Amo Piracicaba. Amo Brasília. Em minha cidade natal morei nesse início dos 1970 e também em 1985. Essa segunda ida para Pira eu estava na expectativa, apesar de estar muito ligado a Brasília, foi quando comecei a ter minhas namoradas, foi formado o Filhos de Mengele. Sabia que era apenas um ano, e queria ver como era a cidade onde nasci. Foi um ano intenso, muitas aventuras e descobertas aos 15 anos. Conheci muita gente e, como em Brasília, convivia com pessoas com 5, 8, 10 anos a mais que eu. Adorei morar em Piracicaba e aproveitei-a ao máximo. Pra mim, que adoro caminhar, andar por Brasília e Piracicaba sempre foi especial.
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Aqui em São Paulo as pessoas, quando me conhecem, logo perguntam se eu sou do Rio de Janeiro, porque para o paulistano basta forçar o ‘R’ para ser carioca. Quando vou para Brasília os amigos tiram sarro do meu sotaque paulistano, por conta das gírias. Até hoje não sou muito chegado à pizza. Como, mas não me atrai. Em Brasília não havia o costume de comer pizza como em SP, pelo menos não enquanto morei lá, quando tinha apenas uma pizzaria, a Cazebre 13 (era isso??? Não lembro direito...).
Minha formação toda foi em Brasília, minha infância inteira nos 1970 e 90% de minha adolescência. A capital é terra ianque, então cresci com baiano, pernambucano, mineiro, gaúcho, mato-grossense, paraibano, cearense, paulista, carioca, inglês, alemão, nigeriano, africano, americano, francês.
Um dia eu ia a um almoço que tinha pato na maniçoba, outro dia em um churrasco, no final de semana comia um tutu, depois um vatapá, chimarrão com pão de queijo...

Da mesma forma como tenho orgulho de ser canhoto, também tenho orgulho de ser caipira. Me considero duas vezes caipira. Há pouco mais de dois anos me separei, e a primeira coisa que pensei foi em ir embora de SP. Fiz contato com Pira e com BsB. Desde que me mudei pra cá, nunca descartei a hipótese de sair daqui. Faço o máximo possível para que minha vida aqui em SP seja pacata. Moro na Pompéia, um bairro muito mais residencial do que comercial (coisa cada vez mais rara em SP). Apesar de ser um morro, adoro caminhar por aqui. Moro ao lado do Palmeiras, clube que sou sócio e torcedor. Em Brasília há a tradição de ir ao clube, e aqui em SP não perdi esse costume. Nado toda semana, vou e volto a pé. Aliás, como já disse aqui no blog, vendi meu carro em 2001, porque já naquela época não aguentava o trânsito.

Até hoje dá saudades de Brasília, mesmo sabendo que a cidade não é mais a mesma. Tenho saudades das caminhadas, de pegar o Grande Circular, o L2 Norte / W3 Sul, de ir à casa dos amigos filar uma piscina, de sair pra night de camelinho, de sentar no Beirute pra reclamar da cidade, comprar pão na Delícia, comer um sanduíche no Good’s, o Food’s e o Giraffa’s (que não era a porcaria que é hoje), passar embaixo de um bloco qualquer durante uma caminhada.
Mas isso não é nostalgia, saudosismo ou coisa assim. Apenas lembranças que veem quando penso a respeito de minhas raízes. Esses tempos não voltam, e o bom é isso.
Me sinto mais brasiliense por causa dessa experiência rica que Brasília proporciona de poder conhecer várias culturas em um único lugar. Eu sou assim, formado com um pouco de cada cultura que conheci, mas com essa coisa bucólica do interior no sangue. E melhor, por onde passei, estive nos lugares certos e nos momentos certos.
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