13 de dezembro de 2015

Série O Resgate da Memória: 45 - Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana no Correio Braziliense (1984)

Em um tempo em que o rock não era levado a sério, três bandas de Brasília surgiram com outra postura, outro discurso, outro contexto. Isso assustou todo mundo... no bom e no mau sentido. Quando digo todo mundo, incluo aí não só a mídia e público, mas as próprias bandas de rock da época, que circulavam por Rio-SP.

Se você ver na prática, perceba (sem desmerecer ninguém!!!!): Titãs “Sonifera Ilha”, Paralamas “Vital e Sua Moto”, Kid Abelha “Fixação”, Lulu Santos “Um Certo Alguém”, Barão “”Pro Dia Nascer Feliz”, Magazine “Eu Sou Boy”, Ultraje “Inútil”, Gang 90 “Louco Amor”, Blitz “Weekend”...

Existiam sim bandas com postura mais séria, com discurso diferenciado e não os temas pop que predominavam, como esses que estão acima. “Inútil” tinha sim um forte discurso político social, foda e lindo, mas todo mundo levava na brincadeira.

Os que citei, são ótimos artistas e ótimas músicas, datados de 1983, ano em que as bandas de Brasília começaram a olhar e frequentar o eixo Rio-SP com outros olhos. Capital Inicial participou do histórico Fábrica do Som, programa da TV Cultura. Foi a primeira grande aparição de uma banda da Turma em televisão – não conto aparições nas tvs locais. FdS era um programa de respeito e todas as bandas da época tocavam lá, além de nomes da MPB como Itamar Assumpção...

Aí, no meio de todo esse discurso pop, com muita gente já achando que a coisa iria descambar para um novo discurso datado e inocente à la Jovem Guarda, eis que surge as bandas vindas de Brasília. Mais precisamente Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana. Todas elas surgindo de repente, de uma vez, com um som já definido, com discurso e postura semelhantes, repertório para basicamente dois discos, já com dezenas de shows no currículo, com história iniciada em meados dos anos 1970, todo mundo se assustou e se perguntou: "Como assim?!?!?"

Plebe, Capital e Legião deixaram muita gente desnorteada, e quando chegaram na pauta da grande mídia e do mainstream, chamaram a atenção até de dinossauros consagrados da MPB.

As bandas de Brasília quebraram paradigmas, chegaram chutando a porta e não tendo nada a perder. O próprio Hermano Vianna, no livro O Diário da Turma 1976-1986, relata uma vez em que muita gente da Turma estava no Rio para shows no Circo Voador – as bandas, “roadies”, amigos, agregados – e viu aquele bando como uma gang diferenciada. Mas era mais que gang. Era família. É família!

A postura e o discurso das bandas de Brasília fizeram muitos compositores de bandas e solo, de rock ou MPB, rever seu texto e acordes. E você pode ver mudança na sonoridade de muita gente, e no discurso também, a partir de 1986.

Na época em que tocavam as músicas que citei no inicio do texto (em rádios e programas de TV), Capital inicial já tocava “Veraneio Vascaína”, “Autoridades” e “Leve Desespero”; Legião já tocava “Teorema”, “Conexão Amazônica” e “A Dança”; e Plebe “Proteção”, “Voto em Branco” e “Pressão Social”.

Com discurso mais próximo do que era a Turma de Brasília, havia em SP o Ira!, as bandas punks independentes e a cena alternativa, digo Smack, As Mercenárias, Voluntários da Pátria...

Mas foram Legião, Plebe e Capital que chegaram ao mainstream com um discurso de palavras objetivas e bem colocadas. Com um jeito bem particular de tocar, exatamente por falta de técnica e estudo. Todo mundo autodidata, cada instrumentista acabou desenvolvendo um estilo muito particular e de personalidade – é só ouvir Dado, Bonfá, Fê, Loro, Philippe, André e todos os outros que iniciaram essa história de Rock da Capital. Todos ótimos instrumentistas (até o Jander! rsrs). É só lembrar que puta banda era Dentes Kentes. E XXX?!?!

Cazuza mudou, Titãs mudou, Caetano mudou, Paralamas e zilhares de outros nomes mudaram ao ter contato com as bandas de Brasília. O rock brasileiro dos 80 deve ser visto como antes e depois das bandas de Brasília. Exagero meu?

Aqui vai a transcrição de uma reportagem de 24 de outubro de 1984, do Correio Braziliense. Essa foi a última grande reportagem local sobre as bandas da Turma, antes delas fazerem sucesso nacional. Logo na sequência a Legião lançou o 1º disco (1º de janeiro 1985), Capital foi para SP e Plebe começou a preparar o terreno para sair de Brasília.

E mesmo com todas as reportagens que saiam na época pré sucesso, brasilienses cagavam e andavam para essas e todas as outras bandas da cidade. Então hoje, tome muito cuidado quando alguém de Brasília te dizer que conhecia Renato Russo e as bandas da Turma da Colina antes do sucesso, porque há chance de ser 99,9% mentira. O desprezo era geral, eram só amigos e agregados que ouviam essas bandas.

Essa reportagem do Correio é histórica, não só pelo espaço dado, mas por colocar as bandas na porta de entrada do mainstream dizendo, grosso modo, “foram lançados ao monstro, agora é com eles, provem que coseguirão sobreviver”, e é muito legal ler isso depois de 31 anos e dezenas de discos e hits lançados. Muito legal ler isso vendo o legado e o que acontece ainda hoje. (além da forma como era escrito os textos dessa época)

O Rock da Turma da Colina é foda, meu irmão!

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Legião, Plebe e Capital no Correio Braziliense
24 de outubro de 1984
Caderno Atualidades

A Utopia de Brasília Para as Massas

Por Celso Araújo (correspondente)

As bandas de rock da cidade incendeiam o aís na mais feroz resposta do vazio cultural da Capital

A utopia de Brasília finalmente é revelada para todo o País nos gritos musicais das novas bandas que tomam o mais polêmico espaço na criação brasileira. Uma cidade de carros oficiais, estados de emergência e desesperos concretos, assustadoramente, apresenta a mais fina nata do rock brasileiro, depois de uma fase de romances açucarados e divulgação massificada de uma nova onda de rebeldia, à Jovem-Guarda, no corpo da juventude brasileira. Os punks brasilienses negam tudo, até mesmo o rótulo, e mostram porque são legítimos, são legião, e odeiam as ilusões.

Rio – Caros camaradas futuros Revolvendo a mediocridade fóssil de agora, lançando clarões nesses dias de palcos escuros, os novos aventureiros do rock entram em cena. Brasília parece sofrer seu primeiro abalo. Algo das profecias de Dom Bosco e Tia Neiva começa a sacudir o tédio e a letargia do Planalto: são os punks, do cerrado, as feras da discórdia na rígida árvore genealógica da MPB e chamam-se Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

Os caras acabam de ferver o mais descabelado som na fundamental jornada Festin Rock, em cartaz em todo mês de outubro, no Circo Voador. A Lapa perdeu um pouco sua maquiagem nostálgica e os fantasmas chorões de outrora: os garotos gritam a plenos pulmões, são pequenos e endiabrados Maiakovskis, empunhando guitarras como espadas de raio laser e versos incendiários.

Estão revelando, desde já, e diretamente para todo país, a mais insólita cidade do terceiro mundo, a nave de concreto que se chama Brasília e até hoje ocultou-se sob a máscara do Jornal Nacional, do cartão-postal da Praça dos Três Poderes e dos labirínticos debates parlamentares.

A olho nu, as três bandas brasilienses são a mais feroz resposta ao até agora proclamado vazio cultural da nova capital. O frenesi que toma conta deles nos espetáculos ao vivo corresponde ao rancor, ao cinismo e à santa ironia de hinos pops que falam de alienação pela tv, soldados na Esplanada, prazeres físicos, retratos públicos, negócios capitalistas e paranoias oficiais brasilenses.
“Moramos em Brasília, capital da esperança, cidade destinada à função dos três poderes da República. O quarto poder, a juventude, foi esquecido, pois é o futuro da Nação. A Plebe Rude se enquadra nesse esquecimento”, é como se define uma das bandas azaradas pelo Circo Voador em seu festival legítimo e autóctone.

A Plebe Rude, formada por André (baixo), Jander (guitarra e vocal), Gutje (baixo) e Felipe Seabra (guitarra) é, das três bandas, a que mais segurou a respiração. Agora também deve integrar a primeira trindade de bandas  brasilienses que começam a conquistar o mais precioso espaço do rock brasileiro, o espaço do rock de vibração original, demolidor, político, diversionista.

E a prova definitiva virá no primeiro disco da Legião Urbana (Renato no vocal e baixo, Marcelo na bateria e Dado Villa Lobos na guitarra), a sair no próximo mês de novembro pela gravadora Odeon. O próximo grupo a assinar contrato será o Capital Inicial. Finalmente as gravadoras decidem gastar bem suas horas de estúdio e acetato.

O Capital Inicial composto por Fê, na bateria, Flávio no baixo, Louro na guitarra e Dinho, na voz. Como os outros dois grupos já citados, também nasceu entre superquadras e endereços do Lago residencial. No início de tudo, o Aborto Elétrico, um caldeirão de jogadas punks que desaguaria no chamado “rock de Brasília”, agora o mais respeitado do país, tanto em novidades musicais quanto em mudanças no bloqueado esquema de informações.

Dai, o susto que Brasília deverá provocar, se revelada por esses garotos saídos da UnB ou dos cursinhos pré-universitários, para o mundo turbulento do show e da música industrial. Garotos imberbes que nos finais da surda década de 70, acumularam gritos, distorções, ritmos incisivos e imaginação poética desesperada.

O Circo Voador e algumas casas noturnas de São Paulo foram o front que os consagraram, mas a coisa começou a rolar mesmo por Taguatinga, Cruzeiro, Sobradinho e até Patos de Minas. Renato Russo, da Legião, lembra que, entre 78 e 79, os bem pensantes e articulados da UnB os tratavam com certa distância e frieza. A essa altura, contrariando os ideólogos do PT e os psicanalistas do colégio Frediano, eles gritavam como ratos saídos do esgoto: “nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado”.

Mas a viagem vai se iniciar mesmo é agora. Afinal, entra o peso do disco, dos programas de televisão, dos vídeos, dos contratos: “mas nós somos cobras da notícia”, gargalham eles na sala de um hotel em Copacabana, fartos depois da temporada do Festin Rock. Toda diferença está em ser de Brasília e viver bombardeado de informações por todos os lados. “Estamos bem à frente de São Paulo e Rio nas coisas que chegam de Londres ou Nova York”. E confirmo, veem o Brasil por dentro.

Como Brasília é a “melhor cidade do interior do mundo” e o tédio seu clima ambiente, tal mormaço serviu como energia de ativação. Algo musical e poeticamente contrário aos modismos veiculados pela comunicação global e nem tampouco esperado pelos executivos de marketing.

Os próprios rapazes de assustam. Afinal, estão entrando no terreno mais conturbado da indústria cultural, em um país subdesenvolvido, que tem de descontar toda a deficiência técnica com muita garra e suingue. Espantam-se inclusive, por chegarem tão depressa a uma área que até hoje dificulta a vida de um Jorge Ben ou que passou dez anos para dar vez a Lulu Santos e Ritchie.

O pontapé inicial de tudo passou pela conexão Brasília-Londres, por incrível que pareça. Garotos ligados em Sex Pistols, nos legítimos canibais do rock pós-decadência, pra lá do rótulo angelical de new waves.

“Nós fazemos música, fazemos nossas roupas, cartazes e até instrumentos. Não ficamos em festinhas, segurando o dry Martini. Somos do tipo aja já. É uma necessidade física. Porque aos 17 anos voltamos a desenhar guitarras nos cadernos escolares?”

Num tempo de Travolta e discotecas enlatadas, a amizade instantânea entre os garotos começou a disseminar o sentido panfletário do rock e as últimas novidades dos pubs londrinos. Fê, baterista do Capital, diz que três elementos contribuíram para o impulso final: a transa punk e todos os seus estilos correndo nas veias do mundo. A necessidade de falar e fazer a catarse do sufoco e, ainda, a revolta, o manifesto de desacordo. “Como diz o Russo ‘cuspir o lixo em cima de vocês’, na música “Geração Coca-Cola”.

Eles se amam, se adoram, ao contrário do que andaram publicando. O sensacionalismo jovem-guarda não funciona mais, “Apesar da repressão”, os rapazes não se intimidam com discursos e combates sensacionalistas da imprensa. Fê(lipe) Seabra (sic), o guitarrista alucinado da Plebe, um cara que se agita até nas ondas alfa, pula da cadeira, dança no ar gritando: “o único rock vivo no Brasil somos nós, cara. Os outros são uns vendidos”.

A mistura agora é para ser adjetivada com escândalo. No próprio Festim Voador, eles se entusiasmaram com a presença dos Golden Boys, os crioulos dançantes da década de 60. Há um número excessivo de bandas e a proliferação vai continuar, até que haja uma saturação e uma definição maior do programa geral.

A inocência, portanto, deve acabar e começa por Brasília e é dessa vez que se rompe o círculo vicioso de considerar apenas o eixo Rio-São Paulo no momento de computar as novidades e pesar os contrastes. Colocação histórica e punk de Renato Russo, que não gosta de rótulos:
_ É algo como a garotada da Vila Rica, os inconfidentes. Eles eram artistas e o que eles podiam fazer era escrever poemas. Na década de 20, isso ficou com os pintores. Agora é o vídeo-clip e o rock.
Palavras como movimento, radical, profundo e processo, mesmo que despidas do sentido corriqueiro, não agrada a eles. Preferem falar do lance individual e da possibilidade que tem cada filho da mídia de se orientar nesse mar de sensações e provocações eletrônicas.

Há, porém, senhas de comando: não aceitar tudo o que está aí, não deixar se manipular, não ceder, não facilitar-se, até mesmo da manipulação amorosa, reconhecem. Com os Paralamas, e agora a Legião, Capital e Plebe, forma-se o primeiro regimento de rebeldes brasilienses, uma geração espontânea que ainda anuncia outras hordas como Finis Africae, Diamante Cor-de-Rosa, Banda 69, Escola de Escândalo.

Brasília foi ingrata, isso reconhecem. Agora, quando forem devolvidos e lançados via-satélite, a coisa deve mudar. Não é preciso ficar copiando os modelos e as expressões de Ipanema, via televisão, na sala de jantar. “Somos soldados pedindo esmolas, e a gente não queria lutar”, diz a letra de uma das músicas da Legião Urbana.

Nos quintais do Poder não haverá mais sossego. A zorra sonora, pacífica e vibrante dos rapazes servirá como antídoto às normas, à repressão e aos códigos de uma cidade controlada, de funcionários públicos e distâncias infinitas do resto do País.

Os versos valem mais que um semestre da UnB buscando entender as coisas.. Os versos, cantados em velocidade mirage, articulados guturalmente, do fundo do estômago, falam do código penal, da solidão na superquadra, da prova idiota do vestibular, das unidades repressoras oficiais, dos tambores da selva de cimento e vidro, das mitologias como o sexo, as drogas e o próprio rock’n’roll.


Pronto: Brasília, uma cidade sem história, mas antiga, no dizer de um dos hinos inflamados, devolveu ao País o suor de seus filhos. Pode vir ser novamente a capital da esperança. O concreto já rachou, a velha nave naufragou e a sua banda de descontentes pulou fora. Quem quiser manter-se anestesiado, é só colocar ceras nos ouvidos. 

2 de dezembro de 2015

22 de novembro de 2015

Pearl Jam 7x1 Artistas Brasileiros

Nossos artistas de hoje, contando também os que estão aí há décadas, são uns alienados, covardes e adoram tirar o cú da reta pra tudo!

Nunca vi uma classe artística tão desunida, tão individualista e tão egoísta como a de hoje. Chega a dar repulsa!

Muitos idiotas escondem sua apatia e sua incapacidade de ajudar, atrás da velha máxima “eu ajudo, mas não fico por aí divulgando porque senão todos virão atrás de mim”. Mentira! Isso é desculpa escrota de gente mesquinha e de alma bem pequena.

O mundo pegando fogo e a pessoa no palco cantando trálálá, como se estivesse tudo ok no Brasil e no mundo. Não quero e não sou louco de jogar toda a responsabilidade para a classe artística, mas ela está sim apática, preguiçosa e egoísta.

E não vou me ater apenas aos artistas em si, mas também aos produtores, empresários e executivos que giram em torno desse universo. Gente que, com apenas um telefonema, pode resolver um monte de questões.

Gente que, quando há interesse e cifrão envolvidos, não pensam duas vezes em fazer um ou dois telefonemas para a realização de um evento, de um show, de um encontro ou qualquer coisa do tipo.
Tenho um amigo podre de rico que um dia vendo, ao meu lado, toda a desgraça que aconteceu em Petrópolis, em 2010/11, olhou pra mim e perguntou: “como posso fazer pra ajudar?”.

Eu disse: você não conhece um monte de gente influente? Não consegue realizar coisas impossíveis para sua empresa? Então, liga pra essas pessoas e vê como pode fazer! (ele tinha visto um empresário carioca que havia cedido seus caminhões para levar alimento e roupas para as vítimas).

Ainda falei que ele podia ligar para o Rio e descobrir como ajudar. Nada difícil. E o que ele fez? Absolutamente nada.

E o que os artistas podem fazer? Montes de coisas! Pedir para que o público leve alimentos e roupas aos shows. Ajudem a divulgar locais onde se aglomeram doações e voluntários, eles mesmos levarem doações. Até atos simples como divulgar um telefone ou um local onde pessoas a fim de ajudar possam chegar.

Veja só o que o Pearl Jam, uma banda americana em passagem pelo Brasil, fez: doou seu cachê para as vítimas de Mariana. Esse ato é pra deixar qualquer artista brasileiro envergonhado (afinal quantos deles ajudaram essas vítimas ou de quaisquer outras catástrofes?).

Certa vez nos anos 80 houve uma tentativa de fazer uma reunião para arrecadar fundos para os nordestinos que sofriam com a fome e a falta de água. Era o projeto Nordeste Já, e a música chefe do compacto foi “Chega de Mágoa”. Música de Gil e escrita a trocentas mãos. A música é legal, mas foi triste ver uma coisa surgir na cola do USA For Africa (“We Are the World”) e Band Aid (“Do They Know It’s Christmas?”), e não de coração. E mesmo assim, não houve mais nenhuma ação. Acabou por ali. Rendeu um clipe bacana para o Fantástico.

Ninguém faz nada. Qual força tem Zezé Di Camargo, Xororó, Ivete Sangalo, Roberto Carlos, Michel Teló, duplas sertanejas e tantos outros artistas de enorme alcance popular? Pô custa a eles virem a público e dizer uma palavra, mostrar que estão ajudando e mobilizar seus fãs?

Essa iniciativa deveria, sim, ser do Governo Federal, mas sabemos da inutilidade do Governo atual. Será que todos esses artistas não conseguiriam mobilizar outros grandes artistas para planejarem uma ajuda mútua? Ou simplesmente uma ajuda solitária mesmo, sem mobilização, sem escarcéu.

Não sou eu que tenho acesso fácil a políticos e gente importante e influente. Não tenho uma equipe trabalhando pra mim, que eu possa pedir para entrar em contato com o prefeito de Mariana, o secretário de sei lá o quê, o governador ou o diabo que for! E mesmo assim muita gente que não tem nada disso, nem influência ou dinheiro, ajuda como pode.

Será que esses artistas cabeças de bagre não pensam nisso? É nessa hora que eles devem mostrar o poder que tem diante de seu público! É a chance de fazer algo de bom de verdade! De ir para a imprensa e mostrar que pode ajudar de alguma forma.

Mas não. Artista no Brasil é assim mesmo: “O que eu vou ganhar com isso? Qual é o meu cachê? Que música eu vou cantar? Vou poder falar do meu disco?”

Já houve momentos de união contra censura, ditadura, eleições diretas e até mesmo para combater a coitada da guitarra elétrica.

Mas há bem mais que acomodação aí. Muitos artistas acabam dependendo de dinheiro público. Lei Rouanet que ajuda em turnê, documentários, promessas de ingressos a preço popular, mas chegam à cidade, o show ou a sessão custam R$ 150,00 no mínimo! Daí o artista tira o cú da reta mais uma vez dizendo que é coisa do contratante, que não sabe de nada. Tem sim artista que acaba ganhando uma grana vinda de políticos, partidos, doações estranhas. O Gil foi Ministro, a irmã de Chico Buarque foi Ministra, tem um monte de coisas aí que nós reles mortais não sabemos e nunca vamos saber. Então preferem ficar na deles pra não parece que estão contra quem os ajudou.

Artistas se conhecem, se encontram em shows, festivais, eventos. Tocam juntos, se veem em hotéis e aeroportos. Alguns levam a amizade para além da profissão. Porque não se falar, articular, eleger dois ou três que possam ser os porta-vozes de uma bonita campanha.

Eu sei que há o falastrão que na verdade não faz nada, e o quietinho que muito ajuda, que não são todos os artistas que são egoístas assim, mas a grande maioria. Nesse momento é pra gritar, mostrar exemplo! É uma forma de incentivo a solidariedade. Pô! Baita oportunidade de mostrar na prática o que é ser altruísta, cada artista conscientizar seu público... Mas não. Todos eles têm o amplificador Foda-se mega turbo ligado no máximo! Um horror!

Pearl Jam 7x1 Artistas Brasileiros

PS: Também não vi nenhum artista se manifestando contra o fechamento das escolas públicas em SP...

10 de novembro de 2015

Gozar Com o Pau dos Outros

Sem dúvida essa é a mais longa publicação que fiz no Sete Doses de Cachaça!

Escrevi esse texto para desabafar, porque depois de tantos anos tomando na cabeça e ficando quieto, deu vontade de falar, afinal, não fui eu quem me aproveitei dos outros. Não fui eu quem errei. Não devo nada a ninguém.

Por um bom tempo fiquei quieto na minha, mas agora resolvi soltar o verbo.... ao menos um pouco rsrs.

Em 1997, acometido por uma terrível Síndrome do Pânico, resolvi arregaçar as mangas e fazer algo para distrair minha cabeça. A atividade escolhida foi escrever um livro. Depois de muito pensar no que iria colocar no papel, resolvi fazer um livro sobre o Rock de Brasília, afinal convivi desde pivete com todo aquele pessoal que nos anos 80 chegou ao sucesso: Legião, Capital, Plebe e outras bandas que acabaram não fazendo tanto sucesso, mas que foram importantes pra mim e pra Turma de Brasília.

Se eu iria publicar o livro eu não sabia, até porque eu não sabia o que teria na mão depois de conversar com todos que eu desejava conversar.

Ainda envolvido na criação do livro O Diário da Turma, em 1998, comecei aos poucos a fazer uma ultra pesquisa que já sonhava em fazer desde que havia entrado na MTV, em 1993: juntar todas as datas do rock brasileiro que eu pudesse conseguir.

Em 2001 lancei o livro. Por essas coincidências da vida, ele saiu no dia 19 de junho, no mesmo dia em que Rodolfo anunciou sua saída do Raimundos.

A pesquisa peguei firme e ela continua até hoje. E com ela consegui juntar até mais do que eu imaginava. Consegui as datas de lançamento de todos os discos clássicos do rock brasileiro, aniversários, mortes, curiosidades, shows e todo o tipo de acontecimento e curiosidade que você possa imaginar. Sempre indo atrás de várias fontes.

Não foi uma pesquisa de Google, até porque quando a iniciei, a internet era discada, nem havia computador caseiro, e poucas empresas tinham acesso a rede. Eu fui ao banco de dados da Folha de SP, do Estadão, comprei discos de vinil, livros, revistas antigas – dos anos 60, 70, 80 e 90 – e fui juntando tudo o que podia. Nâo só revistas musicais, mas revistas semanais de notícias como Veja, Isto É, Manchete, Fatos e Fotos e até Contigo. O que eu não achava de data, eu ligava para o próprio artista. Falei com músicos da jovem guarda, do rock progressivo, enfim, de todas as épocas. Do cara que hoje é vovô até os famosos dos anos 90. Cheguei a parar um ensaio do Nação Zumbi só para pegar com eles algumas datas que não achava de forma alguma. Liguei para gravadoras, falei com produtores e executivos. Recebi datas de gravadoras, pesquisei o enorme arquivo musical de clipping da MTV (mesmo não estando mais trabalhando lá). Corri, fui atrás, com cara de pau e ajuda de amigos.

Consegui tanta coisa que hoje apenas observo o que acontece nos dias atuais e, se tem certa relevância, entra na pesquisa. Mas volta e meia ainda acho fatos importantíssimos do nosso rock.

Consegui ao longo desses anos todos, e lá se vão quase 20 anos de pesquisa, coisas que nem mesmo os próprios artistas sabem. Alias, artista não sabe de data nenhuma referente ao seu trabalho e carreira. Isso eu aprendi rápido kkk. É a história do rock brasileiro contada através de datas, e em seus mínimos detalhes.

Já tentei publicar essas efemérides de várias formas, mas não consegui nenhum parceiro que visse importância nesse material riquíssimo. Na Europa e EUA esse tipo de publicação é comum. Existem ótimos livros de efemérides, e que contam tudo do rock desde os tempos primórdios. Minhas datas se iniciam em 24 de outubro de 1955, quando Nora Ney gravou o 1º rock no Brasil.

Acabei por abrir um blog chamado As Efemérides do Rock Brasileiro, primeiramente no UOL e depois no Blogspot. Depois de um ano no UOL (ou pouco mais) e 40 mil views, entrei em contato com o site para saber se havia interesse em fazer alguma parceria. Nada de resposta. Resolvi sair de lá, já que fui ignorado algumas vezes, e criei o mesmo blog, mas no Blogspot.

Bem, fato é que após eu publicar meu livro e começar a publicar minha pesquisa de datas, comecei a sentir na pele a velha afirmação de que existem pessoas que adoram “gozar com o pau dos outros”. Hoje tenho PhD em ver pessoas gozando com meu pau.

Primeiro começou com a revista Bizz que, através de um mau jornalista e mau caráter que morava em Brasília, me procurou querendo fazer uma reportagem sobre meu livro do Rock de Brasília.

(não vou ficar citando nomes desses jornalista bulhas que me sacanearam. Não vou dar meu espaço pra eles. Não merecem)

Isso talvez já fosse 1999, quando ainda estava conversando com o pessoal da Turma, juntando as histórias, e também algumas fotos. Mas lhe falei de algumas coisas que eu iria colocar no livro, fotos, desenhos, mapas. Pô, era uma reportagem sobre meu livro! Queria que todos soubessem o quanto seria legal!

Achei legal a Bizz me procurar. Era um bom pontapé para a divulgação do livro, mesmo eu nem sabendo como seria tudo, apenas tendo idéias soltas na cabeça...

O jornalista me ligou e eu estava na MTV trabalhando. Ficamos por ao menos 2 horas ao telefone. Contei tudo, dei detalhes e tal. Ele me agradeceu e disse que faria uma super reportagem. Fiquei feliz! Se não me engano ele descobriu sobre meu livro porque havia feito algo com Dinho e talvez com outros artistas de BsB, não lembro.

Sei que de repente alguém próximo me disse que a Bizz havia lançado uma série sobre o Rock de Brasília em 3 ou 4 edições, e em nenhum momento da grande reportagem o tal jornalista citou meu livro. Ele simplesmente pegou a entrevista que fez comigo, a usou de pauta e escreveu uma série sobre Brasília, com as fotos, mapas e tudo o que eu disse que haveria no livro. Igualzinho, tim tim por tim tim.

Muita cara de pau! Ele fez exatamente o que eu disse que faria. Sem dúvida uma grande filhadaputagem. Coisa de quem é mau caráter mesmo. Coisa de quem é péssimo profissional.

Essa foi a primeira vez que vi gozarem com meu pau. E pelo jeito a pessoa gostou. Inclusive depois disso esse jornalista nunca mais me procurou. Já reclamei dele publicamente e até hoje nada. Um infeliz que queria ter vivido tudo aquilo, mas que não viu nada sequer de longe. E ainda teve a cara de pau de lançar livro referente a Brasília...

Se alguém tem aquela Bizz (eu tenho ao menos dois nº) pode ter certeza de que aquela matéria é minha. Foi o psit quem recebeu, mas fui eu quem a fez kkk. Eu tenho vários ghost writer hahaha.

Fato é que após eu lançar o livro, muitas histórias como essa se repetiram. Certa vez estava eu trabalhando e meu telefone toca. Era uma produtora X. Na ligação a menina pedia autorização para usar algumas fotos do livro. Estavam fazendo um documentário sobre Herbert Vianna chamado X e falou que não tinha dinheiro para pagar, ia ser difícil, pois o doc seria beneficente, não seria comercializado, e eram os amigos ajudando os amigos (sei)... blá blá blá.

Conversa vai, conversa vem, disse a ela que estava mais interessado nos créditos para o livro do que no dinheiro. Por fim, o doc seria sim comercializado, e me pagaram uma quantia Y para usar as fotos com a promessa de dar destaque para os créditos das fotos. Não houve nenhum destaque para os créditos como haviam me prometido e as fotos entraram no doc como se tivessem sido achadas pela equipe de produção. Lamentável. Mais um caso de gente com mau caráter. Gozaram com meu pau.

A produção do programa Altas Horas da GRobo (como diz o Didi), programa apresentado por Serginho Groisman, também me ligou certa vez para pedir autorização para usar algumas fotos do livro, pois o Capital Inicial seria o convidado do programa.

Eu autorizei com a promessa de ter o devido crédito na hora em que as fotos aparecessem. Não é que, por acaso, eu estava em casa, havia terminado de ver um filme na tv, assim que ele acaba, ponho na TV e estava passando o Altas Horas bem no momento em que Capital Inicial aparece! Eu nem sabia a data de exibição, pois ninguém havia me dito. Sério! Fiquei de olho no programa e eis que surgem as fotos do O Diário da Turma, mas os créditos piscaram tão rápido na tela que mal deu pra ver o primeiro nome. Bem, eu trabalho com vídeo, sou diretor e roteirista, e posso lhe assegurar que o nome do livro ficou no máximo dois frames na tela, ou seja, muito menos que um segundo. É mole!?! Mais um caso de pessoas com mau caráter, maus profissionais. Mais um gozo com meu pau. Custava deixar os créditos do livro tempo suficiente para lê-lo? Será que fariam isso caso fosse um livro da Editora Globo?

Em 2004 ou 2005 a Bizz, novamente a Bizz, fez uma série especial sobre o rock brasileiro. A revista já estava fora de circulação, mas lançou essa série especial com uma caixinha bem bacana pra guardar as revistas. Eram 4 números que abordavam da década de 60 até os 2000.

Claro que havia uma parte sobre o Rock de Brasília (na revista dedicada a década de 80). E dentro do assunto Brasília, fizeram um pequeno box sobre Fejão, mítico guitarrista de Brasília, que havia tocado no XXX, Escola de Escândalo, Fallen Angel e Dungeun. Porém qual o único lugar que havia informações sobre o querido Fejão? No Diário da Turma, oras! Ou seja, o texto do box sobre Fejão era praticamente o texto que eu havia escrito no início do capítulo sobre ele, com algumas mudanças. Você acha que houve alguma menção ao O Diário da Turma? Claro que não! Afinal, o lance é gozar com o pau dos outros, certo? Até liguei para  minha editora pra ver se havia algo que pudéssemos fazer, mas quem iria querer comprar briga com a gigante Abril?

Por falar em Abril, lembro também que, para o lançamento do livro, fui conversar com a MTV para levar uma equipe de reportagem na Fnac, onde haveria um coquetel de lançamento com convidados, imprensa, etc. Nessa época a MTV ainda tinham alguns conhecidos e fui a eles, no jornalismo, pedir para que fossem lá para dar uma força (eu tinha uma assessoria de imprensa contratada, mas eu mesmo fiz o pedido). Tudo certo. "Claro! Vamos lá sim." 

No dia do lançamento não só não apareceu a equipe da MTV como apareceram apenas duas ou três pessoas que trabalhavam lá (nessa época eu já havia saído da emissora). Todos lá sabiam do meu livro e deixei convites na mesa de todos! Tinha tanta imprensa que nesse dia dei entrevista até para televisão japonesa, mas pra MTV não! E tinha, entre tantos músicos, gente do Capital Inicial, Rumbora, Paralamas, Raimundos, VJs, atores, celebridades...

Mais recentemente a Ilustrada, caderno cultural da Folha de SP, me procurou. Um jornalista que disse ser de Brasília me ligou rasgando a seda para O Diário da Turma, dizendo amar o livro e que faria uma matéria sobre ele, já que havia sido fonte para o roteiro do filme Somos Tão Jovens, que estava sendo lançado. Conversa vai, conversa vem, o rapaz queria saber os nomes verdadeiros de personagens que apareciam no filme. Mas como eu não havia assistido, não sabia dizer quem era quem. Batemos um bom papo, ele sempre fazendo elogios ao livro e dizendo que iria escrever algo bem legal, pois havia chegado há pouco tempo na Folha. Fiquei feliz, pois eu estava prestes a lançar a 2ª edição (que saiu no início de 2014), e seria ótima divulgação.

A reportagem saiu com destaque na Ilustrada, mas não havia uma linha sequer sobre meu livro, nem título, nem citação. Absolutamente nada!

Não deixei de graça, e liguei na Ilustrada para tirar satisfação. O editor foi defender seu pupilo, mas sem saber muito o que dizer. Até se ofereceu para fazer uma reportagem do livro quando saísse a 2ª edição. É óbvio que recusei! Moleque já começou com o pé esquerdo na profissão. Mais um mau caráter e mau profissional sendo moldado. Gozou com meu pau.

Ah! O próprio filme Somos Tão Jovens usou meu livro para criar cenas e não deu crédito. Acabei assistindo ao filme, que achei bem ruim, e vi coisas ali que só estão escritas no O Diário da Turma. E dá-lhe gozo alheio!

Quanto a minha pesquisa das efemérides do rock brasileiro, acabei por tirar o blog do ar, já que muitas pessoas estavam usando de forma errada as informações que eu publicava. Além de não darem a fonte, alteravam o texto e as informações ao bel prazer. Assim que tirei o blog do ar reclamando dessas pessoas de mau caráter, mas sem citar nomes, algumas vestiram a carapuça e me enviaram e-mail pedindo desculpas. Mas já era tarde. Mais uma vez gozaram com meu pau. 

Quanta gente que adora gozar com meu pau!

Recentemente abri uma conta no Instagram para publicar as efemérides do rock brasileiro. Fiz a conta ‘o_dia_q’ (NOTA 2017: agora efemerides_do_rock_brasileiro) no final de julho e logo de cara publiquei uma data referente ao Planet Hemp. E o que aconteceu? A Revista Noize pegou a data e publicou como sendo dela! Recebeu trilhões de likes e não havia nenhum crédito para o_dia_q. Nem foi repostagem, antes fosse, já que esses app de repost dão o devido crédito.

Reclamei no Instagram, na própria publicação da Revista Noize, e também reclamei na página dela no Facebook. E o que aconteceu? Apenas um pedido de desculpas, com a velha desculpa de que um colaborador havia sugerido a publicação da data. Sabe quantas vezes já ouvi isso? 

A própria Revista Noize, em 2010, fazendo uma reportagem sobre o produtor Carlos Eduardo Miranda e os anos 90, chegou até mim acho que por sugestão do próprio Miranda (nos conhecemos desde o final dos anos 80). Eles queriam fotos do Miranda no BeBop (estúdio do então Banguela) que só eu tinha. Eu perguntei o valor do cachê, mas me disseram que era apenas um site independente, que dariam o crédito, mas que não tinham grana, blá blá blá. Fui ao site pra ver qual era, e me deparei com trocentos banners de propagandas de marcas grandes, marcas de respeito, marcas de empresas que tem dinheiro e que vemos suas propagandas nos horários mais caros da televisão. Quando voltaram a falar comigo, questionei todos aqueles banners e o que aconteceu? O dinheiro apareceu! De repente a revista tinha um bom cachê para pagar pelas fotos! Com os devidos créditos, claro. Ou seja, o mau caráter estava ali, mas dessa vez não o deixei me pegar! Hahaha 

Pô, como assim vão usar minhas imagens e não vão pagar pelo uso. Direito meu! Só eu que saia de VHS na mochila nas noites de shows em SP. E gastava uma puta grana comprando fitas rsrs.

Recentemente vi um texto no UOL que falava dos 20 anos do lançamento do 2º disco do Raimundos, Lavô Tá Novo. Publiquei a data um dia antes, no dia 2/11 quamdo foi lançado. Não sei onde Alexandre - nos conhecemos - viu a data, mas ela certamente saiu de mim. Na Wikipédia está lá 2/11. Mas garanto que essa data veio de mim e esse é um ótimo exemplo do quanto é brochante ver seu trabalho desvalorizado. Não culpo Alexandre, claro que não. Por um lado é bom ver que minha pesquisa serve de fonte para outros conteúdos, mas é triste ver o desdém pelo trabalho. Ninguém sabe ou pensa o quanto deu trabalho cada uma das datas que procurei. Tem datas ali que custaram caro. Estou falando de mais ou menos 700 datas.

Com O Diário da Turma foram 4 anos montando um quebra cabeça. Gastando dinheiro do próprio bolso. Foi prazeroso, mas muito difícil fazê-lo. Com o que ganhei até hoje ele apenas se pagou. Mas nesse caso o prazer não está no ganho material/financeiro, mas sim na satisfação pessoal. A vitória é minha e ninguém tira. Podem gozar com meu pau, mas a vitória é minha!

E também ninguém tira de mim a experiência que ganhei fazendo o livro, a pesquisa e o jogo (tenho um jogo musical de tabuleiro)

Eu sou o único cara no mundo que tem imagens dos anos 90 aqui de SP. Das bandas independentes da época: Killing Chainsaw, Pin Ups, Yo Ho Delic, Rip Monsters, OKotô, RDP, Happy Cow, Loop B e toda aquela cena doida. Tenho até raríssima imagem de Raimundos tocando para um Pacaembú vazio em um festival que não aconteceu – uma história bizarra onde havia toda estrutura de palco, mas não havia liberação da prefeitura para tal evento.

Por causa dessas imagens volta e meia aparecem pessoas das mais variadas querendo usá-las. São zilhões de doc sobre os anos 90 que estão fazendo. Um desses docs que foi recém lançado, tempos atrás a produção dele entrou em contato comigo para pegar imagens dizendo ser uma produção independente, que tudo estava sendo feito na raça, não tinha verba, daria os devidos créditos, blá blá blá. Não me disseram muita coisa sobre o doc, nem título, nem quem estava dirigindo, nada. Depois, vendo a diulgação do doc, percebi que era ele. E fiquei me perguntando: porque será que ninguém quis me dizer o nome do diretor, o nome do documentário ou o nome da produtora? O que posso dizer de tudo isso? O que eu posso achar de tudo isso?

Fico triste. Mas muito triste em ver o tanto de gente sem escrúpulos que existe por aí! Quer um texto sobre o rock de Brasília ou qualquer qualquer outro texto? Pede pra mim! Me paga que eu faço um puta texto! Quer imagens dos anos 90? Então vem conversar abertamente. Fale do interesse, de como podemos nos ajudar. Não minta! Gente estúpida e amadora.

Eu fico embasbacado de verdade em ver o tanto de gente que apenas monta nos outros. Não tem a capacidade de levantar as mangas e tomar iniciativa própria. Por que isso? Por que não dar o devido crédito? Por que não falar a verdade? Qual o problema em dar a verdadeira fonte? Por que querer gozar com o pau dos outros? Se você faz algo autoral usando outras fontes, normal, isso não é vergonha e nem vai te diminuir. Vou te contar...

Recentemente cedi minhas imagens dos anos 90 para dois amigos que estão fazendo um doc. Sabe porque cedi a eles as imagens? Por terem sido honestos comigo, por saber que eles irão valorizar as imagens.

Se você um dia pensar em fazer algo por conta própria, dou a maior força, pois foi isso que vivo fazendo. Não dependi de ninguém para fazer meus projetos. Fui à luta sozinho e consegui as coisas sozinho. Não devo nada a ninguém e quando coloco minha cabeça no travesseiro durmo tranquilo e com a consciência em paz.

Tem outros tantos exemplos de gente que quis gozar com meu pau, mas infelizmente não me lembro detalhes. Teve a Rádio Globo que pediu uma parceria com minhas datas, mas que depois descobri que estavam alterando as informações e descumprindo os acordos que fizemos, apenas para favorecê-la.

Também teve o caso da grande empresa de material escolar que quis comprar minhas datas, mas me ofereceu R$ 3.000,00 para eu dar as datas em definitivo ad eternum, sem créditos pra mim e, pior, eu seria proibido de usá-las. Apenas dei uma boa gargalhada na cara da pessoa.

Esse negócio de gozar com o pau dos outros é pra quem tem a alma pequena, pra quem é mau caráter, pra quem tem medo da vida, pra quem não tem capacidade própria, pra quem é frustrado. Por fim, pra quem é covarde.

Até tenho um jogo de tabuleiro que anos atrás quase consegui publicá-lo, mas não vingou. Aí eu desisti de ir atrás. Hoje jogo com os amigos e nos divertimos pacas. E sou o único no mundo que tenho esse jogo kkkk.

Eu simplesmente gosto de criar conteúdo. Se ele vai ser aproveitado, aí já são outros quinhentos. O importante, em primeiro lugar, é minha satisfação pessoal, eu me divertir e me distrair. De quebra, é sempre um grande aprendizado, uma experiência diferente para cada projeto que invento.

Eu vou a luta e digo com convicção, que é um delícia gozar com meu próprio pau. É tão gostoso que outras pessoas também querem meu pau pra gozar kkkk.

Siga efemerides_do_rock_brasileiro! Mas não roube as informações, ok? hehe

21 de outubro de 2015

Rock Brasileiro 60 Anos

Como diz a outra: loucura, loucura, loucura!!! Pasmem! O rock brasileiro completa 60 anos essa semana!

E essa data vem bem a calhar com o texto anterior. Vem a calhar porque pergunto: dos meios de comunicação conhecidos por todos os brasileiros, quais tem conhecimento dessa data, e quais irão falar a respeito? Uma resposta para duas perguntas: nenhum.

Brasileiro não tem memória. Se não sabe em quem votou na última eleição, como então saber que o rock brasileiro completa 60 anos essa semana? Infelizmente é assim. Não à toa o país é uma bagunça. Não cuidar da própria história é não cuidar de si (isso porque falo de cultura pop, imagine o resto!).

Uma pena que isso aconteça com uma data tão legal. Poderia ter, por toda essa semana, eventos e celebrações, shows especiais, pequenos festivais, programas de rádio e tv dedicados ao assunto. Departamentos de marketing, agencias de publicidade, criadores de conteúdo, todo mundo perde com a não valorização de nossa história.

Poderia se aproveitar que a maioria da velha guarda ainda está aí, como Caiubi Peixoto que gravou o primeiro rock cantado em português (“Rock’n’Roll em Copacabana"), Baby Santiago que trouxe brasilidade ao rock, Tony Campelo entre outros, e fazer uma grande homenagem juntando todas as décadas. Seria uma coisa bem legal, bastante significativa.

Porém infelizmente mesmo a mídia que se diz especializada vai deixar a data passar batida, mais uma vez, já que ao completar 10, 20, 30, 40, 50 anos, a data também foi esquecida.

Foi em 24 de outubro de 1955 que Nora Ney gravou “Rock Around The Clock”, em inglês, mas batizada de “Ronda das Horas”. Foi uma gravação feita para a trilha do filme de mesmo nome, que iria estrear aqui. Nora Ney era cantora de jazz, boleros e samba-canção, e foi convidada a gravar esse rock, porque sua pronúncia do inglês era perfeita, já que tinha uma bem sucedida carreira internacional.

Apesar dessa data ser um verdadeira marco para a cultura pop brasileira, ela não teve significado algum para Nora Ney, e esse fato é ignorado nos textos biográficos da cantora. Ironicamente Nora Ney morreu em 28 de outubro de 2003, 4 dias depois do rock brasileiro completar 48 anos.

Caubi Peixoto também teve sua rápida incursão no rock por pura falta de ídolos na época. Como era um dos mais populares cantores, foi convidado a cantar “Rock’n’Roll em Copacabana”, gravada em 1957.

Daí vieram outros artistas e cenas, a jovem guarda, o progressivo dos anos 70, o famoso rock dos anos 80, a “nova geração” 90, e os perdidos de 2000. Sempre aos trancos e barrancos.

Trancos e barrancos porque o Brasil nunca teve (e nunca terá) uma cultura rock. Natural. Normal

Dessa forma ele chegou aos 60. As gerações quase nada se falam entre elas. O que aconteceu na década de 70 foi bem diferente do que aconteceu nos anos 60, a mesma coisa serve em relação à década de 80 com 70; 90 com 80; e 2000 com 90.

Uma ou outra banda dos anos 90 citava bandas brasileiras dos anos 80 como influencia (Chico Science até gravou Fellini!). Mas você percebe que os 60 não influenciou os 70, os 70 não influenciou os 80, os 80 pouco influenciou os 90.

Dentro de todo esse universo são poucos os artistas que citam outros artistas brasileiros como influencia. É mais fácil você encontrar roqueiro brasileiro citando nomes da MPB e bossa nova, do que nomes do rock brasileiro.

Como influencia rock, olhamos 95% pra fora. Dois dos motivos são: 1) a falta de conhecimento 2) o preconceito. Doido falar em roqueiro preconceituoso, mas aqui no Brasil esse tipo é normal. Talvez um leve ao outro. Difícil encontrar alguém que conheça outros ótimos artistas fora do trivial. A jovem guarda tinha uma cena underground bem legal. 

Tinha quem gravasse músicas autorais, os truques de estúdio para chegar a certos timbres, as descobertas, os anos 60 tem seu valor. 

Tinham as bandas pesadas dos anos 70 que pecavam nas letras, mas arrebentavam na sonoridade. Eram tantas: Módulo 1000, Som Nosso de Cada Dia, Bixo da Seda, Vímana, Ave Sangria. Tinham bandas aos montes, festivais, temporadas de shows em teatros. Uma cena rica e de qualidade (em vários sentidos). Apesar disso, estava na marginal. Jornais até davam força, mas não havia espaço em rádio, o que era fundamental (se hoje ainda é, imagine nos 70...).

Nunca vi artista algum do rock brasileiro citar, Módulo 1000, O Terço, Paulo Bagunça, Spectrum, Gueto, Smack, Agentss, Patife Band, De Falla e tantas outras que são incríveis, mas que não chegaram ao enorme sucesso de outras.

Roqueiros brasileiros desconhecem a história do rock brasileiro. Desconhece o que não é trivial. Citar Secos e Molhados, Titãs e Raimundos e fácil.

As gerações de 70 e 80 até conhecem o passado, se lembram de bandas, shows, discos. Tem até uma parte dos artistas dos 80 que já estavam na estrada nos 70, como Rádio Taxi, Herva Doce, Lulu Santos...

A memória, e história, do rock brasileiro começou a ser desdenhada pela geração 90 e só piora conforme os anos passam. Tem roqueiro que acha que tudo começou a partir do Nirvana, ou pior, do Oasis. Vão no máximo para o trivial: Beatles, Stones, Ramones. Se com as gringas é assim, dizer o quê das brasileiras?

Você que faz rock pode até não gostar dessas bandas brasileiras que citei, mas tem a obrigação de conhecer.

Bem, de um jeito bastante bagunçado o rock brasileiro completa 60 anos. E ele é cheio de histórias, histórias de resistência, histórias de bravura... e alguns sobreviventes.

E viva o rock brasileiro!


PS1: Dizem que 2016 e 2017 serão anos bons para o rock brasileiro. Espero que isso seja verdade, mas também espero que essa crise braba não afete essa previsão. O que posso afirmar de próprio conhecimento, é que executivos de grandes gravadoras estão de olho e atentos.

PS2: Saiba de curiosidades e histórias do rock brasileiro, siga no Instagram: rockbrasileiro_



13 de outubro de 2015

O Desdém à Cultura Pop Brasileira e a Falta do Foda-se

Pessoal da Fluminense FM
É impressionante ver o quanto o próprio brasileiro desdenha de sua cultura. Aqui falo da cultura pop, da música e de um pouco de tudo.

Fico embasbacado em ver o quanto os meios de comunicação desprezam a editoria de música. Em um tempo onde ela é ultra consumida, está ao alcance de todos, há lançamentos de diversos formatos a todo instante: cds, álbuns virtuais, discos, dvds, livros, shows, turnês, videoclipes, documentários, filmes, quadrinhos, entre outros produtos; mas sabe o que a “mídia especializada” faz com tudo isso? Nada. Absolutamente nada.

Você abre o jornal das grandes capitais, principalmente Rio-SP, e vê o tanto de eventos que tem, e ninguém faz cobertura disso. Ninguém dá uma linha sobre o show que iniciou a turnê x, sobre o show que artista x gravou o dvd, da tarde de autógrafos e tudo o que está por trás daquele lançamento.

Costumo fazer analogia com o futebol. Perceba o que o jornalismo esportivo, especializado em futebol, faz com uma única partida de futebol: vai ao treino, quer entrevista coletiva e se possível uma exclusiva, mostra o antes, durante e depois da partida. Entrevista os jogadores, mostra os melhores momentos, discute certos lances, e tudo o que gira em torno dessa partida e do campeonato em questão.

Perdidos na Noite
Na cultura pop isso é completamente cabível. Quando eu trabalhava na MTV, todo ano apresentava projetos novos, programas novos. Entre eles o Ultrasom e o Quiz, que fizeram parte da grade durante alguns anos.

Outro projeto que apresentei mais de uma vez, foi um jornal em um formato de entretenimento, com convidados, opiniões, comentários, bem aos moldes dos programas sobre futebol. Sempre quis fazer um programa nesse formato. Mas por duas vezes a ideia foi recusada.

Enfim, quem pode fazer algo para ajudar a divulgar a cultura pop, a música, se nega. Não entende. O pior que isso não acontece só nos grandes jornais, revistas, nas grandes emissoras de tv fechadas ou abertas, nos grandes sites/portais da internet e também não só dentro da mídia que se diz especializada, segmentada. O medo de sair do lugar comum e sair da zona de conforto atinge também as gravadoras, os selos, as editoras e as grandes empresas que alimentam a cultura pop.

O departamento de marketing dessas empresas e o pessoal que cuida de certos conteúdos em agências de publicidade, seguem a risca o manual que aprenderam na faculdade. E ai de quem arriscar! Ai de quem sair do que está escrito!

Fábrica do Som
Hoje em dia há um fator essencial para a criação que está cada vez mais escasso, exatamente por conta desses universitários bundões que cheiram a fralda e que tem medo até de sair da casa dos pais, que tomam conta desses departamentos: é o fator ‘Foda-se’.

O que acontece com essa editoria é a mesma coisa que acontece no futebol, e no próprio mercado fonográfico: quem manda não entende lhufas. É como qualquer Ministro brasileiro: não existe um especializado na área em que foi posto.

Há dois meses tive a chance de ir conversar com o dono de uma rádio aqui de SP. Eu e um amigo. Fomos levar algumas ideias, conteúdo diferenciado. Em certo momento o dono perguntou: “o que acham da rádio?”. O amigo respondeu na lata: “careta”. O dono arregalou os olhos, e falamos de ideias que queríamos aplicar. Programas que gostaríamos de fazer. Lembramos da MTV em seu início, digo entre 1990 e 1996, que foi um grande período, e é exatamente o período em que todos daquela geração lembram com carinho e saudades. Esse foi o período exato em que reinou o ‘Foda-se’. Não tem um que não fale: “foi o melhor período da MTV”. O dono da rádio ficou assustado (no bom sentido), mesmo sendo ideias simples. Ele até concordou com algumas colocações que fizemos. Mas o medo do 'Foda-se' o fez ficar na dele.

Por que você acha que em SP todos lembram da TV Mix, programa na TV Gazeta que tinha Astrid, Sérginho Groisman, Grace Gianoukas, Marcelo Mansfield? Porque era uma zona absoluta, onde o ‘Foda-se’ também reinava. Dá pra lembrar também do Fábrica do Som (Tv Cultura), Perdidos na Noite (Band), e tantos outros programas locais. Dá pra lembrar da Fluminense FM, do Circo Voador, do Lira Paulistana, Madama Satã, as revistas Pipoca Moderna e Roll. Era tudo ligado ao ‘Foda-se’. Um bom exemplo recente é o programa Pânico. Quer mais ‘Foda-se’ que aquele começo do Pânico na televisão? Fez até a Globo mudar.

MTV 1991
E sabe no que resultou todos esses ‘Foda-ses’? Em uma geração super criativa, em boas lembranças; em histórias que se tornaram livros, documentários e filmes. Tudo isso resultou em mudança de comportamento, na quebra de paradigmas. Infelizmente isso está escasso hoje, por causa de tanta gente bundona que toma conta das chefias desses meios de comunicação, e que cada vez mais tem medo de arriscar, de ligar o ‘Foda-se’.

Hoje esse medo, essa coisa bundona, a falta do ‘Foda-se’ atinge exatamente as áreas que sempre foram vistas como sendo de vanguarda. Agora tudo é padronizado, robotizado (inclusive os piercings e as tatuagens desse pessoal). Assim é mais fácil, como já disse, ninguém quer sair da zona de conforto.

Esse desdém à cultura pop brasileira deixa de arrecadar verba em publicidade e marketing, deixa de criar empregos, deixa de girar a economia, deixa de criar novos produtos. Todo mundo sai perdendo, principalmente quem poderia mais ganhar com isso.

PS: O livro 'Como a Geração Sexo, Drogas & Rock'n'Roll salvou Holywood' é um perfeito exemplo do que escrevi aqui.

30 de setembro de 2015

Abobrinhas de setembro


Apesar de escrever pouco no momento, não quis deixar setembro passar batido. Em 2009 falei pra mim: bora dar uma atenção maior ao blog, e passei a escrever textos semanais. Foi um belo exercício de texto e criatividade rsrs.

Me exigia. Não podia deixar de publicar algo, e assim fui criando diversos tipos de postagens. Agora os tempos são difíceis no país. Me dei umas férias fora de época.

Em relação a cultura pop, eu diria que se todos os festivais do mundo se encontrassem numa mesa de bar pra jogar conversa fora, certamente iriam escolher o Rock in Rio como o coxinha da turma (não no sentido político, ok? Ok???). O nerd. O covarde.

Ao menos a organização parou com aquela demagogia de “por um mundo melhor”. Cala boca, sobe lá e toca!

Não vi tudo, óbvio. O que mais me chamou a atenção foi o tanto de gente que reclamou da reunião do Queen com Brian May e Roger Taylor. “Ah, mas o moleque que veio cantar com eles é uma merda”. Ok, também acho, mas e daí? Deixe eles se divertirem. Quem falou que ia ser igual ao Queen? Quem falou que o garoto seria tão incrível quanto Freddie Mercury?

É como acontece agora com Dado e Bonfá, que vão voltar a fazer uma turnê com um cara que nada tem a ver com Renato Russo ou com a história da Legião Urbana. Mas e daí? Eles querem voltar a tocar o bom e velho repertório. Querem se divertir um pouco. Retomar o espírito da estrada, reencontrar outros artistas em festivais, nos hotéis, nos aeroportos. Deixe eles se divertirem. Certamente os shows serão bem divertidos, como foram os dois shows com Wagner Moura.

Ok, na tv ficou ruim, a voz de Moura se sobressaiu, ele não é um super cantor, mas isso foi erro crasso da produção que fez a transmissão, que não colocou microfones na plateia para captar o público. Isso é básico. Ainda mais se tratando de Legião Urbana.

Falando em Legião, Rock de Brasília, aproveito para dizer que finalmente o Filhos de Mengele irá lançar oficialmente seu repertório. 18 músicas registradas em estúdio 2009 + demos antigas + 6 músicas ao vivo no Porão do Rock 2001.

Será um lançamento pela internet. Você poderá comprar no Itunes, Amazon, Sotify, e mais quase 200 lojas virtuais.

É um lançamento para comemorar os 30 anos de surgimento da banda. Filhos de Mengele foi uma banda formada em Brasília por Danilo Marques e Paulinho. Me chamaram para o vocal, e Celso (irmão de Danilo) no baixo.

Resumindo a história grossamente, do Filhos de Mengele surgiu o Raimundos, pois Digão era o baterista da banda. O Raimundos gravou duas músicas do Filhos: “Infeliz Natal” e “Alegria”. Já estamos armando de fazer ao menos dois shows de lançamento, um em Brasília e outro em São Paulo.

Continuo embasbacado com a falta de respeito que motoristas e ciclistas diante dos pedestres. E não é coisa pouca ou pequena. É gente que pega a contra mão, insiste em parar em cima da faixa de pedestre, e insiste em achar que faixa de pedestre é enfeite de asfalto.

O pedestre também se irrita de ter que parar a caminhada para esperar um carro passar, um semáforo ficar vermelho. O pedestre também perde a paciência, viu? Imagine você, motorista, se já de carro você tem pressa, o que dizer então de quem está a pé, não é verdade?

Só imagine que pra você e sua máquina automotora ególatra bastam 10 segundos para ir de ponta a ponta de um quarteirão, enquanto que para um pedestre a mesma distância pode levar um minuto ou mais. Motorista, além de ocupar um tanto de espaço na rua, você ainda quer ser o centro do universo? Menos, por favor, menos...

29 de agosto de 2015

No Instagram

Recentemente fiz duas contas no Instagram, uma onde posto as datas que contam o dia a dia do rock brasileiro desde 1955 até hoje, e outra onde conto em textos curtos histórias e curiosidades do rock brasileiro.
Entre, pegue uma dose e sinta-se a vontade!

Siga no Instagram:

o_dia_q

rockbrasileiro_

19 de agosto de 2015

Série O Resgate da Memória: 44 - O Terço (Criaturas da Noite)

Essa semana um dos grandes clássicos do rock brasileiro completou 40 anos de seu lançamento. Foi em agosto de 1975 que O Terço lançou Criaturas da Noite.

Aqui fica a homenagem a esse grande trabalho. Escolhi essa reportagem da Folha por trazer além de boas informações do disco, também contextualiza o rock feito naquele momento. Perceba que alguns questionamentos que estão na matéria são feitos até hoje...




Rock
O som mágico do Terço, uma boa realidade
(Jornal Folha de São Paulo, arquivo digital, edição de 18 ago 1975, caderno Ilustrada)

Por Carlos A. Gouvêa

A grande rivalidade, que existia há alguns anos entre dois grupos cariocas de rock, acabou. “A Bolha” tinha por seu maior concorrente “O Terço”. Do primeiro, devido às indefinições bem próprias dos elementos de nosso “showbusiness”, pouco se ouve falar nos dias de hoje. O segundo é tipo como um dos melhores e, por alguns, o melhor grupo de rock brasileiro.

O Terço acaba de gravar mais um LP. Na verdade é o terceiro mas na prática é o primeiro, que vem demonstrar pela qualidade que apresenta, os longos anos de vida que esse grupo deverá ter. Composto por Sérgio “Magrão”, na guitarra-baixo; Sérgio Hinds, na guitarra-solo; Flávio Venturini, nos teclados, e Moreno na bateria, esse conjunto no ano passado recebeu o troféu Rock 74, oferecido por Lady Jane, por ter apresentado o melhor show do ano (13/10/74 no MASP).

O álbum tem o título “Criaturas da Noite” nome da primeira faixa do lado “B”. A capa foi feita por Antônio e André Pelleov com fotos de Leonardo; gravado nos estúdios da Vice-Versa para a Copacabana e produzido pelo grupo e por seu empresário Mário Buonfiglio.

Este disco foi iniciado há cerca de um ano e a matriz da fita fez uma peregrinação por várias gravadoras. Sérgio Hinds conta a história: “Toda vez acontecia o mesmo. Levávamos a fita para os produtores, eles gostavam e, depois de fazerem uma reunião vinha sempre a resposta negativa”. O investimento para gravarem esse disco foi grande. O próprio conjunto custeou as gravações para depois vender a fita a alguma gravadora. Achando essa fórmula mais prática, pois infelizmente nosso rock é marginalizado pelas fábricas de discos, cujos “produtores” nem se preocupam em ouvi-lo e acham mais fácil dar uma resposta negativa, dizendo que rock não vende, os músicos do Terço querem fazer do anti-comércio (como os dirigentes de gravadoras chamam o rock) uma união de boa música acompanhada pelo sucesso da vendagem. “Terço”, pertencente a gravadora Copacabana cujo proprietário, Adiel Macedo, acreditando muito no sucesso que poderá render o conjunto disse que “O Terço” é ótimo para o Brasil, mas será muito melhor quando for lançado na França e Inglaterra, pelo selo “Virgin” conforme promessa feita por Adiel ao empresário do grupo, Mário Buonfiglio.

Sérgio Hinds guitarrista do conjunto durante a entrevista fez uma pergunta bastante oportuna, sobre o movimento de rock no Brasil: “Por que o público brasileiro não prestigia seus próprios conjuntos de rock, lotando teatros e comparecendo em massa a todo evento que se fizer! Eu acho que, Rita Lee, por exemplo, deveria ser assistida por 15.000 ou 20.000 pessoas no Anhembi. Não vamos chegar à casa de milhões de pessoas porque o rock ainda precisa de muita força e, principalmente, de boa vontade por parte dos dirigentes de gravadoras e empresários de shows. Público tem e bastante. Por que o Slade, um fraco conjunto inglês que apresenta música inferior a nossa consegue reunir na própria Inglaterra 200.000 pessoas para assisti-lo. E, no Brasil, em nossos shows só vai um pouco mais que a lotação do teatro?”

Ele mesmo responde: “Na Europa não existe rivalidade entre os grupos. Existe respeito. Ninguém cola cartazes em cima de outros cartazes. Os grandes grupos evitam fazer shows no mesmo dia, e com tudo isso o público recebe melhor informação, pois não existe bagunça. E outra coisa: lá não existem divisões descabidas entre música popular, rock e futebol. Os próprios artistas, a exemplo de Rod Stewart, gostam de futebol (consequentemente o público que comparece aos estádios para ver um jogo, vai também a um concerto de rock. As discriminações e preconceitos existentes no Brasil são fatores altamente contribuintes para o bloqueio do sucesso do rock”.

Moreno o baterista, intervém: “Apesar de tudo o público rock no Brasil, sabe o que quer e não se deixa mais iludir por mentiras e shows sem qualidade, e muito menos discos que apresentam qualquer coisa”

Os teatros estão cobrando, em média, 25% da renda bruta. A Prefeitura 10%; direitos autorais, mais 10%. Além disso, existe o pagamento obrigatório de cartazes volantes, anúncios em jornais, iluminação, transporte e pessoal técnico. Como é possível fazer shows em teatros? Qual o lucro? (se houver, pois parece-me que existem mais despesas).

O empresário do Terço, Mário Buonfiglio, responde:
“O lucro financeiro não existe, pois isso é conseguido quando da venda de shows em clubes. Os teatros de rock estão faturando mais do que teatros que não apresentam rock, pois a frequência de público é maior. Entretanto, os teatros que não apresentam rock têm uma regalia: são isentos dos 10% cobrados pela Prefeitura. Nossa produção é cara. E para uma peça de teatro, às vezes vai o ator, um violão e cadeira. Nós temos um caminhão com quatro toneladas de equipamentos, dois tipos de iluminação, uma própria e outra da Crow, e mais uns 12 mil de promoção. E com todos esses gastos dificilmente voltaremos a fazer teatro em São Paulo, onde estão cobrando uma taxa absurda de 25% da renda bruta. Isso nos leva ao incentivo de fazer teatro apenas no Rio de Janeiro, onde as taxas são bem menores e lá não tem Prefeitura. Só aí, ganhamos 25% sem trabalhar”.

Sérgio “Magrão” contrabaixista do Terço acha uma grande bobagem um conjunto ser avaliado pelo número de instrumentos importados que possui: “Hoje, no Brasil, a técnica da construção de aparelhagem é toda nacional, menos a bateria. E muita gente pensa que é importada pelo som limpo que nós tiramos”.

Melhor do que falar do Terço é assistir seu show, que estreia quinta-feira (28) no Teatro Bandeirantes, indo até domingo, no horário das 21h30. Sábado, o grupo fará uma segunda sessão denominada “Sessão maldita”, à meia-noite.

Nos espetáculos serão apresentadas as músicas do novo LP – “Criaturas da Noite”, além de algumas inéditas, como “Espanhola”, de autoria de Flávio Venturini e Guttemberg Guarabira. Pode-se prever uma coisa: durante a execução de “Hey, Amigo”, a plateia toda dançará e cantará com o grupo a exemplo de outros shows. Essa música pode ser considerada um fenômeno, pois ano passado, sem estar gravada, já era cantada por todos. Hoje, data oficial do lançamento do disco, já é desde algumas semanas a música mais executada em várias rádios. Já foram vendidas cerca de dez mil cópias por antecipação e foram prensadas cerca de 30.000 capas.

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Cenário-Pop

Rick Wakeman...

Rita Lee
Rita Lee despediu-se ontem de seu público na curta temporada de 11 dias, no Teatro Aquárius. A casa estava lotada quase todos os dias e seu LP – “Fruto Proibido” – já atingiu a casa das 20 mil cópias vendidas. Em poucas semanas segundo previsões do crítico Nelson Motta, o disco de Rita deverá chegar à casa das 50.000 cópias vendidas, o que representa vitória para o nosso rock.