28 de novembro de 2010

E o Teeeeempo Passa...

Supertramp
Uma lembrança que tenho da minha rotina de garoto recém entrado na adolescência, era o inferno de acordar cedo para ir à escola. Odiava. Era sacrifício diário. Domingo a noite pra mim era tudo de ruim... jeje. Acho que é por isso que hoje adoro ficar na janela comtemplando o silêncio nas madrugadas (duas/três da manhã) de domingo para segunda – não tenho que acordar para ir à aula!!! (Inclusive esse é o momento de maior silêncio em São Paulo)

Nessas manhãs eu saía de casa entre 06h00 e 06h30. Quando pegava carona com meu pai, íamos escutando o jornal da Jovem Pan “vambóra, vambóra, vambóra, tá na hora, vambóra, vambóra. São 06h15. Reeeepita. 06h15.”

RHCP
Estou falando de 1982 a 1984. Eu tinha um rádio gravador no criado mudo do quarto, e assim que eu acordava ligava em um programa de flashback, clássicos, arquivo musical. Cada lugar dá um nome diferente, mas é o clássico programa de grandes sucessos do passado.

Ligava e logo vinha “It’s Raining Again” do Supertramp, “Something” do Beatles, “Satisfaction” do Rolling Stones, “Show Me the Way” do Peter Frampton, “Starway to Heaven” do Led Zeppelin, “(They Long to Be) Close to You” dos Carpenters, “California Dreamin’” do The Mamas & The Papas ou uma versão qualquer de “Raindrops Keep Fallin’ on My Head”.

Eram tempos de Som Pop, que também tinha seu momento “clássicos” onde tocava exatamente o que eu ouvia nas rádios. O que estava surgindo nesse período era U2, B-52’s, Iron Maiden, Duran Duran, Devo, Prince, Cindy Lauper, Madonna, Afrika Bambaataa.

Passados mais alguns anos outras músicas foram sendo incorporadas ao gênero ‘flashback clássico’ como as músicas das carreiras solos dos ex-Beatles, os sucessos da era disco, entre outros. Mas durante os anos 1990 esses programas continuaram basicamente com o mesmo repertório.

Peter Frampton
Cada veículo vê de forma diferente os antigos sucessos. De lugar para lugar, para entrar nessa categoria, o tempo da música pode variar entre 10 e 20 anos. Se não me engano, na MTV, para uma música entrar na programação do ‘Clássicos MTV’ era preciso ter 15 anos.

Outro dia caí pra trás ao assistir ao programa ‘VH1 Clássicos’. O primeiro clipe foi “There’s No Other Way” do Blur. Fiquei estatelado e me perguntei como querendo acordar: “Blur em um programa de clássicos, foi isso que eu vi?”, aí na sequência veio “The Right Thing” do Simply Red, e entre outras pérolas tiveram “Supersonic” do Oasis e “Give it Away” do Red Hot Chili Peppers. Depois ainda teve um monte de outras músicas, e a mais antiga era de 1983.

Acabou o programa e eu no sofá imóvel de boca aberta. Nada de Supertramp, nada de “Imagine” de John Lennon ou “Coming Up” de Paul McCartney. Nada de “Sunshine Your Love” do Cream, “Hey Joe” de Jimi Hendrix ou qualquer outro soft rock dos anos 1970.

O grunge agora faz parte da categoria ‘clássicos’ junto com a disco music, o punk rock e o flower power. Sex Pistols e Janis Joplin pau a pau! Radiohead já é flashback. Jane’s Addiction, Pavement, Weezer, Bad Religion, Offspring, Pixies, Happy Mondays, Green Day, Blink 182! Falta pouco para Spice Girls…

Blur
A cada ano mais e mais artistas entram para a categoria. Não me espantará se algum dia um velho superstar se dizer presidente do SACTOPROF: Sindicato dos Autores de Clássicos que Tocam em Programas de Flashback (Billy Idol? Sebastian Bach? Zack de la Rocha?).

Algo me diz que a primeira batalha do sindicato será por mais espaço nos programas, afinal o número de clássicos aumentam e o tempo desses programas continua o mesmo.

“Breakfast in America”, “Feelings”, “Come Together”, “Smoke on the Water” não podem cair no esquecimento e a família de seus autores precisam dos direitos autorais para pagar suas contas. Pode um programa de clássicos sem “Starway to Heaven” do Led ou “Another Brick in the Wall” do Pink Floyd?

Pelo sim, pelo não ao menos a programação dos especiais de flashback mudou bastante...







25 de novembro de 2010

Série Coisa Fina 4: J.J. Burnel (The Stranglers)

No punk rock os protagonistas são a guitarra e os berros vocais. O baixo fica em segundo plano. Na cena novaiorquina e londrina do punk rock de 1974 a 1978 há alguns baixistas que se destacaram e ajudaram a dar sequência ao instrumento. Pra mim, o melhor e mais importante deles (Dee Dee não conta, está acima de tudo), é Jean-Jaques Burnel, o JJ Burnel, baixista do The Stranglers, banda que era uma espécie de patinho feio do punk rock, mas não no mau sentido.

Filho de pais franceses, JJ nasceu em Londres, mas anualmente ia para a França. Fora o baixo ele tem outras duas paixões: o Karatê e motocicletas. Mesmo antes de entrar para o Stranglers JJ já treinava a arte marcial preferida do senhor Miyagi, indo inclusive ao Japão para tal. Ele é faixa preta 6º dan, e dono da respeitada academia Shidokan onde também dá aulas. Tem uma coleção de motos Triumph (inclusive em seu 1º álbum solo há uma música chamada “Triunph (of the Good City)” com marcação de baixo e um motor roncando o tempo todo).

Não vou me ater ao lado técnico, mas a sonoridade de seu baixo esta ligada, claro, ao equipamento que usa (Fender) e a forma como dá suas palhetadas mais perto da ponte, mas fato é que suas frases, riffs e marcações graves fizeram escola e deram um novo status para o baixo, principalmente, pela forma como ele foi mixado e nos timbres que JJ usa como distorções, wah wahs e outros efeitos, assim dividindo a mesma atenção com os outros instrumentos - o uso da palheta ajuda e muito a dar a forte característica na sonoridade do baixo de JJ. Na cena punk o que ele fazia nos anos 1970 era único. A sonoridade que ele criou foi muito importante para as cenas que surgiram após o punk rock.

Ele gravou dois álbuns solos: ‘Euroman Cometh” (1979) e “Un Vour Parfait” (1988, inteiramente cantado em francês). Em ‘Euroman Cometh’ Burnel fez agradáveis experiências com bateria eletrônica, teclados, baixo, e com efeitos vocais cantado em inglês, francês e até alemão. Alguns momentos do álbum me lembram Tones on Tail.


Apesar de ser experimental e obscuro, ele também foi importante para o pós-punk. Foi feito em 1978 nos intervalos das gravações de ‘Black and White’ do Stranglers. Nessa época JJ não tinha onde ficar e passou a dormir no estúdio. Quando todos iam embora ele gravava suas experiencias. Em 1992 o álbum foi relançado em CD. É um trabalho atual.

JJ Burnel também fez parte do grupo Purple Helmets, junto com Dave Greenfield também do Stranglers. Era um projeto paralelo formado no final dos anos 1980 onde só tocava covers e chegou a gravar Clash, Doors, Roy Orbison e outros.

Não sei o motivo pelo qual o Stranglers não é conhecido no Brasil, mas isso não diminui em nada a importância de JJ Burnel, porque hoje quem é baixista e gosta de rock alternativo e punk rock, pode não saber ou conhecer, mas tem grande influência de JJ.

Essa é minha sugestão de álbuns do Stranglers para conhecer bem o estilo de Jean-Jaques Burnel: ‘Rattus Norvegicus’ (1977), ‘No More Heroes’ (1977), ‘Black and White’ (1978), ‘The Raven’ (1979) e ‘La Folie’ (1981).











18 de novembro de 2010

Cazuza e Renato Russo

Pessoas insistem em querer comparar a carreira de Cazuza e Renato Russo pelo fato deles terem sido os dois grandes letristas da geração 1980. Não há comparação. Até porque as influências de Cazuza eram bem abertas e mais puxadas para a MPB. Gostava de Janis Joplin, mas gostava das cantoras do rádio e da MPB dos 1970. Renato Russo também era aberto a várias influências, mas gostava mesmo era de rock e sua grande influência foi o punk rock. É só comparar “Brasil” com “Que País é Este?”.

A carreira solo de Cazuza só foi chamar a atenção do grande público em 1988, ano em que lançou ‘Ideologia’, já imerso em uma onda de boatos sobre sua mudança física – falava-se que era causada pela aids. Na música título do disco Cazuza diz “o meu prazer agora é risco de vida”, e em “Boas Novas” diz “eu vi a cara da morte/e ela estava viva”. Isso só fez com que os boatos ganhassem mais força (suas viagens para os EUA eram sempre registradas pela mídia).

Cazuza se destacou por suas letras de amor: amor bandido, amor sofrido, amor exagerado, amor com ódio, amor escandaloso, amor solitário. Sim, ele escrevia sobre outros temas (“Mal Nenhum”, “Só se For a Dois”, “Só as Mães São Felizes”, “Vai a Luta”), mas seu forte era o amor.

Lançado exatamente em agosto de 1988, ‘Ideologia’ era o sexto disco de Cazuza (contando os três com o Barão Vermelho). Nesse mesmo ano a Legião Urbana trabalhava o seu 3º lançamento ‘Que País é Este?’, disco que fechou um ciclo, pois nele se registrou definitivamente todo o repertório da Legião que existia até então (faltando, na verdade, “1977” e “Fábrica 1”). Disco pesado que só veio afirmar de uma vez por todas o talento que Renato Russo tinha para escrever músicas de protesto e também sobre as angústias juvenis. Em um momento de ressaca pós-Plano Cruzado (furado!), a música “Que País é Este?” caiu como uma luva.

diversas músicas de amor gravadas pela Legião nesses três primeiros discos: “Por Enquanto”, “Será”, “Quase Sem Querer”, “Eduardo e Mônica”, “Andrea Dória” são algumas. Porém a marca do letrista Renato Russo ficou sendo suas músicas de protesto que foram bem vindas nesse período de transição política dos anos 1980. Era uma época em que os artistas ainda eram cobrados por uma posição política, por isso ‘Ursinhos Blau Blau’ não eram bem vindos. Dentro desse contexto Legião Urbana se sobressaia.

Cazuza sempre foi desbocado, fazia parte de sua personalidade, e chegou um momento em sua vida que escancarou de vez. Chegou até a cuspir na bandeira do Brasil em sua temporada de lançamento do ‘Ideologia’ no Canecão. Mas foi só em 13 de fevereiro de 1989 que ele assumiu ter a aids, em uma entrevista para o jornal Folha de São Paulo, concedida ao jornalista Zeca Camargo, em Nova York, um dia antes da publicação.

Se foi em 1988 que Cazuza resolveu ser mais crítico, foi também quando Renato Russo resolveu ser menos crítico. Provavelmente a gota d’água tenha sido o famoso show no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, quando Renato brigou com tudo e com todos (e eu estou com a banda). Mas antes disso alguns shows da Legião já vinham causando certo tumulto, pois os discursos de Renato fortaleciam as mensagens passadas nas músicas de protesto.

Terminada a turnê do ‘Que País...’ a banda foi descansar. O show de Brasília o entristeceu pacas. Um monte de coisas levou Renato a repensar a carreira e uma das decisões foi a de que seria mais positivo, falaria mais de amor. Foi em 1989 que Renato descobriu estar contaminado pelo HIV. Mesmo antes disso ele já estava cansado de tantos shows, e outra resolução foi a diminuição de viagens e apresentações. Aí veio, em outubro desse mesmo ano, ‘As Quatro Estações’ não só com “Pais e Filhos”, “Quando o Sol...”, “Sete Cidades”, “Monte Castelo” e “Se Fiquei Esperando...” (essas duas últimas com citações bíblicas), mas também com “Meninos e Meninas”, onde Renato assumiu de vez seu bissexualismo. E mesmo com toda essa mudança de comportamento esse disco só veio solapar a já magnânima carreira da banda.

A partir daí Renato direcionou seu texto para o amor, claro que sem abandonar temas mais fortes, como quem diz “já escrevi tudo o que podia sobre esse assunto, agora vou escrever sobre outras coisas”.

Dois meses antes de ‘As Quatro Estações’, em agosto de 1989, Cazuza lançou seu último disco ainda em vida, o ‘Burguesia’, que abria com ele gritando “a burguesia fede”, e que ainda tem “Cobaias de Deus”. Depois de sua morte saiu o ‘Por Aí’, que ainda traz "Portuga" e “O Brasil Vai Ensinar o Mundo”.

As críticas políticas e sociais escritas por Cazuza e por Renato Russo ainda estão bem longe do prazo de validade. As músicas de amor escritas por Renato Russo e por Cazuza ainda encantam, e assim será sempre. No final de suas carreiras os papéis foram invertidos e quem ganhou com isso fomos nós.



14 de novembro de 2010

Série Anos 1990 SP: 8 - Imagens (2)

1 - Massari era o multi homem: coordenava a 89 FM e era apresentador e programador do Lado B da MTV e ainda fazia outros bicos para revistas e jornais. Aqui ele apresenta a transmissão ao vivo que aconteceu diretamente do Teatro Mars no lançamento da coletânea A Vez do Brasil (Little Quail, Neanderthal, Graforréia Xilarmônica e Rip Monsters). Tatola também estava lá.



2 - Muzzarelas é um ótimo exemplo de banda boa do interior. Hardcore de primeira. Vinda de Campinas que ainda tinha No Class, Língua Chula...



3 - Neanderthal nadava contra a maré da época: fazia um heavy metal de raiz, melódico e nervoso. Era um time de all stars: os irmãos Jaques e Jeff Molina (guitarra e bateria respectivamente), Ney Haddad (baixo, dono do estúdio Quórum), PA nos vocais (ex-RPM) e Lee Marcucci (guitarra. O próprio!). Era um timaço! O que mais surpreendia na banda era a capacidade vocal de PA, além de sua performance ao vivo. Sonzêra da braba. Esse show aconteceu no Ginásio do Ibirapuera num festival beneficente contra a fome (ainda tinha PUS, Rip Monsters, Golpe de Estado... não lembro de tudo).



4 - Lembro do Okotô logo depois que André saiu da Patife Band. Era um duo experimental com Cherry que cantava e tocava koto e André tocava guitarra. Houve outros integrantes e acho que dois discos lançados dessa fase "cabeça". Depois, não lembro em que momento, o som mudou. Sem dúvida era uma das principais bandas dessa cena paulistana dos 1990, além de ser uma das melhores. Formação clássica: Cherry vocal e guitarra, André Fonseca guitarra, Andrei baixo e Miguel bateria.



5 - Esse aí é o Pit Bull, banda que eu e Johnny Monster formamos em 1990 juntamente com o baterista Alja e o baixista Fábio Zaganin. Durou algo em torno de 10 meses e fizemos uns 4 shows. Esse da foto aconteceu no Dynamo. Entre o público, além de um monte de amigos cabeludos e maconheiros, estavam as meninas do Volkana. Cantávamos em português, então éramos peixe fora d'água. Nossa frustração foi não ter tocado no Aeroanta e nem para o Papa. Gravamos algumas músicas do Pit Bull num projeto virtual chamado Aperta o Play (tramavirtual).



6 - Na época dessa apresentação do PUS, a banda passava por uma reformulação. Aconteceu no Ginásio do Ibirapuera durante um festival, só estavam no palco a guitarrista Simone, o vocal Ronan e o batera Rodrigo. Tocaram basicamente Slayer. Talvez tenha sido o último show metal do PUS, porque depois a banda virou uma espécie de eletrônico/industrial/metal.



7 - Raimundos ao vivo em um estádio Pacaembú completamente vazio. Sim, acredite! Porém Raimundos não tinha culpa. Não lembro ao certo, acho que no início de 1994 houve uma tentativa fracassada de se fazer um festival gratuito no estádio, monte de bandas foi selecionada, mas a prefeitura não autorizou o evento apesar de toda a estrutura de som e luz estar pronta e funcionando. Atrás do palco estavam trocentas bandas perdidas sem saber o que fazer e sem saber se iriam poder tocar. Nessa discussão de toca-não-toca o Raimundos subiu e tocou 3 ou 4 músicas. Eu tive a sorte de registrar duas ou três dessas músicas. O cenário era bizarro: um monte de músicos ao redor do palco e o estádio vazio e completamente escuro. O engraçado é que meses depois desse fato, o Raimundos voltou a tocar no Pacaembú só que dentro do Festival Monsters of Rock e foi um dos melhores shows dessa 1ª edição do Monsters. Acho que nessa época a banda ainda estava gravando o 1º álbum e ainda morava num hotelzinho na Vila Madalena. Saímos juntos de lá, mas não lembro onde fomos...



8 - Ratos de Porão ao vivo no Aeroanta. Nessa época a formação era Gordo no vocal, Jão na guitarra, Jabá no baixo e Boka na bateria. Pra variar, show maravilhoso e público animal. Gordo ainda não era da MTV. RDP já era velho de guerra no palco do Aeroanta e esse show que aconteceu em 1993 pode ter sido o lançamento do 'RDP Ao Vivo'. Foi um dos últimos shows com Jabá na formação. Okotô abriu (foto 4).



9 - Volkana ao vivo no SESC Pompéia, em um festival organizado pela revista Dynamite. As bandas de Brasília invadiram SP nos 1990: Raimundos, Volkana, Little Quail, PUS e Maskavo Roots. Volkana era a única banda só de garotas na época - pelo menos a única ativa no circuito. Chegou a gravar "Pet Sematary" do Ramones para tentar uma carreira internacional e gravou disco ao vivo no Dama Xoc. Tentou, tentou mas, como todas as outras que cantavam em inglês, perdeu a força e se desfez.



10 - Yo Ho Delic no Maksoud de Plaza. Sim! No Maksoud. A seleção de bandas para o tal festival gratuito realizado no estádio do Pacaembú (foto 7) foi feito no 150 Night Club (acho que o nome era esse), uma boate que ficava dentro do hotel. Era domingo de manhã e um monte de bandas foram até lá para tocar de três a cinco músicas (imagine a cara da galera). Nem vou nominar porque foram praticamente TODAS as bandas do underground daquele período. Nessa época o Yo Ho Delic já não contava com Kuaker na guitarra que acabou substituído por Munari (ex-Lagoa 66). Os shows do Yo Ho Delic eram ótimos.



11 - Esse show do Yo Ho Delic aconteceu numa casa noturna chamada Phoenix que ficava na Barra Funda e era do mesmo dono do Espaço Retrô (acho que o nome dele era Roberto). Era um casarão velho de ambiente único. Não deu certo e durou menos de seis meses.  Formação clássica com Marinho no baixo, Patossauro vocal/flauta/sax, Denis bateria e Kuaker guitarra. Talvez tenha sido o último show com Kuaker.

11 de novembro de 2010

Ingressos e Crachás: 1 - U2 no Morumbi em 1998


Adesivo/crachá do U2. Tinha que ficar colado na roupa.
O tão sonhado show do U2 no Brasil finalmente iria acontecer, e para a alegria do departamento de produção da MTV Brasil, iríamos trabalhar ao vivo no Morumbi entrando com flashes ao vivo durante a programação o dia inteiro até o início do show. Além, é claro, de transmiti-lo.

Era sempre uma turma muito grande que trabalhava nessas transmissões e mesmo concentrados em nossas funções, nos divertíamos pacas. Esses trabalhos sempre nos consumiam 12, 15 e até 24 horas! Mas era puro prazer. Infelizmente não recordo quem mais estava envolvido nessa transmissão, mas fato é que eu e a Soninha ficamos na pista, em um lugar cercado e protegido. No meio da pista e em frente ao palco. Chorei

Como sempre fazia, levei o que pude de material sobre a banda, pois seriam muitas entradas, do início da tarde até mais ou menos 21h30. Numa transmissão assim você não deve achar que terá assunto para todas as entradas. Então VTs e textos são preparados para qualquer emergência.

Sempre escrevi observações dos shows que fui (a trabalho ou não)
Lembro que não houve qualquer erro técnico ou humano durante os flashes, tanto Soninha, quanto outros VJs mandaram bem. Deu tudo certo e foi tudo conforme o previsto.

O show aconteceu em 31 de janeiro de 1998, exatamente 11 anos depois do primeiro show do Ramones aqui no Brasil (no Palace). Um dia de muuuuito sol, céu aberto e sem nuvens. O portão para o público entrar deve ter sido aberto lá pelas 14h e quem não levou chapéu ou boné se deu muito mal. A equipe que estava comigo e Soninha, tinha um operador de câmera, um assistente, um operador de áudio, uma produtora e seguranças. Tínhamos um toldo para nós, um isopor com água e refrigerante, e lanche tipo sanduíche frio. Era um oásis no meio do deserto.

Os flashes que fazíamos eram notícias do show, serviços, curiosidades biográficas da banda, algumas pequenas entrevistas. De vez em quando chamávamos alguma matéria de arquivo, clipe, mas era basicamente flashes normais que costumamos ver nesse tipo de transmissão.

Gosto muito de Gabriel O Pensador, mas foi péssima a idéia de colocá-lo para abrir o U2. O show não foi bom, e o público também não gostou. Mesmo nos hits não houve empolgação. Além do som estar meia bomba (é sempre assim), o sol de rachar o coco não aliviava pra ninguém, e não ajudou nem um pouco na hora do show – até a banda estava com sol na cabeça. Na minha humilde opinião, shows muito esperados pelo público não deveriam ter artistas de abertura.

Alivio geral quando o sol saiu fora.

Apesar de ter sido cansativo, foi um privilégio que tivemos estar na pista, perto do palco, em frente a ele e em uma área livre e cercada. Era uma mini área vip para umas 10 pessoas. O show foi impecável. O palco uma monstruosidade, ainda mais visto de tão perto. O mais legal era que, apesar de ser tudo épico, eram apenas quatro caras tocando um roque do bão.

 PS1: Lembro que pra ir embora a van levou quase uma hora para andar poucos metros, para sair de perto do Morumbi.

PS2: No primeiro vídeo, da pra ver a torre de som que fica em frente ao palco (1’:17”), estávamos ao lado dela.






4 de novembro de 2010

Guarujá, California Circus e Hollywood Rock


Os bares ficavam em frente ao calçadão
 Foi na temporada de verão de 1976-77 que fui pela primeira vez para Guarujá. O prédio onde eu ficava, Edifício Bolinha, era na Rua Argentina, Praia da Enseada. Nessas primeiras temporadas só tinham dois prédios nessa rua, um deles era onde minha família tinha apartamento. Acho que em 1981 chegou o calçadão à beira da praia. (Foi nessa primeira temporada que conheci o pré-adolescente Fábio Massari, cuja família também tinha apartamento no Ed. Bolinha)

Em 1982 aquela área da Rua Argentina virou point noturno, e o bar de referência ali era conhecido como ‘Postinho’, mas outros bares e lanchonetes surgiram num espaço de dois ou três quarteirões na rua a beira mar, em frente ao calçadão, vizinhos ao ‘Postinho’. Na minha rua também em 1982 abriu uma lanchonete que alugava quadras de tênis e de futebol, além de ter um fliperama e um ótimo sanduíche. Parecia cena de ‘Malhação’ com figuração andando pra lá e pra cá, sabe? Pra mim foi ótimo, o principal point da cidade era praticamente na minha rua. Ao lado do Postinho foi construído um local que era bar, fliperama e pista de patins (moda por duas ou três temporadas).

De 1982 até 1986-87 o movimento era intenso em praticamente quatro quarteirões (Rua Argentina incluída), onde ficavam concentrados os principais bares, a rua era estreita e os carros tinham dificuldade de andar. Muvuca absoluta.

Passada a moda do patins, o bar que havia ali desapareceu e em seu lugar surgiu uma lona de circo chamada California Circus. California era o nome de um novo cigarro na época, que era, acredite, distribuído gratuitamente. Como eu era fumante, me esbaldava. Eram caixinhas pequenas que vinham quatro cigarros. Acredito que eu esteja falando de jan/1985.

Por aquela lona passaram os principais nomes do rock brasileiro daquele momento. Foi ali que vi Barão Vermelho com Cazuza. Estava vazio porque a cidade ainda não estava em seu pico. Outro show não muito cheio foi o do Ultraje a Rigor, que nessa época já tinha lançado o 1º compacto. Lembro que poguei muito nesse show a ponto do canhão de luz ficar apontado pra mim em alguns momentos.

Aí já com janeiro fervendo, a cidade lotada, teve show da Blitz, Lulu Santos, Paralamas do Sucesso, acho que Léo Jaime, e outros tantos nomes. O do Paralamas foi marcante pra mim porque fiquei nos bastidores, assisti a passagem de som e tudo. Lembro que Herbert estava com Paula Toller. Os dois não se desgrudavam. Porém não lembro se Kid Abelha chegou a tocar no Califórnia, creio que não.

Não lembro como, mas eu sempre conseguia ingresso de graça. Acredito que por ser na minha área, eu devia conhecer ‘o amigo do amigo’, e também por estar sempre ali, pela manhã, a tarde e a noite.

Era bem em uma época de estouro do rock brasileiro, com Rock in Rio e danceterias.

Essa lona durou apenas uma temporada e o cigarro acabou não pegando entre os consumidores. Foi bem divertida essa temporada...
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Temporada que também foi marcada pelas edições nacionais do Festival Hollywood Rock. Rolou aquela edição histórica em 1975 no Rio de Janeiro, com Celly Campelo, Vímana, Peso, Rita Lee & Tutti Frutti, Erasmo Carlos e Raul Seixas; porém foi única e isolada.

O que pouca gente lembra é que tiveram outras edições nacionais do Hollywood Rock, antes da edição de 1988 que marcou não só pela entrada de nomes internacionais em seu head line, mas por ter tomado outra dimensão e ter entradas pagas. As edições na praia eram de graça.

Nesse mesmo período que falo da chegada do Califórnia Circus na Enseada, aconteceu também essa volta do Hollywood Rock, em um palco montado na ponta também da Praia da Enseada, porém encostado ao famoso Morro do Maluf.

Nessa 1ª edição só grandes nomes: Lulu Santos, Legião Urbana, Rádio Taxi, Tokyo e Kid Abelha. Pode haver mais um ou dois nomes, mas me lembro bem desses artistas e até lembro de ter ficado impressionado com o pique de Supla no palco – eu também era um dos milhões que odiavam Tokyo – e devo confessar que o show foi bom. Mas imbatíveis foram Lulu Santos, Legião Urbana e Rádio taxi.

Era um ambiente tranqüilo apesar de muita gente. A edição do ano seguinte também aconteceu na Praia da Enseada, mas do lado oposto ao ano anterior. Dessa edição lembro pouco, teve Camisa de Vênus, Titãs e acho que Biquini Cavadão. Uma passagem que é nítida pra mim, aconteceu em um momento no show do Titãs (turnê do Televisão), quando Paulo Miklos anunciou que iriam tocar uma música nova chamada “O Grito”. Meses depois essa mesma música foi lançada como “AA UU”, primeira música de trabalho do Cabeça Dinossauro.
Não sei dizer se além do Guarujá, o ‘Hollywood Rock nacional e gratuito’ chegou a acontecer em outra praia... que eu saiba não.

Nessa época de fim de ditadura, estouro do rock brasileiro e cultura jovem começando a explodir comercialmente, o Guarujá serviu bem de parâmetro para o que acontecia na época. Lembro que durante o Rock in Rio nos reuníamos sempre na casa de alguém para assistir aos shows que passavam na Globo, como nós brasileiros costumamos fazer durante a Copa. Além disso torcíamos para, quem sabe ver, algum dos nossos amigos que estavam lá.

Discoteca, patins, fliperama, new wave, danceterias, surf, rock. Tudo isso passou pelo Guarujá, que nesse miolo dos anos 1980 parecia ser o centro do mundo.

PS: Antes disso tudo, nos anos 1970, havia o Festival de Verão que acontecia na Praia de Pitangueiras. Lá vi apresentação do maestro Izaac Karabichevisk, show do Gilberto Gil (turnê Realce), entre outros nomes que não lembro.