19 de abril de 2012

Foo Fighters x Oasis

Tenho alguns amigos que volta e meia discutimos sobre Oasis e Foo Fighters. Mas é dessas discussões saudáveis, de bêbados. Que não chega a lugar algum. Porém afirmarei até o fim da vida que Oasis não chega nem aos pés de Foo Fighters.

Oasis dos irmãos Gallagher. Liam e Noel vivem em uma bolha onde só há Beatles e a própria banda (e agora suas carreiras individuais).

Não é, nem de longe, uma banda de personalidade e sonoridade próprias. Além do mais, o mau humor e a pose de descaso, principalmente de Liam, é algo que beira o ridículo. É só lembrar-se dele cantando sentado no Rock in Rio.

Partiram para a carreira solo e continuam fazendo a mesma coisa. Não gostam de nada e não gostam de ninguém. As músicas, os discos, os clipes, tudo se refere a Beatles. É muita pose para pouco som.

Tem outra coisa. A sonoridade do Oasis não é só parecida com a de Beatles, mas também é ultra mega chupinhada de Inspiral Carpets, Charlatans UK e Stone Roses. Quando não parece um, parece outro.

Aí vem pedrada me dizendo que Dave Grohl não tá com nada, que é um americanóide, e que faz pose. Dificilmente os Gallagher seriam meus amigos, ao contrário de Dave, que como eu, é um roqueiro convicto, amante do bom rock: Black Sabbath, Motorhead, Ramones, Beatles, Who, Pixies, Husker Du, Led Zeppelin, Germs, Clash, Sex Pistols...

Dave é um cara que sabe aproveitar as oportunidades, tanto é que já tocou com vários de seus ídolos. Conhece muito bem cultura pop, o universo rock, e um bom exemplo recente desse seu bom gosto está na participação que ele fez no novo filme Muppets, fazendo papel de substituto do baterista Animal. Sempre foi fã de Germs, e se sente honrado em tocar com Pat Smear.

Só que o mais legal é ver que o Foo Fighters se diverte, o que é fundamental para quem quer fazer rock’n’roll. Lembro de uma entrevista gringa em que o repórter quis saber o motivo da banda se vestir de mulher nos clipes, “se é pra fazer clipe, que é uma coisa chata de fazer, ao menos vamos nos divertir”, essa foi a resposta. É isso.

Um dos primeiros shows do Foo Fighters aconteceu na loja da Virgin nos EUA, lançando o primeiro disco. Foi divertidíssimo. Dave chamou uma fã para cantar uma música, foi um show intimista que já mostrou o que seria o FF. Você vê a banda ao vivo e tem a certeza de que todos que estão no palco, estão se divertindo tanto quanto você. Bem ao contrário de um show do Oasis, que também jamais faria um clipe como "Big Me" ou "Everlong".

É isso: enquanto os irmãos Gallagher, principalmente Liam, fazem pose de quem está odiando tudo em sua volta; o Foo Fighters aproveita cada segundo se divertindo pacas.

Gosto é gosto. Considero Dave Grohl mais verdadeiro e Foo Fighters mais divertido, mais rock e mais pesado que Liam, Noel e Oasis. E tem quem goste muito das duas.

Outra parte desse contexto está também no texto Ídolos de Barro e Ídolos de Aço, que completa bem o que quero dizer aqui.

7 de abril de 2012

A Morte do Futebol!

Há anos não escrevo aqui sobre futebol, então me sinto a vontade até para me repetir (não reli os textos antigos). A última vez que fui ver uma partida de futebol no estádio, foi na (mais do que) fracassada Copa João Havelange, a qual – digamos a verdade, foi ganha pelo São Caetano. Quando foi isso? 1999? Então já são 13 anos que não dou um tostão do meu suado dinheiro para os cartolas da bola.

Sou palmeirense, tenho muitos amigos no jornalismo esportivo, inclusive apresentadores, colunistas e participantes desses programas de debate futebolístico nas TVs aberta e a cabo, e faço questão de não dar um centavo para qualquer time ou seleção. Não uso camisa do time e não consumo os produtos anunciados nas transmissões, principalmente esses que tem acordos eternos com a CBF (como diz Juca Kfouri, Casa Bandida do Futebol).

A Copa no Brasil é uma clara ação para apenas uma dúzia de corruptos milionários ficarem mais milionários (haja caixão pra tanto dinheiro!). Os times estão falidos, vivem de aparência. Eu, pobre coitado trabalhador, se entro no SPC por 10 reais, passo a ser visto como bandido. Me pergunto como um time com dívidas que somam centenas de milhões de reais, pode continuar a exercer as atividades, e pior, conseguem empréstimos de milhões para contratar até mesmo jogadores de qualidade duvidosa.

O futebol me perdeu e, assim como eu, muitos amigos e amigos dos amigos também deixaram de ir aos estádios. Pra quê? Se para comprar ingresso você sofre, para ir ao estádio sofre, entrar no estádio sofre, para consumir alimento durante o jogo sofre e para ir embora sofre. Dá pra entender? Eu vejo estádio cheio pela televisão e minha cabeça entra em parafuso. Até entendo quando o jogo acontece no interior, mas nas capitais não entendo mesmo. Aliás, me parece que nem mais o interior está engolindo os fracos confrontos, já que nessas últimas rodadas do Paulista os estádios estão vazios, com menos de 10 mil pagantes.

Você vai a um jogo de futebol sem saber se vai voltar vivo para casa. Torcedores morrem e brigam no meio da rua e as pessoas vão ao estádio! Lembro de um amigo, que trabalhou anos na Record como repórter, me relatando o que aconteceu naquele jogo do Pacaembu em que o Corinthians foi eliminado da Libertadores. Em determinado momento, ele pai e eu também, estávamos os dois chorando, por conta do sofrimento das crianças assustadas. Era jogo de uma torcida só, momento perfeito para levar família no estádio, certo? Nada disso.

Os clubes dão respaldo para as torcidas organizadas, tendo uma relação próxima, favorecendo-as em relação a ingressos, logística, transporte. Essas mesmas torcidas que xingam e ameaçam jogadores, técnicos e cartolas. Marcam briga, não respeitam lugar marcado e até matam pessoas! Agora pergunto: o que os clubes fazem por torcedores como eu, trabalhador normal, que ama futebol, que não quer brigar, que gostaria de levar a família para o estádio (é um momento lindo, não é?), que simplesmente quer participar mais ativamente, mas sem fazer dessa participação uma batalha?

Os responsáveis pelo futebol só querem cifras, acordos com patrocinadores (que se fingem de mortos), e esquecem o que realmente importa. A CBF não cuida dos estádios, não cuida do calendário, não cuida de nada além da seleção, e como o exemplo vem de cima, as federações estaduais são tão podres quanto a Confederação.

Sou sócio do Palmeiras, frequento o clube social, nado toda semana, e se engana quem pensa que nele sócios são apenas torcedores. Nada disso. No clube social tem muita gente que nem gosta de futebol, e mais, há sócios que torcem para outros times. Normal.

Futebol não é para se matar. Não existe razão para transformar um jogo de futebol em guerra. Pra mim, não faz a menor diferença se meu time ganhou ou perdeu, já que o dia seguinte pra mim continua igual.

Dane-se os cambistas, dane-se os acordos comerciais, dane-se os clubes, dane-se jogo as 22h, dane-se o cachorro quente que é frio e caro, dane-se que jogo de futebol não se paga. Azar de quem vai aos estádios, azar da Copa do Mundo ser no Brasil.

O futebol na minha vida já é supérfluo, desorganizado dessa forma então...

PS: Alguém acredita na CBF ou em Mano Menezes?

29 de março de 2012

Série Coisa Fina: 11 - The Presidents of the United States of America

Aí então veio a virada dos 1980 para os 1990 e uma cena híbrida apareceu. Falo de Stone Roses, Inspiral Carpets, Charlatans UK, Happy Mondays, Primal Scream e outros. Uma cena que misturava elementos eletrônicos, loops e muita psicodelia. Uma coisa meio hippie moderno e um clima de “vamos tocar pra nos divertir”. Era uma espécie de rock alternativo, mas que não era sisudo.

O pessoal mais cool, que gostava de um rock mais sério, mais cabeça, mais alternativo, ia para outro lado: REM, Pixies, Husker Du, Sonic Youth, Flaming Lips, Jesus and Mary Chain, Screaming Trees, Jane’s Addiction. Essas bandas tinham uma postura mais séria, a mesma postura que anos depois tiveram Pearl Jam, Alice in Chains, PJ Harvey, Morphine, Alice in Chains, Soundgarden, Pavement, Weezer.

Essa postura mais cool, mais lado b, underground, música para intelectuais, sempre existiu, há coisas boas e coisas ruins como tudo. Nada contra. O que na verdade irrita é a postura do jornalista e fã desse rock mais cabeça. A pessoa acha que deve ser cabeça também. Não se pode levar o rock tão a sério.

O miolo dos anos 1990 foi baseado nesse rock cabeça, ainda das rádios universitárias americanas e, por causa disso, uma das melhores e mais criativas bandas da década passou batida por muitos: The Presidents of the USA, o patinho feio do tal grunge.

Tem aquele cara que se produz inteiro para parecer que não se produziu, chega na festa, encosta na parede, faz pose, não se mistura com qualquer um, tem um cigarro na orelha e outro os lábios, só pensando em qual garota ele vai levar pra cama no final da noite; e tem aquele cara que chega na festa com o cabelo despenteado sem saber, com um jeans, camiseta e tênis porque é assim que se sente bem, se dá bem com todo mundo e que está ali, acima de tudo, para beber e se divertir com os amigos. O PUSA é o segundo exemplo.

Sei lá o motivo, mas um dia na MTV tive que gravar algum programa que não era de minha responsabilidade e nele havia Presidents. Achei legal o clipe, que era da música “Lump”. Saí do estúdio e fui direto perguntar da banda para o redator do programa. Com certo desdém falou que era legal, mas não tinha nada demais. Não fui atrás, mas passei a observá-la.

Tempos depois chegou na MTV um show do Presidents no Monte Rushmore, aquele onde estão esculpidos os rostos de 4 presidentes americanos. Como era eu que tomava conta dos shows e acústicos gringos, tive que assistir ao show. Chapei de ouvir o peso do som apesar de, somando guitarra e baixo, serem apenas cinco cordas, além de uma bateria quase pelada, sem tom tom. Virei fã e resolvi ali saber melhor sobre a banda. Além disso tudo, a presença de palco era muito boa. Os três de fato se divertiam nos shows.

Chris Ballew com Mark Sandman (esq)
Antes da banda, Chris Ballew, o vocal e baixo, já havia tocado com Mark Sandman, do Morphine, e também com Beck. O baterista Jason Finn tocava no Love Battery e Dave Dederer apareceu mesmo com o Presidents (apesar de ter tocado em uma banda junto com Duff McKagan). É uma doidêra ver como Chris e Dave usam seus instrumentos. Chris toca um baixo de duas cordas (distorcido pelo amplificador), sendo que uma delas é corda de guitarra, coisa assim. Dave usa só três cordas em sua guitarra e ambos afinam de forma diferente. É um baixo meio guitarra e uma guitarra meio baixo. Isso é legal!

PUSA tem sonoridade simples, direta. Bons riffs, ótimos refrões e linhas de baixo, bateria bem seca com ótimas viradas de caixa (o que adoro). É punk rock do bom, daqueles com mais melodia como Buzzcocks, 999, Wire, Stiff Little Fingers, Generation X, The Beat, XTC. É rock pra dançar. Nessa sonoridade também tem o lance do forte sotaque americano (típico das músicas country) e mais alguns elementos dessa raiz musical americana.

Nos Estados Unidos a banda fez sucesso, ganhou Grammy e vendeu mais de 3 milhões do primeiro disco, que tem uma ótima versão de “Kick Out the Jams” do MC5.

Apesar dela não ter feito sucesso por aqui, vale a pena ouvi-la para saber como ainda é possível fazer coisas simples e de personalidade. The Presidents of the United States of America soube criar uma sonoridade própria e é, pra mim, dentro dessa cena descrita aqui e ao lado de Morphine, um diferencial na década de 1990.