2 de setembro de 2008

O Crítico Musical (argh!)

Palavra 'crítico' segundo o Houaiss:

Acepções■
adjetivo e substantivo masculino
1 que ou quem julga, examina
2 que ou quem examina, caracteriza, classifica obra de arte, ciência, costumes, comportamentos etc. Ex.:
3 que ou quem avalia competentemente, distinguindo o verdadeiro do falso, o bom do mau etc.

Etimologia
lat. critìcus,a,um adp. do gr. kritikós 'que julga, que avalia e decide', cog. do v. gr. krínó 'separar, decidir, julgar'; ing. critic (1544) critical (1590), fr. critique (sXIV acp. med, 1690 'decisivo'), esp. crítico (1615);

Antigamente era fácil achar um bom crítico musical, um bom jornalista que escrevia com conhecimento de causa. Antigamente.
A internet veio para esculhambar isso, tornar preguiçoso até mesmo o profissional que, algumas vezes, ganha bem para isso.
Tô cansado de ler matérias sobre as novas revelações, as novas tendências, o hype do momento e essas bobagens em fim.
Até a primeira metade dos anos 1980, essa coisa de rock, ainda era pouco explorada tanto nos USA e Europa, quanto aqui no Brasil. Eram poucas as bandas/artistas. Digamos assim que a cada 20 nomes, 5 eram bons. Hoje, com o mercado saturado, são 999 trilhões de nomes e 1 bom.
Hoje leio críticos indicando bandas por esses ou aqueles motivos e me pergunto: onde é que eles acham essas bandas? Eles simplesmente entram no sites ou compram revistas como New Musical Express, Rolling Stone, Uncut, Pitchfork, olham o que essas mídias estão comentando e comentam também. Aí, assim, dessa forma, até minha querida mãezinha, de 67 anos que adora Carpenters e Willie Nelson.
Quero ver algum desses críticos acharem, por si só, algum bom nome e apostar nele, sem depender da palavra dos outros. Quero ver coragem. Achar banda/artista bom hoje é fácil e eu não entendo o motivo pelo qual esses críticos não fazem isso. Sim, preguiça e covardia, como já falei, mas se é tão fácil caminhar com as próprias pernas, então porque não fazer isso?
Eu já escrevi para revistas especializadas, sites, jornais de todo o país, mas confesso que não gosto de escrever para os outros, mesmo porque o texto já vem direcionado, dificilmente com liberdade de escrita. Não gosto. Meu negócio é televisão, vídeo e meus blogs.
Hoje falata embasamento de quem escreve. Não acho que basta escutar e gostar de rock, tem que ter algo mais. Muito desses fraldinhasque escrevem para os grandes jornais e revistas não sabem da dificuldade de se fazer um disco, uma composição, e tudo o que envolve o mercado musical. É aquela coisa como no futebol que técnico bom é aquele que já foi jogador. E é verdade. Tem que ter conhecimento de causa.Não se deixe enganar e não espere esses picaretas dizerem à você o que é bom ou ruim. Vá atrás do que você gosta, até porque não interessa mais se outros gostam ou deixam de gostar. Tem tanta coisa legal que eu escuto e que ninguém nunca ouviu falar. Hoje, como falei, tem trilhões de bandas por aí. Ache as tuas e deixe as críticas pra lá. Isso é coisa do passado. Isso é coisa anterior a internet.

Um comentário:

Mayara disse...

Muito boas as suas observações, lamento por muita gentinha de showbiz da vida não ler esse post.
Mas tem muita gente que faz questão de ouvir bandas que nunca ninguém ouviu falar, justamente por não ser conhecida, aí não tem que ficar dando satisfações do porque escuta isso ou aquilo, às vezes eu acho bom.
Agora, sobre crítico ter conhecimento de causa, conheço uma exceção: aquele tal de Marcos que é jurado do Ídolos da Record. O cara é produtor e acha que sabe o que é bom e o que é ruim na música. Pô, o cara já fez disco dele e era uma merda! Ele tinha era que se enfiar num buraco e calar aquela boca!