20 de junho de 2020

Jogando Lembranças nas Linhas 1 (Brasília 1970-80)

1979: Renato, eu e Marcelo.
No chão André (meu primo) e Igor.
Lembro-me de 1982, quando eu voltava do colégio em um dia normal. Descia do ônibus na L2 norte, na altura da 402/403 – eu morava na 203. Subindo pela comercial da 403 um cara com uma sacola me parou. Ele estava com uma nota de 100 cruzeiros, aquela que tem o desenho da Praça dos Três Poderes, e me mostrando o desenho me perguntou se eu sabia como ele poderia chegar até lá. Falei que estava perto e indiquei o ônibus.

Foi aí que o doido começou a alucinar. Me mostrou a cédula e disse que no ano 2000 tudo aquilo, apontando para o desenho da Praça dos Três Poderes, iria explodir e que cada tijolo que caísse no chão seria uma pessoa morta. Que o Brasil iria inundar e só sobraria o Plano Piloto, que se tornaria uma ilha!

Desde cedo sou imã de gente maluca!

Minha Brasília era uma Brasília ainda inocente e inacabada. Uma Brasília de pouca violência, de ar familiar. Fui embora da capital em 1987, antes mesmo da chegada do McDonald’s, mas já era uma cidade cheia de faróis/semáforos e com uma população maior do que a imaginada para a época.

1978: A minha frente o bloco D e atrás
o bloco A.
Em 1987, na W3, não funcionava mais aqueles avisos eletrônicos indicando a velocidade ideal para passar por todos os faróis abertos. Pra quem não conhece Brasília, as avenidas  W3 (Sul e Norte), são retas e planas com extensão de 12km com muitos cruzamentos. E foi na W3 Sul que assisti, em 1976, a passagem do carro de bombeiros com o corpo de Juscelino Kubitschek, eu estava no ombro de meu pai e comendo um picolé Chicabom.

Nos jornais de Brasília do início dos anos 70, não havia página policial, se algum fato ruim acontecia, saia uma notinha em algum canto. A violência era quase zero. Você parava o carro na comercial para ir à padaria e nem sequer tirava a chave da ignição. Até mesmo ir ao supermercado não necessitava trancar o carro e fechar os vidros – Brasília é muito quente e lá carro no sol vira forno industrial!

A 111 Sul foi palco da minha infância nos anos 1970, costumávamos fazer jogo de futebol entre Superquadras e eles eram tensos. Meu negócio era o gol ou a zaga. Sempre fui bom goleiro. Os rolés de camelinho (como chamamos as bicicletas) se dividiam entre o futebol de botão, o futebol, jogo de Bete (Taco), as brincadeiras de pique e outras tantas atividades na rua. Em fim de semana eu só colocava o pé em casa para comer e dormir. Aliás, as portas dos apartamentos e casas estavam sempre abertas, ninguém passava chave.

1979: Brincando na 111 Sul. Eu,
meus primos e Marcelo.
Inclusive as plumadas (como chamam as entradas para pegar os elevadores), ficavam abertas e não havia interfones. Só aos poucos começaram as ser trancadas com chave, assim o porteiro fazia o anúncio pelo interfone, saia da cabine e ia abrir a porta pra você. E houve um tempo que nem o interfone do porteiro tinha.

Aí depois evoluiu para os interfones instalados nas plumadas, que foram uma enorme fonte de diversão pra mim, pro Igor, pro Marcelo e Renato. Nós quatro tocávamos o terror na 11. Interfone era coisa do futuro, coisa de americano em filme de ficção. Todos aqueles botões pedindo para serem apertados! Fazíamos um circuito de blocos (como são chamados os prédios das superquadras) apertando todos os botões possíveis!

Era muita bicicleta. Eu tinha uma chamada Caloi 5 branca, mas sem marcha, com guidom reto e pneu largo. A bichinha me acompanhou dos anos 70 até meados dos anos 80.

Na 203 Norte, já no início da minha adolescência pra onde mudamos em 1982, a bicicleta também servia para ir visitar as namoradas à tarde, ir à ensaios dos grupos, ao clube (éramos sócios do Iate Clube) ou à casa dos amigos que moravam no Lago pra usar a piscina. Também algumas vezes para sair à noite. A 203 fica perto da rodoviária, na perda de caronas eu ia a pé até lá e pegava o busão pra onde fosse o ponto de partida da noite.

Food's por volta de 1980:
Lugar da infância e de muitos shows.
Outra forma de conseguir uma carona era ir a o Rádio Center para ver quem estava ensaiando e de lá era direto pro balaco (depois, com o Filhos de Mengele, isso ficou mais fácil). O ponto final, na alta madrugada ou já pela manhã era o Giraffa’s. Eram três escolhas: o do Lago Sul, da 211 Sul ou 106 Norte. Também havia a opção do café da manhã no Aeroporto, que rea o único lugar que tinha alguma coisa 24 horas.

Também acontecia bastante de voltar pra casa a pé, bem como se fala em “Música Urbana”, gravada pelo Capital. Teve um período entre os 12 e 14 anos que eu ia dormir na casa de amigos e íamos pra rua, ver shows, tentar entrar em festas (mesmo pirralhos). Eu tinha que, inclusive, ver se minhas irmãs não estavam, porque não podiam me ver. Mas de qualquer forma, sempre tinha alguém da Turma que falava que tinha me visto.

Voltava do balaco para a casa dos amigos caminhando de madrugada e procurando toco de cigarro no chão hahaha. Como disse a preocupação com violência era pouca.

Bom lembrar que até 1985 era a Brasília do Regime Militar!


Inclusive durante um período em 1984 Brasília ficou em Estado de Sítio. Não podia haver uma mesa de bar com 4 pessoas ou mais que seria prisão. Tinha blitz na cidade toda – e Brasília nem é grande. Acredite se quiser, até espetos de churrasco eram apreendidos! Em BsB era normal famílias irem para as quebradas, para as cachoeiras, chácaras pra fazer churrasco, nadar e passar o domingo, daí você saía do Plano Piloto, no início da estrada já havia uma blitz, e lá a PM apreendia o que bem quisesse.

1979: Subindo na cúpula do Congresso.
Hoje proibidíssimo!
Até pelo menos metade dos 80 era como cidade do interior: todo mundo conhecia todo mundo. Cada turma tinha seus lugares próprios, mas havia lugares em comum. Os hippies, os playboys e os punks. E também todo mundo estudava com todo mundo, nas mesmas escolas, nas mesmas salas.

Fui muito ao Cine Drive-In, lá assisti “Os Embalos de Sábado a Noite”, “Tubarão”, “Grease” e todos grandes blockbusters dos anos 70. Eu era criança, mas entrava em todos os filmes. Ia a família inteira, e assistíamos os filmes dentro do carro e comendo sanduiches e milk shake. Era divertido pra cacete!

Brasília proporcionou algo bem legal: é gente de todos os cantos do Brasil e do mundo. Eu comia tutu de feijão na casa de um, macarrão na casa de outro, carne de sol, carneiro, vatapá, lasanha, chimarrão, tudo. Nos fins de semana dos anos 1970, além do clube e dos churrascos na casa dos amigos nos Lagos Sul e Norte, era comum meu pai (agrônomo) se juntar com outros amigos do trabalho – as mulheres, os filhos, era uma só família – e todos irem de caravana para as quebradas, atrás das cachoeiras ao redor de Brasília. Eram verdadeiras descobertas, lugares praticamente virgens. Esses fins de semana eram intensos, deliciosos e longos, muito longos.

1980: Eu segurando a caixa com
meu time de botão.
Tem algumas coisas que me fazem, até hoje, sentir a angústia do fim do domingo que era anuncio da segunda-feira e da escola. Ruim. Os sinais do fim da diversão eram Os Trapalhões, o Fantástico e os Gols do Fantástico. Inclusive o Fantástico era outra coisa, muito melhor, dentro de sua proposta inicial que o próprio nome diz. Eram reportagens sobre discos voadores e ETs, tinha muita ciência, mistérios, lendas. O Hélio Costa sempre fechava o programa com algo surreal, que virava assunto no dia seguinte.

Domingo também era dia de Roller Center, pista de patins que ficava no Gilberto Salomão, ao lado do supermercado Casas da Banha. O Roller era em um pequeno prédio circular, então era duas pistas em círculo: uma interna e coberta que só podia andar quem já tinha experiência e a pista externa, que eram maior e ficava os pebas rsrs. Eu, de vez em quando, ia com meu skate e nem sempre deixavam eu usá-lo. Roller Center bombava nos domingos a tarde.

Não lembro bem dos canais TV dessa época, mas tinha ao menos Globo, Tupi e TV Nacional (a educadora local que retransmitia alguns programas da TV Cultura). A transmissão dessas emissoras terminava meia noite e só voltava 6 da manhã. Em fim de semana ia até no máximo às 2h.

Eu assistia a todos os desenhos do Hanna-Barbera; Ultraman, Ultraseven e Spectreman; A Feiticeira, Jennie é um Gênio, Batman, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo, Jonny Quest, Thunderbirds.

1982: Minha irmã Fernanda  e eu
pós Copa do Mundo já na 203 Norte.
O futebol transmitido era do sinal carioca, acredito que até hoje, então havia muito mais torcedores de times cariocas do que de outras cidades e estados. Minha família é Palmeirense, mas só via o Palmeiras durante os Gols do Fantástico ou quando jogava com algum time carioca. Então adotei o Flamengo. Meu time de botão era o Palmeiras, mas tinha jogador de todos os times. Como não torcer por Falcão e Batista, Reinaldo e Éder, Casagrande e Sócrates, Zenon e Careca no Guarani, Carlos e Oscar na Ponte Preta; Roberto Dinamite e todos os goleiros! O grande ídolo era Leão, mas gostava muito do João Leite do Atlético Mineiro e também do Raul que jogou no Cruzeiro e Flamengo. Também era muito fã do Cantareli do Flamengo.

Nos anos 80 tinha Sala Especial. Tinham os filmes frustrantes em que as garotas só apareciam de calcinha e sutiã, mas tinham outros que surpreendiam com nudez frontal, mesmo que por poucos segundos!

Tinha um fator preocupante para o fim de semana: os postos de gasolina fechavam às 20h, e se minha memória não me trair, teve período que chegou a ficar fechado o fim de semana todo! Por isso que há histórias engraçadas de roubar gasolina de outros carros no meio da balada.

Brasília não tinha nada pra fazer, nenhum lugar pra ir depois das 22h/23h, mas não deixávamos de nos divertir e chegar em casa com o sol nascendo.

1985: 1ª sessão de fotos do Filhos de Mengele
Como disse, o início da minha adolescência foi marcado pelas fugas que fazia de minhas próprias irmãs que não me deixavam sair com o pessoal da Turma da Colina. Na mobilização das Diretas Já em frente ao Congresso, no dia da votação da emenda Dante de Oliveira, lá estava eu escondido – como poderia deixar de ir!

Também me lembro de um dia ter saído do trabalho, isso já em 1986 – quando eu era office boy em uma agência de comunicação e eventos que ficava no Edifício Venâncio 2000 – que fui embora a pé por causa da baderna que a população fazia na rodoviária por causa de um protesto contra o Sarney e seus planos furados. Foi um quebra-quebra generalizado. Vitrines de lojas sendo destruídas, carro de polícia para todos os lados, carros e ônibus pegando fogo, gente com pau e pedra na mão, polícia jogando gás. O bicho pegando e Sarney em uma missa na Catedral.

Parei na parte de cima da Rodoviária de frente para o Congresso, um corre-corre, lá embaixo uma zona e, de repente, a polícia joga fumaça no chão (não me lembro se era gás), e foi a hora que saí correndo pra casa sem mais pausas. Morava perto. Já dentro do apê, da sacada, cheguei até tirar fotos da fumaça subindo perto da rodoviária, mas perdi essas fotos...

1987: Aos 17 já com o pé em SP.
Camiseta comprada no show do Palace.
Uma das tantas coisas que fazíamos nessa Brasília que não tinha o que fazer, era ficar andando de carro sem rumo, fumando um e escutando as fitas em que gravávamos discos importados inteiros e montávamos coletâneas.

Teve o dia do jogo do Brasil contra a França na Copa de 1986 que não assisti. Essa Copa foi horrível, como a de 90. Era julho, meu primo e uma amiga de minha irmã Mila estavam em Brasília e fomos dar um rolé pela cidade. Lembro-me da gente em cima da cúpula do Congresso olhando em direção à Torre de TV, tudo vazio, nada de carros, silêncio...

Eu poderia ficar aqui muito mais lembrando tantas aventuras, porque histórias não faltam. Era muito gostosa a Brasília vazia dos anos 1970 e bastante intensa a dos anos 1980.

Pode parecer estranho, mas numa cidade que não tinha nada pra fazer, o difícil era ficar sem ter o que fazer.

Continuarei jogando lembranças nas linhas...

PS: Não poderia deixar de registrar a Fófi, a Bibabô,a Tube e o Cacareco.








18 de abril de 2020

Resposta a Um Amigo*

No dia 18/4 não aguentei e publiquei uma provocação. Tinha me prometido que nunca mais iria fazer isso, mas é que na atual conjuntura, impossível ficar isento de comentar.

Vergonha alheia total essa mania de postar uma falsa máscara aplicada virtualmente com os dizeres “fora Bolsonaro”. Mas põe vergonha alheia nisso! Sinceramente foi o protesto mais ridículo que vi nesses recentes tempos políticos no Brasil. E foi isso que disse em minha postagem.

Em menos de 40 minutos já tinham 30 comentários.

A maioria ou sendo agressivo ou tentado justificar esse ato que além de ser completamente inócuo, é infantil e ridículo. Você em casa baixa um aplicativo que põe uma máscara na sua cara e você escreve “fora Bolsonaro”. Faça-me o favor! É pra dar risada, no mínimo!

Entre as pessoas que comentaram, havia um amigo que me perguntou ao menos 3 vezes se eu apoiava o Governo Bolsonaro. Por razões que digo na resposta, apenas respondia algo rápido. Pela postura e pelo tom autoritário dele, achei melhor enviar uma mensagem inbox.

Segue minha resposta:

Amigo, não apoio a figura do Bolsonaro. Mas a questão é que quando as pessoas batiam panela pra Dilma, todo mundo ridicularizava, inclusive eu em várias postagens, e boa parte das pessoas que me agrediram com minha postagem hoje estava lá curtindo o que eu falava das panelas da Dilma. Mas agora, como são elas quem estão batendo panela e fazendo protestos ridículos, então não posso criticar. Isso é um tanto estranho, não!?!

Não sei qual sua intenção de me colocar na parede perguntando se apoio ou não o Governo. Achei estranha sua postura.

Sou de Brasília, sei bem como as coisas lá funcionam. Inclusive meu pai decidiu voltar pra SP - ele era agrônomo na EMBRAPA - porque a corrupção literalmente bateu na porta de sua sala do tipo "ou dá ou desce". Ele não pensou duas vezes e desceu.

O que o ministério da infraestrutura, da Agronomia, da econômica e da justiça estão fazendo agora é de se louvar! Inclusive o da Infraestrutura.

O que não apoio é um Governo corrupto e mentiroso como o do PT, e não chamo meus amigos que gostam do PT ou Lula ou Haddad de ladrões e condizentes com o roubo praticado por eles.

Não te respondi ali porque o buraco é mais embaixo, do que simplesmente falar "apoio ou não apoio".

Participei de protestos em Brasília nos tempos militares, ações que sequer eram retratadas em jornais. Eu estava lá no Congresso no dia da votação da emenda Dante de Oliveira.

Votei no Bolsonaro por ser a favor da democracia e contra ditadura partidária, principalmente ela sendo encabeçada por um partido que se tornou quadrilha.

Em Brasília acontecem muitas coisas que passam longe da imprensa, que sabe o que acontece mas “não pode” relatar.

Eu ter votado em Bolsonaro não me quer dizer todo esse clichê que a esquerda costuma dizer: fascista etc. Apenas quer dizer que não queria mais a velha política, a mesma que me fez ir embora de BsB, coisa que jamais queria.

Eu ter votado no Bolsonaro não me torna inimigo de ninguém, não da minha parte.

Esquerda ou direita, isso não existe. Sou um punk velho, portanto não torço por ditadura nenhuma, torço por liberdade, por democracia, pelo fim das bandeiras, muros e fronteiras.

Não me incomoda em nada o fato de amigos levantarem bandeiras ideológicas ou de votarem em quem nos rouba. Liberdade é fundamental.

Nada é maior do que a relação humana.

E, pra mim, levantar bandeiras, idolatrar políticos ou partidos é sinal de desconhecimento.

Veja a situação atual, por exemplo: Dória aliado ao Lula. Então posso dizer que você é um admirador do Dória? Claro que não!

Política é uma merda e azar de quem compra esse ou aquele lado.

Tô tão fudido agora, quanto estava nos Governos petistas. Se eu posso tentar um novo caminho com meu voto, por que não tentar?

Não idolatro político nenhum, jamais.

Achei estranha a forma como insistiu em sua pergunta, e como se vê, a resposta não poderia ser apenas um ‘sim’ ou ‘não’.

Se quiser conversar mais sobre isso estou à disposição.

No mais torço para que respeite a forma como voto e penso, assim como já disse que respeito como os outros pensam e votam.

Pra mim, colocar uma máscara falsa na cara dizendo "fora Bolsonaro" é tão ridículo, ou mais, do que ficar batendo panela, seja pra quem for...
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Já escrevi bastante aqui sobre tudo que disse nessa resposta resumida. É engraçado essa cobrança que algumas pessoas fazem pra quem votou no Bolsonaro. Há sempre um tom de arrogância, de superioridade, as quais são bem ridículas.

Bolsonaro pode ter seus defeitos, e são muitos, porém nem ele e nem o Governo que montou têm a história suja que o PT e seus aliados têm.  

É ao mesmo tempo engraçado e triste ver pessoas que admiram gente que rouba e mente te cobrar algo. Como pode o PT e a Esquerda que são a favor de uma máquina estatal elitista e que só pensa em poder, além de serem aliados de nomes podres como Sarney, Collor, Maluf, Renan Calheiros, Sérgio Cabral e tantos outros tão podres quanto esses, cobrar algo de alguém que votou em Bolsonaro? Da mesma forma pergunto: como alguém que vota e veste a camisa de gente tão maldosa e ruim pode cobrar algo de alguém que votou no Bolsonaro?

* Se é que ele ainda me considera amigo.

4 de abril de 2020

Coronavírus COVID-19 Comprova: É Necessário Estado Mínimo Já!

O que se espera dessa pandemia é que o Planeta Terra evolua, que as autoridades de todos os países evoluam e que as pessoas evoluam. É o mínimo, porém custo acreditar que depois de tudo isso passar haverá uma mudança de comportamento no mundo. Pode até acontecer em um primeiro momento, mas com a distância do tempo, todo mundo irá relaxar e voltaremos a ser maus como sempre fomos. O ser humano pende para o mau, e a nossa grande missão é combatê-lo, mas como somos um bando de preguiçosos e materialistas, preferimos alimentar o mau porque é mais fácil e cômodo.

Um exemplo é ver autoridades querendo fechar os olhos em relação a culpa do Governo chinês. Tem gente que acha incrível e extravagante a gastronomia da China que se alimenta de insetos e bichos estranhos como o morcego, mas se o Governo não fosse ditador e fechado, provavelmente a população chinesa teria alimento suficiente pra não precisar comer essas coisas estranhas. Custo a acreditar que comem porque sempre gostaram dessas coisas bizarras, não acredito que seja uma tradição, a não ser que seja uma tradição imposta pela necessidade, aí sim concordo! E provavelmente foi....

A China já matou milhões e continua matando, aprisionando e maltratando sua população. Isso é sabido por todos, mas o que o mundo faz? Nada! E isso precisa mudar.

A China é uma empresa riquíssima e absurdamente lucrativa. Deve ser a empresa mais rica do mundo, disparada! Até mais que qualquer outra empresa/país. O Governo chinês usa e abusa da população que é praticamente escrava de suas resoluções. Se não gostar vai pra prisão... pra dizer o mais leve.

Imagine então se o Governo trata bem seus funcionários, paga bons salários, benefícios mínimos... Claro que não! Quanto trabalho análogo à escravidão existe na China? Deve ser algo comum...

O Governo chinês produz muito, importa muito e fica com praticamente toda a grana que chega. Ou você acha que os empresários chineses não são controlados?

Essa história de empresários chineses bonzinhos eu não engulo. Até que me provem o contrário, são tão vilões quanto qualquer Governo ditador comunista.

China podre de rica deveria pagar pelo prejuízo causado no mundo todo! E países ainda têm coragem de comprar insumos hospitalares desse país vilão. E ninguém sabe como esses insumos são produzidos. Alias, compra-se tudo da China sem saber como são e como funcionam as linhas de produção chinesas. Ou você vai acreditar em todos esses vídeos e reportagens feitas pelo próprio Governo chinês?

Mas esse não é o assunto desse texto.

O COVID-19 mostra ao Brasil o quanto é necessário termos um Estado Mínimo, pois se o tivéssemos desde sempre, ele agora não precisaria quebrar a cabeça pra conseguir o dinheiro necessário para se preparar para tudo o que está acontecendo no país por conta do novo coronavírus.

E quero lembrar aqui, mesmo que em um parágrafo solto, que a burocracia é sócia da corrupção. Andam de mãos dadas. E o Brasil é uma burocracia em forma de país.

Estado mínimo é ter dinheiro para o que realmente é necessário: Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura.

Hoje vemos claramente o quanto os políticos, seja na esfera Federal, Estadual e Municipal, usam de forma errada o dinheiro público. Sempre soubemos disso, mas é que agora conseguimos ver esse movimento na nossa frente.

Bilhões de reais destinados a nada: pra pagar salários superfaturados e irreais até para países de 1º mundo, pra pagar benefícios luxuosos, pra custear regalias e até pra ser usado como moeda de compra de pessoas e segredos.

O dinheiro do fundão partidário serve pra tudo, menos pra beneficiar a população. É gasto até com casarões em Brasília que servem pra reuniões secretas, festas regadas a prostitutas e drogas ilícitas, jantares luxuosos....

O Congresso Nacional custa R$17 bilhões por ano; STF custa por volta de R$650 milhões. São apenas dois exemplos, e te pergunto: você acha que é preciso todo esse gasto? É claro que não! Certamente mais de R$10 bilhões do total são gastos inúteis.

Fora esse gasto dentro do próprio Governo, há os gastos bilionários inúteis com tantas estatais completamente inúteis.

Diminuir o salário do funcionalismo público, as gratificações, os benefícios, os extras, as aposentadorias absurdas, os ganhos que filhos e filhas de sei lá o quê que ganham fortunas sem fazer nada; todos os ‘vales’ absurdos, dinheiro pra quem foi torturado (mas que trabalha, tem saúde e é bem de vida).... essa grana toda deveria estar no cofre do Governo. É grana dada pra gente mau caráter, que sabe que está mamando na teta do Estado e fica quieta. Gente bandida mesmo, que vai queimar no fogo do inferno.

Esses salários astronômicos com todos os “penduricalhos” já são irreais para nossa realidade normal, e hoje com o COVID-19 isso ficou pior,  em pior. Deveria ser motivo de vergonha para os mamadores...

Imagine se pudéssemos juntar todo esse desperdício de dinheiro com a grana de toda corrupção causada pelos Governos petistas!!! Jamais deveríamos ter feito Copa do Mundo e Olimpíadas. Quanto dinheiro foi gasto desde a compra de votos até a construção dos estádios “elefantes brancos”? Quanto teríamos no cofre caso esses eventos não tivessem sido feitos?

Mas pra Lula que é ladrão, mentiroso e corrupto, pensar em hospital é retrocesso.

O Estado não deve ter mil empresas, muito menos um “Manual da Burocracia”. O Estado deveria ser simples e objetivo, deveria ter um cofre recheado com trilhões de reais, e isso não é uma viagem da minha cabeça, é só uma conta feita por alto.

O Estado brasileiro é um gigante gordo e sedentário com cara de labirinto.

Nesse momento de pânico a iniciativa privada não tem o que fazer e ela não têm culpa, pelo contrário! Hoje se vê o quanto ela é importante para a população, até porque é ela que alimenta, lembrando, o gordo e sedentário Estado brasileiro.

O protagonismo das soluções dos problemas causados pelo COVID-19 é 100% do Estado. A iniciativa privada já faz sua parte sendo valente o suficiente pra querer existir mesmo com tanta burocracia e tanto imposto. Se o Estado não tivesse tanto gasto inútil de dinheiro, poderia ajudar a população, os empresários, microempresários e autônomos, e ainda sobrar.

Vou dar um ótimo exemplo que foi dado pelo excelente Ministro Tarcísio Freitas: privatizar as principais rodovias dá um bom dinheiro, e livra o Estado de gastos com manutenção. Assim, sobrando dinheiro em caixa, o Ministério da Infraestrutura tem dinheiro suficiente para aí sim fazer estradas aonde a iniciativa privada não vai.

Sem gastar bilhões com X empresas públicas que poderiam muito bem ser geridas pela iniciativa privada, é ter dinheiro para investir nas regiões mais carentes, porque todos sabem que há estados completamente esquecidos nas regiões Norte e Nordeste, principalmente. Esses são geralmente lugares em que bandidos usam a política pra se beneficiar do poder e do dinheiro público.

Sem precisar dar dinheiro pra esses canalhas que falam que vão investir em educação e infraestrutura, mas que põe o dinheiro no bolso, o controle do dinheiro dado aos Estados seria melhor, mais objetivo e mais claro pra todos.

Com o Estado pequeno todo mundo se beneficia: a população, a iniciativa privada e o próprio Estado.

O PT mostrou na prática que um Estado inchado é nada mais que uma grande máquina de burocracia, desvio de dinheiro e corrupção. Esse Estado grandão que corruptos e toda a Esquerda amam, é a Casa da Moeda Política. A história já nos tinha mostrado isso em tantos outros exemplos, inclusive com a queda do comunismo no início dos anos 90. Mas como existe gente que gosta de mamar no Estado, então há quem persista em uma ideia já morta há décadas.

Não à toa à esquerda odeia que fale em Estado Mínimo. Porque ela finge que ele é ruim para os pobres, mas a história mostra o contrário: com o Estado gigante o Governo controla tudo, os ricos e principalmente os pobres. Inclusive a manobra feita pelos partidos, incluindo TODOS os de esquerda, para não perderem o Fundo Partidário em favor da Saúde Pública, corrobora com tudo o que escrevo aqui. 

Deu pra entender que sem precisar gastar com empresas inoperantes, funcionários em excesso, manutenção, salários e benefícios nababescos etc... sobrará dinheiro para pagar melhor policiais, médicos, professores...? Que sobrará dinheiro pra investir em escolas, hospitais, segurança, estradas, ferrovias, etc?

Estado Mínimo não quer dizer Estado sem dinheiro, muito pelo contrário!

Se você é a favor de um Estado inchado, grandão, gordo, sedentário e cheio de estatais inúteis, então certamente você é a favor da desigualdade social, de privilégios, da política suja, da corrupção e de desvio de dinheiro público.