24 de abril de 2007

McDonald’s da Fé – Igreja Católica

Dias atrás saiu à notícia dizendo que o Vaticano já não considera que uma criança morta e não batizada vá para o limbo. Agora ela vai para o paraíso. Puxa, ainda bem, né? Agora o mundo todo está mais aliviado. Como pode uma coisa dessas? Os católicos devem estar com vergonha e o Vaticano deveria fazer como o avestruz e enfiar a cara na terra.

Em primeiro lugar, não existe limbo. Em segundo uma criança recém nascida nem sabe que existe ou o que é. O triste é ver que a igreja católica ainda exerce alguma influencia no mundo e isso é reflexo da época da Inquisição – a qual se matou mais que o próprio nazismo.

Infelizmente a alta cúpula católica vem atrasando e muito o progresso, em todos os sentidos. Exemplos disso é a proibição em se usar camisinha e a proibição em usar células tronco para pesquisas e curas – o que salvaria a vida de milhões de pessoas.

Mas a história nos mostra que, infelizmente, sempre foi assim. A ciência acha um caminho, mostra uma saída e a igreja católica retarda tudo. Pra mim, a alta cúpula católica deveria se preocupar com os padres pedófilos, com os padres festeiros que engravidam as beatas, fazem orgias, usam drogas e fazem mau uso do dinheiro arrecadado.

Aqui no Brasil, por exemplo, a igreja tem posse de muitas terras que, obviamente, estão improdutivas. Por que então não ajudar as famílias dos sem-terra? Porque não usar essas terras para plantar alimentos e doá-los a instituições que ajudam crianças carentes? Porque a igreja em certa hora fecha suas portas em vez de deixá-las abertas para que mendigos e necessitados pernoitem nelas? Se o principal foco é ajudar a quem precisa, então...

Porque a igreja católica não acredita em vida após a morte se o próprio Mestre Jesus Cristo mostrou sua existência através da ressurreição? Onde Cristo esteve nos três dias que separaram sua morte da ressurreição? O catolicismo fecha o olho para aquilo que não o interessa ou o que não possa explicar. Grave erro!

O limbo, assim como o paraíso e o inferno, é pura invenção da igreja. Deus Pai todo poderoso e todo misericordioso jamais poria seus filhos em eterno castigo. Ele perdoa a quem reconhece de coração seus erros e permite a redenção através da reencarnação. Mas isso já é outro assunto...

DVD Acústico Legião Urbana Edição Especial

Em agosto de 2006 me pediram para contar como foi feita a edição do Acústico da Legião Urbana. Republico ele agora aqui no Sete Doses:


Eu estava de férias, no Rio, começando a fazer meu livro. Tinha marcado uma conversa com algumas pessoas, entre elas Dado e Bonfá. Quando cheguei lá, liguei pra todos e fique sabendo que os integrantes da Legião estavam fora do país, acho que em Londres, mixando o Acústico MTV. Não dei muita bola, pois, além de estar de férias, tinha meu livro na cabeça e toda uma logística a seguir.

Passada as férias, logo que voltei fui convocado a editar a versão integral do Acústico da Legião. Aí que me toquei: “Dado e Bonfá estavam mixando o áudio e, claro, tem o programa”.

O Acústico foi gravado em 1992, foi um dos primeiros, tudo meio mambembe ainda. Fez parte da primeira leva junto com Marcelo Nova (piloto), João Bosco e Barão Vermelho.

Já havia se passado seis anos da captação e ninguém da emissora sabia o que tinha de material guardado e fui fazer o levantamento. Simplesmente não havia nenhuma câmera paralela e o material bruto era, além das músicas do show, mais alguns takes 2 de algumas músicas que não ficaram boas durante a apresentação. Pelo que me lembre a banda refez em torno de seis músicas.

Chamamos de câmera paralela, aquelas câmeras que são gravadas em tempo integral, geralmente a da grua, uma geral ou a do trilho do palco, se tiver. Assim, quando há um plano no show que não ficou legal, tipo fora de foco ou tremido, você recorre às câmeras paralelas para substituir aquele plano errado. Só que no caso desse acústico, não havia as paralelas, e tinham muitos takes ruins para substituir. Muitas câmeras trêmulas, movimentos errados e outros defeitos técnicos. Um exemplo é o plano inicial do acústico, uma grua, não ficou legal, mas eu não tinha como substituí-lo, pois não havia material para substituí-lo.

Para substituir esses planos tive que recorrer às imagens das músicas que ficaram fora do acústico, em sua 1ª exibição de apenas meia hora. Foi realmente uma dor de cabeça. Se pelo menos eu tivesse algo em torno de 5 minutos de imagens de público, o trabalho seria absurdamente menor, mas nem isso eu tinha. Reparem os planos em ‘slow motion’. Todos eles são para cobrir algum take errado. A maioria das vezes tive que recorrer as imagens de Bonfá, pois era mais fácil inserí-lo num take fora de sincronismo, do que Dado ou Renato.

Foram quase três meses de edição. Primeiro chegou a mim um CD master com o áudio já pronto. Passei para uma fita beta e toda a edição foi feita em cima do áudio, já o sincronizando com o vídeo. Lembro muito bem que empacarmos no cover de Neil Young. Essa música foi tocada duas vezes e quando mixaram o áudio, pegaram a introdução do take 1 e ‘colaram’ com o resto da música que foi a do take 2. Até descobrirmos isso demorou acho que 2 ou 3 dias. O vídeo não sincronizava de maneira alguma com o áudio. Foi realmente dureza. Tudo foi feito analógico, pois as ilhas de edição digitais naquela época ainda estavam sendo implantadas (1998).

Além de tudo isso, tive que preparar um programa especial com esse Acústico e, pra isso, gravei uma entrevista com Dado e Bonfá juntos, falando um pouco de cada música e/ou o disco em questão. Também não foi fácil, pois nesse período, apesar desse lançamento, nem Dado e nem Bonfá estavam com ânimo para falar de Legião. Estavam os dois com a cabeça no futuro e tentando se desvincular um pouco deste passado. Completamente compreensível. Então não quis abusar e fiz uma entrevista mais direta, em cima do acústico mesmo.

Foi muito bom fazer esse trabalho, mas foi uma overdose, pois foram dois programas, mais o 1º clipe deste Acústico e, além de tudo, estava iniciando meu livro.

Pra fechar com chave de ouro, depois de meses vendo e ouvindo Legião, tive que fazer uma apresentação especial para a imprensa no SESC Pompéia. Desde então nunca mais vi e ouvi o Acústico Legião Urbana.

20 de abril de 2007

Água

Haverá uma época em que o mundo terá guerras por causa de água. Sim, é verdade. Este líquido precioso, do qual nosso corpo é feito, ficará cada vez mais escasso.

Hoje você compra uma garrafinha de água por 2 reais, mas daqui a alguns anos você comprará a mesma garrafinha de água por 10 ou mais. O planeta terra tem muita água, mas não potável.

Se desperdiça muita água para escovar os dentes, tomar banho, lavar o carro, molhar as plantas e, pasmem, lavar calçadas!!!

Gastar água para lavar calçada é o cumulo da ignorância. A pessoa pega a mangueira e fica lá por horas jogando água na calçada quando pode muito bem varrê-la ou, se muito, usar dois baldes para dar uma esfregada na sujeira mais grossa.

O Brasil, que é rico em recursos naturais, é o país que mais fontes de água potável têm. Só nesse ponto, nosso país já poderia ser de 1º mundo, se bem aplicado seu uso. Mas imagine, se as autoridades cagam e andam para a saúde e educação públicas, o que pensar então do uso da água.

Não podemos e nem devemos compartilhar dessa ignorância. Eu mesmo já conversei e mostrei para o prédio onde moro que não devemos gastar água a toa e hoje o condomínio usa pouquíssima água para lavar tanto dentro quanto fora do prédio. Apenas o suficiente. Quando ando na rua e vejo alguém abusando do uso desse bem tão precioso, paro e tento conversar sobre seu uso indevido. Tento fazer minha parte, é pouco, muito pouco, mas faço.

E não demorará muito para começarmos a sentir sua falta. Provável que já em 2050 a situação mundial estará alarmante.

Sem água ninguém sobrevive. Sem água uma pessoa de 18 anos terá a aparência de 35 anos. Sem água não tem alimento. Sem água não tem nascimento. Sem água não há higiene e sem higiene não há saúde. Sem água um hospital não existe.

As autoridades precisam alertar a população sobre esse assunto. É preciso parar de escovar os dentes com a torneira aberta, lavar o carro três vezes por semana, tomar banho de meia hora ou mais...

Nós que estamos aqui hoje não teremos esse problema, mas nossas futuras gerações, nossos filhos e netos sofrerão e muito.

18 de abril de 2007

Futebol

Em Brasília, da década de 1970 até meados da década de 1980, o único futebol transmitido pela televisão era o carioca. Eu era flamengista, fã daquele timaço que jogou junto de 1977 até 1983. Mas fora o Flamengo gostava de outros jogadores de outros times como Falcão, Batista, Reinaldo, Éder, João Leite, Chulapa...

Como minha família inteira é Palmeiras, claro que também torcia por ele, mas o acompanhava pouco, apenas através dos gols do Fantástico, mas como o Flamengo, torcia e conhecia o time inteiro – meu time de botão era praticamente o Palmeiras.

Depois, já maior e fã de rock’n’roll, deixei o futebol um pouco de lado. Só voltei a dar mais atenção a ele quando me mudei para SP, em 1987. Até então nunca tinha ido a um estádio e isso se tornou rotina com meu pai, tio e primos.

Nessas alturas só o Palmeiras me interessava. Não era assíduo, mas pelo menos duas vezes por mês assistia jogos no Palestra Itália, Pacaembu e Morumbi.

Logo que cheguei fiquei espantado e aterrorizado com o noticiário local (SP TV) que cobriu uma tremenda briga entre corintianos e palmeirenses. Quebra pau na rua, nos ônibus e até no metrô.

Os anos foram passando e minha freqüência nos estádios foi diminuindo. O interesse pelo futebol foi ficando restrita ao que passava na televisão. Até chegar a maldita Copa João Havelange, em 2000 (ou 1999?). Só sei que depois disso nunca mais assisti a um jogo no estádio.

A má organização dos cartolas e da CBF me afastou e hoje acompanho tudo pela TV e não dou um centavo sequer para o futebol. É ruim para comprar ingresso, é ruim para entrar no estádio. Tudo é caro, banheiros são nojentos e você é tratado como vira-lata pela organização e policiais. Tô fora, claro! Não sou besta!

Os cartolas são corruptos, a CBF só olha para seu próprio bolso e a FPF é um antro. O que aconteceu na final da Copa J. Havelange foi uma coisa ridícula. Num país descente o Vasco jamais seria campeão e Eurico Miranda já estaria na cadeia há décadas.

Veja só a relação do Corinthians com seus parceiros, atualmente a MSI. Como pode, depois dessas parcerias, o time estar afundado em dívidas? E o Palmeiras, Flamengo, Vasco...? Uma desgraça só!

A polícia não se organiza, as federações não se organizam, a CBF caga e anda pra tudo (nem a seleção joga mais no Brasil! Pode?).

A política e interesses pessoais dos times e seleção estão acima do interesse do próprio time e suas torcidas (aqui não me refiro as organizadas). Não consigo entender como pode alguém colaborar com toda essa sujeira e ainda se dar ao luxo de ir aos estádios. Jogo as 21h45 da noite??? Isso não pode!

Hoje continuo a acompanhar o futebol pela TV (como já disse), assistindo aos jogos e programas, mas não compro per pay view, não compro uniforme e torço friamente. Se meu time ganhou, pois muito bem, fez sua obrigação e se perdeu azar do time, jogadores e cartolas. Se o time perde ou ganha, eu não recebo nada por isso.

Quando o Palmeiras perdeu a chance de ser campeão mundial, em 1999, dias depois vi o lateral Júnior (hoje no São Paulo) tomando uma cervejinha com amigos aqui na padaria da esquina. Pô, se o cara tá na boa na vitória ou derrota, porque eu vou perder meu sono?

E a seleção? Perdeu a Copa do ano passado tendo o melhor time do torneio e já no dia seguinte da derrota os jogadores estavam se divertindo em festas e casas noturnas.

Repito, continuo gostando, acompanho, torço, mas agora não mais como um torcedor cego e sim mais como um jornalista que torce para um bom futebol, uma boa partida e me encanto com um time bem montado, afinal, durante os 90 minutos de uma partida a emoção continua a mesma. E só.

16 de abril de 2007

Pan - Amo Meu País Então Sou Contra

Esses mega eventos esportivos como Copa do Mundo, Olimpíadas e Pan Americano são festas absolutamente políticas. Então, logo de cara, pergunto: políticos brasileiros merecem realizar esse tipo de evento? Claro que não!!! Afinal você dá um pirulito a uma criança que acabou de ser malcriada?

Nossas prioridades são outras! Lula liberou mais 100 milhões para a conclusão de algumas obras do Pan. Porque não libera 100 milhões para o aumento dos professores ou policiais, melhoramento das escolas e hospitais, melhoramento das estradas brasileiras ou construção de casas populares?

O que nós vamos ganhar realizando o Pan? Nos últimos seis meses cerca de 3 turistas sofreram assaltos no Rio, isso sem falar de outras tantas desgraças do dia-a-dia, vide o caso do menino João Hélio e as aventuras cruéis de se pegar a linha vermelha.

Lula foi ao Maracanã bater pênalti (e errar). Pra isso ele serve. Por que ele não aproveitou sua ida ao Rio para conversar com as vítimas do Palace 2 que até hoje moram em quartos minúsculos de hotel?

Não houve qualquer tipo de planejamento para o pós - Pan, afinal nem o governo estadual e nem federal sabe o que será feito das obras construídas especialmente para esse evento. Dizem que serão usadas pela população carente, mas não sabem como. Pode uma coisa dessas?
Esses mega eventos, infelizmente, não são pra nós. A população merece, mas se tratando de um evento 100% político, não merecemos. Isso sem falar nos preços altíssimos para assistir as provas.

Quanto era o orçamento inicial? 500 milhões? E não iam ser totalmente bancados pela iniciativa privada? No final das contas o governo gastará sozinho mais de 3 bilhões de reais do nosso suado dinheiro. E o que ganharemos com isso? Dá pra imaginar o que se poderia fazer a nosso favor com todo esse dinheirão? Ninguém merece! Lula não merece! Amo meu país e torço por nossos atletas, mas não posso deixar de falar: Que o Pan seja um fracasso e que a Copa vá para a Argentina!

Em tempo: Veja de onde Lula tirou os 100 milhões de reais para as obras finais do Pan:
(Texto extraído da Folha de São Paulo. Matéria: Lula põe no Pan verba de outras áreas)

Pela ordem, os que mais perderam foram Cidades (R$ 43 milhões), Turismo (R$ 18 milhões), Saúde (R$ 16 milhões), Transportes (R$ 12 milhões) e Defesa (R$ 2 milhões). Outros programas do Ministério dos Esportes irão contribuir com mais R$ 9 milhões.Entre os programas que supostamente serão prejudicados com a destinação de mais dinheiro ao Pan estão obras de melhoria de sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Rio. Também foram alvos de cortes programas de saúde no Estado, a implantação de iluminação pública em trecho da rodovia Niterói-Manilha e a participação da União na Companhia Docas.

PS: Os organizadores e nem governo ainda não sabem aonde irão hospedar os 6.000 policiais que vão trabalhar no Pan. Ai, ai...

Ramones no Brasil – Os Anos 1990

Depois do shows no Dama Xoc, perdi as contas de quantas vezes o Ramones voltou ao Brasil. Em São Paulo, todas as vezes que a banda voltou, sempre tocou no Olympia. Acho eu que foram mais três voltas: 1992, 1994 e 1996.

Ao contrário das duas 1ª passagens da banda por aqui, nessas passagens nos ano 1990 o público conhecia melhor a banda e seu repertório.

No Olympia, vi dois shows do Ramones, um em 1992 e outro em 1994 (acho que era isso). Só sei que pelas minhas contas assisti a 8 shows do Ramones. Mas as apresentações no Olympia já não tinham aquele climas das outras apresentações.

Pra mim a carreira do Ramones acabou no Halfway to Sanity. Os shows do Dama Xoc foram bons, mas já não havia Dee Dee no palco. CJ mandava bem e estava com muita energia em 1990. Mas a partir do Brain Drain a coisa toda decaiu muito, ainda mais depois do mega sucesso de Pet Sematary, quando a banda virou “arroz de festa”. Eu nem sei distinguir o show de 1992 com o de 1994. Só me lembro que não tive o menor tesão em vê-los, principalmente o de 1994. Nessa época já trabalhava na MTV Brasil e dirigia o Fúria e, por conta disso, tive a oportunidade de fazer entrevista com a banda em todos esses shows dos 90. Até levei Joey Ramone ao banheiro antes de uma entrevista. Subi um lance de escada com ele reclamando de cansaço. Foi engraçado. Assim que ele entrou no banheiro, enquanto a porta fechava devagar, pude vê-lo tirar um pentinho do bolso para se pentear. Tenho uma camiseta branca com o autógrafo deles.

Na vinda da banda em 1996, último show do Ramones no Brasil, eu e Gastão fomos gravar uma entrevista com Joey lá no Olympia, antes da passagem de som. Foi bem legal e Joey, se não fosse o chato do empresário, ficarai dando entrevista bem mais tempo que os 15 minutos previstos.

O clima lá não estava nada bom. Joey estava exausto, já doente e o desentendimento entre ele e Johnny era absolutamente visível. Após a entrevista, como não somos bobos, ficamos lá para ver a passagem de som. Tenho inclusive fotos desse dia, da passagem e da entrevista. Foi triste ver que Joey e Johnny sequer se olhavam durante a passagem. Um de costas para o outro. O clima era tão ruim que me neguei a ir ao show, pois era nítida a sensação de show apenas “para cumprir tabela”.

Foi uma pena e como fã incondicional da banda, fiquei arrasado em ver com os próprios olhos que todas aquelas fofocas de brigas internas eram, de fato, verdadeiras.

Ramones no Brasil - 1990

Em 1990 eu trabalhava de assistente de fotógrafo num estúdio na Capote Valente, em Pinheiros. Era relativamente perto do Dama Xoc, uma meia hora a pé, e assim que terminei o trabalho, Johnny Monster me encontrou no estúdio, fizemos algumas fotos para acompanhar uma demo que tínhamos acabado de gravar e fomos ao Dama Xoc. Fomos cedo, creio eu que umas oito da noite e conseguimos ser um dos 1º da fila.
O legal desse dia é que enquanto estávamos na fila, vi um carro passar e Digão (Raimundos) estava nele. Acabara de chegar de brasília só pra ver o show. Foi um reencontro bacana, pois não nos víamos a mais de um ano. Ele inclusive me deu a 1ª demo que Raimundos gravou e me pediu que ajudasse a divulgar. Engraçado que a 1ª pessoa que pensei em entregar a fita, foi o Miranda, mas não rolou. Digão estava com amigos e a namorada. Na hora de entrar ele empacou na porta, pois sua namorada era menor e deu confusão para ela entrar. Queria ficar lá para ajudar, mas como estava cheio os seguranças pediram para eu entrar e acabei me perdendo de Digão. Eu e Johnny achamos um bom lugar numa pequena arquibancada no fundo e de frente para o palco. O Dama Xoc estava lotado, bem acima de sua lotação normal que acho que era de mil pessoas. Na pista era um colado no outro. Foi sacanagem da organização em vender muito mais ingresso. O local estava quente demais. Era o 1º show com CJ Ramone e eu estava ansioso para vê-lo em ação. O show foi muito bom e o que atrapalhou foi a super lotação. Não deu outra e uma pessoa morreu nafrente do palco depois de levar uma tesourada no abdômen (que eu me lembre foi isso). Mas ninguém percebeu isso de tão lotado. O show não parou e foi incrível.
No dia seguinte todos os jornais falaram da morte do garoto e eu não acreditei. Foi muito negativo esse fato e alguns jornalistas mais conservadores queriam que as outras duas apresentações fossem canceladas, o que não aconteceu.
No dia seguinte (sábado), o Dama Xoc estava tomado de policiais e o clima pré-show estava pesado com as revistas bem rígidas.
Mais uma vez o local estava lotado, mas não tanto quanto no dia anterior. Mais uma vez eu estava com Johnny e acabamos encontrando um outro amigo meu de Brasília, o Gão (que inclusive participa do livro O Diário da Turma). Mais uma vez ficamos na parte de cima da pequena arquibancada, mas dessa vez na lateral do palco, bem mais perto dele. Esse segundo show foi bem melhor que o segundo. Eu e Gão não paramos de cantar um segundo e saímos do show completamente sem voz. Sem dúvida, ao lado do 1º show do Ramones em 1987, essa foi a melhor apresentação da banda. O som estava bem melhor que no 1º dia. Memorável!
Os reflexos da fatalidade que aconteceu no 1º dia foi visto no 3º show da banda no Dama Xoc, no domingo. Sem exageros, se tinha 200 pessoas era muito. E num local que abriga mil, então pode se ter uma idéia de como estava vazio. Tão vazio que eu e Johnny ficamos na boca do palco sem ninguém ao nosso lado. Eu inclusive algumas vezes cheguei a me apoiar no palco para ver o show. Fiquei colado no Johnny Ramone e também fiquei colado no Joey. Havia apenas uma rodinha de pogo ao fundo. Parecia show underground de banda desconhecida. Estava tão vazio que no final do show, Johnny Ramone jogou um monte de palhetas no chão e só eu peguei umas quatro sem precisar me debater com ninguém.
Esses três shows foram tão bons quanto os de 1987, pois o som estava bem melhor que na 1ª passagem da banda aqui no Brasil. E essa 3º show vaeu por tudo pois parecia que eu estava numa daquelas 1[ apresentações do Ramones num CBGB vazio. Um privilégio para poucos.

13 de abril de 2007

Ramones no Brasil - 1987


Lembro de em 1986, após um ensaio do Filhos de Mengele na nossa sala do Brasília Rádio Center – durante um período ensaiávamos das 22h até a 00h ou mais – eu e Danilo, voltando pra casa a pé, imaginando como seria se o Ramones viesse tocar no Brasil, coisa que era impensável até então. Delirávamos durante a conversa só de imaginar em ver o Ramones de perto. Era um sonho absolutamente distante.

Em 1987, estava eu de férias em São Paulo quando, de uma hora pra outra,começaram a anunciar Ramones no Brasil. Na hora liguei para Danilo que estava de férias no RJ e relembramos a nossa conversa daquela noite. Mas mesmo com o anúncio rolando, eu ainda não acreditava. Passei a acreditar um pouco depois da entrevista que Joey Ramone deu a Kid Vinil para a Folha de SP (que tenho guardada até hoje).

Bom, seriam 3 shows no Palace, mas acabou rolando 4, um extra no domingo a tarde. Fui nos 3 e só deixei de ir na matine de domingo. Delírio absoluto! Quase ninguém que assistiu aos shows conhecia de fato o repertório da banda, apenas “Surfin’Bird” que tocava na 89 FM a cada 10 minutos. Tanto é que o público se matava na hora dessa música e no resto do show ficavam mais estáticos.

A banda veio na turnê do disco Animal Boy e na formação apenas o Ritchie Ramone não era membro original. Fiquei tão pasmado que não sabia se tirava o olho de Dee Dee ou de Joey ou de Johnny. Por isso mesmo acabei vendo os 3 shows programados de princípio.

Nessa época Ramones estava absolutamente em baixa em NY e a banda estava numa fase bem pesada, tanto é que ainda no 1º semestre de 1987 a banda lançou o pesadíssimo e excelente Halfway To Sanity, que recebi em primeira mão, um dia após seu lançamento, pois uma amiga estava exatamente em NY e atrasou em um dia sua volta ao Brasil por causa desse lançamento. Não é exagero nenhumdizer que fui o 1º no Brasil a escutar Halfway To Sanity.

Lembro que na fila para o 1º show, vi Johnny e Dee Dee encostados ao lado da portaque dava acesso aos camarins, os dois ali conversando... ah se eu soubesse falar em inglês. Esse 1º show ficou marcado pela invasão dos carecas do ABC. Rolou tiro, prisões e o escambau. Um amigo até comentou comigo durante o show de ter ouvido tiros. “Você está louco” eu disse.

Sai do Palace com os ouvidos zunindo. Deu problema no som (rolou uma sabotagem) e o show foi paralisado por alguns minutos. Se não me engano rolou 3 bis. Tocaram de tudo. Dee Dee não tocava baixo e sim metia a porrada nas cordas de seu instrumento.

Em dúvida foram os melhores shows que vi na vida. Pode ser exagero de um fã incondicional, mas esses shows foram um sonho realizado. Ramones no Brasil em pleno início de 1987 era realmente impensável. Só fui acreditar de fato quando a banda entrou no palco. Lembro de ver Charles Gavin e Kid Vinil babando no show.

Meses depois do show, quando eu já estava morando em SP, fui até a galeria do rock e consegui uma fita cassete com o show dessa turnê, não o show do Brasil, mas era o mesmo repertório. Infelizmente a perdi...

12 de abril de 2007

Filhos de Mengele no Núcleo Bandeirante

Era início de 1986 e nós do Filhos de Mengele tocávamos em qualquer lugar, independente de qualquer coisa. O negócio era divulgar a banda. Nunca, em momento algum, nos quase 3 anos que fiquei na banda chegamos a falar de gravar discos e sonhar com sucesso nacional. Queríamos mesmo era nos divertir e divertir os outros, por isso a nossa única preocupação era onde seria o show do próximo final de semana.

O show que aconteceu no Núcleo Bandeirante ainda era com a formação original, sem Digão na bateria: Eu no vocal, Danilo na guitarra, Celso no baixo e Paulinho na bateria. Paulinho era o principal compositor da banda e grande baixista, mas depois de tocar baixo em várias bandas, resolveu que no Filhos iria ser baterista. Ok.

O show aconteceu num sábado à tarde, numa pequena arena com um palco circular de concreto de uns cinco metros de diâmetro, imagino. E acho que um metro de altura. O equipamento, pra variar era uma coisa absolutamente tosca e nem retorno de palco havia. A bateria era mais tosca que a pior pingüim imaginável e só pra se ter uma idéia, o único pedestal de prato que havia, saia direto do bumbo e o prato, claro, era horroroso e rachado (Paulinho não tinha equipamento de bateria e, às vezes, pegava algo emprestado de seu irmão, que era baterista de fato. Paulinho só tinha dois pares de baquetas).

O Filhos de Mengele tocaria com duas outras bandas, uma delas era o Stutzépcion (na verdade não se escreve assim, mas fala-se assim) e a outra não lembro. Sei que acabou que não foi nenhuma das duas e o show que seria de umas 5 ou 6 músicas foi se esticando, pois nenhuma das outras bandas chegava e, por isso, acabamos tocando o repertório inteiro. Havia um punhado de gente, pois os Mengeles já estavam relativamente conhecido e o legal foi que durante o show, os skatistas ficavam fazendo manobras no palco - teve um lá que até quebrou o skate quando pulou do palco para o chão. Foi realmente bastante divertido e ali certamente conquistamos mais alguns fãs. Os skatistas falavam que éramos a “banda do boy”, por causa da música “Ele é Boy”, que eles se amarravam.

A gente ali tocava sem escutar nada do que estávamos fazendo e por quase todo o show eu fiquei ao lado do P.A. para eu poder escutar minha voz.

Mas esse show ficou memorável e marcado por causa da tremenda confusão que deu no final. A última música que tocamos foi “Religião”, uma crítica pesada aos padres e a igreja católica.

Há alguns metros do palco havia uma igreja e no final do show iniciou-se uma missa. E não é que, mesmo com o tosco som do show, a igreja se incomodou com o barulho e com a letra de “Religião”. Eu só me perguntava como os fiéis e padre conseguiram entendê-la. A confusão na verdade tinha começado pouco antes do final do show, mas nós não havíamos percebido e alguns punks amigos foram lá bater boca com as beatas e o padre. O bicho lá pegou feio, a discussão virou briga, a polícia foi chamada e antes dela chegar pediram para que nós déssemos o fora. Dessa parte final só me lembro de umas 7 ou 8 pessoas apertadas na velha Variant de Celso e assim demos no pé. Depois nos falaram que até o padre apanhou. Sacanagem.



Show Revival realizado no Aeroanta em abril 1996:

Sete Doses de Cachaça

Gosto de escrever, o que é óbvio, e gosto muito de ler – só este ano já estou no meu 7º livro – e além de ler sempre a Folha de SP, quando tenho oportunidade leio o Estadão, O Globo ou qualquer outro jornal e revistas que caiam em minhas mãos.
Minha cabeça, como a de muita gente, fica trabalhando o tempo inteiro e, por isso, vivo escrevendo abobrinhas em meus cadernos. Mas essas abobrinhas que escrevo não cabem no meu blog As Efemérides do Rock Brasileiro, mesmo que por algumas vezes ponho alguns textos por lá que falam de música e política. Por não querer poluir o blog e não querer confundir os assíduos leitores das efemérides, resolvi criar mais esse blog, mas sem divulgá-lo. Pus um link, mas sem dizer nada, apesar uma reticências, o que de fato esse blog, pra mim, é.
Não quis divulgá-lo, pois o Sete Doses de Cachaça não tem pretensões além do meu gosto pela escrita. Aqui postarei textos sobre qualquer assunto, com profundidade ou não, e postarei quando quiser, sem a obrigação diária.
Li algumas vezes matérias que foram publicadas e que falavam sobre blogs e suas regras. Mas desde quando blog tem que ter regra?
Jornalistas adoram inventar coisas para “ilustrar” suas matérias e que muitas vezes não passam de blá blá blá.
A maioria deles diz que é preciso publicar textos diariamente. Mas por quê? Oras, isso depende do blog!
Como fazer regras para uma coisa que é pessoal? Na minha casa quem faz as regras sou eu: se eu quiser deixar a louça suja, o banheiro molhado ou colocar uma cama na sala o problema é meu. A mesma coisa acontece com os blogs.
Afinal depois de sete doses de cachaça qualquer assunto é legal e qualquer filosofia é barata.

11 de abril de 2007

Nossos Queridos Deputados

Nesta semana nossos queridos deputados federais decidiram não mais trabalhar nas segundas feiras, como se eles um dia trabalharam no início de semana. Lembro-me que durante a campanha para presidência da câmara, nosso querido presidente da casa disse que umadas coisas que iria fazer, era exatamente fazer com que a câmara funcionasse nas 2ª feiras. Para não trair a tradição, mentiu.
Nossos queridos deputados que ganham pouco mais de 12 mil reais para trabalharem três dias por semana também querm aumentar seus vencimentos para pouco mais de 16 mil. Eles merecem, né?
Quanto a folga de segunda – já existe a folga da sexta – eles alegam que precisam estar em suas bases eleitorais para, ugh, trabalhar. Mas eles não tem 90 dias de férias? Então porque não aproveitar parte desses dias para trabalharem em suas bases? Afinal uma das desculpas de se ter 90 dias deferias é exatamente a necessidade de estarem em suas bases eleitorais.
É realmente difícil fazer esse país crescer.
Fim de semana de quatro dias é o que eles não merecem mesmo! Nós é que merecemos.
Além de tudo isso, nossos queridos deputados querem aumentar uma parte da verba de gabinete de 50 mil para 65 mil. Já que estamos nadando em dinheiro, é melhor que eles fiquem à vontade.
Minhas perguntas são: quanto será o gasto da união com todos esses aumentos? E a reforma política? E nossa saúde e educação públicas? E os 10 milhões de empregos prometidos por Lula em 2003? E a crise aérea? E os sanguessugas e mensaleiros? E a crise carcerária? E nossas estradas? E a aplicação correta de nossos impostos? E a indecência dos gastos no Pan?
Quando políticos têm a chance de entrarem para a história pela porta da frente, eles preferem a porta de trás. Azar o deles e, pior, azar o nosso.
No Brasil é assim, cada um olha para o próprio umbigo e o país vai se afundando cada vez mais.
Mas aqui é assim: só resolvem desativar a bomba quanto ela explode. O Brasil só vai crescer e ser realmente rico quando o mundo acabar.
Eu já enviei meu email para o Sr. Arlindo Chinaglia, presidente da câmara, entre outros tantos. Faça o mesmo você:
http://www2.camara.gov.br
http://www2.camara.gov.br/deputados
dep.arlindochinaglia@camara.gov.br

Foi-se o Tempo

Foi-se o tempo em que o mercado fonográfico era legal.
Foi-se o tempo em que escutar rádio era legal.
Foi-se o tempo em que esperar um amigo ir para o estrangeiro para trazer as novidades musicais era legal.
Foi-se o tempo em que sair a noite em busca de um bom show era legal.
Foi-se o tempo em que às bandas formadas eram poucas e todas sabiam muito de música.
Foi-se o tempo em que tínhamos uma voz ativa entre os rockstars brasileiros. Foi-se o tempo em que tínhamos bons letristas.
Foi-se o tempo em que novidade era de fato uma novidade.
Foi-se o tempo em que o diferente era de fato diferente.
Foi-se o tempo em que não se faziam poses.
Foi-se o tempo em as gravadoras ditavam as regras (ainda bem).
Foi-se o tempo em que nas cidades havia as “cenas”.
Foi-se o tempo em que montar uma banda era só uma forma de quebrar o tédio.

Mil Gols de Romário

É lamentável ver a cobertura da mídia, principalmente da Globo e da imprensa carioca, em relação aos 1000 gols de Romário. Até porque ele está bem longe dessa marca. Mas aí os jornalistas e ele próprio diz que a contagem não é só de jogos oficiais e profissionais. Isso é balela. Se é assim então prefiro ficar com os mais de 10 mil gols que o empresário de Chico Buarque já fez em suas peladas semanais.
Se o jogador é profissional, então que conte os gols feitos pelo profissional. Então eu me pergunto o motivo pelo qual Romário não conta os gols que fez no terrão que jogava perto de sua casa quando moleque, pois um amigo de infância seu disse que se contar esses gols, ele passa de 1.500 fácil.
Tá todo mundo esperando o gol mil e o PSV já informou que ele já saiu,pois achou em seus arquivos um gol feito por Romário durante um amistoso qualquer lá. Porque então ele ignora esse golzinho?
Não tenho nada contra Romário, pelo contrário, ele é um dos melhores jogadores do mundo e na área não existe ninguém tão bom. Ele nos deu uma Copa do Mundo e é sim, afinal, um grande jogador.
A cobertura da Globo / Sportv chega a irritar. Toda vez que tem jogo do Vasco no Maracanã, a emissora monta toda sua parafernália lá e transmite todos os programas do dia dentro do estádio. Isso é ridículo. Outro dia eu até vi um repórter, por faltade assunto, entrevistar um narrador de rádio e pedir a ele para narra o milésimo gol de Romário. Foi uma cena lamentável.
Semanas atrás Romário foi ao programa Bem Amigos – e diga-se de passagem foi um dos melhores senão o melhor desde sua estréia, e foi também lamentável ver todos os jornalistas puxando o saco de Romário, sem ninguém contestar os 1000 gols. O que ficou claro ali, foi uma ordem vinda da diretoria para não contestar esse número e prestigiar ao máximo os mil gols. Romário contou grandes histórias, mas ele espirrava e todo mundo dava risada, aplaudia. Foi ridículo!
Se Romário quiser fazer mil gols, então ele precisará jogar por pelo menos mais uns 5 anos, isso se fizer uma média de 50 gols por ano.
Comparar com Pelé nem vale, pois o Rei fez mais de 1.200 gols numa época em que haviam muito menos partidas por ano. Os tempos eram outros.
Mas tudo bem, se Romário acha que fará seu milésimo gol, deixa ele, pois o médico pediu para não contrariá-lo.