1 de fevereiro de 2015

Plebe Rude

Em fevereiro de 1986 o primeiro disco da Plebe Rude, O Concreto Já Rachou, foi lançado. Portanto agora em 2015 ele completa 29 anos. Aqui no blog postei texto de André Mueller a respeito dessa maravilha, que é um grandes dos clássicos dessa geração.

Pra comemorar o lançamento do Nação Daltônica resolvi então, por livre e espontânea vontade,  escrever sobre a banda (os 10 mil Euros que  Philippe Seabra me pagou foram apenas para a ajuda de custo da produção dessa postagem. Nada de Jabá! Quê qué isso mermão!!!)
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É legal ver a força da amizade entre o pessoal de Brasília. Alguns dos que começaram fazendo um som no final dos anos 70 estão aí até hoje, e juntos. Falo de Paralamas, Dado e Bonfá, Capital Inicial e Plebe Rude. Isso mostra o quanto foi forte o que aconteceu na Turma da Colina.

Apesar desse pessoal todo estar aí tocando, há uma única banda que consegue ainda ter a essência do que era feito em Brasília entre 1979 e 1984: a Plebe Rude. Se o Rock de Brasília ainda tem um representante legítimo, falamos de Plebe, sem dúvida!

Houve um tempo em que o Rock de Brasília morreu. Em 1996 Bonfá e Dado anunciaram o fim da Legião, dias após a morte de Renato Russo; Capital Inicial havia lançado o disco ao vivo com Murilo no vocal, mas estava completamente independente e sumido da mídia, praticamente em coma – inclusive foi nessa época que Yves tocou no Capital pela primeira vez, quando Loro retornou à Brasília para pensar na vida. Tudo estava difícil e indo aos trancos e barrancos. A mesma coisa acontecia com Dinho e sua carreira, primeiro com o Vértigo e depois solo.

A Plebe havia acabado, mesmo não tendo anunciado seu fim. Depois de lançar o ‘Mais Raiva Do Que Medo’, Philippe e André trabalharam o disco por um tempo, mas Seabra foi morar em Nova York e André voltou para Brasília. A banda voltou em 1999 e, no ano seguinte, lançou o ao vivo ‘Enquanto a Trégua Não Vem’, com a formação clássica. Mas essa volta foi conturbada, não durou muito e a banda se separou novamente.

Daí em 2004, dessa vez com a formação diferente, a Plebe Rude voltou e, para surpresa de todos, com Clemente (Os Inocentes), no vocal e guitarra base, cobrindo o lugar de Ameba, fazendo a voz grave. Para a bateria Txotxa, ex-Maskavo Roots (só um dos melhores de sua geração). Clemente e Txotxa se encaixaram muito bem! Hoje Marcelo Capucci no lugar de Txotxa. (esse novo retorno foi motivado pelo filme 'Escola de Rock'... é sério!!!)

Nessa mesma época, Marcelo Bonfá lançava seu segundo trabalho solo, ‘Bonfá + Videotracks’, Dado estava compondo trilhas e produzindo, e Capital Inicial lançava seu 3º disco de inéditas após a volta em 1998, o Gigante. Tudo isso que acontecia com Bonfá, Dado e Capital estava bem distante do que um dia foi o Rock de Brasília

Foram quase quatro anos de shows e composições até lançar o ‘R ao Contrário’, que afirmo sem exagero algum um dos melhores da discografia da Plebe, arrisco a dizer ser o sucessor direto de ‘O Concreto Já Rachou’. Sou um apaixonado pelos três primeiros discos da Plebe, mas não tenho medo de colocar o ‘R’ naquele contexto.

Phillipe Seabra e André Mueller são dois apaixonados por música, e roqueiros convictos. O gosto musical deles é algo fantástico. Foi com eles que escutei Killing Joke, PIL, XTC, Stranglers, Ruts, Stiff Little Fingers, muita coisa de pós punk e outras esquisitices que não larguei nunca mais.

Aí em 1981 os dois formaram a Plebe Rude, pioneira em várias coisas (mesmo que inúteis rsrs). Foi a primeira banda pós-punk da Turma da Colina. A primeira da 2ª geração de bandas da Turma da Colina e a primeira da Turma a ser formada nos anos 80. Antes da Plebe havia Metralhaz, Os Vigaristas de Istambul, Aborto Elétrico e Blitx 64 (as duas últimas ainda na ativa quando Plebe começou). Só em 1982 surgiram Capital inicial, Legião Urbana, XXX.

A primeira fita da Plebe que tive foi uma gravação tosca de ensaio com Marta e Ana cantando. Já via a banda nos shows do Food’s e outras apresentações que aconteciam a tarde. Eu escutava e ficava imaginando como eles compunham tudo aquilo: dois vocais + backing das meninas, duas guitarras. Escutava achando tudo aquilo grandioso.

Mueller e Seabra sempre se destacaram, entre os amigos, pelo cinismo, a sinceridade, o sarcasmo, o humor negro (no bom sentido), boas sacadas... o humor cínico. Tudo isso a dupla levou para a Plebe Rude e essas características são à base da banda até hoje.

Agora acaba de ser lançado o Nação Daltônica, mais um ótimo conjunto de canções com a cara da Plebe e que representam bem o bom e velho Rock de Brasília. Nem todo mundo que entende muito de música, consegue fazer música. Esse não é o caso da Plebe, que consegue transformar em um jeito muito pessoal, as maravilhosas influencias que tem.

A Plebe continua em Brasília! Não vou ficar aqui citando músicas da banda, mas até hoje, incluindo o ‘Nação Daltônica’ (escrevo este texto em jan/2015), a Plebe faz suas críticas político-sociais, de comportamento e tem seu humor cínico, impecáveis como sempre. Tem quem saiba envelhecer!

Longa vida à Plebe Rude!

PS: Porém, apesar de tudo isso o Diamante Cor-de-Rosa continua sendo a melhor banda de Brasília e das 27 galáxias mais próximas.


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