29 de outubro de 2010

Histórias da MTV: Clima de Trabalho


Gastão grava Clássicos MTV
Na MTV você tinha suas obrigações e tinha que cumpri-las, independente do seu horário. Falo sobre o departamento de produção, mas também tinha o jornalismo, promo, relações artísticas, marketing... entre outros. E cada um deles com sua equipe e suas obrigações. (todos renderiam ótimos livros rsrs)

Nós do departamento de produção cuidávamos da realização dos programas musicais que iam ao ar, dos simples como um VJ no fundo chroma key ou complexo como uma transmissão ao vivo do U2 no Morumbi.

A MTV ficava em um prédio, os departamentos ficavam separados pelos seus nove andares. A configuração sempre mudava, mas quando entrei, produção e jornalismo ficavam em salas diferentes, mas ambos no 4º andar. Relações artísticas e marketing no 1º andar; sala vip no 9º andar. Estúdio A e B ficavam em andares diferentes (A é o menor e B o maior). Figurino e maquiagem no 2ª andar, o mesmo do estúdio A. Enfim...

Quando comecei a dirigir, ainda como free lancer, em fevereiro de 1994, a produção contava com pelo menos sete diretores. Cada diretor tinha ao menos dois programas para cuidar, além de outros trabalhos especiais. Por exemplo, o diretor do Disk também cuidava do Pé da Letra (programa de clipes traduzidos) e acabava indo para os EUA para gravar com algum VJ material especial durante o VMA. Éramos muitos, mas havia muita coisa pra se fazer.
Eu e Camila Pompeu

A cada ano a funções mudavam. Cada diretor cuidava do programa que tinha mais afinidade musical. Tinha o pessoal mais interessado pelo pop americano, pela MPB, pelo rock brasileiro, pelo rock internacional, pelo metal, pelo alternativo.

Claro que ninguém precisava usar terno e gravata. Tinha gente que ia trabalhar de havaianas (que não tinha o mesmo status de hoje), bermuda, camiseta e cabelo despenteado. O engraçado era que no prédio se via engravatados que trabalhavam nos departamentos administrativos e “a molecada porra louca”, que éramos nós da produção, do jornalismo, do promo, TAR...

Todos iam para as mesmas festas, os mesmos shows, os mesmos lugares. Era normal você ver gente dormindo debaixo de suas mesas, usando a mochila como travesseiro. Ressaca braba. Éramos uma grande turma.

As paredes do departamento eram cheias de pôsteres e colagens. Como recebíamos praticamente todas as revistas internacionais e muitas delas tinham pôsteres, eles acabavam nas paredes. Parecia quarto de adolescente. Cada canto, cada mesa tinha sua própria customização, seus adesivos.

Durante o trabalho um ajudava o outro, porque às vezes havia um trabalho para fazer de um artista pouco conhecido, então se pedia ajuda a quem conhecia melhor, que pudesse fornecer uma curiosidade ou história bacana. O que tínhamos de material de pesquisa eram reportagens de jornais, revistas e livros. Um imenso arquivo, do qual já falei aqui em No Olho do Furacão (1), que nos municiava para qualquer tipo de texto sobre cultura pop. Arquivo de valor inestimável, mesmo hoje em tempos de internet. Uma pena que pessoas lá de dentro não tenham dado o devido valor e simplesmente descartaram uma preciosidade, um tesouro de enorme valor. Visão curta e destruidora... uma pena...

Soninha, a coordenadora
Quando entrei lá, quem coordenava o departamento de produção era a Soninha Francine. Ela marcava todas as gravações e tínhamos a escala de gravação em um quadro. Ao fim do dia você ia lá para ver seus horários do dia seguinte e obrigações em geral. Nessa época ainda não havia programas ao vivo. Com relação aos programas eram três opções de gravação: estúdio A, estúdio B, externa. No estúdio A, onde ficava o chroma key, eram gravados os programas diários como Radiola, Disk, Clássicos, Gás Total, Pix (alguém aí da MTV lembra do ‘Topo da Hora’?). No estúdio B eram gravados os programas semanais como Top 20, Fúria Metal, Yo MTV Rap, Lado B, e que tinham cenário. Antes da minha chegada, digo 1990 até início de 1993, as coisas eram diferentes (Fúria e Lado B chegaram a ser gravados em fundo chroma).

Ganhávamos CDs todos os dias. Ganhávamos ingressos para todos os shows, nacionais e internacionais. Tínhamos acesso as principais revistas internacionais como Kerrang!, New Musical Express, Melody Maker, Spin, Uncut, Mojo, Billboard, Rolling Stone e outras de universo mais pop. Em alguns shows, até 1994, você nem precisava de ingresso, bastava o crachá da MTV. Era tipo Bozó, manja?

Daniel e Massari: redator e apresentador do Lado B
Apesar dos horários de gravação serem diferentes, muitas vezes a produção ficava cheia com pessoas que ainda iriam gravar ou que acabavam de gravar. Rolavam boas conversas, pé na mesa, assistíamos juntos clipes novos que chegavam, estreias especiais tipo Michael Jackson, Madonna, Nirvana, Spice Girls. E coisas novas, estranhas, porém legais como “Loser” do Beck. Rolavam discussões animadoras sobre artistas, clipes, filmes, matérias, shows, festivais. Tinham as viagens internacionais que sempre geravam boas histórias.

Era uma turma com idade média de 25 anos. Tinha esse clima de irmandade, risadas, descontração, mas a coisa toda era séria e cada um cuidava muito bem de suas obrigações. Os trabalhos coletivos, como transmissões ao vivo, também tinham essa força e era aparente a amizade entre todos, o que ajudava na qualidade do trabalho. Essa boa relação se estendia para a equipe técnica, que também era formada por pessoas jovens.

Trabalhava-se com prazer, porque todo mundo gostava de música e a maioria entendia do assunto. Era um prazer escrever uma cabeça de VJ, procurar assuntos, notícias. Era maravilhoso poder fazer uma pauta para o Ramones, para a Legião Urbana, entre outros grandes artistas. Era enriquecedor para todos nós que estávamos iniciando a carreira.

Dep. de produção: sem computadores nas mesas
Eram tempos que não só não tinha internet, como também não tinha computador. Apenas a Soninha trabalhava com um Macintosh para poder fazer as escalas, organogramas e outras coisas. As cabeças de VJ eram escritas à mão direto no espelho de gravação. Depois de escrito, eram feitas cópias xerox para todos os envolvidos na gravação (incluvie operadores de teleprompter e GCs), e todos tinham que entender a letra. (Nada de computador em cima das mesas)

Essa era uma época em que a MTV Brasil ainda não tinha um sério compromisso comercial. Ainda era pouco acessada e isso nos dava liberdade para experimentar. O MTV Na Chapa, por exemplo, chegou um momento em que eu o fazia apenas com micro câmera, deixava tudo PB, tinha cabeça que Cazé só dormia. O saudoso Cep MTV, comandado pelo Thunder, era outra coisa fora do comum, só cabível ali, naquele momento. As experimentações de câmeras no MTV Sports, enfim, usávamos sem medo as ferramentas que tínhamos e éramos completamente livres para criar. Mesmo levando a sério, nos divertíamos trabalhando.

E dessa forma todos fizeram história.

PS1: As fotos são de 1996.

24 de outubro de 2010

O Pós-Punk Brasileiro

Mercenárias
Em 23/10/2010 o 'Cadê as Armas?', primeiro disco das Mercenárias, completa 24 anos. Um clássico. Usarei essa data para postar hoje este texto que já esta pronto há um mês.

Dias atrás, estava eu no ônibus voltando pra casa quando vi ao meu lado Sandra Coutinho. Comecei a suar frio. Já encontrei Sandra em outras ocasiões, mas não daquele jeito. Não resisti e agradeci por ‘Cadê as Armas?’ e ‘Ao Vivo no Mosh’. Conversamos rapidamente, disse a ela que eu tinha uma fita das Mercenárias ao vivo ainda com Scandurra na bateria e ela me falou que também tem material ao vivo, que está reunindo tudo para lançar oficialmente. Vixi Maria!
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Último Número
O pós-punk brasileiro teve seus bons representantes e, apesar de Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre, as bandas mais conhecidas foram as de Brasília e São Paulo.

Em BH o pós-punk foi basicamente calcado em um forte texto inspirado em poesia concreta, beatniks e na estética de Joy Division e Ian Curtis, Bauhaus e esse início do movimento gótico musical. Sexo Explícito, Último Número, O Grande Ah!, Divergência Socialista e outras, umas mais e outras menos, mas todas tinham influência pós-punk. Mas elas estavam também inseridas em um contexto em que havia também artes plásticas, instalações, além de artistas e fotógrafos que cuidavam da parte visual dos shows, das capas, das fotos, dos flyers. Festas, casas noturnas, bares, shows. Tinha a efervecência parecida com São Paulo, mas uma relação pessoal bem parecida com Brasília (essa é a leitura que tenho vendo de fora).

Ira!
O pós-punk de São Paulo foi muito bem registrado: Smack, Voluntários da Pátria, Akira S & As Garotas que Erraram, Musak, Ira!, Nau, Agentss, Gang 90, Cabine C, Fellini, Mercenárias, Patife Band, 3 Hombres, Nº 2 (que não gravou), Violeta de Outono e mais uma porção delas. Umas bem diferentes de outras, mas tendo uma unidade em estética e influências. Um monte de casas noturnas faziam parte do circuito alternativo: Napalm, Carbono 14, Madame Satã e Rose Bom Bom eram algumas. Em SP as letras não tinha essa característica de poesia marginal que havia mais em Minas, mas havia sim a representação paulistana, como Fellini e Akira S. Se você quiser achar parte desses nomes paulistanos o alvo certo é a Baratos Afins. Todo esse pessoal também se conhecia, as bandas faziam shows juntas, dividiam equipamento, se encontravam nas casas noturnas e festas, e eram rodeadas de outros artistas e fotógrafos que ajudavam na parte visual.

Plebe Rude
Em Brasília, toda essa cena conhecida da mídia que surgiu no início dos 1980 é influenciada pelo pós-punk. Plebe Rude, Capital Inicial, Legião Urbana, Escola de Escândalo, Elite Sofisticada, Finis Africae, todas elas gostavam de PIL, Gang of Four, XTC, Stranglers, Talking Heads, Television, Adam Ant, e todo o movimento gótico de Joy Division, Cure e Bauhaus (como em BH). A característica de Brasília é mais próxima a de SP, onde se dava a mesma importância para letra e música. Só que ao contrário de BH e SP, as bandas brasilienses não abandonaram as influências punks. Dá pra ver fortes semelhanças, entre Ira!, Mercenárias, Smack e todas as brasilienses, principalmente no período em que as candangas ainda estavam em Brasília, entre 1982 e 1984. Mas de todas da capital a que mais manteve as características iniciais foi a Plebe Rude.

Smack
Curitiba e Porto Alegre também tinham suas representantes, mas não eram tão numerosos como nas outras capitais. De Curitiba eu mesmo só ouvi Beijo AA Força, e de Porto Alegre, De Falla. Inclusive Edu K eu fui conhecer inusitadamente no Guarujá, numa casa noturna que se chamava QG. Em 1984 vi um show da banda lá, quando Edu tinha o cabelo de Billy Idol...

No Rio de Janeiro não havia uma cena específica, mas sim uma ou outra banda como o próprio Paralamas do Sucesso, Black Future e Picassos Falsos, mas longe de ser como nos outros lugares, mesmo Curitiba e PoA, que também tinham suas turmas.

Voluntários da Pátria
Pra mim, de todas essas cenas a mais radical (no bom sentido) é a de Minas, apesar de eu só ter ouvido de fato Sexo Explícito e Último Número. De São Paulo tenho tudo o que foi gravado, além de tapes ao vivo não oficiais. De Brasília, nem preciso falar muito, mas registro a saudade que tenho do que era a Legião e o Capital antes de gravarem seus primeiros discos.

Pra minha alegria (e de muitos outros brasilienses) o Escola de Escândalo prepara uma reunião especial, com direito a DVD, CD e shows pelo Brasil. Geruza, Marielle, Totoni e Parente estão reunidos já gravando o álbum. Ninguém melhor que Parente para reproduzir o que só Fejão fazia na guitarra. Estou aqui torcendo para que dê tudo certo.

Apesar dos lugares serem distintos, essas cenas tinham suas semelhanças. Em Brasília, em Minas e em São Paulo era comum encontrar pessoas que tocavam em mais de uma banda, as vezes em até três ou quatro ao mesmo tempo (como era o caso de Scandurra em SP, Fejão em BsB). Mesmo cada banda tendo sua sonoridade, todas elas tinham preocupação com a estética, influência da cena gótica, davam mais atenção ao baixo, faziam experimentações.

O pós-punk inglês e americano não ficou marcado por sucessos de rádios, ou por atingir um grande público (tirando as poucas exceções), mas tinha seus seguidores e influenciou bastante a new wave, o tecnopop, o alternativo das college radios, o grunge, o britpop, o electro rock. Ou seja...

Das bandas pós-punks citadas aqui as que mais fizeram sucesso foram Plebe Rude e Ira!, mas isso não significa que só elas eram boas. Pelo contrário, muitas delas são maravilhosas.



















20 de outubro de 2010

Histórias da MTV: Casa da Praia

MTV Brasil está mais velha. Completa 20 anos em outubro de 2010 e hoje (20/10) é dia de festa! Há tempos tenho escrito a respeito de minha passagem pela MTV (1993-2000). Tem post sobre o Central, Fúria Metal, Teleguiado, Monsters of Rock e outros programas que fiz e/ou participei.  Fora este, o texto mais recente é o do dia em que Kurt Cobain morreu (Série Anos 90 SP: O Olho do Furacão (1)).
Agora é a vez da Casa da Praia, que foi meu primeiro trabalho na emissora, ainda como produtor. Em uma das dez semanas que gravamos lá (acho), levei minha câmera vhs e registrei alguns momentos. Como gosto de fazer, tirei fotos dos frames dessas imagens em vídeo, que são absolutamente inéditas e exclusivas (tem mais um monte).
Estou preparando outros posts de memórias da MTV e aos poucos publico.


Quando entrei na MTV, ela estava completando seus três anos. Ainda procurava seu espaço. Como telespectador, digo que nesses três anos a MTV pouco foi vista, era mais falada do que assistida. Quando só pegava no UHF, a imagem da minha tv era péssima, toda chuviscada. Mesmo assim fui conhecer Lenny Kravitz com ela, logo em seu começo. Lembro que no show do The Cult no Ginásio do Ibirapuera tinha uma equipe realizando uma pesquisa sobre sua programação.

Mas nessa mesma época as TVs a cabo TVA e NET começaram a investir pesado em seus pacotes e a comercialização deses produtos ajudou na divulgação da MTV. Lembro de ver os próprios artistas falando que não assistiam MTV. Quando conheci Gastão, no início de 1992, eu nunca tinha o visto na televisão, mas sabia quem era.

os fundos da Casa que dava direto para a praia
A Casa da Praia, primeira produção especial de verão da MTV, foi uma forma de mostrar ao público, artistas, gravadoras, mídia que havia algo diferente ali. Lembro de ver diversos meios de comunicação fazendo matérias lá. Era o primeiro chacoalhão de outros que ainda viriam.

Tudo aconteceu em uma casa cenografada que ficava em frente a Praia de Camburi, no litoral norte de São Paulo, cerca de 2h00 da capital. Na verdade são duas praias, apenas separadas por um pequeno córrego: Camburizinho e Camburi.

Foi levado o maior número possível de artistas: Sublimes, Marcelo Nova, Titãs, Capital Inicial, Dinho Ouro Preto, Edu K, Sepultura, Plebe Rude, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawaii, Little Quail, Muzzarelas, Pin Ups, Rip Monsters, Laerte, Glauco, Angeli, o campeão brasileiro de pipa, origami, capoeira, chef de cozinha, entre outras personalidades.

Gastão e André (op. de áudio). Fim de tarde.
Esses convidados costumavam chegar mais ou menos na hora do almoço e ficavam até o final do dia. Dependendo de quem era, participava de um a três programas (tinham aqueles que a própria banda escolhia os clipes ou comentavam os próprios clipes). O clima era tão bom que não teve um convidado que não curtiu o dia. Lembro do Sepultura discutindo se iria embora logo após a participação no Disk ou se aproveitava o dia; o Paulo Lima (Trip) foi lá para ser entrevistado pela Astrid, entrou no mar enquanto esperava a gravação e só saiu de lá oito da noite, ou seja, não rolou a participação no programa.

As gravações começaram na última semana de novembro/1993 e foram até antes do Carnaval em 1994. Quando chegamos, fomos proibidos de entrar na Casa, pois a equipe cenográfica ainda estava arrumando os últimos detalhes. Um dos grandes desejos de toda a equipe foi realizado: ter, por todo o verão, uma máquina Polaroid com filme à vontade (era o sonho de qualquer um). Astrid criou no Top 20 um painel só de Polaroids dos artistas que passaram pela Casa. Além disso, também tínhamos uma geladeira da Kibon que era abastecida uma vez por semana e milhares de sacos de batata Ruffles, que também semanalmente chegavam em muitas caixas. Teve um Disk com Edu K onde ele comeu uns 15 picolés em, no máximo, 40 minutos de gravação. Eu só voltei a comer Ruffles há uns 5 anos atrás. Sério. Teve muita gente da equipe que nunca mais comeu o picolé Milka (que era lançamento naquele verão).

Blues Etílicos
Logo nos primeiros dias Gastão e Astrid chegaram a dormir nos quartos da Casa, mas essa idéia foi logo abandonada, para preservá-la como cenário (que era de fato). Parte da equipe (incluindo eu) dormia numa casa em frente a Casa da Praia, outro pessoal ficava numa pousada a um quarteirão da Casa, e ainda outra parte da equipe dormia numa pousada no início de Camburizinho.

Eram duas equipes de gravação e os VJs que trabalharam lá foram Gastão, Astrid, Cuca, Cazé e Adriana Lessa. Thunder chegou a ir lá, mas já estava com um pé na Globo; Cazé e Adriana Lessa fizeram suas estréias na Casa da Praia. Pix, Gás Total, Disk, Top 20 e Pé da Letra eram os programas feitos na Casa. Por dia eram gravados uma média de cinco programas (Pix, Gás Total e Disk eram diários).

Sepultura no Disk
Foi nesse verão que melhor comi na minha vida. Foi contratado um maravilhoso chef conhecido por nós como Le Paul, que cuidava da alimentação de toda a equipe. Ele preparava café da manhã, almoço e jantar; e sua base era a casa da produção a qual eu ficava. Tanto no almoço, quanto no jantar, a comida era farta: salada, acompanhamentos e carnes. Trabalhávamos muito e debaixo de muito sol e calor, nada mais justo que uma alimentação no mínimo maravilhosa.

Passávamos a semana inteira em Camburi e os finais de semana em São Paulo. No final esse vai-e-vem já estava dando no saco! Íamos e voltávamos de ônibus fretado e os convidados iam de van. Tinha gente na equipe que aguentava fazer baladas noturnas, afinal estávamos em uma das principais prais do litoral norte paulista e em pleno verão. No dia seguinte, se dava 10 minutos de folga, era ronco na certa. Eu não fiz balada nenhuma. Era puxado. Era o primeiro a acordar e o último a ir dormir. Mesmo assim foi tudo maravilhoso.

O Márcio Garcia na época ainda era o apresentador do MTV Sports, e chegou a ir duas vezes até a Casa. Inclusive em uma dessas idas, ele foi por conta própria de carro, com a namorada, e ainda me roubou uma caixa fechada de Chicabon. Lembro d'eu correndo atrás do carro dele... Zeca Camargo, Chris Couto e Chris Nicklas iam lá uma vez por semana, ou menos, para gravar o MTV no Ar.

Capital Inicial e Astrid
 O Capital Inicial foi para divulgar o Rua 47, primeiro trabalho com o vocalista Murilo Lima. O Dinho também foi à Casa, mas para divulgar o Vértigo. O Pin Ups foi para fazer o programa em que a banda escolhia o clipe, mas não foi para o ar porque o Luis, vocalista, estava completamente bêbado (todo artista que ia lá tinha a sua disposição uma garrafa de Red Label, mas isso não durou muito). O Muzzarelas foi participar do Gás Total e um dos caras da banda ficou na roubada porque seu carro quebrou e ele teve que dormir lá. Um dos primeiros programas gravado pela Cuca na Casa, me lembro, foi o Pix com participação das Sublimes. Foi gravado dentro da Casa e com luz forte. A cada cabeça era preciso retocar a maquiagem de todas de tanto suor (porque não gravaram na praia???).

A Casa da Praia foi um tremendo sucesso em todos os sentidos. Foi uma delícia. Apesar de intenso, o relacionamento de toda a equipe foi muito bom. O objetivo foi alcançado. Ao final do verão a MTV já era outra. Aliás, logo após o fim da Casa da Praia, vieram mudanças radicais na cúpula da emissora.

Cazé hippie?

Sepultura levou João Gordo. Praticamente um profissional do Bodyboard.

Este programa com o Virna Lisi (talvez o Pix) foi o último gravado na Casa da Praia

Eu e o Rip Monsters. Gravação do Gás Total.

Philippe Seabra (Plebe Rude) participa do Disk com Astrid e Adriana Lessa

Astrid e Titãs. Nesse dia quem mais se divertiu foi Bento, filho de Branco Mello.