Em fevereiro de 1986 o primeiro disco da Plebe Rude, O Concreto Já Rachou, foi lançado. Portanto agora em 2015 ele completa 29 anos. Aqui no blog postei texto de André Mueller a respeito dessa maravilha, que é um grandes dos clássicos dessa geração.
Pra comemorar o lançamento do Nação Daltônica resolvi então, por livre e espontânea vontade, escrever sobre a banda (os 10 mil Euros que Philippe Seabra me pagou foram apenas para a ajuda de custo da produção dessa postagem. Nada de Jabá! Quê qué isso mermão!!!)
______________________________
Apesar desse pessoal todo estar aí tocando, há uma única banda que consegue ainda ter a essência do que era feito em Brasília entre 1979 e 1984: a Plebe Rude. Se o Rock de Brasília ainda tem um representante legítimo, falamos de Plebe, sem dúvida!

A Plebe havia acabado, mesmo não tendo anunciado seu fim. Depois de lançar o ‘Mais Raiva Do Que Medo’, Philippe e André trabalharam o disco por um tempo, mas Seabra foi morar em Nova York e André voltou para Brasília. A banda voltou em 1999 e, no ano seguinte, lançou o ao vivo ‘Enquanto a Trégua Não Vem’, com a formação clássica. Mas essa volta foi conturbada, não durou muito e a banda se separou novamente.
Daí em 2004, dessa vez com a formação diferente, a Plebe Rude voltou e, para surpresa de todos, com Clemente (Os Inocentes), no vocal e guitarra base, cobrindo o lugar de Ameba, fazendo a voz grave. Para a bateria Txotxa, ex-Maskavo Roots (só um dos melhores de sua geração). Clemente e Txotxa se encaixaram muito bem! Hoje Marcelo Capucci no lugar de Txotxa. (esse novo retorno foi motivado pelo filme 'Escola de Rock'... é sério!!!)
Phillipe Seabra e André Mueller são dois apaixonados por música, e roqueiros convictos. O gosto musical deles é algo fantástico. Foi com eles que escutei Killing Joke, PIL, XTC, Stranglers, Ruts, Stiff Little Fingers, muita coisa de pós punk e outras esquisitices que não larguei nunca mais.
Aí em 1981 os dois formaram a Plebe Rude, pioneira em várias coisas (mesmo que inúteis rsrs). Foi a primeira banda pós-punk da Turma da Colina. A primeira da 2ª geração de bandas da Turma da Colina e a primeira da Turma a ser formada nos anos 80. Antes da Plebe havia Metralhaz, Os Vigaristas de Istambul, Aborto Elétrico e Blitx 64 (as duas últimas ainda na ativa quando Plebe começou). Só em 1982 surgiram Capital inicial, Legião Urbana, XXX.
Nessa mesma época, Marcelo Bonfá lançava seu segundo trabalho solo, ‘Bonfá + Videotracks’, Dado estava compondo trilhas e produzindo, e Capital Inicial lançava seu 3º disco de inéditas após a volta em 1998, o Gigante. Tudo isso que acontecia com Bonfá, Dado e Capital estava bem distante do que um dia foi o Rock de Brasília.
Foram quase quatro anos de shows e composições até lançar o ‘R ao Contrário’, que afirmo sem exagero algum um dos melhores da discografia da Plebe, arrisco a dizer ser o sucessor direto de ‘O Concreto Já Rachou’. Sou um apaixonado pelos três primeiros discos da Plebe, mas não tenho medo de colocar o ‘R’ naquele contexto.

A primeira fita da Plebe que tive foi uma gravação tosca de ensaio com Marta e Ana cantando. Já via a banda nos shows do Food’s e outras apresentações que aconteciam a tarde. Eu escutava e ficava imaginando como eles compunham tudo aquilo: dois vocais + backing das meninas, duas guitarras. Escutava achando tudo aquilo grandioso.
Agora acaba de ser lançado o Nação Daltônica, mais um ótimo conjunto de canções com a cara da Plebe e que representam bem o bom e velho Rock de Brasília. Nem todo mundo que entende muito de música, consegue fazer música. Esse não é o caso da Plebe, que consegue transformar em um jeito muito pessoal, as maravilhosas influencias que tem.
Mueller e Seabra sempre se destacaram, entre os amigos, pelo cinismo, a sinceridade, o sarcasmo, o humor negro (no bom sentido), boas sacadas... o humor cínico. Tudo isso a dupla levou para a Plebe Rude e essas características são à base da banda até hoje.

A Plebe continua em Brasília! Não vou ficar aqui citando músicas da banda, mas até hoje, incluindo o ‘Nação Daltônica’ (escrevo este texto em jan/2015), a Plebe faz suas críticas político-sociais, de comportamento e tem seu humor cínico, impecáveis como sempre. Tem quem saiba envelhecer!
PS: Porém, apesar de tudo isso o Diamante Cor-de-Rosa continua sendo a melhor banda de Brasília e das 27 galáxias mais próximas.Para comprar 'O Diário da Turma 1976-1986: A História do Rock de Brasília' acesse www.tratore.com.br ou www.submarino.com.br ou www.americanas.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário