25 de fevereiro de 2009

Mais do Mesmo

Ontem (3ª de carnaval) saiu notícia sobre a bronca que Robert Smith (The Cure) deu no Radiohead e nas gravadoras.
Adoro Cure. Adorar é pouco. Pra mim é uma das que mais ouço ao lado de Clash e poucas outras que não saem do meu IPod. (4:13 Dream é um primor).


Apesar disso, acho que Smith deu bola fora. Daquelas que você está de frente para o gol, na marca de pênalti e chuta tão errado que a bola sai pela linha lateral, manja?


Pô, ele reclamou da iniciativa do Radiohead em postar todas as músicas novas e deixar para os fãs a quantia que gostariam de pagar. Certíssimo, afinal todo mundo gosta de música, da classe ‘A’ até a ‘E’, portanto, cada um paga o que pode, se puder.

Há tempos baixar músicas deixou de ser novidade e se estabeleceu definitivamente no mercado. Não é pirataria. É o mesmo que gravar uma fita cassete. Tinha gente que era contra, mas não tinha jeito. Hoje, ao invés de guardarmos as fitas em cases ou gavetas, guardamos o mp3 em nosso computador e eu nem preciso ir à casa de ninguém para copiar.

Hoje também vemos o quanto é desnecessário comprar músicas. Com a facilidade que se tem para escutar música, pra que comprá-la? A gente compra o show. O barato é ver o artista ao vivo e saber cantar as músicas que ele irá tocar. Ajudar o artista é isso: exigir o show dele e pagar pra isso. As multinacionais que morram. Nem o artista precisa mais delas.

Antigamente era legal esperar o novo lançamento do Talking Heads, Clash ou Dead Kennedys. Pegar o disco e escutá-lo com o a capa e o encarte em mãos. Mas isso já passou, como passou os bons tempos da novela de rádio e os domingos de sol nadando no rio Tietê. Já dei muito dinheiro para gravadoras e fui muito enganado por elas. Abra mão dos 10.000.000% de lucro e pense mais no consumidor. Vai até o Congresso exigir a queda dos impostos. Contrate gente inteligente. Faça um produto mais atraente, crie promoções e prêmios para quem comprar. Mexam-se!!!

Me admira o atraso na declaração de Robert Smith, justo ele que foi um visionário, compositor, cantor e guitarrista de mão cheia. Parece o tonto do Lars Ulrich. É triste isso. É que eu já tenho tudo do Cure, porque senão, de raiva, eu iria baixar algo da banda.

15 de fevereiro de 2009

Futebol de Canalhas

Este post escrevo sem rascunho. Quem acompanha o Sete Doses desde o início sabe que não vou a estádio de futebol desde 2000, quando houve a lamentável Copa João Havelange.

Torcedor é tratado como rato. Hoje, no Morumbi, no clássico São Paulo x Corinthians, houve mais uma semana de confusão - semana passada foram as brigas no jogo Palmeiras x Santos. Pelo que parece a confusão foi iniciada pela Polícia Militar que jogou bombas na torcida do Corinthians, obrigando-a a voltar para a arquibancada e, com isso, os últimos da aglomeração caíram pela arquibancada e esses coitados acabaram pisoteados por outros acuados pela polícia. Resultado foi muita gente com partes do corpo quebradas.

Em BH um torcedor indo para o clássico Cruzeiro x Atlético tomou um tiro e morreu. Tinha 20 anos. O cara vai para um jogo de futebol e morre!

Em SP a polícia proibiu a imprensa de gravar imagens do acontecimento. Ainda não se sabe o que aconteceu de fato, agora são 19h50 e tudo está sendo apurado.

Fato é que desde o início da semana já parecia que haveria coisa ruim nesse jogo, por causa de uma série de fatos.

O que posso dizer é que quem vai a estádio é idiota. Burro. Imbecil. Quem leva filho em jogo de futebol é assassino. Deveria ser preso por tentativa de homicídio.

Minha sugestão é a seguinte: pra quem compra ingresso para ir assistir jogo de futebol, seja em qualquer lugar do Brasil, junto ao ingresso deveria vir uma orelha de burro e o torcedor deveria ser obrigado a usá-la durante sua permanência no estádio.

Pô, pelamordedeus, ir à estádio é coisa de burro! Dar dinheiro para esses times e cartolas, é coisa de burro! Fazer Copa no Brasil é coisa de burro!

12 de fevereiro de 2009

Série Clássicos de 1986: 8 - Vivendo e Não Aprendendo

O Ira! conseguiu um ótimo destaque com "Longe de Tudo", música do 1º disco da banda. MAs foi com Vivendo... que a banda chegou ao reconhecimento nacional, muito graças a "Flores em Você" que foi abertura de novela das 8 da Globo. Pra mim, o disco inteiro é ótimo. Um clássico que tinha tudo para afundar a banda. Olha só a confusão para gravá-lo:


Esse é um disco que gosto muito das composições, porém não gosto da forma como foi gravado e de sua sonoridade. A princípio ele seria produzido por Liminha. Fomos ao Rio para as gravações no Nas Nuvens, mas acabamos batendo de frente com ele e voltamos para São Paulo para terminar o disco aqui. Até por isso a produção do disco foi assinada por cinco nomes.

O clima no estúdio foi tenso por causa de todas essas mudanças de produtor e sonoridade. Entramos no estúdio com uma postura defensiva, pois não estávamos seguros.
Quando o material que gravamos no Rio chegou, ficamos assustados, pois haviam mexido na master, deixando alguns canais reduzidos, onde tinham dois instrumentos ou mais, e isso atrasou o processo de mixagem.


No Vivendo e Não Aprendendo acabamos gravando novamente “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”, mas isso foi uma coisa da gravadora. Essas músicas pra gente já eram de um passado distante, mas a gravadora disse que iria ajudar nas vendas e, pra não vermos essas músicas trabalhadas pela gravadora, então resolvemos gravá-las ao vivo, numa espécie de sabotagem, pois dificilmente a Warner lançaria uma música de trabalho ao vivo. A gente sempre dizia não para a gravadora: não gostávamos de fazer playback e de divulgação em qualquer lugar. Era sempre ‘não’, então para agradarmos de certa forma, acabamos por colocar no disco essas duas músicas.


Éramos uma banda de vanguarda, “Vitrine Viva” é um exemplo disso, o Ira! era uma espécie de líder da cena underground de São Paulo e, já no 1º disco, deixamos de lado as roupas escuras do punk rock para mergulharmos na sonoridade mod, sessentista e idealista. Nesse contexto “Gritos” e “Pobre” já não se encaixavam mais em nossa sonoridade.

Quanto a capa não queríamos fazer novamente uma foto de banda e foi aí que veio a idéia de se fazer desenhos, numa linguagem de Art Pop, que tem tudo a ver com o movimento Mod.
Vivendo e Não Aprendendo foi o passaporte de entrada do Ira! no mainstream.


Nasi, ex-vocalista do Ira!

11 de fevereiro de 2009

Devo Não Nego!

Eu devo. Estou no vermelho. Sou o único? Trabalho como um camelo. Porém há anos não sei o que é carteira assinada. Isso não existe mais. As leis trabalhistas são capengas, velhas, ultrapassadas. Isso inibe a contratação. Agora tudo é PJ. Quem não deve? Quem não está no vermelho?
No final do ano passado tomei o famoso ‘cambal’. Fui contratado para fazer algumas produções em vídeo, gastei dinheiro e o trabalho foi cancelado. “Pode deixar, iremos cobrir seu prejuízo”. Até agora chupo dedo. E o vermelho lá. Quem eu devo me cobra. De quem me deve não posso cobrar. Sabe correnteza, que você nada e não sai do lugar? Trabalho, trabalho, trabalho, e não saio do prejú.
Aí fico lendo essas notícias bem legais sobre os empréstimos de milhões e bilhões que o governo faz para bancos e empresas privadas, para se recuperarem.
E eu? Porque o banco não me ajuda da mesma forma? Meu prejuízo é bem menor!
Aí eu leio que o governo gastou não sei quantos milhões para receber os velhinhos tarados da Fifa. E os bilhões do Pan? E o dinheiro mal empregado nisso tudo?
E os milhões que o juiz Lalau roubou? E o dinheiro que o Collor confiscou? E o dinheiro do mensalão? E o dinheiro gasto com os sanguessugas?
QUERO UM CARTÃO CORPORATIVO!
E ainda continuam ligando pra mim como ser eu fosse ladrão, me perguntando quando vou pagar?

Aqui se faz, paga-se no céu.

6 de fevereiro de 2009

Série O Resgate da Memória: 3 - Paulo Ricardo

Quem conhece um pouco do rock brasileiro, sabe que no início dos 1980 o fundador, ex-baixista e vocalista do RPM Paulo Ricardo trabalhava como jornalista e escrevia para a revista mensal Som Três, especializada em equipamentos de áudio e vídeo, e tinha lá sua parte dedicada ao mercado fonográfico, com matérias especiais, lançamentos, críticas e colunas. Uma delas, a Via Aérea, era de PR. Mas como era o texto dele?
Eis aqui uma delas publicada na Som Três nº 36 de dezembro de 1981.


VIA AÉREA



* Zeppelin maníacos, masturbai-vos. Jimmy Page subiu ao palco do Hammersmith Odeon recentemente para dar uma canja junto a... Jeff Beck, Bob Plant, por sua vez, cantou com o Dr. Feelgood na Universidade de Keele. Se você vai à Inglaterra, assista a todos os shows de rock. Pode ser que em um deles...

* Sobre o Asia (Steve Howe, Carl Palmer, John Wetton e Geoff Downes), o super grupo dos anos 80, Carl Palmer declarou: “Não temos idéia da energia que essa banda possui. Não importa o que tenhamos feito antes, o Asia é totalmente diferente em sua música e sua proposta, além de tudo que já fizemos antes. Agora o tema é exclusivamente Asia.” O disco, garante o empresário Brian Lane, sai antes do fim do ano

* Novo álbum do Jim Capaldi, Let The Thunder Cry. Será que tem alguma parceria com Marcelo?

* O grupo Stray Cats gravou para a televisão japonesa um comercial para um novo modelo da Toyota. Que nipônica publicitária cabeça terá bolado tal campanha? E mais: como será o maldito anúncio? Respostas através de nosso correspondente japonês.

* Cada uma. O estranho Gary Numan foi preso na Índia ao aterrissar, em pouso emergência, seu avião em área de segurança. Ele e seu co-piloto estão presos e seu equipamento de filmagem confiscado. Gary havia resolvido abandonar shows e gravações para dedicar-se aos vídeos e filmes. Agora tenta livrar-se dessa, ajudado pelo governo britânico. De qualquer modo, está saindo seu último álbum, Dance.

* Em recentes entrevistas, o Police vem manifestando sua preocupação com o sucesso, suas pressoões e limitações. Aqui vão alguns trechos interessantes: De Sting: “Nunca pretendemos fazer outra coisa a não ser entreter, nunca quisemos ser um The Clash ou nada parecido. Os que cobram manifestações políticas insistem em formar uma imagem muito pura de tudo, e isso não é real. Vejam em que se converteram os punks. The Clash são os Stones dos anos 80. Chega um momento em que tudo se distorce. De Andy Summers: “Estou farto de ver minha cara em todas as revistas e em todo canto. Acho que no futuro nossos rostos não sairão mais em capas de discos.”

* A edição limitada do novo LP do B-52’s, Party Mix, já se esgotou.

* As famílias vão se desfazendo. Martin Balin, fundador do Jefferson Airplane, deixou o grupo e lança seu primeiro álbum solo. Outro que dá brado de independência é Jim Messina, ex-Buffalo Springfield, ex-Poco e ex-Loggins & Messina. Lança agora o LP de ex-tréia.

2 de fevereiro de 2009

Série Clássicos de 1986: 7 - Selvagem?

Chegou a vez de João Barone, baterista do Paralamas, falar de um disco que mudou o rumo do rock brasileiro dos 1980. Se algumas pessoas achavam que tudo não passava de uma moda passageira, Selvagem? mostrou para elas que o buraco era mais embaixo...

Uma das idéias deste disco, desde o começo, era a vontade de constranger os diretores de nossa gravadora com coisas na contramão do sucesso do Passo do Lui (1984). Musicalmente e esteticamente. Era preciso deixar de lado a fórmula do que já havíamos feito (se é que ela alguma vez existiu). Se eles queriam mais versões de "Óculos" e "Meu erro", ganharam "Melô do Marineiro" e "Alagados". A capa então: que tal uma foto velha do irmão do Bi fantasiado de índio? Selvagem?
Ainda no final de 1985, estávamos ouvindo opressivamente muito reggae e música afro: King Sunny Ade, Manu Dibango, Fella Kuti, Doctor Alimantado, Yellowman, UB-40, Linton Kwesi Johnson, Sly & Robbie, Aswad, Black Uhuru, Toots and The Maytals, tudo isso misturado com a Bahia de Gil, Gerônimo, Ylê Ayê e o nascente Olodum. Reencontramos o Brasil via Londres-África-Bahia. Este álbum realinhou nossa idéia sobre música. A estética musical e visual da pobreza "low-fi" das ruas de Trenchtown e de Alagados, tão bem enquadradas nos clipes que fizemos na época. Quem poderia acreditar que este seria um dos discos de maior vendagem na nossa carreira?

João Barone, baterista do Paralamas do Sucesso