos rapidamente para o palco.



Ficamos lá, bem ao lado de Paul Stanley, vendo toda a movimentação da banda. Foi maravilhoso, indescritível em seus detalhes. Estávamos bem ao lado da máquina de efeitos especiais, a qual acionava os fogos que estouravam em determinado momento do show. Chegou esse momento e parte dos fogos não funcionou. Um membro da equipe, puto da vida, olhou pra mim e para o Gastão, perguntou se sabíamos fazer a máquina funcionar e na nossa negativa, ele saiu mais puto ainda atrás de outra pessoa da equipe. De fato os fogos foram meia boca e não rolou de ninguém da equipe arrumar o equipamento.



O fato bizarro desse show foi a presença, também no palco, bem atrás de mim e do Gastão (éramos os únicos a estar naquela lateral do palco) do apresentador de programas de futebol, o Avalone (aquele do ponto, exclamação, interrogação...). Que diabos ele estava fazendo ali assintindo o show do Kiss??? Mas chegou um outro cara da equipe da banda olhando nossos crachás e quando viu o do Avalone sem o adesivo laranja, o tirou do palco na hora. Avalone estava acompanhado de uma loira e saiu reclamando. Foi realmente muito engraçado e muito bizarro!



Bom, chegou o fim do show e eis que foco minha atenção em Paul Stanley bem na hora que ele corre para atrás do palco e troca de guitarra. Mas ele tira sua guitarra e pega uma daquelas guitarras 'peladas' que eu tinha visto pela manhã e assim que se vira novamente para o público ele já pega a guitarra e a atira no chão! Sim, ele não mais quebrava sua própria guitarra e sim uma guitarra falsa!!! estava ali desvendado o mistério das guitarras 'peladas'. Não era mais como antigamente, quando ele quebrava guitarras de verdade!



Ao final de todos os bis, a banda saiu do palco, um som ambiente foi colocado para a saída do público, e eu e Gastão, junto com Silveira (um ex-câmera da MTV) entramos no palco e pegamos várias palhetas daquelas que ficam coladas no pedestal. Peguei palhetas do Paul Stanley e Gene Simmons. Um monte de gente que estava na frente do palco pedui para que jogássemos as palhetas, mas foi tudo muito rápido. Infelizmente hoje não tenho mais nenhuma delas. Mas tenho cada segundo desse dia, desse show em minha memória...





14 de outubro de 2007

Ozzy Osbourne no Fúria Metal

A expectativa era grande. Era 1995 ou 1996, agora não me lembro bem, mas sei que se tratava da 1ª vez de Ozzy no Brasil após o show do Rock in Rio em 1985. Se não me engano era o Monsters of Rock que iria acontecer.

Apesar de o Fúria sempre ter sido tratado com desprezo pela direção da MTV Brasil, conseguíamos entrevistas maravilhosas. A do Ozzy foi uma delas.


A entrevista estava marcada para as 15h00. Gastão como sempre havia preparado uma excelente pauta – alias muitos músicos consagrados com suas turnês mundiais intermináveis sempre elogiavam as pautas de Moreira falando algo do tipo “já estou nessa turnê a mais de ano e essa foi a melhor entrevista que dei”.

Bom, a conversa entre Gastão e Ozzy aconteceria no estúdio B, onde era gravado o Fúria, mas ele estava sendo usado por algum programa e o cenário não poderia ser montado antes das 14h00, algo assim. Tudo bem, pois 1 hora era mais que suficiente para erguer cenário e afinar luz.

Estava eu lá na produção, em minha mesa, e era tipo 13h00 quando toca o telefone. Era o departamento de relações artísticas me avisando que Ozzy acabara de chegar. Entrei em pânico! Estava marcado para as 15h00, o que ele estava fazendo lá as 13h00???
Na mesma hora avisei Gastão, que já estava no andar do figurino e maquiagem. Corri para o estúdio B para saber como estavam as coisas por lá e fui atrás de Zé, o iluminador. A gravação no B estava já no fim – não lembro qual programa era. Perguntei ao Zé quanto tempo levaríamos para armar o cenário e fazer a luz. Resposta: não em menos de 1 hora. Meu Deus! Fazer o Ozzy esperar 1 hora sentado no sofazinho do departamento de Relações Artísticas seria uma ofensa! De modo algum faria isso! Liguei para o 9º andar, onde era a sala de reunião da MTV, na cobertura, bonita, coisa e tal. Pensei: farei lá, pois é tranqüilo. Nada feito, pois a sala estava sendo usada.

Procurei pelo cenógrafo que estava almoçando. Pânico! Uma hora para a luz ficar pronta e o cenógrafo havia saído para almoçar! Corri para o Estúdio A. Menor, era onde se gravava os programas de clipes com fundo chroma – aqueles em que só o VJ aparece com um fundo animado.


Subi a luz do A junto com o Zé e ela estava boa. Falei: se eu colocar dois banquinhos ali tudo bem, né? Sim, tudo bem, a luz está ótima. E o Zé me pergunta: e o cenário? Esse estúdio está uma bagunça... E realmente tinha objetos espalhados no chão, escada encostada na parede, panos dobrados em cima de uma mesinha, enfim, olhei para o Zé e disse: Vai ser aqui mesmo, dane-se o cenário. Não posso deixar o Ozzy tomando chá de cadeira, é uma falta de respeito com tamanha personalidade.

Desci onde Gastão estava e disse a ele que faríamos a entrevista no A, sem qualquer cenário. Ele não acreditou, mas confirmei e ele me olhou desconfiado: “Fazer a entrevista num estúdio bagunçado? Isso não é legal”. Disse a ele que não seria nada legal deixar Ozzy sentado no TAR por mais de uma hora. Ele me deu razão, mesmo que ainda estivesse indignado em fazer a entrevista no meio da bagunça. Disse a ele: numa entrevista com Ozzy, você ficaria observando o cenário??? Enfim, mesmo ele não querendo, consegui convencê-lo com meus argumentos. E realmente o que seria o cenário diante das palavras de Ozzy???
Coloquei os banquinhos no lugar, chamei o câmera, o operador de áudio, coloquei o Gastão lá, chamei o Ozzy e mandei ver.

A entrevista rolou linda, mas como Ozzy já estava afetado, o engraçado era que em algumas questões o Gastão fazia a pergunta e o ajudava a responder, pois sua memória era bem fraca.
E eu pergunto: você se lembra da entrevista do Ozzy ou do cenário em que ela foi feita?


7 de outubro de 2007

Paralamas e Titãs em Sorocaba

Alô Carlos! Meu primo André trabalha com shows e, por coincidência, neste final de semana ele trabalhou no show do Titãs e Paralamas que aconteceu em Sorocaba, no Clube Recreativo. Foi o show que abriu essa turnê que vai até novembro e depois será retomada em 2008.
Segundo seu relato o show foi duca! Foram 2 horas sem parar só de hits.
Cada uma das bandas tocou apenas 5 músicas em separado e o resto do show fizeram juntas. 1º elas entraram juntas, depois ficou só o Paralamas. Depois do Paralamas, o Titãs voltou ao palco para outro set juntas e após esse set o Titãs é que ficou sozinho no palco e no fim o Paralamas voltou e as duas juntas terminaram o show.
Som pesado, muita guitarra e entre as músicas do repertório mandaram “Polícia”, “Track Track”, “Bichos Escrotos”, “Diversão”, “Ska”, “Alagados”, “Marvin”, “Óculos”, “Lourinha Brombril” (numa versão de arrebentar), “Go Back”, “O Beco”... Tem música do Titãs que Herbert cantou, tem música do Paralamas que o Titãs cantou. Enfim, foi um show pra ficar na memória das 3.500 pessoas que lá estiveram. Show bem divertido que vale a pena assistir.
Obviamente essa turnê será transformada em DVD e CD.

As Datas desse ano:
06/10 - Sorocaba/SP (Clube Recreativo)
27/10 - Belo Horizonte/MG (Chevrolet Hall)
11/11 - Salvador/BA (Concha Acústica)
24/11 - São Paulo/SP (Via Funchal)

21 de setembro de 2007

VMB Gringo!?!

Durante sete anos trabalhei na MTV Brasil, dirigi diversos programas na emissora. Foram anos maravilhosos, até porque naquela época a MTV Brasil ainda era, digamos, underground, pois não havia grandes compromissos comerciais. Nós diretores e produtores fazíamos os programas e eles iam ao ar como queríamos, sem ter que passar pelo crivo da diretoria. Assim a MTV Brasil construiu seu nome e foi o norte dos anos 1990. Quem naquela época tinha banda, fazia de tudo para aparecer lá, seja em clipe ou em algum programa.
Hoje a MTV Brasil, claro, mudou e desde há muito tem seus compromissos comerciais e se tornou uma grande marca. Normal. O crescimento é natural e com ela a responsabilidade vem junto. Tem quem goste e tem quem não goste. Viva a democracia!
Ainda tenho alguns amigos que trabalham lá, meus ex-chefes continuam lá. Volta e meia nos encontramos e continuamos bons amigos, dando boas risadas... E a vida segue...
Mas uma coisa não posso deixar de criticar: atrações internacionais no VMB? Não dá pra entender!?! A festa é brasileira e não acho certo tirar espaço de uma atração nacional para dar lugar a uma atração internacional. Hoje, mais do que nunca, há muitos artistas e bandas, e muito pouco lugar para divulgá-los. Aí podem me dizer: “É marketing”. E eu falo: “Hoje a MTV Brasil não precisa de marketing. Pelo menos não desse tipo”.
Ora, esse espaço que será usado por Marilyn Manson e Juliette Lewis, poderia muito bem ser o espaço de um novo artista ou, melhor ainda, um espaço reservado para a nossa história. Esses artistas internacionais não concorrem a nada, então coloquemos nossos artistas históricos para participar. Que tal Made In Brazil, Patife Band, O Terço, algo especial do Júlio Barroso, Cazuza, Raul Seixas, a Jovem Guarda, Secos & Molhados, Lafayette, José “Gato” Provetti, enfim, como foi feito com a Tropicália quando subiram ao palco Tom Zé, Caetano, Rita Lee... Vamos valorizar a nossa história!
Aqui fica minha humilde crítica e dica afinal, em 2005 o rock brasileiro completou 50 anos e nem mesmo a MTV Brasil falou nada a respeito. Antes tarde do que nunca, certo?

PS: Aliás, o Multishow colocará no ar, a partir de 04 de outubro, um especial em 13 capítulos sobre o Rock / Pop brasileiro... Do qual faço a consultoria. Prepare-se, pois valerá a pena!

24 de julho de 2007

Entrevista com Tom Capone

Em 2000 deixei a televisão um pouco de lado e fui ser editor de música de um site chamado tantofaz.net (ganhou inclusive IBest daquele ano) e, na ocasião, fui a Edição do festival Porão do Rock como convidado – inclusive porque o Filhos de Mengele tocou no Palco B dessa edição (apresentação está no SoundCloud). Foi bem bacana, pois no backstage havia muita gente ‘das antigas’ da cena de Brasília que eu não via há tempos e foi uma festa só. Ali, munido de meu gravadorzinho, o mesmo com que fiz meu livro, consegui fazer algumas entrevistas exclusivas. Entre essas entrevistas há esta com o Tom que, recentemente fuçando em meus arquivos acabei achando – eu havia esquecido dela completamente!
Lembro-me que a entrevista foi interrompida várias vezes por causa de amigos nossos que chegavam a todo o momento para atrapalhar, na brincadeira. Mas no fim saiu. (É realmente difícil entrevistar amigos...)
Mais uma homenagem a este grande amigo que, com certeza, está melhor que todos nós.


Paulo Marchetti – Quando você começou a trabalhar com produção de discos?
Tom Capone
– Eu comecei fazendo o Peter Perfeito, em 93. Eu assumi a direção de um estúdio no Rio de Janeiro, o AR Estúdios, aí com esse puta estúdio, eu chamei os brothers pra gravar, e fizemos o Funk Rock Nervoso, do Peter Perfeito, que saiu pela Virgin. A partir daí foi uma avalanche de artistas.

Paulo – Como foi seu envolvimento nos dois últimos discos da Legião?
Tom – O Peter Perfeito era uma banda contratada da (gravadora) Rock It! do Dado Villa Lobos. Na verdade, quando eu entrei nesses projetos, eu entrei pra dar uma força pro Dado. Tanto que no Tempestade, não tem meus créditos, pois eu só produzi as guitarras, apesar de estar ligado em tudo que eles estavam fazendo. Aí, quando o Renato morreu, o Dado me chamou pra fazermos o outro disco.

Paulo – Mas, depois disso, você teve que batalhar trabalho ou eles vieram até você?
Tom – Começou a pintar um monte de convites. Inclusive de bandas que não vingaram, tipo Virna Lisi, Maria Bacana, Acabou La Tequila, Baia e os Rockboys, Pravda!, essas foram as mais alternativas… Aí comecei a pegar outras coisas, fui à Nova York trabalhar com Moraes Moreira e mixei o disco 40 Carnavais. Foi ai que meu horizonte começou a aumentar. Fiz o Carlinhos Brown, junto com a Marisa Monte…

Paulo – Como você foi virar produtor. Você era guitarrista…
Tom – Quando saí de Brasília, fui com minha guitarra e trabalhei, como músico, para o Lobão, Lulu Santos, Oswaldo Montenegro, Cássia Eller…

Paulo – Gal Costa…
Tom – A Gal não. Com ela eu vou trabalhar agora… Ficou essa coisa de que eu tenho a manha do Pop/Rock, mas também não sou odiado pela velha guarda da MPB. Esse respeito é importante, porque tudo é MPB e tem que haver alguém linkando os dois lados, e eu acho que eu tenho que ir nessa onda. Fiz o Na Pressão, do Lenine…

Paulo – Como você trabalha no estúdio. Você costuma mudar muito o som da banda?
Tom
– Não! Eu pego o que já está feito e vamos trabalhando em cima, até achar o ponto certo pra música.

Paulo – Qual de seus trabalhos você destacaria?
Tom – O Só no Forévis, do Raimundos. Tem gente que pode achar esse o mais fraco da banda, mas se você for ver a tragetória da banda, você verá que esse disco é totalmente Raimundos. O que aconteceu nesse disco, é que o Raimundos fez uma produção, onde a voz aparece, coisa que nunca tinha rolado, onde as guitarras ficaram pesadas, mas não incomodam tanto. Nesse novo disco, o Ao Vivo, não refizemos nada em estúdio, as 44 músicas do disco entraram do jeito que foram tocadas. É ao vivo mesmo!!!

Paulo – Dentro de toda a produção, o que você mais gosta de fazer?
Tom – A primeira parte pra mim, é pegar a música com a banda, achar o ‘fio condutor’ dela… eu gosto de fazer música que dá vontade de sacudir. Tem música que a letra é legal, a levada é interessante, mas a música não rola, então eu e a banda tentamos achar o que ela tem de melhor e trabalhamos em cima disso e, como eu também toco, aí fica fácil de achar os caminhos. A única diferença minha pra outros produtores, é que eu também sou engenheiro de som. Então eu ajudo a arranjar a música, gravo e mixo. Faço tudo eu mesmo.

Paulo – Esse gosto todo pela produção surgiu na época em que você ainda tocava com o Peter Perfeito, gravando as demos…
Tom
– Eu sempre amei estúdio. Quando eu ainda morava em Brasília, ficava lá no (estúdio) Artimanha, de bicão, tava o tempo todo lá e tinha gente que até achava que o estúdio era meu (risos). Aí deu no que deu…

Paulo – Tem algum artista que você gostaria de trabalhar, mas que ainda não rolou?
Tom
– Tem! O Gilberto Gil. Agora eu tô começando a fazer o novo da Fafá de Belém. Velho, é de chorar!!! Sem dúvida esse é o melhor disco que eu fiz na minha vida! Sério!!!!! Ela canta muito, apesar de ter ficado meio apagada por uns anos… É o seguinte: eu juntei uma orquestra, com arranjos de Chiquinho de Moraes, Leandro Motta entre outros feras. São músicas de 1950, clássicos da MPB. O repertório foi escolhido pela Fafá, por mim e pelo Zé Nilton. Esse disco é ouro!

Paulo – Você adora motocicletas. Qual foi a melhor balada que você fez?
Tom – Ainda vai ser. Tenho vontade de ir ao México. Já fui pro Uruguai, Chile, esse ano fui passar o reveillon em Garopaba e quase passamos à virada da meia noite na estrada. Chegamos lá às onze da noite e não havia lugar pra ficarmos, aí encontramos e fomos correndo pra praia. Esse foi a melhor balada. Fomos em cinco motos.

20 de julho de 2007

O Diário da Turma 2

Muita, mas muita gente me pergunta se um dia farei a continuação do Diário da Turma. A resposta é a mesma pra todos: não sou capaz, pois saí de Brasília em 1987 e por causa de trabalho, pouco voltei a capital nos anos 1990. Acompanhei os amigos de longe.

Mas eis que, dois anos após seu lançamento, finalmente pude ler o maravilhoso Esfolando Ouvidos – Memórias do Hardcore de Brasília, do cumpádi Evandro Vieira, figura importantíssima neste cenário e que participou de tantas bandas que nem vou citar aqui. Apenas sua atual: Quebraqueixo (procure no MySpace, ouça, veja e contrate a banda... hehehe)

O Esfolando Ouvidos é naturalmente a verdadeira continuação do Diário da Turma. Conta à história do rock de Brasília sob o ponto de vista da cena punk / hardcore, ou seja, é exatamente o resultado de toda a história que começou lá na Colina em 1976 e que resultou em Filhos de Mengele, BsBH, Raimundos, DFC, Little Quail...

Texto fácil e bastante ilustrado com fotos raras e maravilhosas!
Não ‘perda’ (sic) tempo. Adquira o seu agora! Através dos contatos:
esfolando@pop.com.br
(61) 9213 7582 (Evandro)

Valeu Evandro!

4 de julho de 2007

Senadores e seus contatos

Uma das coisas que não deixa a investigação dos atos ilícitos do senador Renan Calheiros cair por terra é o contato que a população tem feito com os parlamentares através de e-mails e telefones. Para ajudar eis aqui os e-mails de todos os senadores e o telefone do senado. Use e abuse, mande mensagens todos os dias:

Site do Senado: http://www.senado.gov.br/sf/
Alô Senado: 0800 612211


E-mail de todos os senadores(as):

adelmir.santana@senador.gov.br
almeida.lima@senador.gov.br
mercadante@senador.gov.br
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14 de junho de 2007

50 Anos Depois

Este livro é uma espécie de continuação de Há Dois Mil Anos. Os personagens desta história, também verdadeira, são os mesmos de Há Dois Mil Anos, mas com outros nomes, claro. Mais uma maravilhosa obra de Chico Xavier pelo espírito de Emmanuel.

Aqui, o Senador Públio Lentulus, volta encarnado num escravo chamado Nestório. Mas dessa vez não é o protagonista da história.
Ao contrário do Senador, Nestório é um bom homem, humilde e de vasto conhecimento em história e cultura. Como ele adquiriu tanto conhecimento sendo um escravo? Muita coisa veio de suas vidas passadas.

Depois de demonstrar sabedoria e bondade, ele ganha sua libertação e passa a dar aulas para as filhas de seu antigo dono. Entre elas a Célia, a protagonista dessa maravilhosa história.

Mulher de elevadíssima espiritualidade e bondade, ela sofre com as armações de uma sociedade cheia de mesquinharias e que vivia de aparências. Estou aqui falando de aproximadamente 90 d.c. quando Roma vivia a época dos césares.

Vítima de uma armação mal sucedida contra sua mãe, e por estar no lugar errado e na hora errada, Célia sai de casa expulsa pelo pai e vai embora.

O pai de Célia sai por muito tempo para trabalhos fora da cidade, pois a mulher do César da época (não lembro aqui qual era) era apaixonada por ele e tentava de tudo para tê-lo como amante, pois foram namorados na juventude.

Muitas armações e traições acontecem nesta incrível história que é sem dúvida melhor do que qualquer novela ou HQ. Pois além de bem narrada em seus mínimos detalhes é edificante e mostra o quanto o ser humano precisa crescer. O quanto necessitamos alimentar nossa alma.

Impossível dizer aqui o que acontece com Célia, pois estragaria as surpresas deste livro.

Aqui o cristianismo ainda é perseguido (e seria por muitos e muitos anos) e os adeptos dessa então nova doutrina eram barbaramente mortos.

Desculpe o texto escrito dessa forma, mas o propósito é exatamente provocar a vontade de ler. A edição de quase 400 páginas eu li em uma semana, no máximo. É difícil parar de ler.

2 de junho de 2007

Há Dois Mil Anos

Este livro que o grande Chico Xavier escreveu sob comando do espírito de Emmanuel, fala exatamente sobre uma das encarnações desse grande espírito que com Xavier nos deu grandes obras da literatura espírita.
(Peço desculpas por nomes e pequenos detalhes, pois há tempos li este livro e no momento não está comigo, pois o emprestei para minha sogra... é sério!)

Trata-se de uma história real centrada no Senador Públio Lentulus (Emmanuel), o protagonista, e que se passa exatamente no período em que Jesus Cristo pregava pelas redondezas de Jerusalém.

Naquela época as classes eram bem definidas e não se misturavam de forma alguma. O rico morria rico, o pobre morria pobre e o escravo morria escravo.
Públio era casado com uma bela moça de muita elevada espiritualidade, por isso, não ligava para as regras da sociedade. Como era Senador, viviam bem, tinham dinheiro, terras, escravos e tudo do bom e do melhor. Porém, a pequena filha do casal tinha lepra e sofria barbaridade. Todos esses bens não eram nada diante desse sofrimento.

Os médicos da época fizeram de tudo para reverter à doença da filha e em determinado momento a única e última tentativa de melhora era sair da cidade onde viviam para irem a Cafarnaum.

Lá, o ar era melhor, eles ficariam numa fazenda, vivendo perto da natureza e essa era a esperança de cura. Era lá, também, que se encontrava Jesus. Naquele momento da história Cristo andava por aquelas redondezas e há muito tempo à esposa de Públio tinha o desejo de ver Jesus e pedir auxílio a ele. Porém, sendo de família nobre, não poderia jamais procurá-lo. Ela relutou muito, conversava demais com uma de suas criadas (que era sua melhor amiga e companheira), mas chegou um momento que tomou coragem e pediu ao marido, que era muito bronco e severo. A princípio ele negou, mas depois de algumas insistências e vendo a piora da filha, resolveu procurar o pregador de Nazaré. Muito o preocupava, pois ninguém poderia vê-lo com Jesus.
Eis que um dia, estando sozinho, perto de um rio, lhe aparece Cristo. Eles conversaram, o mestre sabia de sua vergonha em encontrá-lo, lhe disse palavras maravilhosas, sabia o motivo daquele encontro e disse-lhe que sua filha iria melhorar. Mas não deixou de lhe falar para ser menos cruel e ouvir mais o coração.
Públio Lentulus por dentro era bom, mas na condição de Senador, perante seu meio social, não poderia jamais externar esse sentimento de bondade.
__________

No caminho para Cafarnaum, onde foram morar por tempo indeterminado, Públio encontrara um garoto que fez uma brincadeira de mal gosto com sua comitiva e, ao invés de perdoá-lo, afinal era apenas um garoto, mandou-o para prisão que, de lá, certamente iria para a morte. Por causa desse fato, dias depois, o pai do garoto procurou o Senador e lhe pediu que perdoasse seu filho, pois o ajudava no trabalho. Estremecido e comovido com o pedido daquele pai, não cedeu da sua posição e apenas autorizou que o garoto saísse da prisão e fosse para as galeras – lá ou ele morreria ou viraria escravo. Virou escravo. O pai tomado de ódio deixou a sala, jurando para si vigança, e se foi.
__________

Passada a doença da filha o Senador retornou para sua cidade. A essa altura. Sua esposa já era cristã, conseguindo até, às escondidas, assistir a discursos do Mestre Jesus. Públio e sua esposa tiveram outro filho, dessa vez um garoto.
Mesmo sentindo na própria carne os poderes de Cristo, Públio não arredava o pé de sua pose de homem forte. Por dentro queria ser mais humano, mais carinhoso, mais atencioso, mas não podia (não queria) ceder.
__________

Aquele pai que havia perdido o filho pela maldade de Públio ainda volta a essa história e é peça fundamental para importantes acontecimentos.
Públio Lentulus participa ativamente da reunião onde Cristo é condenado à cruz e todo esse bastidor é descrito no livro.
Sua bondosa e amável esposa passa a participar ativamente das reuniões cristãs que eram proibidas e secretas e sofre muito pela maldade de outros que querem atingir seu marido e acaba tendo um desfecho impressionante.
__________

Apesar da vontade, não me cabe descrever tudo o que acontece nesta maravilhosa e verdadeira história. O que quero deixar aqui é a curiosidade para provocar a sua leitura de tão edificante livro. Ele é daqueles que você não quer para de ler.

16 de maio de 2007

McDonalds da Fé II – O Papa no Brasil

Foi ridícula a cobertura excessiva da imprensa sobre a vinda do Papa no Brasil. Dava desgosto de ver. Tanta coisa pra falar e só falavam de Papa. Tvs, jornais, revistas, rádios, sites. Todos exageraram. Acredito piamente que esse excesso de cobertura não tenha sido pelo que ele representa, do tipo “olha gente, é o Papa, viva a paz e um mundo melhor”. Se fosse neste tom, até seria um pouco compreensível o exagero: “Vamos aproveitar essa figura ilustre e pedir mais harmonia entre a população”.
Mas não, o excesso, obviamente, foi pela busca de audiência, vender mais jornais e revistas. E tudo isso na cara dura. Um nojo. Para muitos, o exemplo maior desse exagero foi a falta de respeito da Globo em tirar do ar a corrida de Fórmula 1 da Espanha para transmitir a missa do Papa sem qualquer aviso. Lamentável.
Mais nojento ainda foi ver – e eu vi por acaso – o dia em que o Papa declarou Frei Galvão santo. No primeiro intervalo comercial, não lembro a emissora, já havia propaganda de venda de medalhinhas do Frei. E da-lhe cifra!
____________

Jesus sempre pregou a caridade e a humildade. Proibiu seus apóstolos de receberem qualquer privilégio. Disse a eles para não se preocuparem com os bens matérias, pois eles seriam devidamente acolhidos a cada cidade que entrassem. Disse para não se preocuparem com roupas, comida e aparência.
“Fora da caridade não há salvação” - essa é a grande máxima – e que a igreja católica tratou de mudar para “fora da igreja não há salvação” pensando, claro, em seu bolso.
Humildade, essa é a palavra! O Cristo Jesus nosso senhor nunca se preocupou em ser anunciado, em ter uma boa vestimenta, em ser exaltado pela multidão. Pelo contrário: andava a pé, nunca tinha dinheiro no bolso ou comida guardada e, se muito, andava em cima de um jegue. Ele mesmo não lavou os pés dos apóstolos que ficaram estarrecidos com sua atitude? Pois é...
Por tudo isso pergunto: onde está a humildade do Papa? Veja como a igreja o trata. Veja como ele gosta de ser recebido. Tem carro e avião próprio! Não dizem que o Vaticano não é o país mais rico do mundo?! Entre os sete pecados capitais não estão a luxúria, a avareza, a soberba e a vaidade?
Quanta contradição! Quanta tristeza em ver tudo isso...

24 de abril de 2007

McDonald’s da Fé – Igreja Católica

Dias atrás saiu à notícia dizendo que o Vaticano já não considera que uma criança morta e não batizada vá para o limbo. Agora ela vai para o paraíso. Puxa, ainda bem, né? Agora o mundo todo está mais aliviado. Como pode uma coisa dessas? Os católicos devem estar com vergonha e o Vaticano deveria fazer como o avestruz e enfiar a cara na terra.

Em primeiro lugar, não existe limbo. Em segundo uma criança recém nascida nem sabe que existe ou o que é. O triste é ver que a igreja católica ainda exerce alguma influencia no mundo e isso é reflexo da época da Inquisição – a qual se matou mais que o próprio nazismo.

Infelizmente a alta cúpula católica vem atrasando e muito o progresso, em todos os sentidos. Exemplos disso é a proibição em se usar camisinha e a proibição em usar células tronco para pesquisas e curas – o que salvaria a vida de milhões de pessoas.

Mas a história nos mostra que, infelizmente, sempre foi assim. A ciência acha um caminho, mostra uma saída e a igreja católica retarda tudo. Pra mim, a alta cúpula católica deveria se preocupar com os padres pedófilos, com os padres festeiros que engravidam as beatas, fazem orgias, usam drogas e fazem mau uso do dinheiro arrecadado.

Aqui no Brasil, por exemplo, a igreja tem posse de muitas terras que, obviamente, estão improdutivas. Por que então não ajudar as famílias dos sem-terra? Porque não usar essas terras para plantar alimentos e doá-los a instituições que ajudam crianças carentes? Porque a igreja em certa hora fecha suas portas em vez de deixá-las abertas para que mendigos e necessitados pernoitem nelas? Se o principal foco é ajudar a quem precisa, então...

Porque a igreja católica não acredita em vida após a morte se o próprio Mestre Jesus Cristo mostrou sua existência através da ressurreição? Onde Cristo esteve nos três dias que separaram sua morte da ressurreição? O catolicismo fecha o olho para aquilo que não o interessa ou o que não possa explicar. Grave erro!

O limbo, assim como o paraíso e o inferno, é pura invenção da igreja. Deus Pai todo poderoso e todo misericordioso jamais poria seus filhos em eterno castigo. Ele perdoa a quem reconhece de coração seus erros e permite a redenção através da reencarnação. Mas isso já é outro assunto...

DVD Acústico Legião Urbana Edição Especial

Em agosto de 2006 me pediram para contar como foi feita a edição do Acústico da Legião Urbana. Republico ele agora aqui no Sete Doses:


Eu estava de férias, no Rio, começando a fazer meu livro. Tinha marcado uma conversa com algumas pessoas, entre elas Dado e Bonfá. Quando cheguei lá, liguei pra todos e fique sabendo que os integrantes da Legião estavam fora do país, acho que em Londres, mixando o Acústico MTV. Não dei muita bola, pois, além de estar de férias, tinha meu livro na cabeça e toda uma logística a seguir.

Passada as férias, logo que voltei fui convocado a editar a versão integral do Acústico da Legião. Aí que me toquei: “Dado e Bonfá estavam mixando o áudio e, claro, tem o programa”.

O Acústico foi gravado em 1992, foi um dos primeiros, tudo meio mambembe ainda. Fez parte da primeira leva junto com Marcelo Nova (piloto), João Bosco e Barão Vermelho.

Já havia se passado seis anos da captação e ninguém da emissora sabia o que tinha de material guardado e fui fazer o levantamento. Simplesmente não havia nenhuma câmera paralela e o material bruto era, além das músicas do show, mais alguns takes 2 de algumas músicas que não ficaram boas durante a apresentação. Pelo que me lembre a banda refez em torno de seis músicas.

Chamamos de câmera paralela, aquelas câmeras que são gravadas em tempo integral, geralmente a da grua, uma geral ou a do trilho do palco, se tiver. Assim, quando há um plano no show que não ficou legal, tipo fora de foco ou tremido, você recorre às câmeras paralelas para substituir aquele plano errado. Só que no caso desse acústico, não havia as paralelas, e tinham muitos takes ruins para substituir. Muitas câmeras trêmulas, movimentos errados e outros defeitos técnicos. Um exemplo é o plano inicial do acústico, uma grua, não ficou legal, mas eu não tinha como substituí-lo, pois não havia material para substituí-lo.

Para substituir esses planos tive que recorrer às imagens das músicas que ficaram fora do acústico, em sua 1ª exibição de apenas meia hora. Foi realmente uma dor de cabeça. Se pelo menos eu tivesse algo em torno de 5 minutos de imagens de público, o trabalho seria absurdamente menor, mas nem isso eu tinha. Reparem os planos em ‘slow motion’. Todos eles são para cobrir algum take errado. A maioria das vezes tive que recorrer as imagens de Bonfá, pois era mais fácil inserí-lo num take fora de sincronismo, do que Dado ou Renato.

Foram quase três meses de edição. Primeiro chegou a mim um CD master com o áudio já pronto. Passei para uma fita beta e toda a edição foi feita em cima do áudio, já o sincronizando com o vídeo. Lembro muito bem que empacarmos no cover de Neil Young. Essa música foi tocada duas vezes e quando mixaram o áudio, pegaram a introdução do take 1 e ‘colaram’ com o resto da música que foi a do take 2. Até descobrirmos isso demorou acho que 2 ou 3 dias. O vídeo não sincronizava de maneira alguma com o áudio. Foi realmente dureza. Tudo foi feito analógico, pois as ilhas de edição digitais naquela época ainda estavam sendo implantadas (1998).

Além de tudo isso, tive que preparar um programa especial com esse Acústico e, pra isso, gravei uma entrevista com Dado e Bonfá juntos, falando um pouco de cada música e/ou o disco em questão. Também não foi fácil, pois nesse período, apesar desse lançamento, nem Dado e nem Bonfá estavam com ânimo para falar de Legião. Estavam os dois com a cabeça no futuro e tentando se desvincular um pouco deste passado. Completamente compreensível. Então não quis abusar e fiz uma entrevista mais direta, em cima do acústico mesmo.

Foi muito bom fazer esse trabalho, mas foi uma overdose, pois foram dois programas, mais o 1º clipe deste Acústico e, além de tudo, estava iniciando meu livro.

Pra fechar com chave de ouro, depois de meses vendo e ouvindo Legião, tive que fazer uma apresentação especial para a imprensa no SESC Pompéia. Desde então nunca mais vi e ouvi o Acústico Legião Urbana.

20 de abril de 2007

Água

Haverá uma época em que o mundo terá guerras por causa de água. Sim, é verdade. Este líquido precioso, do qual nosso corpo é feito, ficará cada vez mais escasso.

Hoje você compra uma garrafinha de água por 2 reais, mas daqui a alguns anos você comprará a mesma garrafinha de água por 10 ou mais. O planeta terra tem muita água, mas não potável.

Se desperdiça muita água para escovar os dentes, tomar banho, lavar o carro, molhar as plantas e, pasmem, lavar calçadas!!!

Gastar água para lavar calçada é o cumulo da ignorância. A pessoa pega a mangueira e fica lá por horas jogando água na calçada quando pode muito bem varrê-la ou, se muito, usar dois baldes para dar uma esfregada na sujeira mais grossa.

O Brasil, que é rico em recursos naturais, é o país que mais fontes de água potável têm. Só nesse ponto, nosso país já poderia ser de 1º mundo, se bem aplicado seu uso. Mas imagine, se as autoridades cagam e andam para a saúde e educação públicas, o que pensar então do uso da água.

Não podemos e nem devemos compartilhar dessa ignorância. Eu mesmo já conversei e mostrei para o prédio onde moro que não devemos gastar água a toa e hoje o condomínio usa pouquíssima água para lavar tanto dentro quanto fora do prédio. Apenas o suficiente. Quando ando na rua e vejo alguém abusando do uso desse bem tão precioso, paro e tento conversar sobre seu uso indevido. Tento fazer minha parte, é pouco, muito pouco, mas faço.

E não demorará muito para começarmos a sentir sua falta. Provável que já em 2050 a situação mundial estará alarmante.

Sem água ninguém sobrevive. Sem água uma pessoa de 18 anos terá a aparência de 35 anos. Sem água não tem alimento. Sem água não tem nascimento. Sem água não há higiene e sem higiene não há saúde. Sem água um hospital não existe.

As autoridades precisam alertar a população sobre esse assunto. É preciso parar de escovar os dentes com a torneira aberta, lavar o carro três vezes por semana, tomar banho de meia hora ou mais...

Nós que estamos aqui hoje não teremos esse problema, mas nossas futuras gerações, nossos filhos e netos sofrerão e muito.

18 de abril de 2007

Futebol

Em Brasília, da década de 1970 até meados da década de 1980, o único futebol transmitido pela televisão era o carioca. Eu era flamengista, fã daquele timaço que jogou junto de 1977 até 1983. Mas fora o Flamengo gostava de outros jogadores de outros times como Falcão, Batista, Reinaldo, Éder, João Leite, Chulapa...

Como minha família inteira é Palmeiras, claro que também torcia por ele, mas o acompanhava pouco, apenas através dos gols do Fantástico, mas como o Flamengo, torcia e conhecia o time inteiro – meu time de botão era praticamente o Palmeiras.

Depois, já maior e fã de rock’n’roll, deixei o futebol um pouco de lado. Só voltei a dar mais atenção a ele quando me mudei para SP, em 1987. Até então nunca tinha ido a um estádio e isso se tornou rotina com meu pai, tio e primos.

Nessas alturas só o Palmeiras me interessava. Não era assíduo, mas pelo menos duas vezes por mês assistia jogos no Palestra Itália, Pacaembu e Morumbi.

Logo que cheguei fiquei espantado e aterrorizado com o noticiário local (SP TV) que cobriu uma tremenda briga entre corintianos e palmeirenses. Quebra pau na rua, nos ônibus e até no metrô.

Os anos foram passando e minha freqüência nos estádios foi diminuindo. O interesse pelo futebol foi ficando restrita ao que passava na televisão. Até chegar a maldita Copa João Havelange, em 2000 (ou 1999?). Só sei que depois disso nunca mais assisti a um jogo no estádio.

A má organização dos cartolas e da CBF me afastou e hoje acompanho tudo pela TV e não dou um centavo sequer para o futebol. É ruim para comprar ingresso, é ruim para entrar no estádio. Tudo é caro, banheiros são nojentos e você é tratado como vira-lata pela organização e policiais. Tô fora, claro! Não sou besta!

Os cartolas são corruptos, a CBF só olha para seu próprio bolso e a FPF é um antro. O que aconteceu na final da Copa J. Havelange foi uma coisa ridícula. Num país descente o Vasco jamais seria campeão e Eurico Miranda já estaria na cadeia há décadas.

Veja só a relação do Corinthians com seus parceiros, atualmente a MSI. Como pode, depois dessas parcerias, o time estar afundado em dívidas? E o Palmeiras, Flamengo, Vasco...? Uma desgraça só!

A polícia não se organiza, as federações não se organizam, a CBF caga e anda pra tudo (nem a seleção joga mais no Brasil! Pode?).

A política e interesses pessoais dos times e seleção estão acima do interesse do próprio time e suas torcidas (aqui não me refiro as organizadas). Não consigo entender como pode alguém colaborar com toda essa sujeira e ainda se dar ao luxo de ir aos estádios. Jogo as 21h45 da noite??? Isso não pode!

Hoje continuo a acompanhar o futebol pela TV (como já disse), assistindo aos jogos e programas, mas não compro per pay view, não compro uniforme e torço friamente. Se meu time ganhou, pois muito bem, fez sua obrigação e se perdeu azar do time, jogadores e cartolas. Se o time perde ou ganha, eu não recebo nada por isso.

Quando o Palmeiras perdeu a chance de ser campeão mundial, em 1999, dias depois vi o lateral Júnior (hoje no São Paulo) tomando uma cervejinha com amigos aqui na padaria da esquina. Pô, se o cara tá na boa na vitória ou derrota, porque eu vou perder meu sono?

E a seleção? Perdeu a Copa do ano passado tendo o melhor time do torneio e já no dia seguinte da derrota os jogadores estavam se divertindo em festas e casas noturnas.

Repito, continuo gostando, acompanho, torço, mas agora não mais como um torcedor cego e sim mais como um jornalista que torce para um bom futebol, uma boa partida e me encanto com um time bem montado, afinal, durante os 90 minutos de uma partida a emoção continua a mesma. E só.

16 de abril de 2007

Pan - Amo Meu País Então Sou Contra

Esses mega eventos esportivos como Copa do Mundo, Olimpíadas e Pan Americano são festas absolutamente políticas. Então, logo de cara, pergunto: políticos brasileiros merecem realizar esse tipo de evento? Claro que não!!! Afinal você dá um pirulito a uma criança que acabou de ser malcriada?

Nossas prioridades são outras! Lula liberou mais 100 milhões para a conclusão de algumas obras do Pan. Porque não libera 100 milhões para o aumento dos professores ou policiais, melhoramento das escolas e hospitais, melhoramento das estradas brasileiras ou construção de casas populares?

O que nós vamos ganhar realizando o Pan? Nos últimos seis meses cerca de 3 turistas sofreram assaltos no Rio, isso sem falar de outras tantas desgraças do dia-a-dia, vide o caso do menino João Hélio e as aventuras cruéis de se pegar a linha vermelha.

Lula foi ao Maracanã bater pênalti (e errar). Pra isso ele serve. Por que ele não aproveitou sua ida ao Rio para conversar com as vítimas do Palace 2 que até hoje moram em quartos minúsculos de hotel?

Não houve qualquer tipo de planejamento para o pós - Pan, afinal nem o governo estadual e nem federal sabe o que será feito das obras construídas especialmente para esse evento. Dizem que serão usadas pela população carente, mas não sabem como. Pode uma coisa dessas?
Esses mega eventos, infelizmente, não são pra nós. A população merece, mas se tratando de um evento 100% político, não merecemos. Isso sem falar nos preços altíssimos para assistir as provas.

Quanto era o orçamento inicial? 500 milhões? E não iam ser totalmente bancados pela iniciativa privada? No final das contas o governo gastará sozinho mais de 3 bilhões de reais do nosso suado dinheiro. E o que ganharemos com isso? Dá pra imaginar o que se poderia fazer a nosso favor com todo esse dinheirão? Ninguém merece! Lula não merece! Amo meu país e torço por nossos atletas, mas não posso deixar de falar: Que o Pan seja um fracasso e que a Copa vá para a Argentina!

Em tempo: Veja de onde Lula tirou os 100 milhões de reais para as obras finais do Pan:
(Texto extraído da Folha de São Paulo. Matéria: Lula põe no Pan verba de outras áreas)

Pela ordem, os que mais perderam foram Cidades (R$ 43 milhões), Turismo (R$ 18 milhões), Saúde (R$ 16 milhões), Transportes (R$ 12 milhões) e Defesa (R$ 2 milhões). Outros programas do Ministério dos Esportes irão contribuir com mais R$ 9 milhões.Entre os programas que supostamente serão prejudicados com a destinação de mais dinheiro ao Pan estão obras de melhoria de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Rio. Também foram alvos de cortes programas de saúde no Estado, a implantação de iluminação pública em trecho da rodovia Niterói-Manilha e a participação da União na Companhia Docas.

PS: Os organizadores e nem governo ainda não sabem aonde irão hospedar os 6.000 policiais que vão trabalhar no Pan. Ai, ai...

Ramones no Brasil – Os Anos 1990

Depois do shows no Dama Xoc, perdi as contas de quantas vezes o Ramones voltou ao Brasil. Em São Paulo, todas as vezes que a banda voltou, sempre tocou no Olympia. Acho eu que foram mais três voltas: 1992, 1994 e 1996.

Ao contrário das duas 1ª passagens da banda por aqui, nessas passagens nos ano 1990 o público conhecia melhor a banda e seu repertório.

No Olympia, vi dois shows do Ramones, um em 1992 e outro em 1994 (acho que era isso). Só sei que pelas minhas contas assisti a 8 shows do Ramones. Mas as apresentações no Olympia já não tinham aquele climas das outras apresentações.

Pra mim a carreira do Ramones acabou no Halfway to Sanity. Os shows do Dama Xoc foram bons, mas já não havia Dee Dee no palco. CJ mandava bem e estava com muita energia em 1990. Mas a partir do Brain Drain a coisa toda decaiu muito, ainda mais depois do mega sucesso de Pet Sematary, quando a banda virou “arroz de festa”. Eu nem sei distinguir o show de 1992 com o de 1994. Só me lembro que não tive o menor tesão em vê-los, principalmente o de 1994. Nessa época já trabalhava na MTV Brasil e dirigia o Fúria e, por conta disso, tive a oportunidade de fazer entrevista com a banda em todos esses shows dos 90. Até levei Joey Ramone ao banheiro antes de uma entrevista. Subi um lance de escada com ele reclamando de cansaço. Foi engraçado. Assim que ele entrou no banheiro, enquanto a porta fechava devagar, pude vê-lo tirar um pentinho do bolso para se pentear. Tenho uma camiseta branca com o autógrafo deles.

Na vinda da banda em 1996, último show do Ramones no Brasil, eu e Gastão fomos gravar uma entrevista com Joey lá no Olympia, antes da passagem de som. Foi bem legal e Joey, se não fosse o chato do empresário, ficarai dando entrevista bem mais tempo que os 15 minutos previstos.

O clima lá não estava nada bom. Joey estava exausto, já doente e o desentendimento entre ele e Johnny era absolutamente visível. Após a entrevista, como não somos bobos, ficamos lá para ver a passagem de som. Tenho inclusive fotos desse dia, da passagem e da entrevista. Foi triste ver que Joey e Johnny sequer se olhavam durante a passagem. Um de costas para o outro. O clima era tão ruim que me neguei a ir ao show, pois era nítida a sensação de show apenas “para cumprir tabela”.

Foi uma pena e como fã incondicional da banda, fiquei arrasado em ver com os próprios olhos que todas aquelas fofocas de brigas internas eram, de fato, verdadeiras.

Ramones no Brasil - 1990

Em 1990 eu trabalhava de assistente de fotógrafo num estúdio na Capote Valente, em Pinheiros. Era relativamente perto do Dama Xoc, uma meia hora a pé, e assim que terminei o trabalho, Johnny Monster me encontrou no estúdio, fizemos algumas fotos para acompanhar uma demo que tínhamos acabado de gravar e fomos ao Dama Xoc. Fomos cedo, creio eu que umas oito da noite e conseguimos ser um dos 1º da fila.
O legal desse dia é que enquanto estávamos na fila, vi um carro passar e Digão (Raimundos) estava nele. Acabara de chegar de brasília só pra ver o show. Foi um reencontro bacana, pois não nos víamos a mais de um ano. Ele inclusive me deu a 1ª demo que Raimundos gravou e me pediu que ajudasse a divulgar. Engraçado que a 1ª pessoa que pensei em entregar a fita, foi o Miranda, mas não rolou. Digão estava com amigos e a namorada. Na hora de entrar ele empacou na porta, pois sua namorada era menor e deu confusão para ela entrar. Queria ficar lá para ajudar, mas como estava cheio os seguranças pediram para eu entrar e acabei me perdendo de Digão. Eu e Johnny achamos um bom lugar numa pequena arquibancada no fundo e de frente para o palco. O Dama Xoc estava lotado, bem acima de sua lotação normal que acho que era de mil pessoas. Na pista era um colado no outro. Foi sacanagem da organização em vender muito mais ingresso. O local estava quente demais. Era o 1º show com CJ Ramone e eu estava ansioso para vê-lo em ação. O show foi muito bom e o que atrapalhou foi a super lotação. Não deu outra e uma pessoa morreu nafrente do palco depois de levar uma tesourada no abdômen (que eu me lembre foi isso). Mas ninguém percebeu isso de tão lotado. O show não parou e foi incrível.
No dia seguinte todos os jornais falaram da morte do garoto e eu não acreditei. Foi muito negativo esse fato e alguns jornalistas mais conservadores queriam que as outras duas apresentações fossem canceladas, o que não aconteceu.
No dia seguinte (sábado), o Dama Xoc estava tomado de policiais e o clima pré-show estava pesado com as revistas bem rígidas.
Mais uma vez o local estava lotado, mas não tanto quanto no dia anterior. Mais uma vez eu estava com Johnny e acabamos encontrando um outro amigo meu de Brasília, o Gão (que inclusive participa do livro O Diário da Turma). Mais uma vez ficamos na parte de cima da pequena arquibancada, mas dessa vez na lateral do palco, bem mais perto dele. Esse segundo show foi bem melhor que o segundo. Eu e Gão não paramos de cantar um segundo e saímos do show completamente sem voz. Sem dúvida, ao lado do 1º show do Ramones em 1987, essa foi a melhor apresentação da banda. O som estava bem melhor que no 1º dia. Memorável!
Os reflexos da fatalidade que aconteceu no 1º dia foi visto no 3º show da banda no Dama Xoc, no domingo. Sem exageros, se tinha 200 pessoas era muito. E num local que abriga mil, então pode se ter uma idéia de como estava vazio. Tão vazio que eu e Johnny ficamos na boca do palco sem ninguém ao nosso lado. Eu inclusive algumas vezes cheguei a me apoiar no palco para ver o show. Fiquei colado no Johnny Ramone e também fiquei colado no Joey. Havia apenas uma rodinha de pogo ao fundo. Parecia show underground de banda desconhecida. Estava tão vazio que no final do show, Johnny Ramone jogou um monte de palhetas no chão e só eu peguei umas quatro sem precisar me debater com ninguém.
Esses três shows foram tão bons quanto os de 1987, pois o som estava bem melhor que na 1ª passagem da banda aqui no Brasil. E essa 3º show vaeu por tudo pois parecia que eu estava numa daquelas 1[ apresentações do Ramones num CBGB vazio. Um privilégio para poucos.

13 de abril de 2007

Ramones no Brasil - 1987


Lembro de em 1986, após um ensaio do Filhos de Mengele na nossa sala do Brasília Rádio Center – durante um período ensaiávamos das 22h até a 00h ou mais – eu e Danilo, voltando pra casa a pé, imaginando como seria se o Ramones viesse tocar no Brasil, coisa que era impensável até então. Delirávamos durante a conversa só de imaginar em ver o Ramones de perto. Era um sonho absolutamente distante.

Em 1987, estava eu de férias em São Paulo quando, de uma hora pra outra,começaram a anunciar Ramones no Brasil. Na hora liguei para Danilo que estava de férias no RJ e relembramos a nossa conversa daquela noite. Mas mesmo com o anúncio rolando, eu ainda não acreditava. Passei a acreditar um pouco depois da entrevista que Joey Ramone deu a Kid Vinil para a Folha de SP (que tenho guardada até hoje).

Bom, seriam 3 shows no Palace, mas acabou rolando 4, um extra no domingo a tarde. Fui nos 3 e só deixei de ir na matine de domingo. Delírio absoluto! Quase ninguém que assistiu aos shows conhecia de fato o repertório da banda, apenas “Surfin’Bird” que tocava na 89 FM a cada 10 minutos. Tanto é que o público se matava na hora dessa música e no resto do show ficavam mais estáticos.

A banda veio na turnê do disco Animal Boy e na formação apenas o Ritchie Ramone não era membro original. Fiquei tão pasmado que não sabia se tirava o olho de Dee Dee ou de Joey ou de Johnny. Por isso mesmo acabei vendo os 3 shows programados de princípio.

Nessa época Ramones estava absolutamente em baixa em NY e a banda estava numa fase bem pesada, tanto é que ainda no 1º semestre de 1987 a banda lançou o pesadíssimo e excelente Halfway To Sanity, que recebi em primeira mão, um dia após seu lançamento, pois uma amiga estava exatamente em NY e atrasou em um dia sua volta ao Brasil por causa desse lançamento. Não é exagero nenhumdizer que fui o 1º no Brasil a escutar Halfway To Sanity.

Lembro que na fila para o 1º show, vi Johnny e Dee Dee encostados ao lado da portaque dava acesso aos camarins, os dois ali conversando... ah se eu soubesse falar em inglês. Esse 1º show ficou marcado pela invasão dos carecas do ABC. Rolou tiro, prisões e o escambau. Um amigo até comentou comigo durante o show de ter ouvido tiros. “Você está louco” eu disse.

Sai do Palace com os ouvidos zunindo. Deu problema no som (rolou uma sabotagem) e o show foi paralisado por alguns minutos. Se não me engano rolou 3 bis. Tocaram de tudo. Dee Dee não tocava baixo e sim metia a porrada nas cordas de seu instrumento.

Em dúvida foram os melhores shows que vi na vida. Pode ser exagero de um fã incondicional, mas esses shows foram um sonho realizado. Ramones no Brasil em pleno início de 1987 era realmente impensável. Só fui acreditar de fato quando a banda entrou no palco. Lembro de ver Charles Gavin e Kid Vinil babando no show.

Meses depois do show, quando eu já estava morando em SP, fui até a galeria do rock e consegui uma fita cassete com o show dessa turnê, não o show do Brasil, mas era o mesmo repertório. Infelizmente a perdi...

12 de abril de 2007

Filhos de Mengele no Núcleo Bandeirante

Era início de 1986 e nós do Filhos de Mengele tocávamos em qualquer lugar, independente de qualquer coisa. O negócio era divulgar a banda. Nunca, em momento algum, nos quase 3 anos que fiquei na banda chegamos a falar de gravar discos e sonhar com sucesso nacional. Queríamos mesmo era nos divertir e divertir os outros, por isso a nossa única preocupação era onde seria o show do próximo final de semana.

O show que aconteceu no Núcleo Bandeirante ainda era com a formação original, sem Digão na bateria: Eu no vocal, Danilo na guitarra, Celso no baixo e Paulinho na bateria. Paulinho era o principal compositor da banda e grande baixista, mas depois de tocar baixo em várias bandas, resolveu que no Filhos iria ser baterista. Ok.

O show aconteceu num sábado à tarde, numa pequena arena com um palco circular de concreto de uns cinco metros de diâmetro, imagino. E acho que um metro de altura. O equipamento, pra variar era uma coisa absolutamente tosca e nem retorno de palco havia. A bateria era mais tosca que a pior pingüim imaginável e só pra se ter uma idéia, o único pedestal de prato que havia, saia direto do bumbo e o prato, claro, era horroroso e rachado (Paulinho não tinha equipamento de bateria e, às vezes, pegava algo emprestado de seu irmão, que era baterista de fato. Paulinho só tinha dois pares de baquetas).

O Filhos de Mengele tocaria com duas outras bandas, uma delas era o Stutzépcion (na verdade não se escreve assim, mas fala-se assim) e a outra não lembro. Sei que acabou que não foi nenhuma das duas e o show que seria de umas 5 ou 6 músicas foi se esticando, pois nenhuma das outras bandas chegava e, por isso, acabamos tocando o repertório inteiro. Havia um punhado de gente, pois os Mengeles já estavam relativamente conhecido e o legal foi que durante o show, os skatistas ficavam fazendo manobras no palco - teve um lá que até quebrou o skate quando pulou do palco para o chão. Foi realmente bastante divertido e ali certamente conquistamos mais alguns fãs. Os skatistas falavam que éramos a “banda do boy”, por causa da música “Ele é Boy”, que eles se amarravam.

A gente ali tocava sem escutar nada do que estávamos fazendo e por quase todo o show eu fiquei ao lado do P.A. para eu poder escutar minha voz.

Mas esse show ficou memorável e marcado por causa da tremenda confusão que deu no final. A última música que tocamos foi “Religião”, uma crítica pesada aos padres e a igreja católica.

Há alguns metros do palco havia uma igreja e no final do show iniciou-se uma missa. E não é que, mesmo com o tosco som do show, a igreja se incomodou com o barulho e com a letra de “Religião”. Eu só me perguntava como os fiéis e padre conseguiram entendê-la. A confusão na verdade tinha começado pouco antes do final do show, mas nós não havíamos percebido e alguns punks amigos foram lá bater boca com as beatas e o padre. O bicho lá pegou feio, a discussão virou briga, a polícia foi chamada e antes dela chegar pediram para que nós déssemos o fora. Dessa parte final só me lembro de umas 7 ou 8 pessoas apertadas na velha Variant de Celso e assim demos no pé. Depois nos falaram que até o padre apanhou. Sacanagem.



Show Revival realizado no Aeroanta em abril 1996:

Sete Doses de Cachaça

Gosto de escrever, o que é óbvio, e gosto muito de ler – só este ano já estou no meu 7º livro – e além de ler sempre a Folha de SP, quando tenho oportunidade leio o Estadão, O Globo ou qualquer outro jornal e revistas que caiam em minhas mãos.
Minha cabeça, como a de muita gente, fica trabalhando o tempo inteiro e, por isso, vivo escrevendo abobrinhas em meus cadernos. Mas essas abobrinhas que escrevo não cabem no meu blog As Efemérides do Rock Brasileiro, mesmo que por algumas vezes ponho alguns textos por lá que falam de música e política. Por não querer poluir o blog e não querer confundir os assíduos leitores das efemérides, resolvi criar mais esse blog, mas sem divulgá-lo. Pus um link, mas sem dizer nada, apesar uma reticências, o que de fato esse blog, pra mim, é.
Não quis divulgá-lo, pois o Sete Doses de Cachaça não tem pretensões além do meu gosto pela escrita. Aqui postarei textos sobre qualquer assunto, com profundidade ou não, e postarei quando quiser, sem a obrigação diária.
Li algumas vezes matérias que foram publicadas e que falavam sobre blogs e suas regras. Mas desde quando blog tem que ter regra?
Jornalistas adoram inventar coisas para “ilustrar” suas matérias e que muitas vezes não passam de blá blá blá.
A maioria deles diz que é preciso publicar textos diariamente. Mas por quê? Oras, isso depende do blog!
Como fazer regras para uma coisa que é pessoal? Na minha casa quem faz as regras sou eu: se eu quiser deixar a louça suja, o banheiro molhado ou colocar uma cama na sala o problema é meu. A mesma coisa acontece com os blogs.
Afinal depois de sete doses de cachaça qualquer assunto é legal e qualquer filosofia é barata.

11 de abril de 2007

Nossos Queridos Deputados

Nesta semana nossos queridos deputados federais decidiram não mais trabalhar nas segundas feiras, como se eles um dia trabalharam no início de semana. Lembro-me que durante a campanha para presidência da câmara, nosso querido presidente da casa disse que umadas coisas que iria fazer, era exatamente fazer com que a câmara funcionasse nas 2ª feiras. Para não trair a tradição, mentiu.
Nossos queridos deputados que ganham pouco mais de 12 mil reais para trabalharem três dias por semana também querm aumentar seus vencimentos para pouco mais de 16 mil. Eles merecem, né?
Quanto a folga de segunda – já existe a folga da sexta – eles alegam que precisam estar em suas bases eleitorais para, ugh, trabalhar. Mas eles não tem 90 dias de férias? Então porque não aproveitar parte desses dias para trabalharem em suas bases? Afinal uma das desculpas de se ter 90 dias deferias é exatamente a necessidade de estarem em suas bases eleitorais.
É realmente difícil fazer esse país crescer.
Fim de semana de quatro dias é o que eles não merecem mesmo! Nós é que merecemos.
Além de tudo isso, nossos queridos deputados querem aumentar uma parte da verba de gabinete de 50 mil para 65 mil. Já que estamos nadando em dinheiro, é melhor que eles fiquem à vontade.
Minhas perguntas são: quanto será o gasto da união com todos esses aumentos? E a reforma política? E nossa saúde e educação públicas? E os 10 milhões de empregos prometidos por Lula em 2003? E a crise aérea? E os sanguessugas e mensaleiros? E a crise carcerária? E nossas estradas? E a aplicação correta de nossos impostos? E a indecência dos gastos no Pan?
Quando políticos têm a chance de entrarem para a história pela porta da frente, eles preferem a porta de trás. Azar o deles e, pior, azar o nosso.
No Brasil é assim, cada um olha para o próprio umbigo e o país vai se afundando cada vez mais.
Mas aqui é assim: só resolvem desativar a bomba quanto ela explode. O Brasil só vai crescer e ser realmente rico quando o mundo acabar.
Eu já enviei meu email para o Sr. Arlindo Chinaglia, presidente da câmara, entre outros tantos. Faça o mesmo você:
http://www2.camara.gov.br
http://www2.camara.gov.br/deputados
dep.arlindochinaglia@camara.gov.br

Foi-se o Tempo

Foi-se o tempo em que o mercado fonográfico era legal.
Foi-se o tempo em que escutar rádio era legal.
Foi-se o tempo em que esperar um amigo ir para o estrangeiro para trazer as novidades musicais era legal.
Foi-se o tempo em que sair a noite em busca de um bom show era legal.
Foi-se o tempo em que às bandas formadas eram poucas e todas sabiam muito de música.
Foi-se o tempo em que tínhamos uma voz ativa entre os rockstars brasileiros. Foi-se o tempo em que tínhamos bons letristas.
Foi-se o tempo em que novidade era de fato uma novidade.
Foi-se o tempo em que o diferente era de fato diferente.
Foi-se o tempo em que não se faziam poses.
Foi-se o tempo em as gravadoras ditavam as regras (ainda bem).
Foi-se o tempo em que nas cidades havia as “cenas”.
Foi-se o tempo em que montar uma banda era só uma forma de quebrar o tédio.

Mil Gols de Romário

É lamentável ver a cobertura da mídia, principalmente da Globo e da imprensa carioca, em relação aos 1000 gols de Romário. Até porque ele está bem longe dessa marca. Mas aí os jornalistas e ele próprio diz que a contagem não é só de jogos oficiais e profissionais. Isso é balela. Se é assim então prefiro ficar com os mais de 10 mil gols que o empresário de Chico Buarque já fez em suas peladas semanais.
Se o jogador é profissional, então que conte os gols feitos pelo profissional. Então eu me pergunto o motivo pelo qual Romário não conta os gols que fez no terrão que jogava perto de sua casa quando moleque, pois um amigo de infância seu disse que se contar esses gols, ele passa de 1.500 fácil.
Tá todo mundo esperando o gol mil e o PSV já informou que ele já saiu,pois achou em seus arquivos um gol feito por Romário durante um amistoso qualquer lá. Porque então ele ignora esse golzinho?
Não tenho nada contra Romário, pelo contrário, ele é um dos melhores jogadores do mundo e na área não existe ninguém tão bom. Ele nos deu uma Copa do Mundo e é sim, afinal, um grande jogador.
A cobertura da Globo / Sportv chega a irritar. Toda vez que tem jogo do Vasco no Maracanã, a emissora monta toda sua parafernália lá e transmite todos os programas do dia dentro do estádio. Isso é ridículo. Outro dia eu até vi um repórter, por faltade assunto, entrevistar um narrador de rádio e pedir a ele para narra o milésimo gol de Romário. Foi uma cena lamentável.
Semanas atrás Romário foi ao programa Bem Amigos – e diga-se de passagem foi um dos melhores senão o melhor desde sua estréia, e foi também lamentável ver todos os jornalistas puxando o saco de Romário, sem ninguém contestar os 1000 gols. O que ficou claro ali, foi uma ordem vinda da diretoria para não contestar esse número e prestigiar ao máximo os mil gols. Romário contou grandes histórias, mas ele espirrava e todo mundo dava risada, aplaudia. Foi ridículo!
Se Romário quiser fazer mil gols, então ele precisará jogar por pelo menos mais uns 5 anos, isso se fizer uma média de 50 gols por ano.
Comparar com Pelé nem vale, pois o Rei fez mais de 1.200 gols numa época em que haviam muito menos partidas por ano. Os tempos eram outros.
Mas tudo bem, se Romário acha que fará seu milésimo gol, deixa ele, pois o médico pediu para não contrariá-lo.