18 de maio de 2010

The Durutti Column

A primeira vez que ouvi The Durutti Column foi em 1985. Era diferente de tudo o que eu tinha ouvido até então. Era rock sem ser rock. Conheci a banda vendo um show que rolou no Japão (Domo Arigato). Fiquei impressionado com a habilidade de Vini Reilly. Ao mesmo tempo tocava guitarra e teclado. A história de Vini Reilly e Durutti Column se confundem.

Na lista de fãs de Reilly estão nomes como Brian Eno, Robert Fripp, Andy Summers e John Frusciante. Todos eles são unânimes em dizer que Vini é o melhor guitarrista do mundo. Eu não acho exagero.

Com Vini Reilly pela primeira vez ouvi falar em anorexia, mas nunca soube se era verdade ou lenda. Essa figura principal do Durutti Column já trabalhou em posto de gasolina e antes, ainda garoto adolescente, tentou a carreira de jogador de futebol, e era considerado um atacante de promessa – inclusive até hoje há familiares dele que não acreditam que Vini tenha trocado o futebol pela música.

Antes da guitarra, tocava piano. The Durutti Column foi idéia de dois amigos: Tony Wilson e Alan Erasmus, criadores da Factory Records, gravadora de suma importância para a cena de Manchester, que procuravam alguma boa banda para eles lançarem (assista 24 Hours Party People).

O primeiro registro foi na coletânea Fac 2 – A Factory Sample de 1978, o primeiro lançamento da Factory que além de DC tinha Joy Division, John Dowie e Cabaret Voltaire. Para baixar é só jogar no glooge. Ali a banda está mais para Joy Division do que qualquer outra coisa (volta e meia Joy Division abria pra Durutti Column e vice-versa).


Não à toa Vini Reilly achou tudo uma bosta e resolveu sair fora. Mas aí em 1980 ele foi resgatado para lançar um novo álbum da banda. The Return of The Durutti Column já é outra história, já tem a cara de Vini e a sonoridade que marca a banda até hoje. Às vezes tem sopro, violino, bateria eletrônica ou acústica ou as duas, é instrumental ou não, teclado com vários timbres. O DC apesar de ter uma sonoridade bem definida, sempre tem algo diferente.

Com o tempo, principalmente pós-1984, o Durutti Column foi se tornando cada vez mais banda de um homem só. O baterista Chris Joyce e o baixista Tony Bowers saíram em 1983 para formar o Simply Red (com quem gravaram os três primeiros álbuns).

Entre álbuns de estúdio e ao vivo, são mais de 20 lançamentos. É difícil apontar clássicos, mas o mais conhecido de todos é o LC, lançado em 1981. Além desse e do ‘Return...’, também gosto do Amigos em Portugal. Em janeiro de 2010 o DC lançou o álbum Paean to Wilson, uma homenagem ao amigo Tony Wilson, que morreu em 2009. É um ótimo álbum.

Tem muita gente que põe o Durutti Column na cena pós-punk, por estar ali em Manchester no meio de Joy Division, Cabaret Voltaire, Buzzcocks e todos aqueles nomes mais conhecidos, mas na verdade não há sonoridade pós-punk no DC, o que a banda faz é um som experimental, baseado nas guitarras de Vini Reilly. Alguns chamam de ambiant.

O conhecimento de música clássica deu a Vini a possibilidade de ele explorar a guitarra de formas diferentes, com outras afinações, timbres diferentes, efeitos malucos, além de explorar hamônicas, escalas, tônicas, pentatônicas, oitavas e tudo misturado com sonoridades eletrônicas fazendo papel de percussão e bateria. The Durutti Column faz uma música tranqüila, calma, boa para ser ouvida naquele momento em que você está querendo paz. Ah sim, também bastante inspiradora.


Trecho do vídeo Domo Arigato


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