10 de fevereiro de 2015

Hey Big Borther, Deixe o Big Brother em Paz!!!

Volta e meia leio textos se referindo ao programa de TV Big Brother Brasil. O mais recente dos textos foi do fabuloso Luis Fernando Veríssimo. Assim como o que ele escreveu, também discordo de coisas iguais escritas por outras pessoas. Amigo / amiga, deixe o BBB em paz. É programa de tv, e pra começar ninguém é obrigado a sequer ter tv em casa, quanto mais estar na frente dela todos os dias as 22h assistindo a Globo e justamente a um programa que não gosta. É querer muito ser chato, não?

O Big Brother não é pra formar caráter, é apenas entretenimento, diversão. Quem falou que nele haveria cultura, educação, filosofia e moral? Pelamordedeus!!!! O que faz alguém pensar isso!?!?! Se espera isso então está no canal errado, no programa errado!

Não dá pra entrar no McDonalds, exigir o melhor da culinária francesa, e ainda reclamar alto por não ter essa opção. Aí já é passar vergonha, não?

Quando Pedro Bial ou outro repórter do programa se referem aos participantes como heróis que têm um caminho árduo pela frente, eles querem dizer dentro daquele contexto, dentro do jogo/programa Big Brother. Ninguém se refere a heróis da vida, ou caminho árduo ao longo da vida. São heróis para o programa, e só para o programa; caminho árduo dentro do programa porque não é nada fácil ficar confinado em uma casa, sem privacidade, com pessoas que nunca viu, passando certas privações, etc. É o contexto do programa, é a brincadeira, oras!

Essa é a 15ª edição do BBB e desde a 1ª, realizada em 2001, todo mundo soube de cara o que viria. Inclusive, antes dela, Silvio Santos fez a incrível Casa dos Artistas. Então já é mais do que sabido, até por quem nunca viu o programa, que o lance ali é pegar a baixaria, a briga, a pegação, a bebedeira. Sem isso não existe programa. Produzir um Big Brother sem esses elementos é como fazer churrasco sem carne. E mesmo assim o programa sofre certa censura da própria emissora.

Isso é televisão e a brincadeira é essa: jogar 15 pessoas em uma casa com dois quartos, um banheiro e esperar que disso saia confusão. E se estiver tudo muito tedioso, a produção inventa algo para mexer com os brios. Olhar tudo, inclusive safadeza, se tiver...

Agora, pô, na boa, como já disse, ninguém precisa assistir a isso. Eu assistia O Homem do Sapato Branco, as pornochanchadas da Sala Especial, a vida real com Goulart de Andrade, e tudo de podre que tinha na época. Também comprei Status, Ele Ela, Playboy sem ter idade pra isso, e até mesmo as foto novelas pornográficas! E estou aqui vivo, cidadão comum, normal, pagador de imposto, pai, leitor contumaz, trabalhador, etc.

Se o mundo está uma bosta e o Brasil no fundo do poço, a culpa não é do Big Brother. Se nesses bailes funk a menina tem que levantar a saia pra provar que está sem calcinha, porque assim é permitida a entrada, a culpa não é do Big Brother e nem da novela.

Antes disso tudo tem a educação, e para aplicá-la o ideal seria uma ação conjunta entre família e Governo, para assim tornar o Brasil um país de primeiro mundo. Mas se o Governo é corrupto e não dá educação nem para os pais, como é que a família e o Governo vão ajudar a nova geração? A culpa disso tudo definitivamente não é do Big Brother.

Como já disse aqui milhões de vezes, sou usuário do transporte público com orgulho, mesmo que ainda seja um lixo, e me deparo todos os dias com os heróis da vida, esses que mesmo pra quem não assiste e odeia o Big Brother são esquecidos. São pessoas especiais humildes que moram longe, que sofrem tudo o que um humilde com saúde sofre no dia a dia, só que com o agravante de ser especial, de andar em cadeira de rodas, não ter visão, pernas atrofiadas, braços amputados. Mas também tem as mães que saem muito cedo, ainda amanhecendo, junto com três filhos, para ir ao hospital mais próximo, que fica a 18 quilômetros do seu barraco, para TENTAR marcar uma consulta que será agendada só para daqui 8 meses. Ela que mal tem dinheiro para o transporte público, ida e volta, como então vai alimentar os filhos fora de casa?

Ah, e tem também as vítimas de doenças graves, que sofrem privações por praticamente morarem em hospitais, sejam elas crianças, jovens, adultos ou idosos. Não podem ver o sol, dar uma volta na praça ou ir à padaria comprar um sorvete. E quem se lembra dessas pessoas? 

Esses são alguns poucos exemplos de heróis da vida, mas que nada tem a ver com os heróis do programa de televisão Big Brother. Será que quem reclama de coisas pequenas como Big Brother faz algo para ajudar esses heróis da vida, para ao menos aliviar um pouquinho o árduo caminho deles?

E pode botar na conta da internet a culpa pela banalização do sexo e de outras tantas coisas! É ali que tudo cai praticamente no colo. Hoje, a televisão não é mais a vilã para o mau comportamento do jovem ou das pessoas de uma forma geral. A internet é tão pior que televisão, que nem dá pra comparar!

O que você quer? Zoofilia? Escatologia? Aprender a fazer uma arma caseira? Saber como se suicidar de forma eficaz? Como matar sem deixar rastros? Como humilhar seu colega de classe? Pinto grande? Xoxota loira? Na internet você tem tudo isso. E é exatamente por ter tudo isso e muito mais, que todas as coisas da vida se banalizaram. Todas! Inclusive, e principalmente, o sexo. A própria tecnologia está banalizada.

Mas o que não entendo é que o as pessoas que fazem esse tipo de reclamação gostariam de ver no Big Brother? Discussão filosófica? Conversas sobre como o Brasil poderia se tornar um país melhor? Ou talvez quem sabe ver uma aula de português ao vivo no programa (tem algum professor no elenco atual?).

Pô, a televisão (aberta e por assinatura) está cheia de bons programas que discutem a política nacional e internacional, com entrevistas e debates edificantes, fala-se de comportamento, futuro da humanidade, saúde, ecologia e mais um monte de coisas legais. Porra, porque então pegar no pé do Big Brother??? Por que não reclamar do Sexy Night (???) do Multishow?

E outra coisa: como profissional da área e com experiência em direção de reality shows, digo que programas como o BBB, A Fazenda, O Aprendiz, etc, geram dezenas de empregos diretos e indiretos, seja na emissora, na produtora ou das marcas patrocinadoras envolvidas. Há muita gente humilde que garante trabalho durante ao menos uns 5 meses. Além dos empregados em regime CLT há muitos profissionais autônomos, freelas, que garantem trabalho que pode durar de 4 a 6 meses, dependendo do tipo de reality.

A produção é imensa, a logística é complicada. São centenas de pessoas envolvidas. São equipes trabalhando 24 horas por dia, tanto na captação, quanto na pós produção. Transporte, alimentação, limpeza, produção, pós produção, manutenção de equipamento. A tia do café recebe carta branca para contratar uma assistente, que futuramente pode ser contratada. Tudo isso é muito positivo, porque a pessoa que mora na favela consegue trabalho e a pessoa de classe média ou até mesmo alta, também consegue. E hoje em dia, emprego em televisão está ultra mega master blaster difícil. 2014 foi um péssimo ano para os profissionais da área, e todos estão atualmente torcendo por uma melhora em 2015.

Programas complexos assim também geram grande movimento no mercado publicitário, com produtoras fazendo filmes publicitários direcionados ao programa, promoções são realizadas, marketing, merchandising, e tudo isso também gera movimento financeiro, empregos diretos e indiretos. Por exemplo, é formada uma equipe especial só para cuidar das festas ou merchandising que acontecem no caso do Big Brother e, se for o caso, essa equipe pode ser 100% free lancer. E dependendo do caso pode até ter duas equipes. Só essas equipes podem gerar, apenas diretamente, no mínimo 20 empregos temporários.

Ao assistir a qualquer programa de TV, seja qual for, você está gerando renda para a emissora. Se a Globo ganha milhões, ok. Se eu faço um brigadeiro gostoso, posso oferecer pra quem quiser, e se fizer sucesso, também poderei ganhar milhões. Se a pessoa quer participar do jogo e está disposta a dar 30 centavos do seu bolso, ninguém tem nada com isso. Carai! O dinheiro não é da pessoa??? Ela não quer dar para a Globo para participar do programa/jogo? Então que diabos alguém tem a ver com isso??? Caceta! Onde fica a liberdade? Isso sim é ser Big Brother!!!

E tem outra: Pra quem não sabe ainda, não é a Globo que deve construir escolas ou casas populares, e sim o Governo!!!

Que fique claro que não estou aqui defendendo a Globo, emissora a qual não tenho menor simpatia, pelo contrário, ou o BBB, que nem assisto. Só estou mostrando o outro lado. Mostrando que existe muita gente chata que fala sem pensar direito, que não consegue ter uma visão ampla da coisa. O que escrevo aqui serve para qualquer outro programa de televisão, não só para o BB. Você tem o direito de odiar o BBB, e você tem o direito de assistir o BBB. Você é livre!

Até parei pra pensar se postaria esse texto. Mas aí veio o princípio básico do Sete Doses: falar de cultura pop de uma forma divertida. Televisão e BB tem tudo a ver com cultura pop!

Da minha parte, faço tudo para o mundo ser um lugar melhor, independente de ter Big Brother na Globo ou não, porque pra mim tanto faz.

Pelamor, isso é só um programa de TV. Diversão. Entretenimento. Chiclete. Banana Split. Pode sim assistir ao reality, mas sem esperar nada além de besteirol sem compromisso, ok? Caso contrário vá ao cinema, visite os amigos, leia um livro, converse com a família, faça um esporte (incluindo sexo), escute música, arrume o armário, assista a outro canal ou escreva sobre cultura, educação e filosofia.

1 de fevereiro de 2015

Plebe Rude

Em fevereiro de 1986 o primeiro disco da Plebe Rude, O Concreto Já Rachou, foi lançado. Portanto agora em 2015 ele completa 29 anos. Aqui no blog postei texto de André Mueller a respeito dessa maravilha, que é um grandes dos clássicos dessa geração.

Pra comemorar o lançamento do Nação Daltônica resolvi então, por livre e espontânea vontade,  escrever sobre a banda (os 10 mil Euros que  Philippe Seabra me pagou foram apenas para a ajuda de custo da produção dessa postagem. Nada de Jabá! Quê qué isso mermão!!!)
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É legal ver a força da amizade entre o pessoal de Brasília. Alguns dos que começaram fazendo um som no final dos anos 70 estão aí até hoje, e juntos. Falo de Paralamas, Dado e Bonfá, Capital Inicial e Plebe Rude. Isso mostra o quanto foi forte o que aconteceu na Turma da Colina.

Apesar desse pessoal todo estar aí tocando, há uma única banda que consegue ainda ter a essência do que era feito em Brasília entre 1979 e 1984: a Plebe Rude. Se o Rock de Brasília ainda tem um representante legítimo, falamos de Plebe, sem dúvida!

Houve um tempo em que o Rock de Brasília morreu. Em 1996 Bonfá e Dado anunciaram o fim da Legião, dias após a morte de Renato Russo; Capital Inicial havia lançado o disco ao vivo com Murilo no vocal, mas estava completamente independente e sumido da mídia, praticamente em coma – inclusive foi nessa época que Yves tocou no Capital pela primeira vez, quando Loro retornou à Brasília para pensar na vida. Tudo estava difícil e indo aos trancos e barrancos. A mesma coisa acontecia com Dinho e sua carreira, primeiro com o Vértigo e depois solo.

A Plebe havia acabado, mesmo não tendo anunciado seu fim. Depois de lançar o ‘Mais Raiva Do Que Medo’, Philippe e André trabalharam o disco por um tempo, mas Seabra foi morar em Nova York e André voltou para Brasília. A banda voltou em 1999 e, no ano seguinte, lançou o ao vivo ‘Enquanto a Trégua Não Vem’, com a formação clássica. Mas essa volta foi conturbada, não durou muito e a banda se separou novamente.

Daí em 2004, dessa vez com a formação diferente, a Plebe Rude voltou e, para surpresa de todos, com Clemente (Os Inocentes), no vocal e guitarra base, cobrindo o lugar de Ameba, fazendo a voz grave. Para a bateria Txotxa, ex-Maskavo Roots (só um dos melhores de sua geração). Clemente e Txotxa se encaixaram muito bem! Hoje Marcelo Capucci no lugar de Txotxa. (esse novo retorno foi motivado pelo filme 'Escola de Rock'... é sério!!!)

Nessa mesma época, Marcelo Bonfá lançava seu segundo trabalho solo, ‘Bonfá + Videotracks’, Dado estava compondo trilhas e produzindo, e Capital Inicial lançava seu 3º disco de inéditas após a volta em 1998, o Gigante. Tudo isso que acontecia com Bonfá, Dado e Capital estava bem distante do que um dia foi o Rock de Brasília

Foram quase quatro anos de shows e composições até lançar o ‘R ao Contrário’, que afirmo sem exagero algum um dos melhores da discografia da Plebe, arrisco a dizer ser o sucessor direto de ‘O Concreto Já Rachou’. Sou um apaixonado pelos três primeiros discos da Plebe, mas não tenho medo de colocar o ‘R’ naquele contexto.

Phillipe Seabra e André Mueller são dois apaixonados por música, e roqueiros convictos. O gosto musical deles é algo fantástico. Foi com eles que escutei Killing Joke, PIL, XTC, Stranglers, Ruts, Stiff Little Fingers, muita coisa de pós punk e outras esquisitices que não larguei nunca mais.

Aí em 1981 os dois formaram a Plebe Rude, pioneira em várias coisas (mesmo que inúteis rsrs). Foi a primeira banda pós-punk da Turma da Colina. A primeira da 2ª geração de bandas da Turma da Colina e a primeira da Turma a ser formada nos anos 80. Antes da Plebe havia Metralhaz, Os Vigaristas de Istambul, Aborto Elétrico e Blitx 64 (as duas últimas ainda na ativa quando Plebe começou). Só em 1982 surgiram Capital inicial, Legião Urbana, XXX.

A primeira fita da Plebe que tive foi uma gravação tosca de ensaio com Marta e Ana cantando. Já via a banda nos shows do Food’s e outras apresentações que aconteciam a tarde. Eu escutava e ficava imaginando como eles compunham tudo aquilo: dois vocais + backing das meninas, duas guitarras. Escutava achando tudo aquilo grandioso.

Mueller e Seabra sempre se destacaram, entre os amigos, pelo cinismo, a sinceridade, o sarcasmo, o humor negro (no bom sentido), boas sacadas... o humor cínico. Tudo isso a dupla levou para a Plebe Rude e essas características são à base da banda até hoje.

Agora acaba de ser lançado o Nação Daltônica, mais um ótimo conjunto de canções com a cara da Plebe e que representam bem o bom e velho Rock de Brasília. Nem todo mundo que entende muito de música, consegue fazer música. Esse não é o caso da Plebe, que consegue transformar em um jeito muito pessoal, as maravilhosas influencias que tem.

A Plebe continua em Brasília! Não vou ficar aqui citando músicas da banda, mas até hoje, incluindo o ‘Nação Daltônica’ (escrevo este texto em jan/2015), a Plebe faz suas críticas político-sociais, de comportamento e tem seu humor cínico, impecáveis como sempre. Tem quem saiba envelhecer!

Longa vida à Plebe Rude!

PS: Porém, apesar de tudo isso o Diamante Cor-de-Rosa continua sendo a melhor banda de Brasília e das 27 galáxias mais próximas.