28 de novembro de 2009

Estúdio 864

Outro dia subindo a avenida Pompéia em São Paulo, relembrei um estúdio que havia lá quando cheguei na cidade em 1987. Era o Estúdio 864 (ou Pompéia 864??), que ficava, claro, na av. Pompéia, 864.

Fui lá umas duas ou três vezes. Não conheço sua história, lembro de ver um dos sócios, mas também não sei sua história e nem lembro de sua fisionomia. Na verdade era um complexo de estúdios, acho que três ou quatro. Lá ensaiava a nata do rock brasileiro do período: Camisa de Vênus, Capital Inicial, Titãs e mais uma penca. Fora artistas de outros gêneros... conheci Chrystian (dupla com Ralf).

Era um casarão grande de dois ou três andares. Os estúdios, cada um ficava em um lugar e eram diferentes em tamanho, equipamento e capacidade técnica. Uns eram só para ensaiar outros tinham sala técnica, mesa de estúdio...

Era bem movimentado, todas as vezes que fui lá havia gente pra tudo quanto é lado. Artistas, equipe técnica, empresários, gente de gravadoras, amigos. Não sei quando ele foi aberto e quando e por que fechou. Nesse dia que conheci Chrystian, estávamos um grupo conversando numa varanda que ficava em frente ao estúdio onde o Titãs ensaiava quando de repente o Branco Mello saiu emputecido do estúdio, abrindo a porta na porrada, pisando firme e dizendo coisas que não lembro mais quais eram. Em seguida saiu mais alguém da banda também puto da vida. Pelo vidro dava pra ver o resto da banda quieta, com cara de quem não estava entendendo nada, um olhando pro outro sem maiores reações. Não lembro, mas acredito piamente que o ‘Jesus Não Tem Dentes...’ ainda não havia sido lançado. Podia ser até ensaio para o disco.
Uma outra vez fui para ver um ensaio do Capital, mas apenas lembro de ter tomado muitas cervejas com Loro. Era um lugar legal e todas essas bandas estavam no auge.

Passando por lá lembrei disso tudo. A casa não existe mais... hoje há um conjunto residencial lá, e agora fiquei curioso para saber de toda a história. Vou descobrir e depois conto ou se alguém souber ponha nos comentários, por favor.

2 comentários:

Carlos Eduardo disse...

Ola Paulo, ja esta em pre venda o livro sobre os Engenheiros do Hawaii, gosto dessa banda e gostaria de saber sua opinião sobre a banda e sobre as musicas e letras do Humberto Gessinger, sera que da pra considerar essa banda um dos pilares do Rock Brasileio, ou uma banda que vendeu bem mais sem influenciar ninguem, digo isso Paulo porque sempre ouço dizer que o Barão Vermelho é um desses pilares, sou fã deles tambem, mas não endento os criterios dos jornalistas para dizer isso. Em termos de vendas os EngHaw vendeu mais que o Barão, pelomenos na minha região sempre teve mais Show dos EngHaw do que do Brarão, moro no norte do Paraná, e nas radios sempre maisb EngHaw, olha Paulo não estou comparando as bandas somente dando um exemplo, então gostaria de algum comentario teu pois considero muito suas opiniões e me delicio com seus textos e historias, um abraço.

Paulo Marchetti disse...

Carlos, Engenheiros não é das minhas preferidas, porém gosto muito da sonoridade de três discos: A Revolta dos Dândis, Ouça o Que Eu Digo... e O Papa é Pop. Esse trio era muito bom. Licks é um baita guitarrista. Do 1º disco, só os hits mesmo.
Pelos 4 primeiros discos de estúdio digo que Engenheiros está sim entre as principais de sua geração.
A sonoridade é muito simples, sem rebuscamento, as linhas de baixo são muito boas e ele está em evidência, como costuma ser com as bandas do pós-punk.
Mas é claro que Barão, Titãs, Legião, Paralamas tem um pouco mais de importância sim, até por que hoje é fácil ouvir novos artistas citando muito mais essas bandas do que Engenheiros. E como a grande maioria dessa geração, seus melhores trabalhos estão até + ou - 1992-93.
Depois, quando ficou só Humberto, tudo desandou.