30 de dezembro de 2009

Arnaldo Baptista

Nesse 1º de janeiro de 2010 se completa 28 anos da tentativa de suicídio de Arnaldo Baptista. Em dezembro assisti ao documentário sobre ele.

A primeira vez que me deparei com o Lóki? foi exatamente em 1982, quando vi o disco na antiga loja Punk Rock, do Fábio (Olho Seco) que ficava na rua Augusta. No meio de tantos discos punks e hardcore, como Rattus, Exploited, estava lá o Lóki? destoando de tudo. A cena daquele dia lembro como se fosse hoje.

Anos mais tarde, em 1987, finalmente conheci o Lóki? – esse foi o ano que abri a cabeça para além do punk rock/pós-punk/hardcore. Led Zeppelin e Arnaldo Baptista foram as grandes descobertas desse período. Claro, fiquei maluco.

Na época eu ainda tocava e compunha muito. Ao escutar Arnaldo mudei meu jeito de escrever e pensar música.

Desde então escuto com frequência Lóki? e Elo Perdido. São mais do que clássicos. Nem sei em que patamar colocar esses dois discos.

Na faculdade (que fiz de 1992 a 1997) eu tinha uma colega de classe que vendia as camisetas pintadas pelo Arnaldo. Comprei várias, as tenho até hoje e nunca usei. Estão bem guardadas. Ela tinha alguma ligação com a mulher dele, mas não lembro qual era. Foi ela que me deu um toque de que ele iria fazer uma apresentação sem divulgação em um bar discreto que ficava ao lado do Aeroanta. Isso devia ser 1994 ou 95 e fomos até lá acho que em 5 pessoas.

Quando chegamos ele já estava tocando a primeira música. Era só ele e um teclado que, se não me engano, era um DX7. Mas Arnaldo ainda não estava muito bem, tocou apenas 3 ou 4 músicas, bem desafinado e com certa dificuldade. Era um bar pequeno desses com luz baixa e com mesas espalhadas (típico para o marido traidor levar a amante). Não havia palco. Apesar da apresentação um tanto esquisita, os poucos presentes se emocionaram e aplaudimos com satisfação. Foi demais.

Foi um momento histórico, mágico e pra poucos. Eu nem estava acreditando no que estava vendo, mas quem viu duvido que acreditaria que um dia ele iria voltar a cantar, tocar, a gravar disco e até mesmo retomar o Mutantes.

Também é bom registrar que foi em 1989 que Lobão gravou uma versão de “Sexy Sua” e Miranda lançou o Sanguinho Novo. Apesar de ter sido uma das músicas de trabalho do disco, nem “Sexy Sua” e nem o Sanguinho tiveram a devida repercussão. Arnaldo também não estava bem. Mas pelo menos viu-se que parte da classe artística não havia esquecido dele.

Viva Arnaldo Baptista e sua obra!

25 de dezembro de 2009

A Volta do Vinil?

Semana que passou a Deck Discos anunciou a compra da única fábrica de vinil do Brasil que fica no Rio de Janeiro. Com ela, vai lançar em vinil uma porção de artistas de seu casting. Bem legal.

João Gordo e Lobão são dois artistas que defendem a volta do vinil. É justo. Agora não me venham ligar essa volta com o fim da pirataria. Há quem diga que, com o vinil, a pirataria cairia vertiginosamente. Digo que a pirataria iria ficar na mesma com a volta do vinil. Isso pra mim seria apenas mais uma opção de formato. Aliás, o melhor formato, pelo produto e pela qualidade sonora.

Já disse aqui e repito: depois do surgimento do mp3 a pirataria não acabará nunca. Façam o que for. Mesmo que volte a só existir vinil, qualquer um liga a pick up no computador e pronto, as músicas estarão na rede.
O formato sim é legal. Ter a capa maior, o encarte, ficha técnica, lado A e lado B, letras maiores, detalhes mais perceptíveis, som mais grave e fiel.
Difícil será também arrumar espaço nesses apartamentos mais novos por serem bem menores que os antigos dos anos 1980 pra trás. Onde guardar vinis e pick ups?
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Volto a ressaltar a maravilha que é a tecnologia, de poder nos proporcionar exatamente essa ligação entre o vinil e o computador. Quantos e quantos discos brasileiros independentes bons existem por aí e que se não fosse um fã, eu e tantos outros jamais teríamos oportunidade de conhecer trabalhos bons e obscuros. Mas não só independentes. Há muitos discos maravilhosos que as grandes gravadoras deixam apodrecendo nos arquivos ao invés de relançarem em CD. Dizem que há perda de dinheiro, que não compensa, mas essas gravadoras não podem ter o direito de nos privar de ter gravações históricas, discos que gostamos, que marcaram uma época.

Lembro, por exemplo, que a antiga gravadora do Capital Inicial só relançou seus discos em CD para pegar o bonde do sucesso do Acústico. Se não fosse isso, até hoje não teríamos os discos do CI em CD. A própria Legião Urbana, uma das bandas de rock brasileiro que mais vendem até hoje, teve seus primeiros CDs lançados com demora, ainda assim primeiro em caixa especial (uma nota) e só depois vendidos separadamente.

Então que volte o vinil, que os fabricantes de vitrolas ganhem muito dinheiro, que as gravadoras fiquem felizes e que ninguém corte o meu barato de poder escolher em pagar ou não por música.

21 de dezembro de 2009

Hare Hare

Nesse último mês por causa de um trabalho me envolvi com o tema Hare Krishna. Ouvi muita contradição de quem se diz devoto. Pregam a não violência, porém uma figura respeitada diz que na Índia em algumas discussões de transito a polícia chega já batendo e resolve tudo ali dessa forma. A pessoa contou isso achando bom “assim ninguém precisar ir para delegacia, fazer BO e perder um tempão. Já resolve ali”. Acredito não ser certo um devoto de Krishna achar isso bom.
Outro não menos importante fala a toda hora que não é certo fazer bicho sofrer, que não é certo comer carne. Porém em um outro momento, contando uma espécie de lenda ou história antiga que falava de guerreiros, diz que eles podiam caçar e comer carne. Questionado por causa da caça e dos guerreiros carnívoros, o devoto só disse “eles podiam, eram guerreiros”.


Declarações e atitudes diversas também deixaram transparecer que existe um certo machismo em suas tradições, por mais que as mulheres não assumam ou concordem com tudo, há machismo. Homens acomodados sequer servem seus próprios pratos ou ajudam em tarefas domésticas (claro que não devem ser todos, mesmo assim...). Tomei susto também quando me disseram que não se pode comer na cozinha!?! Pra mim é quase como dizer que não se pode fazer xixi no banheiro.

Desculpe, respeito às crenças, mas há coisas absurdas que pedem questionamento, e quando questionadas, não são satisfatoriamente explicadas, ou explicadas de uma forma absolutamente abstrata.

Pessoas de um Templo disseram que não tinham muito contato com outras pessoas do dia a dia, apenas com colegas de Templo e outros devotos. Isso é péssimo para quem se diz espiritualmente elevado, até porque uma das formas de se elevar espiritualmente é ter uma vida social ativa, ter contato com outras pessoas, porque é assim que aprendemos, erramos e acertamos. É só convivendo perto do pecado que você saberá se é espiritualmente forte ou não. O que adianta um advogado estudar a vida inteira se nunca pisar em um tribunal? Como um devoto passa a vida inteira se dedicando a elevação espiritual se não a testa com ninguém?
Outra coisa que não entendo é esse negócio de horário para rezar – e isso existe também em outras religiões. Que eu saiba rezamos a todo instante, rezamos de coração. Rezo em qualquer lugar e a qualquer hora. Basta fazer de coração e com sentimentos sinceros. Para conversar com Deus não é preciso marcar hora.

Outras coisas me chamaram a atenção, mas não pude questionar. Falam de evolução espiritual através do bem e do desapego material, mas é sabido que não basta não fazer o mal, é preciso praticar o bem e isso os Hare não fazem. Nenhum deles faz qualquer ação beneficente, nenhuma, zero, nada.

Olha, pensei que fosse aprender alguma coisa, mas só fiquei mais confuso. Pra mim a impressão que ficou foi: quem come carne é inferior, e quem não come carne e segue Krishna é evoluído e não precisa dos que são inferiores. Que tudo gira em torno da alimentação.


5 de dezembro de 2009

Modest Mouse

Aí vai um pouco de uma das melhores bandas dos últimos tempos:








Série O Resgate da Memória 13 - Lobão

Segue reportagem com Lobão feita pela revista Bizz em julho de 1986. Na época Lobão estava lançando o disco 'O Rock Errou'. Com direito a Cabra Cega, que o artista escutava uma música e a comentava sem saber o que era e também depoimento dos Ronaldos.

Foram duas horas de entrevista e seis de bate-papo. O resultado está nas páginas seguintes. Antes, porém, um pouco de história, já que Lobão está nesta vida de rock´n´roll há onze anos.
João Luís Woenderbarg (seu verdadeiro nome) tem 28 anos, é de Libra, ascendente em Sagitário, com a Lua em Touro. No horóscopo chinês é Galo - "cara de cocorocó bravo", como ele disse. Em 1975 foi tirado de sua doce vida com a música clássica, para tocar bateria no grupo Vímana. Segundo a crítica da época, uma boa banda de rock que não durou muito. Depois disso passou a ensaiar, durante nove meses, com o ex-tecladista do grupo Yes, Patrick Moraz. Daí sairia o segundo casamento de Lobão - desta vez com a ex-mulher de Moraz, Liliane, doze anos mais velha que ele.

Em 1980, Incentivado por Marina, deixou a toca. Esbarrou em Evandro Mesquita, então do grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e, juntos, fundaram a Blitz, com Lobão ainda na bateria. A proposta inicial da banda era fazer uma caricatura dos grupelhos de rock e showbiz em geral. Porém, na hora de gravar o disco, a produção veio com aquelas velhas histórias: "Essa música não pode ser assim, esta outra também não...". A banda topou e Lobão pulou fora.
Trabalhou com Lulu Santos, Gang 90, até gravar seu primeiro LP solo em 82, intitulado Cena de Cinema. E mais elogios da crítica.


Um terceiro casamento e o encontro com os Ronaldos - quase todos amigos de infância - viriam fazer dele uma pessoa novamente gregária. No amor, com Alice - a Pink Punk da Gang 90. Na música, com Baster, Odeid, Guto e a própria Alice (Lobão nos vocais e guitarra base). Lançaram o LP Ronaldo Foi para a Guerra, em 84, desprezado pela gravadora mas respeitado pelos roqueiros. Alice pulou fora - inclusive do enlace - e Lobão continuou com os outros membros do grupo. Até que, como todos sabem, se separaram. E veio o quarto casamento, com Daniele Daumerie, 17 anos. De novo em carreira solo ele gravou o LP O Rock Errou.

Lobão tem a língua solta - fala de tudo e de todos, sem xilocaína. Uns dizem que ele se aproveita disso para ganhar ibope, outros que ele não passa de um babaca. Já alguns à sua volta o cultuam como gênio. Será?! Confira você mesmo.

Quem sou eu?
Eu sou kamikaze, cara. Faço o que gosto - se não der, não deu. Agora, pior que a morte é você viver no formol. Não adianta ter sucesso, não faço essa coisa de dar grana.
Sou pedante, pernóstico, assoberbado. Uso isso caricaturalmente, para mim mesmo. Tem algumas polêmicas que eu, óbvio, lanço, pergunto e me questiono. Tem outras que eu jogo, como em um jogo de pôquer..

O Rock errou?
Isso é um álibi. "O rock errou" é uma frase-chave que, para mim, é sensacional. E um disco de entressafra - fiquei quatro meses enclausurado meditando, namorando, meditando... Quando pensei "O rock errou" foi: "Pô, tem tantas músicas que estão iguais aos outros períodos... Então, já que errou, eu posso chegar e colocar isso como conceito. Posso colocar ele em ritmo de jazz, tocar samba, fazer uma homenagem a James Brown, dá até para fazer rock, de maneira errada ou certa.
Antes de mais nada, é um álibi para eu poder fazer o que eu acho que estou afins de fazer. O rock errou? Telefona para a Sunab. Eu não tenho nada a ver com isso.

Hooked on Classics
Bach era pop. Agora, tem coisas do clássico que eu acho um saco. John Cage, para mim, é um saco. A música tem de entrar pelo meu ouvido e sair boa..., ou sair dor. Não gosto de ver concerto em máquina de escrever - muito bonito conceitualmente. Acho até válido, como Debussy e Ravel que jogavam o piano do quarto andar - PAAN! - porque achavam que eram as últimas possibilidades deles. Bacana. Mas não vou ser eu que vou comprar um disco desse piano caindo, cara. Eu não estou maluco, está entendendo?

Chico e Caetano
Quando falei mal de Chico e Caetano, eu quis criar a polêmica. Nunca fui inimigo do Caetano e só falo mal de quem eu gosto. Além disso, usei este questionamento para ver como o próprio metiê brasileiro está usando sua própria palavra. Se é abusiva, se não é. Se é bem colocada ou não. Se é excessivamente ética. Se é absolutamente hospitalar. Certas pessoas chegaram para mim: "Como você faz isso? Falar mal de baluartes?" Você acha que o homem das cavernas achou fogo como? O atrito gera fogo. Basta lidar com o atrito para que ele seja criativo. Não é o caso, como dizem, de eu querer ganhar Ibope em cima do cara.
Caetano e Chico de crachá! Por mais bem-humorada que seja aquela abertura do programa, é sintomática. Crachá, cara. Para receber um grande salário. Estou cansado de falar mal deles..., pô, Tenda dos Milagres do Caetano é linda.
Eu até tinha me proposto a trabalhar junto (no especial da Globo). Mas aí pensei: vou esperar para ver. E vi, porque - poxa - quero ter um embasamento para falar. No começo, achei um barato. Ao vivo. Agora, a conduta que o programa tomou..., achei, primeiro, uma puxação de sardinha incomensurável. Tudo bem, é uma sardinha que precisa ser queimada, afinal de contas. Agora, achei que foi a maior perda de oportunidade para que houvesse uma troca de informações maior. Ninguém pode se achar com o rei na barriga. Nem nós, nem eu, nem eles.

Pai Nosso que Estais no Céu
Eu sou um cara místico, no fim das contas. A religião é ritualística e o misticismo abstrato. Ultimamente tenho orado muito por Deus, acho que ele não é Onisciente. Acho uma irresponsabilidade, uma covardia colocá-lo numa posição de onipotência. Se Ele fosse onipotente e onisciente, não brincaria de erro com a humanidade. Mas, como a humanidade erra, estamos sofrendo - errando e acertando - em prol de urna coisa maior, de um inconsciente coletivo.
Então, acho que Deus merece ser levado por nós. Em vez de pedirmos benefícios para nós, seria melhor pedir benefícios para Ele próprio; que se resolva logo e pare de brincar de autorama com a gente, por exemplo.

Rock in Brazil
Eu acho que o rock brasileiro está vigoroso. Pó, eu fui para Nova York e neguinho se amarrou. O rock é uma coisa internacional, uma linguagem realmente universal.
Agora, é preciso um método, uma vontade. Atitude e coragem, como diria Glauber Rocha, arte é coragem. Isso não acontece porque neguinho tem síndrome de macaquito. Aquele grupo, por exemplo, que é a cara do U2. O que vai acontecer? Neguinho vai ouvir e dizer: é U2. O outro é a cara do Police...
Acho que um mínimo de originalidade você tem de levar. Antropofagia digerida, destilada.

Ronaldos
Tenho o mix deles. Achei do cacete. Poderia ter sido melhor produzido - não há falhas, mas por causa de falta de tempo no estúdio, precariedade de verba, essas coisas. Mas se existe uma coisa genuína que eu conheço são os Ronaldos. Músicas do cacete e superbem tocado.
Eu saí e fui saído do grupo, porque não há nada unilateral. Primeiro, houve problemas de stress de estrada e ingenuidade generalizada. Depois de 150 shows, ainda não tínhamos descoberto a ORTN. Enquanto as pessoas estavam ganhando trinta, quarenta milhões para fazer um show, nós fazíamos por dois e meio porque eram sempre marcados com muita antecedência. E o Guto tem família. Isso tudo foi uma das causas.
A outra é que eu tenho uma personalidade difícil. No começo tinha também a Alice, mas ela deixou bem claro: era um ano e depois ela saía. Eram três compositores. Saiu ela, ficamos eu e o Guto. Quando estávamos elaborando o segundo LP, tinha um problema com a mulher dele, que saco! Onde ele vai, ela vai atrás...
Eu era a única pessoa que dizia "eu não agüento mais!" Eu gravei "Decadence..." já tocando guitarra, só eu. "Mal Nenhum" gravei com o (luto ainda, relutante, ele já estava insatisfeito mas não dizia. Ficava querendo me retratar: "Você está andando com más companhias, está se destruindo!" Pô, eu tenho meu metabolismo.
Não foram os Ronaldos que saíram amotinados, foi uma coisa gradual. Eu estava num pique de tomar muita heroína e eles ficavam com medo: "Go junkie, sai dessa". "Eu sei, eu sei... Sou auto-suficiente", falava. Aí fui ficando cada vez pior. Fiquei morrendo de raiva deles e eles de mim. Falei mal deles, eles de mim. Hoje sinto a maior saudade.

Rock Europeu, Rock Americano
Lá está tudo seco. São darks e eu não agüento isso. O Echo & the Bunnymen, por exemplo. O Ian MaCullouch é um puta poeta mas, musicalmente, não posso achar bacana. Tem coisas do cacete. Prince é do cacete. Mas são coisas esporádicas, não é um movimento E tanta merda. Não é que vou ficar com o dedinho para cima, não. Sou sério! Agora, não sou entediado, sou raivoso. Já que não morri até agora, entediado é que não vou ficar. Uma coisa passiva, escrota, babaca. Reclama, mas não fica impondo tédio a ninguém. Tédio já existe nas ruas do mundo.

João Luís, o Lobão
O apelido vem do colégio. É porque eu como muito. E detesto aquelas coisas de "me dá um teco", "me dá um pedaço", quando estou comendo alguma coisa. Não é por sovinice, não, é porque é a minha dose. Então eu comprava a minha dose, todo mundo pensava que eu comia à pampa, punha aqui um queijo quente, um cachorro quente, um milk shake, um banana split e dois sucos, isso só para mim. E comprava um hambúrguer, botava tudo espalhado na mesa de pingue-pongue e dizia: "Quem quiser toma, come esse aqui, mas não me encham o saco". Aí começaram a ver aquela coisa toda, eu comendo alucinado, e como eu sempre usava macacão, sempre uso, o pessoal ficava assim: "Oh, lobo mau, lobo mau..." E daí veio Lobão.

Punk, Heavy Metal, Silêncio
Sem silêncio a coisa não vinga. O punk, por exemplo, não tem silêncio. E tipo trígono na testa. Acho legal como manifestação política. O heavy metal já é outra coisa, um onanismo musical, masturbação, puberdade.
Agora, o silêncio é importante para se criar alguma coisa. É a mesma coisa que você perguntar para um desenhista se ele prefere criar uma página em branco. Tem de ter basicamente o branco, o silêncio, e daí você parte para qualquer coisa. Mas tem de ter o cuidado de não invadir muito esta paralisação, para que aquilo se torne uma coisa audível.

Um lobo solitário?
O rock´n´roll é uma coisa gregária. Aí eu fui transar com outras pessoas - neste disco (O Rock Errou) o Torquato foi um produtor de estúdio que tocou guitarra, o João e o Jurim, todos me ajudaram. Me senti agregado a eles ao fazer um trabalho solo, tanto é que na contra-capa estão todos canonizados. "Lobão" era o nome da empresa... Eu acho que eu sou um cara solitário, independentemente de ser gregário ou não.
Mas eu tenho uma coisa de grupo muito forte - eu era baterista, e baterista tem que ser gregário. Cena de Cinema, poxa, quem participou foi o Lulu Santos, a Marina, a Blitz antes de ser Blitz - o Antonio Pedro, o Barreto... Não sou uma pessoa despótica em estúdio. Se alguém tem uma sugestão melhor que a minha, vou acatar. Quero um resultado final legal. Num disco solo eu tocaria bateria, baixo - que eu sei tocar melhor que guitarra - e guitarra também. Poderia fazer, e ainda vou acabar fazendo, por curiosidade...
Mas, por querer ser gregário, para provar para mim mesmo e para os Ronaldos, "viu, não sou tão egocêntrico assim!", fiz questão de não tocar nenhum instrumento neste disco. Muita gente tinha falado que eu estava em uma egotrip, e eu senti que precisava provar a eles que eu estava sendo injustiçado, que não era bem aquele o ponto da ferida, eu querer tocar todos os instrumentos...

Fragmentos de vários discursos
"Música tem de ter uma dose mínima de entretenimento - simpatia, empatia perante as coisas".
"Quando digo "barulho basta eu que faço", quero dizer "destas dez ao luar, basta eu a tocar! Mas para ouvir prefiro Bach".
"Me sinto genuíno musicalmente. Pode ser ruim, pode ser mal... Mas é a minha cara".
"Acho que Hitler leu Nietzsche e pirou. E ficou achando que o super-homem era o homem ....... Hitler era um pintor equivocado, que comia as fezes de Eva Braun."


Cabra cega
"Outside Tokyo", Stranglers - Parece uma valsinha. Bem gravado. Não agüento este tipo de música. Não agüento mais gente desafinada. Não, não, pára! Eu juro, eu confesso, quem é essa pessoa cantando? Não agüento mais esse tédio. Tédio europeu na veia.

"As Minas do Rei Salomão", Raul Seixas - Tem cara de demo tape. Raul Sexless. Ele já foi legal, quando gravou isso. Podia ter maior qualidade de som naquela época. Merece respeito. O rock´n´roll é uma besteira. Rock, basta eu tocando.

"Cross Your Legs", Arto Lindsay - Interessante. A princípio, muito interessante. Gostei do baixo e bateria. Se demorar mais cinco compassos assim, vou achar chato. Ah! Obrigado. Não, não..., criativos os garotos, mas insuportável de se ouvir. Se eu parei é porque não gosto. Afoxé isso aí? E uma falta de imaginação. Muita tecnologia. Pelo menos o cara do surdo toca bem. Rock ainda ouço alguns nacionais, mas de lá de fora! E árido, muito árido. Um James Brown frustrado.

"Streets of Laredo", John Cale - Isso é americano. O que é isso? Excesso de tédio, horrível..., não... cacofonia, cara! Isso é tortura musical. Engodo.

"Mediocridade Afinal", Smack - Parece que é a melhorzinha. Demora muito. Introdução enorme. Só para causar irritação na gente? É instrumental esta música? E português. Grupo de língua portuguesa pelo menos. Pó, eu não queria ficar falando mal de ninguém assim. E o mais legal. Não me emociona nem mais, nem menos. O tédio não me convence nem me fascina mais. Já foi muito ousado. Raiva sim. Senão adoraria ficar olhando as amebas. Pelo menos são mais punks.



O que pensam os Ronaldos?

Guto (guitarrista e criador do termo "Ronaldo"):
"Não quero falar sobre isso. Já foi há tanto tempo, já se passaram tantas coisas. Não sei o que dizer sobre isso. Não concordei com o que tava acontecendo em volta dele, na casa dele. A gente não conseguia produzir mais nada. Eram milhões de pirações. Neguinho muito louco. Todo mundo é um indivíduo. Quando não há espaço, pula-se fora".

Baster (baterista, irmão de Guto, amigo de infância de Lobão):
"Me desentendi com Lobão no estúdio no começo da gravação do novo LP. Mas na verdade tudo foi fruto de desgaste. Muitas viagens juntos, aquela coisa de banda, quarto de hotel. Ele é muito cabeça-dura. Não o critico por isso. Só não queria ser vítima de coisas que ele fazia. Nossa amizade gelou na época, mas tudo passou e agora somos amigos de novo. Gosto muito dele, freqüento sua casa. Foi só isso".

Odeid (baixista):
Cada um de nós teve um desentendimento diferente com ele. O lance do (luto foi mais desentendimento pessoal, já que eles se conhecem desde infância. Eu só fui conhecê-lo com os Ronaldos. Meu lance ligou-se mais à saída do Baster. Guto já tinha saído e o clima ficou esquisito. A gente já não ensaiava mais, a coisa tava mecânica. A separação deu-se há exatamente um ano. A gente ia tocar em Juiz de Fora e o Lobão não apareceu. Eu não dou razão a mim ou ao Lobão, mas senti que tava na hora, não tava rolando mais camaradagem. Eu não briguei com Lobão, mas não dava razão a certas coisas que ele fazia".

Alice (cantora, tecladista, ex-companheira de Lobão):
Eu não queria tocar teclado, eu queria cantar, entende? Foi por isso que saí do grupo. Não foi bem uma briga de egos. Além do mais, eu tinha uma relação emocional com ele e alguém tinha que sair da banda para não ferir o outro. Saí eu. Na verdade, foi tudo um acúmulo de coisas.

28 de novembro de 2009

Estúdio 864

Outro dia subindo a avenida Pompéia em São Paulo, relembrei um estúdio que havia lá quando cheguei na cidade em 1987. Era o Estúdio 864 (ou Pompéia 864??), que ficava, claro, na av. Pompéia, 864.

Fui lá umas duas ou três vezes. Não conheço sua história, lembro de ver um dos sócios, mas também não sei sua história e nem lembro de sua fisionomia. Na verdade era um complexo de estúdios, acho que três ou quatro. Lá ensaiava a nata do rock brasileiro do período: Camisa de Vênus, Capital Inicial, Titãs e mais uma penca. Fora artistas de outros gêneros... conheci Chrystian (dupla com Ralf).

Era um casarão grande de dois ou três andares. Os estúdios, cada um ficava em um lugar e eram diferentes em tamanho, equipamento e capacidade técnica. Uns eram só para ensaiar outros tinham sala técnica, mesa de estúdio...

Era bem movimentado, todas as vezes que fui lá havia gente pra tudo quanto é lado. Artistas, equipe técnica, empresários, gente de gravadoras, amigos. Não sei quando ele foi aberto e quando e por que fechou. Nesse dia que conheci Chrystian, estávamos um grupo conversando numa varanda que ficava em frente ao estúdio onde o Titãs ensaiava quando de repente o Branco Mello saiu emputecido do estúdio, abrindo a porta na porrada, pisando firme e dizendo coisas que não lembro mais quais eram. Em seguida saiu mais alguém da banda também puto da vida. Pelo vidro dava pra ver o resto da banda quieta, com cara de quem não estava entendendo nada, um olhando pro outro sem maiores reações. Não lembro, mas acredito piamente que o ‘Jesus Não Tem Dentes...’ ainda não havia sido lançado. Podia ser até ensaio para o disco.
Uma outra vez fui para ver um ensaio do Capital, mas apenas lembro de ter tomado muitas cervejas com Loro. Era um lugar legal e todas essas bandas estavam no auge.

Passando por lá lembrei disso tudo. A casa não existe mais... hoje há um conjunto residencial lá, e agora fiquei curioso para saber de toda a história. Vou descobrir e depois conto ou se alguém souber ponha nos comentários, por favor.

23 de novembro de 2009

Mais do Mesmo 3

Li dias atrás mais uma matéria sobre o futuro da música. Todo mundo querendo adivinhar o impossível. As grandes empresas loucas atrás de um novo modo de ganhar dinheiro com música e a moda agora é falar de música casada com telefonia móvel. Que as gravadoras e as operadoras estão se juntando.

Empresários ficam quebrando a cabeça tentando achar um modo de voltar atrás, de reverter esse negócio de baixar música de graça. Coitados... avisa a eles que isso não tem volta!
Fato é que nada vai adiantar porque se todo mundo já sabe como ter música de graça, então porque pagar? Quem quiser pagar que pague – isso agora é opção. As grandes corporações nunca mais irão ganhar dinheiro como no tempo do vinil ou CD. Isso é passado. Já era. Gravadora é coisa do passado. Caceta. Quando é que vão definitivamente enxergar isso?
Agora já sinto pena dessas ex-grandes gravadoras que estão cegas. Uma prova disso é o novo álbum que Sting acabou de lançar. Sabe qual é o preço? R$ 35,00 (trinta e cinco reais). Isso mesmo!


Isso é uma prova cabal do quanto elas estão fora da realidade. 35 reais!!! Se ainda viesse com ingressos para seu show, ainda vai. Sabe aquelas idosas decadentes, que acham que ainda vivem no glamour dos anos 1950? Tá ficando feio. Tá ficando ridículo.
Gravadora tem que rever os contratos e se transformar, de algum jeito, em agências de entretenimento ou algo do tipo. Eu aqui falo como consumidor, não estou preocupado com o que vai acontecer com todas elas, até porque com gravadora ou sem gravadora eu terei a música que quiser, quando quiser.

Fiz uma pesquisa rápida em listas de ‘lançamentos’ e ‘mais vendidos’. Em alguns lugares eram mais caros e em outros mais baratos. Agora imagine que você ganha um salário mínimo quer é R$ 465,00 e resolve comprar dois CDs:
Adriana Calcanhoto – A Fábrica do Poema R$ 24,65 (uol)
Ana Carolina – Dois Quartos - R$ 39,50 (uol)
Lady GaGa – Paparazzi – R$ 15,92 (uol)
Michael Jackson – This Is It (duplo) – R$ 39,90 (sub)
Shakira – She Wolf – R$ 17,90 (submarine)
Ney Matogrosso – Beijo Bandido (digipack) – R$ 29,90 (sub)
John Legend – Evolver – R$ 24,90 (sub)
NXZero – Sete Chaves – R$ 34,50 (sub)
Vitor & Léo – Ao Vivo e em Cores – R$ 19,90 (fnac)
Ivete Sangalo – Pode Entrar – R$ 27,90 (fnac)
Caetano Veloso – Zii & ZIe – R$ 29,50 (fnac)
Arlindo Cruz – MTV Ao Vivo – R$ 19,90 (fnac)
Gloria – R$ 20,90 (fnac)
Madonna – Celebration (duplo) – R$ 44,90 (fnac)
Dream Theater – Black Clouds... – R$ 29,50 (fnac)
Maria Bethânia – Encanteria – R$ 34,90 (saraiva)
Seu Jorge – América Brasil – R$ 24,90 (saraiva)
Joss Stone – Colour Me Free – R$ 29,90 (saraiva)
Elas Cantam Roberto Carlos (duplo) – R$ 49,90 (saraiva)

18 de novembro de 2009

A igreja católica e o sexo

A inquisição foi tão cruel quanto o nazismo. Esses dois acontecimentos são manchas muito negras na história da humanidade.

Engana-se quem acha que todo padre é santo ou que tenha apenas boas intenções. O ato de se confessar nada mais é do que uma invenção da igreja católica durante a inquisição exatamente para saber dos podres da população, dos burgueses, dos nobres e até mesmo dos reis e rainhas. Essa era uma forma de deixar todo mundo de rabo preso com a igreja. A partir das confissões os batutas eclesiásticos faziam seus subornos e conseguiam seus desejos mais sujos.

Dizem (e acredito piamente) que os padres não casam para que não haja divórcios e bens pertencentes à igreja sejam dados as ex-esposas. Ninguém nunca falou que padre não pode casar isso não está explícito em nenhum texto sagrado. Pelo contrário, o casamento é uma instituição bela, muito bem vista e quista por Deus. Há quem diga que passagens da bíblia afirmam o celibato, mas aí é um lance de interpretação. E a igreja católica é fera em dar interpretação errada aos textos sagrados (assim como outras tantas igrejas evangélicas).

(‘Celibato’ segundo o dicionário Aurélio: Estado de uma pessoa que se mantém solteira.)

Agora pergunto: quem acredita que padre passa a vida inteira sem fazer sexo? Todos que lêem um pouquinho de jornal sabem o quanto o Vaticano gasta em indenizações em casos de pedofilia, gravidez indesejada, estupro, entre outros absurdos que a igreja católica tenta esconder.

Também não há em nenhum lugar escrito que padres não podem fazer sexo. O sexo é bom, faz bem ao corpo e a mente e é absolutamente necessário para nosso dia a dia. A troca de energia durante o sexo é fundamental para nosso equilíbrio.

O pior não é só a mentira em que vive os eclesiásticos, pior são coisas como a proibição do uso da camisinha. Isso está fora da realidade. Certamente é por isso que existe tanto padre que é pai.

Fico me perguntando até quando a igreja católica vai viver nessa mentira que ela vive – não só em relação ao sexo, mas em relação a tudo. Padres são sujos, falsos e hipócritas (obviamente existem os de boa índole, mas são poucos). Há padres homossexuais, há padres bissexuais, há padres pedófilos, há padres viciados, afinal, todos eles, incluindo o papa, são antes de tudo seres humanos imperfeitos como nós. Perfeito nesse planeta só foi Jesus Cristo.

Para finalizar lembro que Jesus entrou em Jerusalém em cima de um jegue, pelos fundos da cidade, sem alarde e sem chamar a atenção, pois ele pregava acima de tudo o amor e a humildade. O papa quando viaja e chega a seu destino faz completamente o contrário: além de viajar em seu próprio avião, faz questão de tocar todas as trombetas e descer em tapete vermelho.

Quem é hipócrita?

12 de novembro de 2009

Filhos de Mengele Faz Escola

Olha aí o Filhos de Mengele fazendo escola (claro que por conta do Raimundos que gravou essa no Cesta Básica)! Das três versões que recebi essa me chamou a atenção pelo baixista tocando com o dedo. Coragem do cara. Filhos de Mengele é palheta!!!

7 de novembro de 2009

Geração Cobaia


Por conta de um trabalho rápido, passei a semana escutando o rock brasileiro dos anos 1980. Sei o tanto de gente que rejeita essa geração e mais até, rejeita o próprio rock brasileiro.

Vá lá que obviamente o rock brasileiro não chega aos pés do americano ou inglês, mas tem alguuumas coisas muito boas, interessantes e que inclusive deixa os gringos no chulé.


O grande problema da chamada geração 80, na verdade, nem é ela e sim as gravadoras e a estrutura que essas majors davam aos novos artistas do rock. E nem era ‘problema’, mas sim ‘problemaS’.

(Antes abro um parênteses para dizer que aqui falo da geração Gang 90 adiante, não contando assim artistas como A Cor do Som, Rita Lee, Rádio Táxi)

Quando essa geração começou a gravar, por volta de 1981-82, não havia estúdio para rock, acústica para rock, microfones para rock, e nem produtores especializados em rock. As gravadoras não sabiam o que fazer com as bandas. Sabiam que tinham que tê-las, pois era o momento, mas não sabiam trabalhar com elas.

Se você pegar algum integrante dessas bandas que gravou seus discos principalmente entre 1981 e 1986 para contar as histórias de estúdio e relação com gravadora, você certamente dará muita risada do que um dia gerou muita raiva.

Essa rejeição pelo rock dos 1980 é muito por conta desse amadorismo que era latente da base ao topo da pirâmide dessas multinacionais. A má qualidade das gravações, os timbres dos instrumentos e das vozes, a acústica, a mixagem. Era tudo horroroso. As gravadoras tinham medo das guitarras distorcidas e a impossibilidade de se chegar ao timbre desejado gerava muita dor de cabeça.

Dois guerreiros dessa geração são Pena Schmidt e Liminha. Pena ajudou André Midani a criar um casting jovem para a Warner e Liminha com o Nas Nuvens levou tecnologia de ponta para o Rio de Janeiro. E os dois, acima de tudo, entendiam de rock e fizeram ao máximo para suprir
todos esses defeitos que descrevi ao longo desse texto.

Mas mesmo marcada por essa má qualidade técnica, há discos dos 1980 muito bons, de se tirar o chapéu (rapidamente listei uns 12 que escuto até hoje numa boa). Dois desses primeiros de que gosto muito são ‘Os Maiores Sucessos de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados’, de João Penca... e ‘Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes’, da Gang 90 & Absurdettes. Ambos lançados em 1983 e muito provavelmente gravados em 1982.

Para finalizar, digo que é para não confundir qualidade técnica ruim com a qualidade da banda e do repertório. Muitas dessas bandas prejudicadas conhecemos muito bem como é o caso do Titãs, Paralamas, Barão, Legião que seus primeiros discos são tecnicamente ruim de dar dó, mas ao vivo era outra história.

5 de novembro de 2009

Acaba em pancadaria lançamento de "Honoráveis Bandidos" em São Luís

Folha on Line - 05/11/2009
Sérgio Ripardo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u648388.shtml



Terminou em tumulto e pancadaria o lançamento do livro "Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney", na sede do Sindicato dos Bancários, em São Luís (MA), na noite de última quarta-feira.
A noite de autógrafos de Dória foi marcada para ocorrer na sede do sindicato, porque as livrarias do Maranhão se recusaram a lançar a obra, como
antecipou a Livraria da Folha, no mês passado.

Segundo o sindicato, estudantes ligados à família Sarney jogaram ovos e uma torta na direção de Dória, em protesto contra o livro. Houve também uma discussão entre os participantes do evento e os manifestantes.

Em nota, o Sindicato dos Bancários do Maranhão condenou a violência.
"Os atos de vandalismo provocado por 10 a 15 baderneiros, quando da ocasião de lançamento do livro 'Honoráveis Bandidos' do jornalista Palmério Dória, nessa quarta-feira(04/11) em nossa sede, relembra os tristes fatos históricos das décadas de 50 e 60 em nosso Estado, que acreditávamos sucumbidos. Naquela época, prevalecia no Maranhão a lei da força bruta, da intolerância, em que as diferenças eram resolvidas pela pancadaria", citou a nota.


O sindicato informou que, durante a pancadaria, o patrimônio da entidade foi prejudicado:
"A categoria bancária se sente violentada por ter itens de seu patrimônio, conquistado com a contribuição sindical de anos e de gerações de trabalhadores, destruído, quebrado (porta principal, cadeiras, quadro). O valor financeiro de uma nova porta para a entrada da sede de nossa entidade não nos entristece mais do que ver a instituição Sindicato dos Bancários do Maranhão, espaço democrático de tantas categorias, desrespeitada de forma desmedida pelos baderneiros."


Os diretores do sindicato disseram ainda esperar que a polícia apure e puna "exemplarmente os vândalos, que agem em interesse próprio ou de terceiros, de forma que não se sintam estimulados a usar a violência, fruto da intolerância e da antidemocracia".

Intimidade sexual
Além de detalhar todos os escândalos envolvendo o clã do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o livro, que está entre os mais vendidos no país, dedica um capítulo (nº 8, "O lado feminino") só para falar sobre as intimidades da família e de seu patriarca.


Na página 91, Dória escreve: "Sarney achou que seus sonhos poderiam concretizar-se em Nova York - o senador delirava só em pensar na realização de seu fetiche sexual: lambidas em seu hálux, ou, na linguagem popular, o dedão do pé. E rumou esperançoso para a capital do mundo ocidental, entre os convidados da Globo para a entrega de um daqueles prêmios internacionais, em tempos de boca-livre total."

"Não vi, não li, não me interessa", disse Sarney à Livraria da Folha sobre "Honoráveis Bandidos".



Livro: Honorários Bandidos
Autor: Palmério Dória
Editora: Geração Editorial
208 pág - R$ 29,90
Pode comprar atráves do 0800 140090

3 de novembro de 2009

Fim do Mundo???

A revista Veja desta semana traz na capa uma reportagem sobre o fim do mundo aproveitando a estréia do filme 2012.

Os amigos mais próximos sabem que sou espírita, que estudo e me preparo para num futuro muito próximo ajudar a outros estudarem. Este blog inclusive foi criado com a intenção de ser um blog sobre espiritismo, tanto é que existem alguns poucos post iniciais sobre esse tema. O que escreverei aqui é baseado em meus estudos, leituras e, claro, meu próprio ponto de vista.

É óbvio e ululante que o planeta Terra vive constante mutação desde que ele surgiu a quinqualhões de anos atrás. Primeiro era uma bola de fogo e como todos sabemos, o calor evaporado provoca chuva. Assim, durante centenas de milhares de anos essa bola de fogo viveu nesse esquema de fogo, calor e chuva.

Como a lava do vulcão que em contato com o frio vira pedra, a mesma coisa

foi aos poucos acontecendo com o planeta: a constante chuva fez o planeta virar uma bola de pedra que prendeu o calor dentro dela.

Essa crosta terrestre que se formou a princípio era uma única placa, mas com o calor interno, essa placa foi se dividindo, se juntado, se dividindo, se juntado, até finalmente chegar a essa configuração atual que conhecemos com 6 continentes (Asia, América, África, Antártica, Europa e Oceania).

Todas essas mutações históricas que estudamos na escola, elas continuam e um dia muito provavelmente o Rio de Janeiro estará embaixo d’água e o deserto do Saara será um oceano. Isso vai acontecer, mas pode ser que nem o bisneto do meu bisneto tenha ainda na

scido. Atividades vulcânicas, terremotos e tsunamis são uma prova concreta disso. Pegando um exemplo já dado, pergunto: o quanto de praia/areia Copacabana já não perdeu? Isso é visível até mesmo aqui emSão Paulo em praias do Guarujá.

O calor no centro da Terra é constante e os vulcões em atividades nada mais são do que 'válvulas de escape da pressão interior'. O que seria da camada terrestre sem os vulcões?

Como tudo na vida, é claro que um dia o planeta Terra irá acabar. Assim como um carro velho que sai de circulação, um liquidificador que é muito usado e pifa e nós mesmos seres humanos que envelhecemos e pifamos. Mas não é que, de repente, em 21 de dezembro de 2012, a Terra vai rachar e explodir por conta de um grande terremoto ou sei lá o quê acontecerá.

Todas essas mudanças são provocadas também por um fato que não foi e nem será percebido por nós. De tempos em tempos, acho eu que a cada 10 mil anos ou por volta disso, o eixo ao qual o planeta Terra gira, se desloca, muito pouco, mas se desloca causando uma série de transformações.

Pra mim, além desse fato do planeta naturalmente um dia acabar, e se transformar através de tsunamis, terremotos e outros fenômenos da natureza, os desencarnes coletivos também estarão ligados a doenças que surgem de tempos em tempos, como a gripe espanhola, hiv e diversos outros vírus fatais.

Pelamordedeus, tudo que falei aqui é muito por cima, um breve relato de quem ainda tem muito a estudar e entender. Existem inúmeros livros e estudos sobre esse tema. Se quiser de fato conhecer melhor procure outras fontes. O que posso sugerir aqui, ligado a doutrina espírita, são os livros A Gênese e algumas passagens d’O Livro dos Espíritos, os dois de Alan Kardec.

Não, não sou um pessimista, de forma alguma. Aqui estou sendo realista e também cada um acredita no

que quiser, cada um tem sua teoria. A minha é essa, pois fico pensando de como será em 2030, se hoje, no caso aqui em São Paulo, já está em total desordem. Alguma coisa precisa ser feita e se formos depender de nós e de quem nos governa, estamos fritos.

Digo aqui que você poderá continuar tranquilamente a fazer seus planos e os planos de suas próximas gerações. No dia 20 de dezembro de 2012 não precisa sair correndo, saqueando e quebrando tudo como se não houvesse amanhã. Não precisa já comprar kits de sobrevivência e construir um abrigo subterrâneo.

PS: Esse post também será válido no dia 22 de dezembro de 2012.

29 de outubro de 2009

Notícias que Gostaria de Ler 1

1 – Lula admite: “Sim. Eu e Zé Dirceu articulamos o mensalão.”
2 – FHC admite: “Paguei pela aprovação da reeleição.”
3 – Collor admite: “Até hoje uso o dinheiro que roubei durante meu governo.”
4 – Maluf admite: “Sim, eu sou o político mais corrupto que o Brasil já teve.”
5 – Palocci admite: “Eu deveria estar preso por abuso de poder.”
6 – Sarney admite: “Eu quero que pobre se exploda.”
7 – Galvão Bueno admite: “Eu também não me agüento.”
8 – Adriane Galisteu diz que ama os jogos narrados por Galvão Bueno.
9 – Em plebiscito população resolve deixar de pagar metade dos impostos, iniciativa causada por roubos de dinheiro público.
10 – Fim dos cartórios.
11 – Aos 73 anos Elvis Presley é encontrado vivo em uma pequena ilha no litoral da Grécia.
12 – NASA divulga vídeos e admite existir vida em milhares de outros planetas.
13 – La Toya Jackson divulga vídeo em que Michael Jackson mostra que de fato era um extraterrestre.
14 – Fim da obesidade: foi criada a pílula que queima gordura. A cada pílula tomada perde-se 2 quilos.
15 – Walt Disney é descongelado, curado e consegue estágio na Pixar.

26 de outubro de 2009

Bravo Mundo Novo 2

É visível o fato de que nada nas gravadoras mudou. Ok, mudou algo, mas muito pouco diante da revolução tecnológica que vivemos, principalmente, há pouco mais de 15 anos.

A Folha de São Paulo do dia 23 de outubro deu na capa da Ilustrada matéria sobre o novo modelo do mercado fonográfico que está sendo dominado pelas operadoras de

telefonia móvel.

As gravadoras continuam perdidas e sendo dirigidas por maus profissionais. Elas têm medo da internet e ainda não sabem o que fazer com ela

além de processar as pessoas que fazem os chamados“downloads ilegais”. Senti na pele recentemente covardia por parte delas quando pedidos de clipes para a emissora, elas disseram ok, mas quando dissemos que o programa passaria ao vivo também na internet, muitas recuaram. A Trama não,

nos forneceu um material legal. Isso aconteceu comigo em 2000 quando era editor de música de um site adolescente, onde queria colocar clipe e todas as gravadoras me negaram. Isso há quase 10 anos atrás. Tá tudo igual!

Se a empresa faz um videoclipe ou um trailer, o faz para divulgar, certo? Então qual o motivo da negativa?


Então não quer divulgar. Só pra lembrar rapidamente: o videoclipe foi inventado pelos Beatles que não podendo estar em todos os lugares aos quais eram convidados, acabaram achando esse formato que ajudou e muito a divulgar seus trabalhos.

Oras bolas pipocas. Gravadoras, joguem os discos e DVDs na rede, refaçam os contratos com seu casting, oficializem de vez o papel de agentes, usem tudo o que conquistaram até hoje a seu favor quando nesse papel de agente e tragam para si pessoas que saibam lidar com o que acontece e acontecerá na rede mundial – geralmente pessoas jovens, bem jovens. Torne a internet sua aliada, definitivamente façam promoções significativas aos consumidores, trate-os como reis, retribuam, apaguem o modelo de administração que ainda é usado, tenham coragem e mudem o rumo dos negócios. Assumam o futuro. Está na cara que o consumidor é aliado. Está na cara que a internet é aliada.

23 de outubro de 2009

Iggy Pop e o Beijo de Língua (Projeto SP - 1988)




Assim como o Ramones, o Iggy Pop era outro artista que pra mim era impensável vê-lo ao vivo no Brasil. Eis que pra minha surpresa ele veio.

Era 1988, e o show fazia parte da turnê do fantástico disco Instintc. Disco pesado, com participação de Steve Jones (ex-Sex Pistols) nas guitarras. Lá estávamos eu e Johnny Monster. Era um domingo e chegamos ao Projeto SP umas duas da tarde. O local nem estava aberto e nós ficamos lá com o segurança escutando pelo rádio um jogo decisivo do Corinthians (em que ganhou o campeonato com gol de Viola).

Pouco mais tarde chegou a banda para a passagem de som. Ela era incrível e entre os integrantes estavam o ex-baterista do Psicodelic Furs e ex-baixista do UK Subs. O show prometia! Ouvimos a passagem, que foi de poucas músicas, entre elas “No Fun” e uma interminável “I Wanna Be Your Dog”. No final corri para a parte de trás do Projeto SP para tentar conseguir um autógrafo de Iggy, mas foi em vão, pois ele já havia saído.

No resto da tarde ficamos por lá, tomando cerveja e comendo cachorro quente.
Queríamos ser os primeiros a entrar e conseguimos. Assim que abriu corremos para frente do palco – coisa que nunca gostei, sempre assisti aos shows no fundo, longe da aglomeração. Entre o palco e o público foram colocadas grades de ferro que batiam na altura da cintura e nos deixavam uns dois metros do palco.

Lá ficamos sem arredar o pé. Antes do show rolava uma fitinha com bandas punks e pós-punks. Ficamos entre Iggy e o guitarrista da banda, perto do P.A. O show foi um desbunde, fantástico. Junto com o 1º do Ramones em 1987, o melhor que vi.

Durante o show inteiro Iggy Pop ficava ameaçando fazer um streap tease, coisa que não rolou. Num dado instante, ele pegou o pedestal de microfone e ficou-o rodopiando, mas ele escapou de sua mão e voou para o público atingindo a cabeça de uma garota. Sem a música parar Iggy perguntou se estava tudo bem com ela e deu seqüência, pois só foi um susto.

O Projeto SP não estava lotado e, como na 1ª passagem de Ramones por aqui, percebi que nem todo mundo conhecia Iggy Pop. O show foi uma porrada só, até pensei que a bateria iria desmoronar de tanta pancada que ela tomava. Iggy Pop tocou todos os sucessos imagináveis e aquele era um período que ele estava absolutamente rock’n’roll, depois de discos mais pops, ele voltou as raízes com muita raiva. Sorte de quem foi ao show!

Ao meu lado tinha um gay cabeludo que não parava de gritar e num certo momento Iggy tirou o tênis e as meias. Jogou-as para o público e uma delas veio direto pra mim e bateu na grade em que eu estava encostado, mas como não sou bobo, não quis pegar aquele chulé. O gay ao meu lado pegou e passou o resto do show cheirando, lambendo e mordendo a meia. Credo! Eu não consegui entender o cara, pois ele amava Iggy, mas não sabia cantar uma música sequer.

Bom, o fato é que Iggy Pop, num momento de improviso da banda – acho eu que em “No Fun”, resolveu se aventurar perto do público. Ele desceu do palco e começou a andar em cima das grades que separavam o palco do público. Eis que para minha surpresa ele veio em minha direção, ficou de frente pra mim e eu até dei um tapinha em suas costas. Mas o incrível ainda estava por vir, pois não é que Iggy e o gay ao meu lado tascaram um beijo de língua! Sim, daqueles pornográficos em que se vêem as línguas entrelaçadas para fora da boca. Foi nojento, porém incrível, afinal era Iggy Pop. Eu olhei para o Johnny e não acreditávamos naquela cena. Terminado o show Iggy Pop deu um longo bis, de pelo menos uns vinte minutos.

Sai de lá quase surdo e meu ouvido ficou apitando por vários dias. Foi bom demais! Quem viu, viu.





Intensivão

Acontece o Pan que foi só roubalheira. O que ficou do evento está quase que às moscas. Fiscais do trem urbano do Rio batem nos usuários, como se fossem 'bicho ruim'. Guerra entre traficantes e entre traficantes e polícia, mas apenas inocentes morrem. Coordenador do Afroreggae morre durante assalto, a polícia passa pelo corpo (ainda vivo), mas se preocupa em pegar o fruto do roubo (ao que indica para si). Torço para que isso mude, mas que não seja só durante as Olimpíadas. Tudo isso o mundo inteiro está vendo...

17 de outubro de 2009

Quem Tem Pistolão?

Nunca tive pistolão. Tudo que consegui na vida foi graças ao meu esforço, meu trabalho, minha família e meus bons amigos. Nunca precisei passar a perna em ninguém e nem teria coragem de fazer isso.

Jamais peguei o lugar de alguém. Não invejo ninguém. Nunca quis, por prazer ou mal, ver a derrota de alguém (citando “Pressão Social” da Plebe). O que sempre fiz foi trabalhar e lutar por espaço através de meu trabalho. Não faço política. Não dou risada de piada sem graça só para satisfazer o ego do chefe.

Não sou perfeito, mas sou honesto. Honesto por natureza.

Sempre fui assim e devo ao meu pai. Chegamos a Brasília no início dos 1970 para ficar apenas dois anos. Meu pai era agrônomo, respeitado e trabalhador, e foi para a capital para trabalhar na Embrapa. Gostamos tanto da cidade que ficamos até 1987. Só saímos de lá exatamente porque meu pai foi, grosso modo, posto na parede: “ou se torna corrupto ou sai.” Meu pai não pensou duas vezes, saiu.

No trabalho comecei ralando. Em 1986 eu era office boy numa empresa de eventos. Em SP comecei a trabalhar em produtora de filmes publicitários, ralando, sendo o assistente do cocô do cavalo do bandido, assistente de produção faz tudo. Assim fui crescendo e fazendo minha história.

Quando cheguei a SP com 17 anos, tive que começar tudo do zero. Deixei em Brasília amigos de infância, namorada, amantes, banda... nem preciso dizer muito, pois desses meus 17 anos, 14 foram em BsB. Tudo ficou pra trás. Em SP não conhecia nada, absolutamente nada. Comecei a construir uma nova história aos 17.

De todos esses anos no mercado de trabalho (são 24 anos) nunca usei golpe baixo, foi tudo na raça, na unha. Eu me conheço bem e sei que jamais seria capaz de derrubar alguém apenas por prazer, por inveja, vingança ou insegurança. Aliás, essa é a palavra recado: insegurança. É ela que te transforma numa pessoa egocêntrica, incapaz e invejosa.

Jamais serei derrotado por ser honesto. O mal só quer o mal ao seu lado. E é por isso que o malandro uma hora dança.

Eu me pergunto: será que uma pessoa que consegue as coisas não por esforço próprio, mas sim por conta de influências e pistolão, vive com a consciência limpa? Realmente se acha competente?

Eu olho para minha esposa e filha e me sinto realizado. Eu ponho minha cabeça no travesseiro e durmo tranquilo.

12 de outubro de 2009

Soul Music

Jamais abandonarei o rock. Impossível. Não tenho preconceito com bandas novas, pelo contrário. Com a tecnologia, muita coisa que leio e ouço falar já baixo e escuto. Porém não sou como diversos críticos que acham que tudo o que é obscuro é legal. Sou mais seletivo. Pouca coisa eu gosto e guardo. O resto separo o que gostei e monto coletânea.

Mesmo achando coisas novas legais, dá pra perceber que o cenário piorou. Eu sempre disse aos amigos que um dia todos os acordes terão sido feitos, assim como batidas, timbres, misturas... Chegará um tempo em que tudo já terá sido feito. E esse tempo chegou. Nos anos 1990 ainda tivemos o grunge, o britpop e a brincadeira do power girl. Há tempos não há novidades ou movimentos.


Aconteceu o electro rock, que considero limitado e já explorado nos anos 1980. E aconteceu algo bom, que foi o ressurgimento do bom e velho rock feito com formações clássicas com vocal, guitarra, baixo e bateria.

Tem Strokes, Interpol, Bloc Party, The Hives, Art Brut, Franz Ferdinand, Thrills, Coral, Zutons, Jet. Recentemente também houve o aparecimento de duos como White Stripes, Mates of State, Ting Tings, entre outros. Não sei como chamar tudo isso...

Hoje, com tanta coisa no mercado, o gosto está cada vez mais individual. Eu, por exemplo, considero De-Loused in the Comatorium e Frances De Mute (Mars Volta) The New Song and Dance (Radio 4), You Can Do Anything (Zutons) e Teenager (Thrills) já clássicos dessa década, assim como outros discos de outras novas bandas. Porém nada mais vem com a expectativa que era um novo disco do Clash, Husker Du, Dead Kennedys. A coisa piora se formos falar de Brasil.

Disse tudo isso pra falar que descobri, desde o início de 2008, a Soul Music. Claro que já conhecia algumas coisas, mas o superficial. Estou encantado com a música negra, principalmente, das décadas de 1950 e 1960. Não sou e nem pretendo ser um expert no assunto mas conheci e adorei nomes como Al Green, Margie Joseph, Matata, Solomon Burke, Gene Redding e Minnie Riperton. Além desses, claro, há outros clássicos. Tenho encontrado discos maravilhosos em ótimos blogs de Black Music.

Soul gospel, soul jazz, soul rock, psycho soul… são muitos sub-gêneros. Todos eles tem seus nomes de destaque. Todo dia descubro algo novo e minha pastinha vai enchendo. E não é só Motown, há outras gravadoras similares e outros discos interessantes com soul instrumental e coletâneas das mais diversas.

Há bandas inglesas que gosto e que são muito influenciadas pela Soul Music. Exemplo bom é The Who, The Jam e todas essas bandas consideradas Mod.

Sempre gostei do repertório gospel de Elvis Presley dos anos 1970 e isso só ajudou a tomar gosto pela Soul de raiz, gospel, coral, melodia... Pra quem, como eu, está um tanto cansado do rock recomendo explorar. Antes tarde do que nunca!

8 de outubro de 2009

O Porquinho me Pegou


O porquinho me pegou. Justo eu palmeirense. Fui vítima da gripe suína. Dizem que uma hora todo mundo vai pegá-la. Eu e minha filha pegamos logo esse ano. Não tive 100% de confirmação, mas no trabalho foram seis pessoas afastadas, duas delas hospitalizadas e diagnosticadas com H1N1. A sorte é que agi rápido.

Sábado 03/10 me senti mal, com sintomas de resfriado e passei o dia tomando antigripal. Porém no domingo acordei pior, com 38.5º. As 10h00 fui ao hospital, que estava vazio. Tirei raio x do pulmão, fiz inalação e o médico acabou receitando justamente o medicamento usado para a gripe suína chamado Claritromicina. Não foi Tamiflu (+ usado em gestantes e idosos).

Mas mesmo sendo medicado rapidamente, passei o domingo péssimo, sem ação, dor no corpo, ora com frio ora com calor (Gabi disse que eu parecia uma pimenta). Foi difícil ir ao hospital. Se abaixar e levantar para entrar e sair do carro já foi uma tortura, imagina andar no hospital pelas salas de exames! Manja aqueles velhinhos de 150 anos com suas dificuldades de locomoção? Era eu no domingo.

Na 2ª feira já acordei melhor. Com apenas duas doses do antibiótico não tive mais febre. Foi também na 2ª que percebi os primeiros sintomas na Sofia e já alertei Gabi. Batata. 3ª Sosô acordou com 38º e já avisamos a pediatra. Passou o dia em casa comigo tomando antitérmico e as 19h00 foi à pediatra. Novamente batata. H1N1. O lado bom é que já vamos criar anticorpos para essa gripe que não vai acabar e que é braba mesmo.

Tô em casa desde domingo com atestado de sete dias, pois o bichinho ainda está em mim e posso passar aos outros. Hoje fui a um médico que disse que minha recuperação está sendo ótima. Além do antibiótico também continuo fazendo inalação em casa. Apesar de não ter tido mais febre, ainda sinto o corpo um pouco fraco. É aquela coisa: tô de saco cheio de ficar em casa, mas ao mesmo tempo ainda sem muita vontade de fazer alguma coisa. (inclusive não poderia estar aqui no computador...).

Atenção para a primeira tosse esquisita, fora de contexto. Mesmo que for fraca e seca fique alerta. Não vacile. Em cada caso ela age de uma forma: dores de cabeça, enjôo, vômitos, diarréia, dores no corpo inteiro, tosse que começa discreta e vai ficando constante. Também quero lembrar que apesar de forte a má, a gripe suína não é a que mais mata.

30 de setembro de 2009

Série O Resgate da Memória: 12 - Renato Russo e Paulo Ricardo


HOMENS DE LETRAS E COINCIDÊNCIAS
Revista BIZZ abril/1986

Um refrigerado restaurante em uma fornalha de tarde carioca. Este o local do crime, onde Tom Leão conseguiu reunir os vocalistas da Legião Urbana e do RPM, e também dois dos melhores letristas do rock brasileiro não foi preciso mais que uma pergunta para disparar o fogo cruzado - "O que vocês faziam antes de suas respectivas bandas?

RENATO - Eu dava aulas de inglês por dinheiro, mas adorava. Depois que terminar as coisas que estou fazendo, pretendo voltar a dar aula. Eu tentava ser para os alunos um mentor, alguém em quem eles pudessem confiar, o que falta muito hoje em dia. Se eu não tivesse tido professores legais, talvez hoje estivesse trabalhando no Banco do Brasil.

PAULO - Eu era crítico de música por trabalho, para ganhar dinheiro e sair de casa. Com 18 anos, saí e formei uma banda, na qual já tinha o Schiavon. Comecei no Canja e passei para a Somtrês, mas em 83 já tava de saco cheio de escrever. Então um dia simplesmente deixei de entregar as matérias.

RENATO - O que você ouve atualmente?
PAULO - James Brown e Marvin Gaye. Comprei todos do Hendrix,Cult...

RENATO - Você gosta de ler?
PAULO - Sim, mas tenho problemas com textos longos, tipo Ulisses. Acho que deveria ler mais os clássicos.
RENATO - Como você compõe?
PAULO - Normalmente coloco a letra em cima da melodia...

RENATO - Antigamente eu escrevia as letras antes, e depois ia encaixando nas músicas. Atualmente já penso mais como é que vai ficar a letra na música e tento fazer junto. Qual a que você gostou mais de compor?
PAULO - "Revoluções por Minuto". Foi a que me deu mais trabalho. Fiz umas cinco versões...

RENATO - A que eu mais gosto é "A Cruz e a Espada". Você é quem compõe todas?
PAULO - Neste disco calhou de a maioria das mt1sicas serem minhas. Mas existem algumas todas minhas e outras que o Schiavon fez a música e eu meti as letras...


RENATO - E tua formação musical qual é?
PAULO - Minha primeira referência é a Jovem Guarda. Desde garotinho adorava cantar as músicas, sabia todas as do Roberto Carlos da época Em Ritmo de Aventura. Na época, inclusive, eu fui manequim infantil, mas parei com oito anos porque comecei a achar que era coisa de veado...
RENATO - Eu não gostava de Jovem Guarda, de xerox, de coisa cantada em português. Com cinco aninhos eu já ouvia Beatles...
PAULO - Eu adoro Beatles, mas com doze anos eu ainda ouvia muita trilha de novela, muito Elton John, Jackson Five, Stevie Wonder... Sempre fui apaixonado por música negra. Eu sou carioca, até 72 morei no Rio, depois Florianópolis, mas Beatles só foi pintar pra mim em Brasília...

RENATO - Você morou em Brasília?
PAULO - Três anos...

RENATO - Ih, é? Quando?
PAULO - 74-76.

RENATO - Onde?
PAULO - Na 209 sul.

RENATO - Você gostava de Brasília?
PAULO - Eu odiava. Porque eu saí do Rio, aí fui morar em Florianópolis, maior paraíso, vida de moleque de rua, praia, mil gatinhas... Foi um horror. Tinha 12, 13 anos, era uma época de ajustamento social. Eu não gostava daqueles guetos, aqui só para filhos de militares, todo mundo é filho de alguém, não se misturam, não trocam idéias. Tinha acabado de sair do paraíso para o planalto central. Eu não acreditava. Sentia o ar seco. Não gostava da divisão, eixão, eixinho, todos os prédios iguais... Era uma cidade muito boa para velho ou criança. Era calmo, muito playground.

RENATO - É gozado, te pegou isso e começou a trabalhar justamente em cima disso. Anarquizar mesmo. Você foi numa idade foda. Com 16, 17 você barbariza. As turmas são jóia.
PAULO - E eu ainda usava óculos, os garotos maiores implicavam comigo.


RENATO - Eu morei dois anos em Nova York, entre 67 e 69, com Monkees e Jimi Hendrix fazendo shows do lado e eu nem sabia. Então, quando fui para Brasília (Renato também é carioca), cheguei sabendo de tudo e aqui não tinha nada. Tinha esquecido como era o Brasil, como era feio esse lugar. Lá eu tinha tudo, TV a cores (aqui só chegou em 72). Aqui meu pai ligava o rádio e vinha aquela coisa horrorosa (cantarola "O Guarani", abertura da Voz do Brasil), eu morria de medo. Eu não sabia o que tava rolando na época (70), mas sentia alguma coisa errada. Parecia sempre que tinha morrido alguém. Mas me adaptei. Andava meio deslocado, usava óculos, e minha arma quando os caras vinham querendo dar porrada era contar histórias sobre como era a Disneylândia. Pra qualquer festinha sempre me chamavam pra discotecário, pois eu tinha todos os discos, até os de novela...
PAULO - Ainda tinha o problema das meninas que eram inatingíveis, sempre propriedade dos caras mais fortes. Eu tinha um pouco de complexo de inferioridade, não era bom em nenhum esporte, detestava futebol. Eu só gostava de bicicleta, às vezes ia pedalando até o aeroporto...
RENATO - Que é longe pacas. Ao invés de jogar futebol eu ia ao cinema ou ficava ouvindo discos em casa. Depois que ganhei a fama de roqueiro, passaram a me achar o maior perigo, tipo assim, aquele ali é maconheiro.

PAULO - Era gozado, pois, se você era diferente, era esquisito ou roqueiro.
RENATO - Nessa época eu ouvia muito Pink Floyd, Genesis, James Taylor. O lance com menina rolava mais por causa de música, não era bem um namoro e ao mesmo tempo era. Mas eu era mesmo fã dos Beatles. Quando eles acabaram eu queria morrer. Eu era fã mesmo, achava que era o maior fã do mundo...

PAULO - Depois dos Beatles minha maior influência foi o Genesis, com Peter Gabriel, e depois o Led Zeppelin, mais lá pros 15 anos.
RENATO - Para mim, depois dos Beatles, vinha Emerson, Lake & Palmer. Depois que acabaram todas as grandes bandas, eu desisti. Aí descobri o Dylan e desencavei todos os seus discos e passei a ouvir muito folk, Byrds, até chegar o punk. Oba! Descobri uma razão para viver. Aí vieram Siouxsie & The Banshees, The Cure, P.I.L. Pintou a Aborto Elétrico (primeira banda punk de Brasília). Imagina você ter um conjunto chamado Aborto Elétrico, numa época em que você não podia ter nem conjunto. Uma vez perguntaram ao Fê, que hoje é baterista da Capital Inicial, se ele era contra ou a favor do Aborto Elétrico, como se fosse algum anticoncepcional a laser.(Risos.)

PAULO - Eu não fui afetado pelo punk, pois era um puta perfeccionista. Na época eu delirei muito com o primeiro disco do Beto Guedes.
RENATO - A gente precisa tomar cuidado com esses aí, que eles vivem pegando idéias da gente. Eu ia gravar "London, London" também... A gente tinha uma música chamada "Revoluções por Minuto"...
PAULO - Foi sem querer.
RENATO - É super, né? Supercoincidência. (E, por coincidência também, pintam no som ambiente, em seqüência, "A Cruz e a Espada" do RPM, e "Soldados", da Legião)

28 de setembro de 2009

Duas guitarras

A princípio pensei em fazer uma lista de duplas de guitarristas que gostava, então esbocei uma lista rápida de bandas que eu escutava e delirava na combinação das guitarras. Aí percebi que algumas delas não tinham dois, mas sim um guitarrista. Então desisti da lista de dupla de guitarristas e resolvi fazer uma lista de bandas das quais, pra mim, fazem dessa combinação de duas guitarras, uma marca registrada, seja pela genialidade da dupla ou de apenas um, como são Wiko Johnson do Dr. Feelgood e Andrew Gill do Gang of Four.
Essa coisa de lista é complicada e de momento, por isso mesmo deixo claro aqui que quando fiz a lista estava escutando um som com amigos e ela nasceu dentro desse contexto e influenciada pelo que eu escutava naquele momento. Muitas coisas que eu adoro ficaram de fora, porém entrarão em outras listas...
Não vou numerar para não parecer ordem de preferência:

- Clash
- Rolling Stones (Keith Richards e Mick Taylor)
- Beatles
- King Crimson (Robert Fripp e Adrian Bellew)
- Dr. Feelgood
- Pixies
- Modest Mouse
- Gang of Four
- Buzzcocks
- Blur
- XTC
- Television
- AC/DC
- Stranglers
- The Zutons

- Talking Heads

11 de setembro de 2009

Reciclar é coisa de rico!

Me enche os pacuá essa coisa de reciclagem. Mundo globalizado, sustentabilidade e sei lá mais o quê. Concordo com um monte de coisas e tento ajudar da melhor maneira.
Por exemplo, não agüento ver gente lavando calçada. Aí eu paro converso, tento explicar... No meu prédio já dei um toque e agora gastasse muito menos água que tempos atrás, por causa da compra de um equipamento e do uso de balde.


Porém esse negócio de reciclar lixo é esquisito. Vou ilustrar: peguei um iogurte de pote. Depois que comi, passei água para limpá-lo (quanto de água gastei para limpá-lo?). Depois tenho que colocar o pote em um lixo separado, ou seja, vou usar mais saco de lixo ou sacolinhas de plástico, o que vai contra a idéia de sustentabilidade. Depois que eu encher este saco de lixo reciclável vou precisar levá-lo a um lugar que trabalhe com reciclagem, então pegarei meu carro e irei até lá. Só que aí, por causa do carro, eu emito um número de gás carbônico que não é legal para a cidade e o mundo.
Resumindo, para reciclar lixo precisarei gastar muita água, gastar dinheiro com sacos de lixo (que são caros), por conseqüência, acabo colocando mais plástico nas ruas; por causa do carro emito gases poluentes e gasto gasolina, óleo e pneu. Reciclando eu gasto mais meu dinheiro e prejudico ainda mais o planeta.

ONGs e governo fazem suas campanhas, mas não ajudam em nada. Em São Paulo mal tem cesto de lixo nas ruas, imagine então pedir para o governo que nos dê sacos especiais para reciclagem.


A mesma coisa serve para a idiotisse de se ter uma sacola para levar ao mercado. Já vi matérias em televisão, rádio, revistas e jornais, todo mundo dizendo para você ter a sua sacola ao invés de usar as sacolas de plástico dos mercados. Mas escuta, tenho família, esposa, filha... minha compra jamais caberia numa sacola de pano, talvez em umas 15 sacolas, mas desculpe, não vou gastar dinheiro comprando 15 sacolas de pano ou mais.

Já reciclei, ou melhor, tentei reciclar. Porém isso durou um mês. Como disse ajudo como posso e tenho plena consciência do que é preciso fazer. Mas esse povo alternativo que levanta essa bandeira precisa pensar nisso, assim como o governo...