26 de junho de 2009

ISSO PARA MIM É PERFUME


Nessas duas décadas morando em São Paulo posso afirmar que se teve uma coisa que fiz à exaustão foi sair na noite. E por muitos anos tive o privilégio de me divertir junto de amigos fiéis, bons moços e belas meninas.

Mas o tempo passa, passa rápido. Da minha roda, vários se casaram, tiveram filhos, outros tantos, inclusive, já se separaram, mas sempre que podemos (e quase sempre conseguimos), o time se reúne para um ‘ritmo’. E, passei a notar que o nosso gênero de balada foi ficando para trás. Aeroanta e Santa Casa viraram doces lembranças – pelamordedeus, o que eram aquelas “segundas-sem-lei”?

Longe daqui eu querer passar por saudosista, mas para mim o som de pista evoluiu (sic) para uma batida eletrônica insana e a regra geral hoje é playboy abrir casas requintadas e cobrar preços extorsivos pela diversão (do estacionamento ao bar). Como consolo (meu e de outra boa leva de gente bacana), nossa grandiosa metrópole abriga/obriga exceções do tipo Studio SP e CB entre outros.

Eis que na última sexta-feira, em grata surpresa, eu vi uma luz no fim do túnel. E ela brilhava irradiando cores por todos os lados, graças àquele indefectível globo de espelhos que girava. Eu estava na versão paulista do “Bailinho”, na linda-maravilhosa Casa das Caldeiras. Novidade para mim, procurei informações e achei como melhor definição a que está presente no blog deles (http://blog-do-bailinho.blogspot.com/), ou seja: uma festa de verão e de bairro, mas que se reinventa em qualquer estação e local. Nascido no Rio de Janeiro, o projeto retoma um estilo de baile praticamente esquecido, onde a palavra de ordem é Suingue, sem a ditadura da exclusividade de gêneros musicais. Convidados especiais agitam a pista. Correio do amor, ‘biscoitos da sorte’, e outras surpresinhas dão um charme extra à festa. Mesclando ritmos da atualidade com melodias antigas (porém inesquecíveis), os djs surpreendem através de incríveis seqüências musicais, mixagens inusitadas e delícias como dançar o bom e velho ‘cheek to cheek’. No Bailinho se ouve de tudo. Impossível ficar parado!

Pela definição, quem não foi já ficaria curioso, não? Pois é pra ficar mesmo! Balada repleta de gente bonita e despida de frescura, ambiente pra lá de agradável, bebida boa a preços justos, estacionamento enorme, som de primeira. Mas, como forma de manter uma certa magia, não se sabe quando haverá outro Bailinho por aqui...A bela e simpática promoter naquela noite, Larissa, me disse que quem decide quando e como é o idealizador Rodrigo Penna, portanto, não há regras fixas...Resta somente ficar ligado para não se perder a próxima.

O inacreditável aconteceu: A MTV de fato morreu!


Ontem cheguei em casa por volta das 19h30 para sair novamente 15 minutos depois, ao ligar o computador para imprimir um doc, li que Michael Jackson morrera. Claro que fiquei estarrecido e dei uma rápida passada por outras matérias para ver se de fato era verdade.

Sai novamente para voltar as 22h. Chegando em casa, agora pra ficar, sentei em frente a TV e comecei a procurar por notícias. No Multishow estava passando um especial sobre o bizarro cantor, mas também se restringiu a isso. A Globonews só falava de Michael e mostrava inclusive imagens ao vivo do hospital, do helicóptero com o corpo, a mesma coisa, claro, na CNN; na VH1, em que a programação não é feita aqui, não passava nada, mas também nem daria... compreensível.
Porém, o inacreditável era que a MTV não passava absolutamente nada. Se fossemos depender dessa emissora para saber de algo, só saberíamos da morte do astro, talvez, hoje e ainda sim provavelmente no final da tarde, sei lá...

O casamento entre Michael Jackson e MTV é de suma relevância para o mundo pop, do entretenimento. A MTV hoje é o que é muito por causa de Michael Jackson e ele também se tornou esse mito graças a MTV. Michael é o maior astro da música pop da geração do videoclipe. Antes dele só nomes como Elvis Presley e Beatles.

Eu esperava, no mínimo, uma mobilização intensa da MTV, chefes convocando VJs, diretores, roteiristas e profissionais técnicos para irem à emissora para dar entradas ao vivo, com informações quentes vindas da MTV americana, videoclipes do cantor passando a todo instante, intercalados com programas especiais (eu mesmo fiz um acho que em 1997 sobre ele que é absolutamente atemporal em que mistura matérias de arquivo e clipes).

Enfim, muita coisa dava para se fazer, mas não foi feito. Isso mostrou que de fato a MTV Brasil se tornou irrelevante e descartável na vida do jovem, para o mercado de entretenimento e para o mercado fonográfico. Ontem fiquei me perguntando o motivo da MTV ainda estar no ar. Foi vergonhosa a omissão dela.

Peço desculpas aos amigos que lá ainda trabalham, mas estou sendo sincero e sei que não estou errado. Morreu O CARA, o rei da Pop Music e a MTV não se mexeu. Realmente quem faz a MTV hoje, quem dá sua direção, está mais do que acomodado. A única coisa que ela fez foi colocar um programete de meia hora, as 23h30.

Lembro-me a mobilização que foi quando morreu Kurt Cobain. Naquela época a MTV não tinha programas ao vivo, mas mesmo assim foi gravada uma cabeça com o Gastão e posta no ar interrompendo a programação e não só avisando o acontecimento, mas dizendo que entradas como aquela seriam constantes assim que houvesse novidades. Isso aconteceu 5 minutos após sabermos pela MTV americana da morte do Kurt. Todos ficaram ao telefone em contato direto com os Estados Unidos – não havia internet. Correria para preparar algo especial, clipes do Nirvana no ar, enfim, foi feito o que era pra ser feito e o dava pra se fazer.

Ontem não aconteceu nada disso e se compararmos a importância de Michael Jackson em relação a Kurt Cobain, o líder do Nirvana fica no chulé, com todo respeito.

O mínimo a ser feito era colocar TODOS os videoclipes de Michael Jackson rodando a todos instante, com programação loopada. Era pra ter feito uma rapa no arquivo para ver que programas haviam na casa, matérias, enfim, colocar tudo no ar, e deixar rolando madrugada a dentro até finalmente chegar hoje e VJs entrarem ao vivo com notícias de internet, da MTV americana, jornais na mão, enfim, mobilização total.

Onde estavam os chefões da MTV? Em casa assistindo ‘A Fazenda’? Porque não foi feita essa mobilização? Na Globonews que não tem essa obrigação da MTV só se falava de Michael Jackson!

Esse fato só constatou o que todos desconfiavam: a MTV morreu e ninguém a avisou.

PS: Será que quando a Madonna morrer a MTV também vai ficar dormindo?

24 de junho de 2009

Ato Secreto 2

Faça a sua parte, fique no pé, encha o saco, seja chato, o verdadeiro pentelho.

Sugestões, reclamações, pedidos...
(por favor dê copy / paste nessas informações, publique em seu blog, no orkut e em todos os lugares possíveis)

Câmara dos Deputados
Disque Câmara - 0800 619619
http://www2.camara.gov.br/http://www2.camara.gov.br/deputados

Senado Federal
Alô Senado – 0800612211

http://www.senado.gov.br/sf/http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp?o=1&u=*&p=*

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Ato Secreto 1

Vou escrever também meu protesto, pois quanto mais falarmos nisso, mais o assunto se espalha e a pressão fica maior.
Escreva você também. Reclame você também.

Coisa horrorosa esse nome, heim? Logo de cara ele já traz uma conotação de picaretagem.
Por falar em picaretagem, entre os maiores picaretas do país está Sarney (ao lado de uma centena de outros como Collor, Lula, Zé Dirceu, quércia, Marta Suplicy...).


Sarney bagunçou o Brasil quando foi presidente, fez diversos vôos da alegria, e onde pôde prejudicar o Maranhão, não pensou duas vezes em fazê-lo. Sua filha vai para o mesmo caminho. Família Sarney é sinônimo de corrupção, roubalheira e ladroagem. Família Sarney é como a igreja no auge da Inquisição. Família Sarney um dia vai acabar.



A justiça do homem é falha, principalmente aqui no Brasil, porém a justiça de Deus jamais pisa na bola. Jamais!
Infelizmente essa corja de assassinos e ladrões do congresso nacional transforma a Democracia em sinônimo de corrupção.

Onde está a reforma política? Onde está a reforma tributária? Onde está a ajuda aos aposentados? Onde está a reforma trabalhista?
Onde estão os ladrões? Essa é fácil: no congresso.
Não podemos esquecer que todos esses parlamentares são nossos funcionários e nos devem satisfação.


É inadmissível ainda hoje haver voto secreto para o que quer que seja. É inadmissível existir ato secreto. É inadmissível esses parlamentares ganharem o que ganham. É inadmissível o “trabalho” deles se restrigir a apenas 3 dias por semana. É inadmissível eles terem ganhos extras – seja qual for. É inadmissível parlamentares serem tratados de forma diferente perante a justiça. É inadmissível eles terem privilégios. É inadmissível que alguém que responda processos possa se candidatar e pior ainda se eleger e tomar posse.

21 de junho de 2009

Série O Resgate da Memória: 9 - Camisa de Vênus


Essa entrevista é da revista Bizz de outubro de 1986. Não tenho o nome do jornalista que fez a matéria. A tirei do CD-Rom da Bizz, mas como não consigo mais instalar o programa (já entrei em contato com a Abril que nunca me retornou), vou ficar devendo a capa da revista que, se não me engano, é com Morrissey na capa.
Nessa época a banda começava a gravar o 4º disco ‘Correndo o Risco’, que tem “Simca Chambord”, “Deus Me Dê Grana”, “Só o Fim” (a qual o refrão é cópia de “Gimme Shelter” do Stones) e “A Ferro e Fogo” (pra mim a mais bela canção do Camisa).
Exatamente um ano e um disco após essa entrevista o Camisa anuciou seu fim.


Nem panos quentes, nem papas na língua

BIZZ - Que tal começar por um balanço de carreira? Vocês surgiram numa época (1982) em que o cenário estava tomando pela Blitz. Como foi chegar nesse cenário com uma proposta como a do Camisa de Vênus?
Gustavo - Não mudou muita coisa não, viu. Tem muita Blitz e Rádio Taxi por aí.
Karl - Não estamos muito preocupados com o cenário, e sim com o Camisa e com o que a gente faz.
Marcelo - Não foi difícil, foi fácil. Se é que foi realmente difícil. Se a gente observa por esse ângulo de cenário, o que acontecia na Bahia em 82 era uma reciclagem do tropicalismo, e Moraes Moreira. Pepeu Gomes. Baby Consuelo. Caetano, Gil, Bethânia, Gal. E. tanto sonoramente como no texto, o Camisa é diferente de todos estes exemplos. O fato de a gente ter vindo para São Paulo e Rio de Janeiro foi mais uma conseqüência do que a gente já tinha feito em Salvador. Quando a Blitz gravou ´batata frita, eu sei que vou me amar, essas coisas o Camisa já era sucesso em Salvador com “Meu Primo Zé” que tocava em tudo quanto era rádio FM. Só que a veiculação era limitada a uma cidade. Não tinha o poder de penetração que há em São Paulo e Rio de Janeiro.


BIZZ - Façam um balanço do que vocês pretendiam e o que vocês conquistaram.
Marcelo - Gravamos um compacto em Salvador num estúdio pequenininho de oito canais. Aí a música começou a tocar e começamos a nos apresentar para casas cheias, Tocamos para vinte mil pessoas no Farol da Barra. E aí pintou o lance de gravar um LP que a princípio seria pela Fermata. Viemos para São Paulo para isso e quando estávamos no estúdio, uma pessoa entrou, ouviu e propôs para o Toninho (o contato da gravadora) que o disco poderia sair pela Som Livre. Como realmente acabou acontecendo. Só que depois de três meses que o disco saiu houve um problema interno lá deles. Queriam que o nome da banda fosse mudado por razões que sei lá... Era imoral, indecente, ia dificultar a penetração na mídia etc... E se fossem bons cordeiros, bons cabritos, em compensação eles dariam para a gente o sistema de mídia da Globo inteira. Não aceitamos essas pressões e pedimos as contas. Na época foi duro pra caramba. Custou vários almoços de hamhúrgueres. Vários jantares de cheese-salada.
Karl - Morada na Boca do Lixo.
Marcelo - Só que hoje, quatro anos depois, a gente olha para trás e vê que foi a decisão mais acertada que poderíamos ter tornado. Porque durante este tempo aprendemos que nossa decisão é mais importante até que a vontade de qualquer pessoa. Ficamos um ano e meio sem conseguir gravar, e o segundo LP veio pela RGE que, por mais paradoxal que pareça, é do mesmo dono da Som Livre. E quando “Joana D´Arc” virou hit de rádio e invadiu a tal da mídia e a banda vendeu 100 mil LPs fomos convidados para fazer Chacrinha... E com o mesmo nome. Porque aí a falsa moral caiu por terra. O que era indecente passou a ser sarcástico. Sabe, aquela mentalidade: “Esse nome é bom, é sarcástico, vende 100 mil cópias e a gente vai ganhar dinheiro”.
Karl - E a coisa mais engraçada é que quando a RGE resolveu relançar o primeiro LP, que tinha sido encostado pela Som Livre, o disco veio com um selinho dizendo: “Incluindo “Bete Morreu””. E essa música escandalizava todo mundo da gravadora por causa da letra violentaram Bete, espancaram Bete, ela nem se mexeu, Bete morreu.

BIZZ - Quais foram os indicadores que fizeram vocês sentir que a coisa ia acontecer, que vocês iam ser uma banda de sucesso?
Marcelo - Acho que foi quando “Joana D´Arc” se tomou um hit. Este foi o ponto, porque veiculou o Camisa nacionalmente.

BIZZ - E depois de “Joana D´Arc”?
Karl
- Depois disso a gente resolveu adotar São Paulo.
Marcelo - Inclusive porque a gente sentiu que a linguagem do Camisa tinha muito mais a ver com uma cidade urbana. O drive de São Paulo contribuiu e o público também.

BIZZ - E por que São Paulo?
Karl
- A gente saía de madrugada na Av. São João, via aqueles anúncios de neon, aquela fumaça. Já estava todo mundo de saco cheio de menina com cabelo de Elba Ramalho, biquíni fio-dental de Ipanema, entende"? Uma coisa vulgar pra caramba. Chega a se tomar desagradável de tão vulgar que é. E hoje, um ano depois que estamos morando aqui, ninguém está pensando em sair para canto algum.
Marcelo - Somos baialistas agora.

BIZZ - Como?
Marcelo
- Baianos que moram em São Paulo.

BIZZ - Falem um pouco do novo disco.
Marcelo - Viva ainda é o novo disco. Viva foi uma decisão da gente de gravar um disco para os fãs, talvez até como uma maneira de reconhecimento por eles terem colocado a gente onde estamos hoje. E ele é a cara do Camisa no palco, que é o nosso habitat natural, é onde o Camisa é. Adoramos estúdios, procuramos esmerilhar aqui dentro. Mas o Camisa é, indiscutivelmente, uma banda de palco, até pela participação do público, que é tão importante quanto a nossa. E isso está registrado nesse LP.


BIZZ - Mas tinha o fato de vocês estarem devendo, por contrato, um LP para a RGE.
Karl - Mas poderia ter sido um disco de estúdio!
Marcelo - E tinha chegado o momento de fazer um disco ao vivo Aliás, parece que depois que a gente fez um disco ao vivo estão saindo outros discos ao vivo também (risos).

BIZZ - Como por exemplo?
Marcelo - Eu tenho ouvido... Saiu RPM, Caetano...

BIZZ - E do novo, novo disco, este que vocês estão gravando aqui.
Marcelo - Estamos começando ainda. Inaugurando este estúdio.

BIZZ - Então falem das diferenças entre este e os outros LPs.
Karl
- Está ligado à própria evolução dentro do nosso trabalho. Somos cinco, seis com o Petê (empresário). Trabalhos há quase cinco anos juntos. E a integração da banda, a sonoridade das guitarras, as idéias... está tudo melhor. Não moramos mais na Boca do Lixo, não dividimos apartamento. Acho que as mudanças têm a ver muito com nossa mudança de vida.
Marcelo - Se você observar o primeiro LP, ele é um pau só do começo ao fim.
Karl - O segundo já vem com um melhor tratamento de estúdio.
Marcelo - Além da diversificação rítmica. Tem reggae, rap, balada... O terceiro já é ao vivo. E esse novo disco é como eu falei: estamos começando agora e só temos as bases prontas.


BIZZ - Na época em que formaram a banda, vocês fizeram uma versão de "Negue", além de outras músicas que têm elementos da MPB. Como a MPB entrou no trabalho de vocês?
Karl - O objetivo de ´Negue" era dilacerar... O Marcelo queria conseguir ser mais dramático que Maria Bethânia cantando. E acho que ele conseguiu.
Marcelo - Se o Camisa tem um texto, vamos dizer, sério, como é o caso de "Metástase", ele também tem um lado super sacana, que é o lado de "Silvia", "Negue"... do deboche... Não somos cinco intelectuais tentando fazer som dos Smiths, Cure, U2, enfim, que tenha similar lá fora. O Camisa pode ser uma banda ótima ou uma porcaria de banda, mas ela tem características próprias. Não parece com absolutamente ninguém. Tem identidade. E, também, o Camisa sempre foi misturado. Aldo, por exemplo, gosta do U2. Gustavo de heavy metal, do Rush. -. Karl gosta de Pete Townshend, Lou Reed. Quer dizer, essa coisa de mesclar sonoridade sempre acompanhou a gente. E o fato de a MPB ter vindo misturado também está incluído nisso. E da admiração que todos nós temos por Raul Seixas. Tanto que nesse LP vamos fazer uma regravação de uma música dele.

BIZZ - Qual?

Karl - Não sabemos ainda. Tem duas ou três. Não decidimos.
Marcelo - Inclusive quando a gente leu na BIZZ, onde Raul dizia que ele não gostava de ninguém. só do Camisa de Vênus, porque era a única banda que não se permitia fazer esse joguinho das Globos da vida, ficamos super orgulhosos. O velho ídolo dizendo que nós somos os melhores.

BIZZ - Vocês disseram uma vez que o único brasileiro que prestava era o que vinha de Brasília e da Bahia.
Marcelo
- Na verdade o lance era chamar atenção para o fato de que não só no Rio e São Paulo as coisas aconteciam. Essa linguagem que parece estar concentrada especificamente no Rio - linguagem para criança de 10 anos de idade. E uma brincadeira. Grupo de faixa etária entre 20 e 30 anos, às vezes, até mais de 30 cantando musiquinha com letra de Menudo para garotinho de 10, 12 anos curtir. Mas, por outro lado, como o Camisa está sozinho, não estamos integrados a nenhum movimento de rock. Nosso lance sempre foi à parte, cada um faça o que quiser. Já rasgamos nosso contracheque faz tempo! Raríssimas bandas eu paro para ouvir e dizer: gostei. Gosto de Replicantes. Acho que eles têm uma coisa de desenho animado do rock que eles passam e acho isso super legal. E do Capital Inicial. Os textos do Renato Russo eu gosto muito. Acho que o Legião não encontrou ainda a sonoridade deles. Mas acho que têm competência para encontrar. No primeiro disco a coisa ficou meio U2 agora está meio Smiths...
Gustavo - Gosto também do Clemente, dos Inocentes.
Marcelo - E do Lobão. Se o Raul é um gênio, Lobão é febril – 42º de febre o tempo todo. Nesse ponto acho até que a gente se identifica um pouco - no lance de não ser sócio de clube nenhum. Outro dia uma revista veio me convidar para fazer uma entrevista. Chamava HV. Éramos eu, Arnaldo, Renato Russo, Paulo Ricardo, Herbert Vianna... Liguei para lá, agradeci a lembrança do meu nome e disse: Primeiro, querida, eu não tenho saco para discutir constituinte do rock com ninguém!". Sim, porque juntar esse pessoal você acha que é para o quê? "E. segundo", disse ainda. "eu já passei dos 30. Não faço parte da jovem-guarda!"


BIZZ - Em que ponto vocês acham que o público se identifica com vocês para que fizesse o Camisa estourar?
Marcelo - Acho que a honestidade que a gente passa na expressão, na postura. Acho que isso foi importante no Camisa e as pessoas ouviram, assimilaram e acreditaram. E pensaram: "Não importa que eles não apareçam toda semana no Chacrinha. Não importa que eles não apareçam no Fantástico toda hora. A gente acredita". E por aí.

BIZZ - Mas há bandas que têm essas características de honestidade e não conseguiram tanto sucesso como vocês?
Marcelo - É talento!

BIZZ - Mas vocês atingem uma faixa que ainda está contaminada por deficiência educacional típica de um país subdesenvolvido, expressa, principalmente, em letras como "Silvia " e “Bete Morreu” - estupro, homem que pega no pau para bater na mulher e coisas do tipo?
Marcelo - Durante o show, que dura em média duas horas, rola praticamente o repertório inteiro do Camisa, sem distinção do sério, sacana. Mas existe um outro aspecto: as músicas do Camisa que atingiram maior execução de rádio não são as que têm unia conotação política, social etc... Agora, isso cabe aos programadores de rádio. Existe essa tendência da mídia em tocar o que parece ser mais engraçado ou o que tenha uma assimilação maior. Ninguém quer tocar no rádio, por exemplo. "Batalhões de Estranhos", que diz: "Observe e informe aos homens de uniforme. Eles chegam por via aérea, sentinelas de nossa miséria". Porque essa música fizemos na época da ditadura militar. Era muito mais interessante para a rádio, para não correr o risco de ficar visada por sei lá quem eles imaginam que possa estar observando... Então tocavam “Joana D´Arc”. Essa distinção é feita pela mídia. Para a gente tem os dois lados da coisa. E nunca nos preocupamos em dar ênfase àquele lado ou não.

BIZZ - O que vem a mente quando vocês ouvem a palavra política?
Gustavo -Cachorrada! Troca de interesses! Qual o político sério neste país? Não conheço nenhum. Vai nascer ainda.
Marcelo - O problema é que a face política do país é a mesma há décadas! Hoje o nosso presidente José Sarney se diz porta-voz de uma Nova República. Se nós não tivermos a memória muito curta, a gente vai ver que há dois anos este mesmo personagem era presidente do partido do governo, dos militares! E está muito engraçado. Um outdoor de Paulo Maluf metendo paranóia na cabeça da população: que precisa de segurança, que assassino tem de ir para campo de concentração. Quer dizer: isso é o quê? É a paranóia de um povo subdesenvolvido culturalmente também. Então parece que a solução é a repressão, é a paranóia, é a porrada. Vai ter Rota rodando 24 horas por dia, todo mundo de metralhadora na mão. E essa é a base de uma campanha eleitoral para governador do maior Estado do país. E isso é tenebroso! Todo mundo sabe. O que aconteceu com o Abi-Ackel, pelo amor de Deus? Contrabandista, provado. Ele está em cana, está na detenção?
Gustavo - E o próprio Figueiredo! Ele foi exilado?
Marcelo - A saída de Figueiredo do poder foi dando uma banana para o povo. Esse é o nível político que se vê no país. E eu acho até que Maluf vai ganhar! Então, de repente, a gente tem de parar e dizer: "Cada povo tem o presidente. governo que merece". Mas, também, acho que a gente (povo) é muito ingênuo. Ingênuo demais.



Cabra cega

"Bad Life", PiL
Robério - É Madonna.
Marcelo - Banda do Exército... (depois que entra o vocal) Esse é bom pra caramba. Mr, John Lydon. E PiL é uma das melhores coisas que rolam por aí. Trocou a coroa de rei dos punks para se tornar um artista sem compromisso com ninguém a não ser com si próprio. E um karma da porra ser rei dos punks. E o melhor! Faço coleção de camisetas do PiL.

"Malandragem Dá um Tempo", Bezerra da Silva
Aldo
- Bezerra da Silva.
Marcelo - Matou, porque era batuqueiro de afoxé. E aquela história da coerência - ele é coerente com o que faz. Se existissem dois Bezerra da Silva não existiria Lulu Santos. Mora no morro e faz o que é de lá.
Gustavo - Seja o que for, nem pagando eu ouço. Não suporto.
Marcelo - Não vou comprar para levar para casa e ouvir. Saco é ter 30 anos e dizer que "lá em casa continua o mesmo problema", como fazem muitas bandas por ai... "Vou apertar, mas não vou acender" é genial. Se só tivesse rock ia ser tão chato! A gente ia fazer samba, pagode.

"Windswept", Bryan Ferry
Marcelo - Isso é profundo (irônico).
Gustavo - Aí eu gosto. Não sei nem quem está cantando, mas gosto da música.
Karl - Não gosto disso.
Aldo - Lembra Bryan Ferry.
Marcelo - É Bryan Ferry mesmo. Não é um cara que me bata. Manolo Otero demais. Nota 1,5 para ele.
Karl - Topete era com Elvis Presley.
Marcelo - Ele deveria trabalhar na Fiorucci em vez de ficar empatando o tempo com a gente.
Robério - Parece musiquinha erótica do La Licorne.
Marcelo - Pelo menos ele tem uma certa história do Roxy Music.

"Flores Astrais", RPM
Marcelo
- E ao vivo, mas não é o Camisa.
Karl - Para mim é de estúdio, com palmas.
Robério - Isso é uma gravação.
Marcelo - O RPM é uma boa banda tecno-pop. E a única no gênero no Brasil que tem um texto decente. Essa música era dos Secos e Molhados, se não me engano.
Karl - Era do João Ricardo.
Marcelo - Eles fazem bem o que se propõem a fazer. Esse disco não parece ao vivo.
Karl - Disco ao vivo gravado em Los Angeles!

"The Antichrist", Slayer
Gustavo - Gosto de rock progressivo
Marcelo - Pode ser Black Sabbath, Metallica, Quiet Riot... E heavy. Não tem muito o que falar disso - é heavy.

15 de junho de 2009

QUE PAÍS É ESSE?


Procuro ser um sujeito otimista, entendo seja essa uma maneira de levar minha vida mais leve, mais descontraída; Posso dizer que de certa forma eu até consiga esse feito.


Agora, ao acompanhar o rumo que segue incólume a nossa política nacional percebo que meu otimismo perde mais espaço a cada dia para o inconformismo e a vergonha que tenho de nossos representantes (por nós eleitos, aliás).


Basta um pequeno esforço de memória recente para me vir através de lembranças alguns personagens nefastos como o ex-deputado João Alves que ao ser flagrado com uma fortuna incompatível com seu cargo, alegava ser um homem de muita sorte, pois havia ganhado diversas vezes na loteria, assim como seus pares à época apelidados “anões do orçamento”.


Mais recentemente um fato que considero o mais grave da Nova República e que não teve a devida punição até hoje – e que provavelmente nunca terá – o episódio do Mensalão que envolve os homens mais próximos do Presidente Lula, sejam alguns deles: José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoíno, Delúbio Soares, Silvinho Land Rover e Antônio Palocci.


O brasileiro é por demais complacente, quem sabe até por pura ignorância, ou como preferem afirmar alguns ‘intelectuais de plantão’ por sermos um país novo, que muito tem que aprender até se ajustar aos moldes e ideais do velho mundo...Vejamos um exemplo exterior destes dias: o Primeiro Ministro inglês Gordon Brown está a um passo de perder seu mandato e já tem seu ministério absolutamente desmoronado por escândalos primários - a suspeita de desvio de recursos públicos para uso particular, como compra de ração para pets e compra de DVD´s eróticos...Crimes que se comparados aos nossos, poderiam ser enquadrados aqui como “Sessão da Tarde”.


A última lamentável descoberta em Brasília atende pelo nome de “Atos Secretos”, subterfúgio utilizado para encobrir falcatruas de todo tipo e espécie, como parentes diretos de congressistas alçados a cargos fantasmas e pagos em altos salários, entre outras barbaridades.


Que cada um faça seu juízo e proteste. Da minha parte cito aqui em poucas palavras um desses escândalos, dignos de terceiro mundo: o ex-diretor-geral do Senado (pelos últimos 14 anos), Agaciel Maia, foi recentemente afastado por ser o responsável-mor de incontáveis e lamentáveis abusos; Diante das câmeras e da imprensa, alguns poucos o repreenderam e outros tantos seguem se cagando de medo de serem descobertos a qualquer momento por terem sido agraciados (ou “agaciados”) pela sua indefectível caneta; O crápula, responsável por espalhar sujeira pra todo lado no Senado segue vivendo sua dolce far niente vida numa das maiores mansões da Capital Federal (avaliada em mais de R$5 milhões e que sequer foi declarada no seu Imposto de Renda) e acabou de casar uma de suas filhas numa festa nababesca, obviamente. E lá teve a presença da alta cúpula do poder em nosso país: como padrinho José Sarney, além do líder do PMDB Renan Calheiros, Garibaldi Alves e o Ministro de Minas e Energia Edison Lobão. Detalhes não menos indigestos: Sarney é o atual presidente daquela casa e os todos os demais já ocuparam recentemente o mesmo posto; E acreditem, pois todos se esbaldaram ao som da música tema do filme “O Poderoso Chefão”.


Alguém consegue me responder que país é esse?

10 de junho de 2009

Titãs x Nando Reis




Não dá pra saber se essa coincidência de lançamentos foi proposital. Fato é ser impossível não fazer comparações entre os novos trabalhos. Eu tentei ser o mais imparcial possível. Sim, o disco do Titãs é, no máximo, nota 3; e o do Nando Reis é, no máxmo, nota 6. Ou seja...

O Titãs, como falei na resenha, não trouxe absolutamente nada de novo, pelo contrário, com o Rick Bonadio, deu um passo atrás. Talvez tivesse sido melhor ter o disco produzido, por exemplo, pelo Kassin. Bonadio vai muito no óbvio, não gosta de se arriscar, vai de acordo com o manual e não sai dele. A essa altura da carreira a banda deveria mesmo era experimentar, coisa que fez no início dos anos 1990. Apesar dos pesares fato é que o show do Titãs é imbatível, bom e pesado, e é isso que interessa. Sou da banda desde o 1º disco e até já cheguei a pedir para a banda tocar ao vivo a música “Pule”, que nunca ouvi em show. É inevitável dizer que saco plástico é usado para jogar lixo... desculpe Titãs que tanto gosto, mas era melhor não ter lançado nada...

Para o lado de Nando Reis, tudo continua uma maravilha. A cada disco dá pra ver o quanto ele ficou mais tranquilo com a saída do Titãs. Teve uma bela ajuda da MTV (que tem sua filha como VJ) para alavancar sua carreira. Ele é bom compositor, mas peca no que também já falei, que são as letras intermináveis e sem refrão. Mesmo assim escutar um disco seu é melhor que escutar um do Titãs produzido pelo Bonadio. No fundo o que sinto é que Nando ainda irá lançar sua grande obra. Não sei se em 2010 ou em 2015, mas percebo uma inquietude quanto a fazer algo novo. As guitarras presentes no Drês já são um diferencial, agora falta ele largar o violão e mandar ver nos refrões.

Que venham os próximos discos!

PS: Arnaldo Antunes também não fez o grande disco da carreira e espero que não lance mais nada igual ao péssimo e entediante Ao Vivo no Estúdio. Que tal todo mundo se juntar novamente e fazer um disco comemorativo do Titãs? Incluindo aí Ciro Pessoa...

Nando Reis - Drês


A sonoridade folk de Nando Reis continua. Porém dessa vez a guitarra está mais presente e há inclusive algumas músicas pesadas. O produtor desse novo trabalho foi, junto com Nando, Pontual, seu guitarrista. As letras, claro, falam muito de amor, mas dessa vez não só de amor.
Não, não há nenhum hit em pontencial, mas o disco é bom. Gosto de Nando e sua voz. Ele é um cara que tem fome de criação, sabe o que quer, sabe compor e produzir (ele foi um dos produtores do 1º disco do Maskavo Roots que, pra mim, é um clássico dos 1990 e ultra bem resolvido).

O único problema que vejo na música de Nando é a falta de bons refrões e de letras com menos verborragia. Não que ele escreva coisas sem sentido, mas é que usa muitas palavras, frases, porém sem repetição e pouco refrão, coisa que a música pop usa bastante. Nando tem músicas mais pop e gosto mais delas.

No mais ele está em seu universo, fiel ao que gosta e ao que faz, sem muitas novidades fora a presença de mais guitarras.

9 de junho de 2009

Titãs - Sacos Plásticos

Acabo de escutar o novo disco do Titãs chamado Sacos Plásticos.

São 14 músicas que, como todo disco de artista consagrado, oscila entre bons e péssimos momentos. Esses péssimos momentos são, principalmente, as baladas gravadas. Horrorosas, pois mais parecem com os trabalhos solos de seus integrantes do que com Titãs. Não sei quem falou que Sérgio Britto é bom para cantar baladas, aliás o Titãs não é bom para baladas...
O disco foi produzido por Rick Bonadio, o novo empresário e produtor da banda. Rick infelizmente não mandou bem. A banda tentou em algumas faixas resgatar a mistura que fez de rock com elementos eletrônicos presentes brilhantemente nos discos Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas e O Blésq Blom, porém nada ficou a altura, pelo contrário, em algumas faixas isso ficou evidentemente sem nexo, como em “Múmias”. Essa mistura é bem vinda quando é pedida e não quando é forçada.

“Deixa Eu Entrar” tem a participação de Andreas Kisser na guitarra e poderia entrar no disco Televisão.
Há algumas tentativas de trazer de volta o reggae e ska presentes nos primórdios da banda, mas não convencem.


Bem, o ideal seria se bandas consagradas não precisassem lançar discos novos, mas o mercado pede, até para ajudar a vender shows. Apesar disso ainda não consigo entender o motivo pelo qual artistas e gravadoras insistem em lançar discos com 10, 12, 14, 17 faixas ainda hoje. Isso não é mais cabível e nem necessário. Todo mundo sabe que a força de um disco está em, no máximo, 5 músicas. Nem todas as bandas são como Clash, Talking Heads e XTC que lançam ótimos discos inteiros. O melhor a fazer é um lançamento com 5 ou 7 músicas e só. Assim o preço abaixa e o disco fica bom. (o preço desse Titãs é R$ 26,90. Pode?)

Em resumo é isso: o disco novo do Titãs não é bom, mas também não precisa ser. O Titãs há muito deixou de ser o Titãs. Quer ver a banda perto do que era? Então vá ao show.
Por fim, das 14 faixas destaco apenas 5: “Sacos Plásticos”, “Amor Por Dinheiro”, “Problema”, Não Espere Perfeição" e “Nem Mais Uma Palavra”. Justamente as que tem um pouco de elementos eletrônicos, reggae e ska...

PS: na foto é o Titãs no estúdio gravando o disco no estúdio Midas, que pertence a Rick Bonadio.
PS2: Quer escutar o disco?
http://beta.radio.uol.com.br/album/Titãs/Sacos-Plásticos/17730?action=play

3 de junho de 2009

Mais do Mesmo 2


Ontem li mais uma matéria sobre a luta das companhias contra os downloads ilegais. Mais uma vez quem paga a imcompetencia delas é o consumidor. Pode uma coisa dessas?

Lembro nos anos 1980 algumas discussões em cima da fita cassete. Alguns queriam proibí-la, pois com a fita, todo mundo gravava o disco e acabava não comprando. Era o download das antigas... hehe

Digo novamente: o consumidor não tem culpa pela pirataria e pelos downloads ilegais. Se tem e está na mão, então vamos usar. Claro que vamos! Como fazíamos com as fitas cassetes.

Repito: se as gravadoras estão vendo os consumidores como inimigos, então é óbvio que há algo muito errado. Elas deveriam abrir mão de lucros exagerados, abraçar o consumidor e oferecer algo mais. Elas que lutem pela diminuição dos impostos.

Campanhas querem fazer com que nós consumidores acreditemos que consumindo produtos piratas estamos também contribuindo para o tráfego de drogas. Isso é uma idiotice sem tamanho. Aquele sujeito que está ali na rua com sua banquinha vendendo DVDs e CDs está ali por não ter outra fonte de renda, por não ter trabalho, por não conseguir uma carteira assinada, por não poder ter um plano de saúde, por ter que comprar o leite dos filhos e pagar o aluguel da barraca miserável que mora com mais 8 pessoas e todas dormindo no chão. Graças a Deus ele conseguiu uma maneira de trabalhar “honestamente”. Sim, digo honestamente porque esse sujeito poderia estar roubando, poderia sim estar no tráfego vendendo crack, maconha, cocaína...

Lembro quando saiu a coletânea do Nirvana, aquela com uma música inédita e mais ou menos na mesma época saiu um Chili Peppers, acho que o Californication. O preço da coletânea era R$ 27,00 e o do Chili era R$ 32,00. Seis meses depois o valor da coletânea caiu para R$ 14,00 e o do RHCP também havia caído. Pergunto: se fizeram esse desconto de R$ 13,00 porque não, desde o início, foi posto o preço de R$ 14,00? Isso é chamar o consumidor de burro. Fiquei com pena de quem havia comprado pelo preço de lançamento. E tudo isso por causa de uma única música!

Isso só mostra po quanto as corporações cagam e andam para o consumidor. Dessa forma, também cago e ando para elas. É óbvio que se me tratassem com mais respeito e dignidade eu iria me esforçar para comprar ao menos os produtos dos artistas que gosto muito.

O que ganho em troca comprando um CD ou DVD com preço que tem imbutido 1.000.000.000% de lucro?

Podem fazer o que quiser mas o download ilegal e o mercado pirata nunca irão acabar.