Os dias foram passando e nada de resposta. Não lembro bem, mas sei que ela veio em cima da hora, ou na tarde do dia do show ou um dia antes.
Alegria absoluta que dispensaria comentários, caso a entrevista fosse com a banda, mas a entrevista era uma exclusiva apenas com Angus Young! Era coisa de chamar o cardiologista – até mesmo escrevendo agora dá um frio na barriga só de lembrar.
Para Gastão AC/DC é banda nº1. No início dos anos 1980, quando comecei a escutar punk rock, duas bandas que eu adorava não eram da cena punk: AC/DC e Van Halen. Era meu segredo de estado.
A entrevista ficou marcada para o dia seguinte ao show e seria feita no hotel pouco antes da banda ir embora. Assistir ao show do AC/DC sabendo que você vai se encontrar com Angus Young no dia seguinte é de fato um momento mais que especial. E se mesmo para um artista de médio porte o Gastão fazia a melhor pauta do mundo, imagine então para Angus Young.

No dia seguinte fomos para a entrevista no hotel que ficava na Rua Augusta (ou Frei Caneca?), felizes por ter visto um ótimo show e ansiosos pelo que vinha. Vixi!
Um monte de motos da polícia estava estacionada lado a lado em frente ao hotel, eram as motos da Rocam que fizeram a escolta da banda durante o tempo em que ficou em São Paulo. Logo na entrada, quando descemos da van, veio um guarda falar com Gastão, disse ser fã do Fúria Metal e pediu para que ele conseguisse um autógrafo com Angus (não lembro, mas acho que rolou). Inclusive resolvemos dedicar o programa a Rocam.
A equipe era eu, Gastão, o produtor artístico, o operador de câmera e o operador de áudio. Não sabíamos onde seria a entrevista e quando nos encontramos com o assessor da banda, ele nos levou para uma sala do hotel, dessas de ambiente com mesa de reunião e mais algumas poltronas em volta de uma mesa de centro. O assessor disse que Angus estava pronto e assim que o set estivesse montado ele o buscaria.

Foi tudo fantástico. Angus muito calmo, foi simpático o tempo inteiro, tratou todos de igual para igual, respondeu tudo. O engraçado era que a poltrona tinha o encosto muito para trás e quando Angus se encostava seus pés ficavam no ar por não alcançarem o chão, de tão pequeno que ele é.
Ao final, todos nós pedimos autógrafo. Já escrevi aqui que nunca fui de pegar autógrafos em todos os anos que fui diretor do Fúria, mas abri três exceções: Ramones, Buzzcocks e Angus Young. Eu poderia ter 500 autógrafos e é isso que faz esses três que tenho ser muito especiais.
Nesse momento eu senti alguém cutucando minhas costas e me chamando pelo nome: “Paolo”. Olhei pra trás, era Angus querendo me entregar o CD e a caneta. Agradeci quase tendo um infarto. Assim como entrou, Angus Young saiu cumprimentando a todos. Me despedi agradecendo pela entrevista e desejando boa viagem. Depois disso eu e Gastão estávamos andando em nuvens. Tudo deu certo. Desejo realizado e ainda por cima sendo bem tratado por um dos ídolos da adolescência.
Eu bem que pedi e implorei para o cara da segurança que pegava o bilhete para não rasgar o meu, mas ele não só não ligou como nem olhou na cara... pelo menos ficou uma parte...
PS: Ozzy Osbourne acabou de lançar biografia e em outubro/2007 tem o post Ozzy Osbourne no Fúria Metal
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