25 de abril de 2009

Cazuza responde para Veja

Como disse no blog das Efemérides, foi no dia 26 de abril de 1989 que a revista Veja saiu nas bancas com Cazuza na capa e a manchete “Cazuza – Uma vítima da aids agoniza em praça pública”. Muita gente não gostou, incluindo o próprio artista que, para mostrar sua indignação, escreveu um texto com o título “Veja, a agonia de uma revista”. Reproduzo aqui este texto. Se quiser ler a reportagem de Veja vá para http://veja.abril.com.br/acervodigital/ e busque pela edição de 1989, 26/abril/1989, pág. 80.


"A leitura da edição da Veja, que traz meu retrato na capa produz em mim - e acredito que em todas as pessoas sensíveis e dotadas de um mínimo de espírito de solidariedade - um profundo sentimento de tristeza e revolta.
Tristeza por ver essa revista ceder à tentação de descer ao sensacionalismo, para me sentenciar à morte em troca da venda de alguns exemplares a mais. Se os repórteres e editores tinham de antemão determinado que estou em agonia, deviam, quando nada, ter tido a lealdade a e franqueza de o anunciar para mim mesmo, quando foram recebidos cordialmente em minha casa.Mesmo não sendo jornalista, entendo que a afirmação de que sou um agonizante devia estar fundamentada em declaração dos médicos que me assistem, únicos, segundo entendo, a conhecerem meu estado clínico e, portanto, em condições de se manifestarem a respeito. A VEJA não cumpriu esse dever e, com arrogância, assume o papel de juiz do meu destino. Esta é a razão de minha revolta.
Não estou em agonia, não estou morrendo. Posso morrer a qualquer momento, como qualquer pessoa viva. Afinal, quem sabe com certeza quanto vai durar?Mas estou vivíssimo na minha luta, no meu trabalho, no meu amor pelos meus entes queridos, na minha música - e certamente perante todos os que gostam de mim."


Cazuza

9 comentários:

Pedro disse...

Muito bom o post. Parabéns. (http://escrevendopedro.wordpress.com)

Paulo Marchetti disse...

Obrigado Pedro.
abs

Roberta disse...

Que coisa horrenda!!! Nunca havia visto essa foto antes e não achava que precisava ver. Estou arrasada!!!

Lucivaldo Silva disse...

Estupendo! A resposta, creio eu, não foi à altura do que a revista merecia; mas, conhecendo quem era Cazuza, a resposta dele saiu com uma polidez ímpar!

Samuel disse...

Parabéns pelo post. Na época, eu era assinante da Veja, publicação que respeitava muito, mas a partir desta edição com o Cazuza na capa, tomei a sábia decisão de não renovar a assinatura. “Sensacionalismo” ou mesmo “imprensa marrom” é pouco pra definir a postura arrogante da revista que até hoje, passados mais de 20 anos, ainda me incomoda com correspondência pra renovação da assinatura. Pra que vou desperdiçar dinheiro com revista sem credibilidade?

Anônimo disse...

O pior é que esse jornalista infeliz já morreu e morreu sem culpa todo cheio de orgulho. Ninguém sabe quem é o zé mané e ele falando que Cazuza cairia no esquecimento... um ridículo da elite, se achando ser humano. Morreu sem ser gente. Depois de ler essa reportagem, nunca mais acesso o site da Veja. Já achava esquisito o jornalismo deles. Eis a prova. A geração que nasceu na década de 90 tem que ler isso hoje.

Tarcísio disse...

Parabéns pelo post e por reproduzir a tocante resposta do Cazuza. Essa revista abriga, não é de hoje, uma horda fascista e envergonha o pobre jornalismo brasileiro.

júnior Araújo disse...

Vejam só a agonia de uma revista???? a veja ta viva até hj.. cazuza não...

Anônimo disse...

Em pouco tempo, você estará morto, e Cazuza não!!! Mas espero que antes disso, a Revista Veja conclua sua longa agonia e passe dessa pra melhor...

Chega a ser ridículo uma pessoa que debocha de outra assim:
- Hahahaha... morreu! Sifu... Hahahaha.

Quem sabe no seu enterro, se for alguém, esse alguém se lembre desse seu comentário e faça uma piadinha...