28 de junho de 2013

Em julho...

São tantos lançamentos legais a cada mês, tantos clássicos. Se fosse falar só de lançamento precisaria de ao menos três postagens.

O lançamento mais antigo desse mês é um clássico da jovem guarda: É Proibido Fumar, de Roberto Carlos, lançado em 1964. Desse disco gosto de “Um Leão Está Solto nas Ruas”, além das clássicas.

Dos anos 70 tem lançamentos do Raul Seixas, por exemplo, Gita que tem maravilhas como “Medo da Chuva” e “Sociedade Alternativa”. Nos 80 é uma lista pesada, no bom sentido. Tem Ritmo do Momento de Lulu Santos, Nós Vamos Invadir sua Praia do Ultraje, o Dois da Legião, Rádio Pirata do RPM. 

Quero destacar o Rosas & Tigres, o segundo da Gang 90, mas já sem Júlio Barroso. Apesar disso é um disco que tem a cara dele, porque já o estava compondo quando morreu. Nove das onze faixas tem sua assinatura. Discaço que passou batido.

Aí nos anos 90 também tem coisa boa como Com Você… Meu Mundo Ficaria Melhor. A dupla Cássia Eller e Nando Reis acertou a mão. Cássia abriu um novo horizonte com esse disco, pena que ela se foi. Tinha muito ainda por vir. Skank lançou o disco que consagrou a banda, o Samba Poconé. “É Uma Partida de Futebol”, “Garota Nacional”, “Tão Seu”. Explodiu. Gosto também de “Os Exilados”, “Los Pretos” e “Poconé”. Os quatro são feras. Teve outro grande lançamento da banda, que inclusive é o disco que mais gosto, o Cosmotron. Produzido pelo cumpádi Tom Capone. “Supernova”, “Nômade”, “Sambatron”... Ninguém fala, mas o Skank tem algumas letras bem fortes, engajadas e muito legais. Porém não são músicas que foram trabalhadas, não tocaram em rádio ou tiveram videoclipe. O Skank sabe (e bem) fazer rock.

Separei parágrafo para outro lançamento porque nunca entendi o motivo pelo qual Paulo Ricardo tenha abandonado sua carreira de cantor romântico de AM, a qual se dedicou principalmente na segunda metade dos anos 90. Estava indo bem, vendendo bem, como o disco O Amor me Escolheu, que vendeu 500 mil cópias. Tinha achado seu caminho e, de repente, desistiu...

Em 1967 aconteceu uma passeata deveras ridícula. A marcha contra as guitarras elétricas. O pior é que tinha um monte de gente importante: Elis Regina, Jair Rodrigues, Edu Lobo, Geraldo Vandré, MPB-4, Chico Buarque, Gilberto Gil.

Tem duas estreias ao vivo. A primeira dos anos 60, é da banda Six Sided Rockers, que dela saíram Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias que formaram Os Mutantes. Essa estreia aconteceu no auditório do jornal Folha de SP.

O Planet Hemp estreou ao vivo em julho de 1993 em um bar chamado Garage e na plateia tinham sete pessoas incluindo os integrantes da banda que tocou primeiro. Estava todo mundo de ressaca braba porque todos encheram a cara na noite anterior para comemorar que iam estrear ao vivo rsrs.

Dia 13 de julho é dia mundial do rock. Toca Caetano!!!!!

Cazuza disse adeus ao Barão Vermelho e fez o último show com a banda, que aconteceu em São Paulo. Pouco depois as rádios começaram a tocar “Eu Queria Ter Uma Bomba”, e a música que deveria ser a primeira do próximo disco do Barão, que já estava composto, acabou se tornando a primeira música da carreira solo de Cazuza. Mas isso foi um erro das rádios e da imprensa. Apesar do fato ter sido esclarecido, até hoje muita gente acredita que a música é Cazuza. A separação, para os dois lados, foi difícil. Foi como começar uma nova carreira. Demorou, mas aconteceu.

Antes de terminar destaco dois lançamentos obscuros que gosto muito e que são bastante significativos para o rock brasileiro. A cultuada banda de Recife, Ave Sangria, lançou seu 1º disco em 1974. Ele vendeu entre 15 e 20 mil cópias puxado pelo sucesso de “Seu Waldir” que tocou muito nas rádios antes de ser censurada, sob acusação de fazer apologia ao homossexualismo.

O Agentss, melhor banda de tecnopop brasileira, lançou seu cultuado compacto com as músicas “Angra” e “Agentss”. Infelizmente tudo acabou antes de gravar disco. Uma pena. Merecia.

Em relação aos nascimentos e mortes, o grande destaque são as mortes de Cazuza e Ezequiel Neves. Cazuza faleceu em 7 de julho de 1990 e seu mentor e amigo morreu em 7 de julho de 2010. Exatos 20 anos depois. Eu não acredito nesse tipo de coincidência, ainda mais se tratando desses dois.  

Três ex-Novos Baianos fazem aniversário: Moraes Moreira, Baby do Brasil e Paulinho Boca de Cantor. O mais antigo aniversariante do mês (da minha lista) é Albert Pavão, nome da primeira geração do rock brasileiro, que fez grande sucesso com “Vigésimo Andar” (versão de “Twenty Flyght Rock, de Eddie Cochan). Albert também lançou um importante livro, e hoje raro, chamado Rock Brasileiro 1955-65.


18 de junho de 2013

O Universo da Cultura Pop no Brasil 2


Não consigo entender o motivo pelo qual o profissional especializado em cultura pop não é valorizado. TVs, rádios, sites, jornais e revistas usam muito bem seus profissionais especializados, por exemplo, em esporte, economia e política. Até “especialistas” em celebridade existem!

Veja o que aconteceu com a própria MTV Brasil que se destruiu por causa de uma má gestão que durou pouco mais de 10 anos. Aproveito e pergunto: há algum veículo de comunicação que tenha ajudado, de forma significativa, a cultura pop brasileira nos últimos 10, 12 anos? Não, porque no país esse mercado praticamente não existe. É tudo muito irregular.

Pouco mais de 33 bilhões de dólares foram gastos em entretenimento no Brasil em 2010. Não é pouca coisa. A maior parte desse dinheiro foi aplicada em tv por assinatura e internet.

Aqui no Brasil consumir cultura é caro. Não deveria ser, mas essa é uma realidade. Esse é um dos motivos pelo qual se torna obrigação dos veículos especializados à divulgação. É papel da TV, do site, da revista, do rádio, estimular o consumo.

O brasileiro não consome cultura por falta de hábito, porque apesar do pouco dinheiro, a falta dele não é o principal motivo do desinteresse. O principal motivo é realmente a falta de hábito. Não sou eu que falo isso, são pesquisas encomendadas por institutos, fundações, federações.

Os números são de arrepiar. Poucos são os brasileiros que vão ao cinema ao menos uma vez ao ano (mais da metade da população nunca foi ao cinema). Grosso modo o brasileiro praticamente não lê. Raros são os que vão a museus, exposições, teatro, shows musicais, espetáculos de dança. Mais de 60% das cidades brasileiras sequer tem livraria. Em uma pesquisa da Fecomércio, 47% da população não realiza nenhuma atividade cultural ligada à leitura, cinema, teatro, dança, música, exposições.

Agora olha aqui uma prova do que falo: segundo a doutora em Ação Cultural e pesquisadora Isaura Botelho, a melhor forma de criar hábitos de cultura na população é a vivência. Ela afirmou que “o contato com a linguagem artística é que vai criar o hábito (de consumir cultura)”.

Ou seja, é fundamental a divulgação de cultura. Não é tudo, mas de suma importância. É aí que deveria entrar em cena programas voltados para esse tema. Os telejornais de respeito poderiam dar mais espaço para pautas culturais. As revistas e jornais também. Até mesmo os grandes portais da internet limitam suas seções de música e cinema.

Hoje a literatura infanto juvenil é algo muito forte, rica em lançamentos. Essa onda deve-se muito ao sucesso de Harry Porter. Há diversos livros de aventuras que misturam mistério, fantasia, magia, assassinato, amor, suspense. Hoje os jovens tem muito mais opções de leitura, no entanto onde você vê ou lê sobre esse tipo de literatura? Se formos pensar em rock, houve uma penca de lançamentos de biografias: Ozzy, Neil Young, Queen, Beatles, David Bowie, Bob Dylan, John Lennon, Anthony Kieds, Kiss, Slash, Ramones, Sex Pistols. De repente surgiu uma porção delas nas livrarias e onde você vê ou lê sobre esses lançamentos? Em nenhum lugar. Se muito, em uma ou outra revista, e mesmo assim sem aprofundamento.

As pessoas costumam ir muito mais ao cinema assistir aos blockbusters do que aos filmes “cabeça”. Então porque diabos esse gênero é tão ignorado pela imprensa? Nessas revistas semanais, uma única pessoa escreve sobre literatura, uma única pessoa escreve sobre música, uma única pessoa escreve sobre cinema. Essa pobreza e escassez de profissionais é lamentável, porque esse único profissional vai falar bem do que gosta e mal do que não gosta. É preciso investir em profissionais especializados, mas que entendam de áreas específicas. Não dá para um jornalista fazer uma crítica de Britney Spears e outra de Motorhead. Quem gosta dos filmes de Wood Allen não vai entender um filme como Hulk ou Homem de Ferro. No esporte há o especialista em automobilismo e outro em futebol. Assim como há o especialista em política nacional e o de política internacional.

O problema é exatamente esse: não se investe em jornalistas especializados em cultura, porque não há interesse em se aprofundar nessa editoria. Mas por quê? Quantos discos são lançados por mês? Quantos livros são lançados por mês? Quantos shows musicais não acontecem por mês? Quantas peças são encenadas por mês? Quantos filmes e DVDs são lançados por mês? Quantos artistas exsitem? Artistas da música, das artes cênicas, dos quadrinhos, das artes plásticas, das letras. Quantos deles são consagrados, quantos estão em ascensão e quantos estão começando?

O triste é que, mesmo a dita imprensa especializada em cultura pop não sabe o que fazer com sua matéria prima. Sequer sabe do poderoso conteúdo que tem.
(continua...)


9 de junho de 2013

Jornalismo, Tecnologia e os Novos Tempos

Nesses últimos meses houve um número alto de demissões em massa em algumas redações de jornais impressos e seus sites. Alguns falaram em passaralho, mas não sei se chega a tanto. Claro que demissão é algo agressivo, mas a vida é assim e isso não acontece só com jornalista. Vi muitos deles choramingando (desculpe o termo) a respeito desses ocorridos, dizendo injustiça, quase a ponto de dizer que sem o jornalista o mundo não anda. Está certo, claro, óbvio, não é nada agradável ser mandado embora, mas todos estão sujeitos a isso, seja um auxiliar de obra ou um alto executivo de multinacional.

O mercado está mudando mais uma vez, assim como mudou no boom da internet. Outras ferramentas estão se adequando ao dia a dia do público / consumidor. A tecnologia facilita a vida de todo mundo a ponto de ninguém mais conseguir imaginar o mundo sem telefone móvel e internet, mesmo estando essas criações há pouco mais de 10 anos em nosso cotidiano. Vivemos a Era Jetsons. Logo os carros estarão voando.

A televisão há alguns anos sofreu certas adaptações. Assim que foram lançadas câmeras como a PD150, que chegou ao mercado brasileiro por volta de 2002, o jeito de fazer televisão mudou. Antigamente eram as betacam que pesavam de 8 a 13 quilos, operava-se essa câmera apoiando-a no ombro. Hoje, com essas câmeras pequenas, tudo ficou mais ágil, e infelizmente foram perdidos os recursos que se faziam com a câmera no ombro. Se ganha por um lado e perde-se por outro.

Todos os operadores de câmeras tiveram que se adequar a esse novo equipamento. TODOS. Mudou também a forma de editar e finalizar um projeto. As ilhas são digitais, praticamente não há mais ilhas de edição analógicas. Em 1998 editei todo o Monsters of Rock em um Avid e saí da edição falando que nunca mais iria usar uma ilha digital. Achei a experiência horrível. Hoje vejo que era questão de costume e aprendizado. Tanto meu quanto do editor/montador.

Mais uma vez a forma de se noticiar os fatos está mudando. Dois meses atrás conheci um dos sócios do incrível site Omelete e ficamos conversando por horas. Hoje a pessoa não quer mais perder muito tempo na internet. Na verdade nunca quis, mas agora menos ainda. Em 2001 já era sabido que os textos de sites deveriam ser menores, hoje diminuíram mais e, mais ainda (ou pior), atualmente se dá preferência para o vídeo, para não precisar ler.

Em 2012 passei quase três meses dentro de um grande grupo de comunicação, contratado para fazer alguns vídeos internos. Fiquei boquiaberto de ver o quanto a empresa está perdida em meio a tantas ferramentas. Não sabe para onde correr. Ao mesmo tempo em que se perde leitores, também não entende o funcionamento das ferramentas atuais. Percebo que há pessoas que querem que a nova ferramenta se adeque a elas e não o contrário. Há muita briga entre essas empresas de tecnologia. Quem inventa o quê? Quem é dono do quê? Quem pode usar o quê? Bobagem. O público / consumidor não se importa com isso, apenas quer usar.

Em vídeo, por vezes, somos obrigados a reduzir ao máximo a equipe de gravação. Hoje há quem opte por contratar um operador de câmera que também faça o áudio. Eu mesmo já tive que fazer isso. Claro que a qualidade do trabalho cai vertiginosamente. Isso é culpa de pessoas ignorantes que não entendem o motivo do custo de uma gravação, por mais simples que seja.

Há empresas que estão tentando investir mais na internet, mais em vídeo. Há profissional que trabalha com a parte impressa e pensa que pode dominar o vídeo e inernet numa boa. É soberba. É o mesmo erro que pensar que quem faz publicidade, faz televisão.

Sei de redações que tem pequenos estúdios, equipamento legal, e até switcher, mas é pouco usado ou nada usado por ser bicho de sete cabeças para muito jornalista. É errado achar que um jornalista pode operar câmera, operar o áudio, editar e finalizar uma matéria e, além de ter feito tudo isso, ainda ter que fazer matéria escrita. Assim só se puder ser algo bem ruim, meia boca, aí tudo bem. O pior é que há quem pense que deva ser assim.

A tecnologia permitiu o baixo custo. Não importa se a imagem é de celular de baixa qualidade, se alguém conseguiu pegar imagem da notícia do momento, é ela que vale. Nem sempre foi assim. O antigo Aqui e Agora ajudou nessa mudança.

O ruim é que mesmo o equipamento profissional está, de certa forma, fácil de manusear, mas em termos. Digo fácil porque há o maledeto botão automático que faz qualquer pessoa acreditar que pode operar uma câmera. Imagine essa pessoa tendo ainda que cuidar do áudio. Até arrepia a espinha. O contratante, para economizar 500 ou 700 reais, prefere fazer algo que talvez nem dê pra usar, do que fazer algo seguro e profissional.

Jornalistas colegas foram arrancados das redações. Isso é comum no mercado de televisão. Nesses últimos meses na Record tiveram alguns cortes em massa, tanto em SP, quanto no RJ. Esses cortes vêm acontecendo há anos. No SBT volta e meia pessoas saem e voltam. Na TV Cultura, Band. Ninguém escapa de ajustes. Dançando conforme a música. A MTV, que oficialmente vai sair da Abril, portanto vai acabar (pelo menos o que ela era), também tem feitos cortes nos últimos anos e em breve haverá outro, mas dessa vez gigantesco.

A tecnologia obrigou ajustes e mudanças na publicidade, no marketing, na música. São muitos os mercados. Em certos lugares diminuiu-se o número de funcionários e em outros aumentou.

É o mercado se ajustando aos novos tempos. Não há porque chorar. Eu sou free lancer desde 2002, vivo as oscilações na pele, e sei bem o que falo. Não há tempo para choro. Se mudanças estão acontecendo, então é preciso ficar atento, observar e entrar no ritmo. Na minha vida é assim: tem dia que estou em um projeto gigante comandando 300 pessoas, e no outro, estou com uma câmera na mão fazendo tudo ao mesmo tempo agora. Normal.

Cheguei a ficar assustado com algumas coisas que li em blogs. O jornalista não pode se achar diferente ou intocável. Ninguém é diferente ou intocável.

2 de junho de 2013

Em junho...

Foi em junho de 1958 que os irmãos Tony e Celly Campello lançaram o primeiro compacto. Tem gente que confunde a primeira geração do rock brasileiro com a jovem guarda, mas são duas coisas diferentes, apesar de alguns pioneiros terem gravado músicas durante a JG.

Muitos clássicos foram lançados. Alguns: Novos Baianos F.C. (40 anos do lançamento), Ronnie Cord com “Biquini de Bolinha Amarelinha”, RDP ao Vivo, Gang 90 compacto “Perdidos na Selva” e “Lilik Lamé”, Eduardo Araújo Pelos Caminhos do Rock, Raul Seixas o ao vivo Único e Exclusivo e Metrô Linha 743, Lulu Santos Tempos Modernos, Titãs Cabeça Dinossauro, Rita Lee & Tutti Frutti Fruto Proibido, Cólera Pela Paz em Todo Mundo.

De toda essa lista o que faz o coração doer é saber que o compacto da Gang 90 nunca foi relançado. É uma relíquia. Foi lançado pelo selo Hot, que era de Nelson Motta e, das duas músicas gravadas, “Lilik Lamê” é versão de “Christine” da Siouxsie and the Banshees. Apesar de ter sido lançado em 1981, é super bem gravado. Pra acompanhar os vocais da Gang, a gravação juntou um verdadeiro timaço de músicos que estavam no auge: Gigante Brazil (bateria), Lee Marcucci (baixo), Guilherme Arantes (teclados) e Wander Taffo na guitarra. Fazer da Gang 90 um coletivo, essa era a ideia de Júlio Barroso. Também em junho, em relação a Gang 90, a nota triste fica a lembrança da morte do próprio Júlio, que aconteceu no dia 6, quando ele caiu de seu apartamento. Um vacilo que a princípio foi visto como suicídio (e até hoje tem quem ache ser isso). Seu “sofá” ficava na altura da janela e, ele doidão no apartamento, em algum movimento errado, até mesmo dormindo, caiu. 

Foi quase como Joy Division: na hora que a banda estava começando a desfrutar de um certo sucesso (músicas em novela), acontece essa perda. Mas ao contrário de Ian Curtis, Júlio Barroso estava feliz, compondo, fazendo planos e aproveitando a boa fase da banda. São 29 anos sem Júlio, um cara de ideias avançadas, que fez muito mais do que apenas trazer as novidades de Nova York. Até porque a Gang não era algo comercial. Tinha sim suas canções pop, mas não eram o carro chefe da banda. Tinham coisas, digamos, bastante diferentes. É só escutar Essa Tal de Gang 90 e o Rosas e Tigres.

O curioso dessa lista de lançamentos do mês (mesmo eu cortando pela metade), é que não existe nenhum artista dos anos 1990, apenas 1960, 70 e 80. Mas todos grandes clássicos que marcaram e todos com músicas atemporais.

O Barão Vermelho lançou o 1º sem Cazuza e seis meses antes Cazuza havia lançado Exagerado, o 1º solo. Os dois são ótimos, até acho o do Barão melhor gravado, mas acontece que o público do Barão com Cazuza também ficou perdido por um tempo e os dois primeiros discos de ambos acabaram não tendo o mesmo valor que outros. O 1º do Barão tem, por exemplo, “Torre de Babel” e “Declare Guerra”; e o 1º de Cazuza tem “Codinome Beija Flor” e “Mal Nenhum”.

Faz mais de vinte anos da estreia de Chico Science & Nação Zumbi no Espaço Oásis, em Olinda. Estreou numa época em que reinavam as bandas que cantavam em inglês. É interessante pensar que nesse período, mesmo com o rock brasileiro no chulé, havia bandas que acreditavam ser possível uma renovação e cantavam em português. Tinha o próprio CSNZ e mundo livre s/a em Pernambuco; Skank e Pato Fú em Minas; Raimundos e Maskavo Roots em Brasília; Planet Hemp no Rio. Todas ainda começando.

Em junho de 1983 aconteceu o 3º Festival de Águas Claras e como todo festival organizado no Brasil, pecou por uma série de problemas. Se até hoje a organização de grandes festivais gigantes como Rock in Rio, Lolapallooza, SWU é um lixo. Imagine então de festivais independentes realizados entre 1970 e 1980. Valia mais pela aventura.

Em junho de 2001 duas notícias que saíram no mesmo dia abalaram o rock brasileiro: a morte de Marcelo Fromer (Titãs) e a saída de Rodolfo do Raimundos. Por coincidência foi também o dia em que meu livro O Diário da Turma 1976-1986 foi lançado. Mudou tudo para as duas bandas. Raimundos que estava no auge e finalmente ganhando dinheiro, viu tudo ruir. Titãs que já tinha quase vinte anos de carreira se abalou com a morte do guitarrista que era unanimidade na banda.

Em junho de 1968 a banda Os Incríveis ganhou disco de ouro impulsionado por uma das músicas mais chatas de todos os tempos: “Era Um Garoto Que Como Eu Gostava de Beatles e Rolling Stones”. Essa música insuportável o Engenheiros do Hawaii conseguiu regravá-la e fez o péssimo favor de recolocá-la nos rádios. Credo!

Foi em junho que o Kiss tocou no Maracanã com a abertura do Herva Doce. No mesmo dia, mas cinco anos mais tarde, a Legião Urbana deu o fatídico show no estádio Mané Garrincha em Brasília. Foi um grande ponto de mudança para a banda.

Nesse mesmo mês, com um ano de diferença, o Titãs lançou dois discaços: Televisão e Cabeça Dinossauro. Eu, particularmente, prefiro mil vezes o Televisão, que foi produzido por Lulu Santos. Não que eu não goste de Cabeça Dinossauro.

Em 1995, Os Paralamas do Sucesso foi proibido de tocar a música Luiz Inácio (300 Picaretas) no show de lançamento do disco Vamô Batê Lata, em Brasília. A proibição partiu do então deputado e procurador geral da câmara José Bonifácio de Andrada. Esse fato ajudou ainda mais nas vendas do disco (principalmente em Brasília). O processo acabou sendo, claro, arquivado. Foi ridícula essa tentativa de censura em pleno anos 1990. O interessante é que a música surgiu depois da declaração do picareta do Lula hahaha. O Lula Deputado, o mais faltoso deles.

Nasceram Meire Pavão, Dé (ex-baixo Barão Vermelho), Erasmo Carlos e Wanderléia (mesmo dia), Mú e Ary Dias (ex-A Cor do Som), Toca Ogam (Nação Zumbi), Cebolinha (ex-batera e fundador Made in Brazil) e Lee Marcucci (mesmo dia), Haroldo (Skank), Cely Campello e Fê Lemos (mesmo dia), Dinho (Os Mutantes), Sérgio Reis, Bruno Fortunato (Kid Abelha) e Jão (RDP) (mesmo dia), Bacalhau (Ultraje à Rigor), Raul Seixas e Otto (mesmo dia) e os guitarristas Dado Villa-Lobos e Tony Bellotto. 

Morreram Mingo (vocal Os Incríveis), Tico Terpins (Joelho de Porco), Eddy Teddy (líder, voz e guitarra Coke Luxe).