Nesses últimos meses houve um número alto de demissões em
massa em algumas redações de jornais impressos e seus sites. Alguns falaram em
passaralho, mas não sei se chega a tanto. Claro que demissão é algo agressivo,
mas a vida é assim e isso não acontece só com jornalista. Vi muitos deles
choramingando (desculpe o termo) a respeito desses ocorridos, dizendo
injustiça, quase a ponto de dizer que sem o jornalista o mundo não anda. Está
certo, claro, óbvio, não é nada agradável ser mandado embora, mas todos
estão sujeitos a isso, seja um auxiliar de obra ou um alto executivo de
multinacional.
O mercado está mudando mais uma vez, assim como mudou no
boom da internet. Outras ferramentas estão se adequando ao dia a dia do público
/ consumidor. A tecnologia facilita a vida de todo mundo a ponto de ninguém
mais conseguir imaginar o mundo sem telefone móvel e internet, mesmo estando essas criações há pouco mais de 10 anos em nosso cotidiano. Vivemos a Era
Jetsons. Logo os carros estarão voando.
A televisão há alguns anos sofreu certas adaptações. Assim que foram lançadas câmeras como a PD150, que
chegou ao mercado brasileiro por volta de 2002, o jeito de fazer televisão mudou.
Antigamente eram as betacam que pesavam de 8 a 13 quilos, operava-se essa câmera apoiando-a no ombro.
Hoje, com essas câmeras pequenas, tudo ficou mais ágil, e infelizmente foram
perdidos os recursos que se faziam com a câmera no ombro. Se ganha por um lado
e perde-se por outro.
Todos os operadores de câmeras tiveram que se adequar a esse novo equipamento. TODOS. Mudou também a forma de editar e finalizar um projeto. As
ilhas são digitais, praticamente não há mais ilhas de edição analógicas. Em 1998
editei todo o Monsters of Rock em um Avid e saí da edição falando que nunca
mais iria usar uma ilha digital. Achei a experiência horrível. Hoje vejo que
era questão de costume e aprendizado. Tanto meu quanto do editor/montador.

Em 2012 passei quase três meses dentro de um grande grupo de
comunicação, contratado para fazer alguns vídeos internos. Fiquei boquiaberto
de ver o quanto a empresa está perdida em meio a tantas ferramentas. Não sabe
para onde correr. Ao mesmo tempo em que se perde leitores, também não entende o
funcionamento das ferramentas atuais. Percebo que há pessoas que querem que a
nova ferramenta se adeque a elas e não o contrário. Há muita briga entre essas
empresas de tecnologia. Quem inventa o quê? Quem é dono do quê? Quem pode usar
o quê? Bobagem. O público / consumidor não se importa com isso, apenas quer
usar.
Em vídeo, por vezes, somos obrigados a reduzir ao máximo a
equipe de gravação. Hoje há quem opte por contratar um operador de câmera que
também faça o áudio. Eu mesmo já tive que fazer isso. Claro que a qualidade do
trabalho cai vertiginosamente. Isso é culpa de pessoas ignorantes que não
entendem o motivo do custo de uma gravação, por mais simples que seja.
Há empresas que estão tentando investir mais na internet,
mais em vídeo. Há profissional que trabalha com a parte impressa e pensa que pode dominar
o vídeo e inernet numa boa. É soberba. É o mesmo erro que pensar que quem faz publicidade, faz televisão.

A tecnologia permitiu o baixo custo. Não importa se a imagem
é de celular de baixa qualidade, se alguém conseguiu pegar imagem da notícia do
momento, é ela que vale. Nem sempre foi assim. O antigo Aqui e Agora ajudou nessa
mudança.
O ruim é que mesmo o equipamento profissional está, de certa
forma, fácil de manusear, mas em termos. Digo fácil porque há o maledeto botão automático que faz
qualquer pessoa acreditar que pode operar uma câmera. Imagine essa pessoa tendo
ainda que cuidar do áudio. Até arrepia a espinha. O contratante, para
economizar 500 ou 700 reais, prefere fazer algo que talvez nem dê pra usar, do
que fazer algo seguro e profissional.
Jornalistas colegas foram arrancados das redações. Isso é
comum no mercado de televisão. Nesses últimos meses na Record tiveram alguns
cortes em massa, tanto em SP, quanto no RJ. Esses cortes vêm acontecendo há
anos. No SBT volta e meia pessoas saem e voltam. Na TV Cultura, Band. Ninguém escapa de ajustes. Dançando conforme a música. A MTV, que oficialmente vai sair da Abril, portanto vai acabar (pelo
menos o que ela era), também tem feitos cortes nos últimos anos e em breve
haverá outro, mas dessa vez gigantesco.

A tecnologia obrigou ajustes e mudanças na publicidade, no marketing, na música. São muitos os mercados. Em certos lugares diminuiu-se o número de funcionários e em outros aumentou.
A tecnologia obrigou ajustes e mudanças na publicidade, no marketing, na música. São muitos os mercados. Em certos lugares diminuiu-se o número de funcionários e em outros aumentou.
É o mercado se ajustando aos novos tempos. Não há porque
chorar. Eu sou free lancer desde 2002, vivo as oscilações na pele, e
sei bem o que falo. Não há tempo para choro. Se mudanças estão acontecendo,
então é preciso ficar atento, observar e entrar no ritmo. Na minha
vida é assim: tem dia que estou em um projeto gigante comandando 300 pessoas, e
no outro, estou com uma câmera na mão fazendo tudo ao mesmo tempo agora.
Normal.
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