23 de janeiro de 2010

Metallica no Ibirapuera em 1989

Aí vem o Metallica, e para dar as boas vindas republicarei o texto que fiz sobre o 1º show da banda aqui em SP, inclusive arrumando o número de pessoas que estavam lá. No 1º post eu disse 2 mil, mas como Will disse em seu comentário, foram 12 mil (se tirarmos os bangers bêbados caídos nos cantos do ginásio, esse número baixa para 8 mil... jee). De resto, o que escrevi é fato:

Em 1986 os headbangers de Brasília não paravam de escutar Master of Puppets. Nesta época havia uma brincadeira em saber quem tocava mais rápido: Metallica ou Dead Kennedys. Não que eu não respeitasse o Metallica, mas minhas urgências naquela época eram outras.

Fui prestar mais atenção à banda quando cheguei em SP, aí passei a escutar, principalmente, ‘Ride the Lighting’ e ‘Master of Puppets’. Na MTV cheguei a fazer um programa especial do Metallica, de uma série que chamava Arquivo MTV e o Jornal da Tarde deu 4 estrelas para ele. Terminei o programa com um maravilhoso solo ao vivo de Cliff Burton, como homenagem.


Eis que, já em SP, estava eu junto com milhões de bangers aguardando ansiosamente pelo novo disco da banda. O Comando Metal, programa da rádio 89FM, que era transmitido todo domingo à noite, prometia tocar o disco inteiro em primeira mão. Lembro que ficamos quase duas semanas roendo as unhas, chegava o próximo domingo e a produção do programa ainda não havia conseguido o disco. Eis que finalmente rolou o esperado. Me lembro do apresentador dizendo algo do tipo: “Agora chegou à hora. And Justice For All, novo disco do Metallica. Pau!”. E o disco rolou do começo ao fim. Bangers de toda São Paulo gravaram o programa. Nessa época ainda era difícil adquirir discos importados por aqui. Era o primeiro disco pós Cliff Bourton e pós ‘Master of Puppets’. É até difícil descrever em palavras esse momento.

Para a surpresa de todos foi anunciado o show do Metallica no ginásio do Ibirapuera – outro show até então impensável de assistir. Logo que iniciou a venda de ingressos, compramos o nosso. Nessa balada fui com mais dois amigos. Um deles encheu a cara e passou mal durante o show inteiro. Até hoje se arrepende rsrs. Estava lá e não assistiu. Álcool é uma bosta.

A banda já tinha feito sua turnê mundial e não tocaria mais. Era praticamente o início das férias do Metallica, mas mesmo assim a banda aceitou vir ao Brasil para esse show histórico.

Metallica veio com estrutura mínima. Mínima mesmo! Só trouxeram, os instrumentos de corda e alguma coisa de cenário. Nessa época a guitarra de Hetfield ainda tinha o adesivo ‘Kill Bon Jovi’.

O show foi pra poucos. Não houve qualquer tipo de incidente digno de anotações. Havia, claro, a preocupação de punks e skinheads estragarem a festa, mas não rolou nada disso e os bangers que lá estavam não queriam saber de qualquer tipo de confusão, afinal, era o Metallica, ainda num ótimo momento da carreira. Ninguém ali imaginava que a banda voltaria um dia ao país, então todos assistiram ao show como se fosse a primeira e última oportunidade de ver o Metallica ao vivo.

O show foi lindo, tocaram todos os clássicos possíveis. Tocaram tudo mesmo! A bateria de Lars era alugada, a mesma que Ritchie Ramone tocou na 1ª passagem do Ramones aqui em 1987 e outras tantas bandas gringas também a usaram (era preta com desenhos de fogo). Inclusive não houve problemas no som. Estava tudo ótimo, o clima era o mais favorável possível.

Por estarem em clima de férias, o clima no palco também era totalmente descontraído, certamente foi um dos melhores shows daquela turnê. Tanto é que no bis – tiveram varias entradas – a última delas, o Metallica tocou alguns covers, mas o mais legal é que eles trocaram de posições: Hetfield foi para bateria, Lars ficou no vocal (imitando Bruce Dickinson) e Kirk chegou a tocar baixo. Não lembro dos covers, mas entre eles tinha Iron Maiden e Misfits. Nesse momento fiquei torcendo para a banda tocar “The Wait” do Killing Joke, mas não rolou.

Essa impressão de que o show foi maravilhoso não foi só do público, pois depois de tocar tudo o que podia tocar, os quatro ainda ficaram no palco sem tocar. Eles não queriam sair!!! Ficaram lá cumprimentando o público, bebendo, sentavam no praticável da bateria, conversavam entre si, levantavam, andavam de um lado ao outro. Eles realmente demoraram a ir embora. Foi sublime! Foi o último momento daquele Metallica underground, que apenas fazia um relativo sucesso mundial, apenas entre os headbangers.

Depois, pra mim, a banda desandou. Ficou ruim. O ‘Black Album’ foi uma decepção. Com o St. Anger, a banda voltou a fazer algo bom e neste exato momento que reescrevo este texto ouço o ótimo ‘Death Magnetic’.

As outras passagens do Metallica por aqui não foram tão boas. Não fui a nenhuma delas, mas amigos que foram ao Ibirapuera e nas outras apresentações me disseram que não perdi absolutamente nada. Nessa passagem de agora tenho a sensação de que será a melhor depois do Ibirapuera/89. Mas mesmo assim continuo não querendo ter outra imagem daquela que tenho do show no ginásio. Aquele sim fez história.





Um comentário:

airlon disse...

e eu ainda sou mais o GUNS, mesmo sem o mito Slash... saudações musicais!

APS