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Ave Sangria |
Cresci com meus pais escutando de tudo: Serge Gainsbourg, Frank Sinatra, Willie Nelson, Rolando Boldrin, Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco, Chico Buarque, Maria Bethânia, Soul Music, Glenn Miller, Duke Ellington, Elis Regina, a cena de San Francisco, soft rock, Gilberto Gil. Um monte de coisas (bossa nova não!).

Durante toda a década de 1980 os jornalistas que escreviam sobre música faziam questão de deixar claro o preconceiro. Pela economia, pela política, a cultura sofreu um baque no final dos 1980 e início dos 1990. Muitos dos que esrtavam começando, não vendo futuro aqui, compunham em inglês. Bandas cantando em português só ressurgiram junto com o Real, em 1994. O Raimundos com forró, o Skank com Clube da Esquina, O Rappa e Planet Hemp com o samba dos morros e da Lapa, a malandragem carioca e CSNZ o Maracatu.

As bandas do Rio Grande do Sul sempre tiveram forte influência da Jovem Guarda, Marcelo D2 o samba, tem uma nova geração que é mais ligada na Tropicália e na mpb70. É nítido isso em quem faz rock com mpb e vice versa. Os gringos mostraram interesse e isso fez despertar a curiosidade dessa geração surgida com LH e que agora vai mais longe na busca pelos artistas e discos mais raros, como quem diz "quem é você gringo que quer saber mais que eu, que sou brasileiro."

Em todas essas lojas eu vi gente garimpando, incluindo alemães e japoneses. Mas pra você que quer achar pérolas a dica é não ir nesses sebos mais conhecidos. Há lugares que sabem colocar o preço, mas há lugares que não, principalmente em pequenos sebos de bairros, digamos, menos comerciais e mais residenciais. Há brechós com discos, mesmo que poucos. Já achei muitas coisas boas em lugares mais especializados em objetos antigos e roupas usadas, e com pouquíssimos e ótimos discos vendidos por 3, 5, 10 reais no máximo.

Por isso hoje é bom ver que as novas gerações não tem vergonha e preconceito da música brasileira, pelo contrário, hoje são influências assumidas e a garimpagem por títulos raros vai além do colecionismo, também é expectativa de que possa se tornar uma nova influencia. Lembro, por exemplo, de escutar Loki? em 1987, com 17 anos e a cabeça rodar com o que pra mim era novidade. Em poucos dias estava eu com todos seus discos solos comprados, e por um preço baixo, já que na época ele estava completamente esquecido. Hoje as coisas mudaram. Vai achar o Build Up da Rita Lee. Quase impossível, e ainda pode chegar a 350 reais.
Hoje, eu que fiz parte da turma dos 1990 que tomava porrada por gostar de mpb, tenho a alma lavada de ver que esse preconceito que escrevi aqui acabou. Agora, se essas influencias são bem ou mal usadas, isso é outra história.
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