12 de fevereiro de 2009

Série Clássicos de 1986: 8 - Vivendo e Não Aprendendo

O Ira! conseguiu um ótimo destaque com "Longe de Tudo", música do 1º disco da banda. MAs foi com Vivendo... que a banda chegou ao reconhecimento nacional, muito graças a "Flores em Você" que foi abertura de novela das 8 da Globo. Pra mim, o disco inteiro é ótimo. Um clássico que tinha tudo para afundar a banda. Olha só a confusão para gravá-lo:


Esse é um disco que gosto muito das composições, porém não gosto da forma como foi gravado e de sua sonoridade. A princípio ele seria produzido por Liminha. Fomos ao Rio para as gravações no Nas Nuvens, mas acabamos batendo de frente com ele e voltamos para São Paulo para terminar o disco aqui. Até por isso a produção do disco foi assinada por cinco nomes.

O clima no estúdio foi tenso por causa de todas essas mudanças de produtor e sonoridade. Entramos no estúdio com uma postura defensiva, pois não estávamos seguros.
Quando o material que gravamos no Rio chegou, ficamos assustados, pois haviam mexido na master, deixando alguns canais reduzidos, onde tinham dois instrumentos ou mais, e isso atrasou o processo de mixagem.


No Vivendo e Não Aprendendo acabamos gravando novamente “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”, mas isso foi uma coisa da gravadora. Essas músicas pra gente já eram de um passado distante, mas a gravadora disse que iria ajudar nas vendas e, pra não vermos essas músicas trabalhadas pela gravadora, então resolvemos gravá-las ao vivo, numa espécie de sabotagem, pois dificilmente a Warner lançaria uma música de trabalho ao vivo. A gente sempre dizia não para a gravadora: não gostávamos de fazer playback e de divulgação em qualquer lugar. Era sempre ‘não’, então para agradarmos de certa forma, acabamos por colocar no disco essas duas músicas.


Éramos uma banda de vanguarda, “Vitrine Viva” é um exemplo disso, o Ira! era uma espécie de líder da cena underground de São Paulo e, já no 1º disco, deixamos de lado as roupas escuras do punk rock para mergulharmos na sonoridade mod, sessentista e idealista. Nesse contexto “Gritos” e “Pobre” já não se encaixavam mais em nossa sonoridade.

Quanto a capa não queríamos fazer novamente uma foto de banda e foi aí que veio a idéia de se fazer desenhos, numa linguagem de Art Pop, que tem tudo a ver com o movimento Mod.
Vivendo e Não Aprendendo foi o passaporte de entrada do Ira! no mainstream.


Nasi, ex-vocalista do Ira!

Um comentário:

Renato Nunes disse...

Muito boa essa série sobre 1986. Putz, eu comecei a comprar discos nesse ano. Infelizmente fui burro e vendi todos os meus vinis (só depois da net é que recuperei minha safra 86).

Cabeça Dinossauro, Concreto, Vivendo e não Aprendendo, Dois, Pela Paz em Todo o Mundo, o do Capital, o primeiro do Engenheiros, o Viva, o Correndo o Risco e o Futuro é Vórtex foram a trilha sonora dos meus 13 anos.

Abs