16 de agosto de 2013

Experiências nos 80

Tem uma turma que revolucionou a música pop dos anos 1980 mesmo sendo de 1970. Uma turma que vou tentar sintetizar em dois nomes: King Crimson e Phil Collins.

São artistas que sabem muito bem usar o estúdio. Que gostam de criar equipamentos, buscar novos timbres, novas formas de executar e captar o instrumento. Experimentar, mesmo que essa palavra soe estranha para a década de 1980.

Houve um pequeno grupo de artistas dos 1970 que soube se reciclar, chegar à década seguinte. Depois de uma fase de rock progressivo e musicas intermináveis, Robert Fripp reformulou o King Crimson e lançou uma trilogia de cair o queixo. Discipline (1981), Beat (1982) e Three of a Perfect Pair (1984). Ainda de 1984 foi lançado um showzaço Live in Japan que na época saiu em Home Video. Uma monstruosidade! Depois, em 1998, foi lançado o Absent Lovers: Live in Montreal 1984. Maravilhoso.

Você ouve essa trilogia e percebe timbres diferentes de bateria, baixo, além das guitarras. Bill Bruford, baterista técnico e de bom gosto, nesses discos experimentou ao extremo as novas baterias eletrônicas daquela época, inclusive ao vivo. Pele, baquetas, timbres, mexia em tudo.

Nunca antes na história do rock (rsrs) um baixo stick (Chapman Stick) caiu tão bem como no King Crimson. Tony Levin foi quem popularizou esse baixo de 10 ou 12 cordas. Para quebradeira que é o som do KC, cai perfeitamente bem o stick. Levin já tocou com Lou Reed, Pink Floyd, Tom Waits e mais trocentos nomes.

Aí vêm as guitarras de Robert Fripp e Adrian Belew, com afinações, timbres, pedais, tudo diferente. Fripp tem aquela cara de nerd chato, mas é impressionante vê-lo tocar. Tem o Frippertronic que é um pedal de efeito aperfeiçoado por ele (ganhou seu nome) e que faz grande diferença. Adrian Belew é um doidão (no bom sentido!) que também tocava com Talking Heads e David Bowie. Nos anos 70 tocou com Frank Zappa. Esse era outro que gostava de viajar em timbres e jeitos diferentes de tocar. Se não me engano, foi o próprio Fripp que disse que fazer barulho com a guitarra é fácil, difícil é saber tirar o silêncio dela. No meio de toda quebradeira do King Crimson há silêncio.

Phil Collins foi outro que começou a mexer nos novos equipamentos que estavam saindo naquela época. Qualquer hack de efeito era fuçado ao máximo. Ele já tinha um jeito diferente de tocar bateria (canhoto!!!) e juntou com toda essa experimentação, acabou resultando em coisas incríveis . No Genesis, entre Duke (1980) e We Can’t Dance (1991) há ótimas músicas. Apesar de haver teclados, eles, na maioria, não soam datados. É como o King Crimson, sempre fuçando em equipamentos, microfones, amplificadores, formas novas de captação, mesa de som, mixagem. Tem “Keep in the Dark”, “Mama”, “That’s All”, “I Can’t Dance” além de outras músicas da carreira solo de Phil Collins, que destaco os três discos lançados em 1981, 82 e 85.

Além desses discos de King Crimson, Phil Collins e Genesis, também dá pra citar Peter Gabriel com Peter Gabriel 3 e Security; The Police com Ghost in the Machine e David Bowie com Let’s Dance. Ainda dá pra colocar nessa lista Warm Leatherette e Nightclubbing de Grace Jones. Citei o Police porque Andy Summers (grande amigo de Fripp) também era outro que vivia buscando novas sonoridades.


Todo esse pessoal recebia em primeira mão novos equipamentos, para testar, usar e abusar, para depois dar um feedback às empresas. Assim novos equipamentos eram desenvolvidos e aperfeiçoados. Para a música pop, toda essa experimentação foi muito significativa.






Nenhum comentário: