27 de março de 2010

Geração Renato Russo

Se vivo Renato Russo completaria em 27 de março de 2010 50 anos de vida. Todos enaltecem sua obra e pipocam homenagens mais do que merecidas. Eu mesmo dei umas 3 entrevistas para falar dessa data.
Só que aqui não quero fazer como todos e relembrar suas passagens e seu repertório. Quero falar de duas coisas que me vem logo à cabeça quando se fala em Renato Russo: personalidade e criatividade.
Personalidade e criatividade é o que há muito se falta no rock brasileiro e é o que sobrava à geração de Renato: Plebe Rude, Capital Inicial, Escola de Escândalo, Elite Sofisticada, Diamante Cor-de-Rosa, Titãs, Ira!, Barão Vermelho, Paralamas, Camisa de Vênus, Engenheiros, Ultraje, Cólera... Coloco todas essas bandas brasileiras para não ficar apenas na capital. Essas são só algumas, mas eu poderia continuar a lista com Smack, Mercenárias, De Falla, Sexo Explícito, Akira S... vai longe. Eram tempos em que ainda estavam por vir muitas novidades. A MTV (americana) era uma delas.
Renato Russo amava o que fazia. Era roqueiro convicto. Conhecia e muito sobre a história do rock de Fats Domino a Nirvana. Era daqueles que escutava disco com a capa e o encarte na mão, “estudando” cada nome escrito na ficha técnica, cada frase de cada letra. Sabia até quem tinha criado a capa e o motivo da posição de cada faixa no vinil. De cultura pop lia tudo o que estava em seu alcance: New Musical Express, Rolling Stone, Geração Pop, Som Três, muitos livros e biografias.

Todo esse amor e toda essa informação foram se acumulando até um dia ele explodir e falar: “vou formar minha banda e viver de música”. Quando se sabe usar a informação que se obtém, um abraço, ninguém te segura. E foi isso que aconteceu com Renato Russo. Foi isso que aconteceu com sua geração. Analise, por exemplo, toda obra lançada pelo Titãs nos anos 1980. Que coisa incrível! Analise a obra de Legião Urbana.

Quando todas as gravadoras costumavam lançar compactos para analisar se valia a pena um LP, Renato tanto bateu o pé que a Legião lançou LP sem compacto.

Era prazeroso ler ou ver uma entrevista com ele. Sempre se aprendia algo. Os shows eram aventuras porque não se sabia o que podia acontecer. Vi shows da Legião desde que Renato ainda tocava baixo e cantava, e eles nunca foram iguais. A forma de tocar, o repertório, os discursos entre as músicas, ele conseguia deixar próxima à relação entre palco e público. A sensação era de que seu irmão, seu melhor amigo era quem estava ali cantando. Isso valia muito mais quando a banda era um quarteto. Depois da saída de Negrete, a Legião ao vivo, junto com a Legião de músicos de apoio, pra mim perdeu a graça, mas mesmo assim saíam bons shows.

Renato Russo era formador de opinião. Não era apenas um rosto bonitinho, alias, muito pelo contrário. E essa sua personalidade e criatividade acabaram por conquistar muita gente além dos jovens amantes de rock brasileiro. Muitos pais, tios e avós acabaram também admirando-o.
Suas canções de amor não são simples canções de amor. As músicas de protesto são as melhores dessa geração. Seu texto tinha começo, meio e fim. Sabia como ninguém usar a língua portuguesa coloquial num rock completamente influenciado pelos americanos e ingleses.

Não parei no tempo. Escuto coisas boas que surgiram nos anos 1990 e nos anos 2000, mas não é a mesma coisa. Aliás, sendo bem radical, não sei pensar em outro formador de opinião pós-RR que não seja Chico Science. Um nome em duas décadas.

Viva Renato Russo! Que surjam mais ídolos formadores de opinião e criativos.


Como homenagem ao roqueiro Renato Russo, deixo aqui registrado alguns outros acontecimentos de 27 de março no universo pop:

- 1972: Elvis gravou “Burning Love”
- 1965: Jeff Beck entrou para o Yardbirds
- 1951: Nasceu Tony Banks, tecladista do Genesis



Um comentário:

Juliana Pires disse...

Grande Renato Russo, ele faz muita falta na música brasileira.

Beijos