2 de agosto de 2010

Dois Filmes Duas Medidas

Nesse final de semana assisti cinco filmes e quero falar de dois deles, completamente opostos. Trata-se de Chico Xavier e The Runaways.

O filme da banda americana já estreou fora do Brasil e até já chegou ao DVD, mas aqui parece que vai estrear no final de agosto, mas já ouvi falar que a estréia ficou adiada para outubro. Sendo em agosto ou outubro nada vai mudar para ele, afinal no Brasil ninguém conhece The Runaways, nem mesmo os roqueiros de carteirinha.

Há artistas internacionais que fazem grande sucesso no Brasil e há aqueles que não vingam por aqui, e não são poucos. Normal. The Runaways é um deles. Na verdade a banda nunca foi trabalhada aqui no Brasil. Na verdade a banda era ruim pacas e a verdade verdadeira é que não deu certo e que nunca obteve grandes sucessos ou grande destaque. O que conta na história dela é o fato de ter sido a primeira banda de rock totalmente formada por mulheres. Esse sim é um fato relevante, e até hoje ela influencia garotas a formarem suas bandas, mas não pelo som e sim pela atitude.

The Runaways foi completamente manipulada. Se Sex Pistols tinha Malcolm McLaren, The Runaways tinha Kim Fowley, que foi muito mais cruel que Mclaren. Fowley ajudou as garotas a formarem a banda e todas elas tinham na época 15/16 anos. O roquinho era fraco e o empresário queria ser provocativo nas letras. A carreira foi meteórica, lançou 4 discos, com mudanças em sua formação e o sucesso mais expressivo da banda foi “Cherry Bomb” do 1º disco.

Li textos de gente dizendo que a banda foi injustiçada, etc e tal. Fato é que ela teve discos lançados, divulgação, clipes, entrevistas, turnês e não agradou ninguém, a não ser os japoneses que trataram a banda como se fosse Beatles.

Em relação ao filme achei ruim de doer. Amo filmes de rock, claro. Mas esse não dá. O que salva é o elenco, o figurino e a caracterização perfeita de todas as integrantes do grupo. Joan Jett foi produtora executiva e ajudou nas filmagens.

O roteiro é um lixo e o filme mais parece uma vinheta biográfica. Os acontecimentos se atropelam, não se explicam. Parece uma corrida de cegos. Em um momento elas estão formando a banda e iniciando os ensaios e (parece que) dois minutos depois elas já estão iniciando a gravação do 3º disco com Cherie Currie saindo da banda. A impressão que dá é que havia pressa em mostrar os acontecimentos para logo chegar a parte em que Joan Jett lança “I Love Rock’n’Roll”, só porque é a canção mais famosa dela. Mas afinal o que “I Love Rock’n’Roll” tem com a história da Runaways???

A direção e o roteiro erraram feio. Não perca seu tempo indo ao cinema, espere o filme sair em DVD e assista-o no conforto de seu lar, e se possível tente um desconto no aluguel do DVD.

Chico Xavier é completamente o oposto de The Runaways. O fato de eu ser um espírita que estuda e trabalha na doutrina, não influencia em meu texto. O filme é maravilhoso. Bem feito em todos os aspectos, inclusive no roteiro, na condução da história e no visual. Daniel Filho é fodão! O filme mistura a participação de Chico no programa Pinga Fogo com passagens biográficas bastante conhecidas por nós espíritas, mas talvez pouco conhecidas para outras pessoas. Mas não importa a sua crença.

Isso não impede de você conhecer um pouco mais da vida desse ser humano tão especial, que tanto ajudou sem nunca pedir nada em troca, muito pelo contrário. Morreu humilde, da mesma forma como nasceu.

Se dedicou a vida dos outros, se dedicou ao trabalho beneficente e ajudou tantas mães desesperadas, tantos doentes desacreditados. Fez em 92 anos de vida o que governantes brasileiros até hoje não fizeram.

Assim como em The Runaways, os três atores que fazem o papel de Chico Xavier, arrebentam em suas interpretações e a produção também arrebentou em suas caracterizações. Tem momentos que são de chorar. Ao contrário de The Runaways, a história contada foi tratada com seriedade e veja como são as coisas: a vida de Chico Xavier que é muito mais rica e longa que a vida da banda americana, foi mostrada de uma forma que você entende os acontecimentos; e a história da Runaways, que foi curta e quase que insignificante, portanto mais fácil de se retratar, mas foi mostrada dessa mesma forma: curta, insignificante e preguiçosa, quando poderia muito bem ser conduzida de maneira mais convincente. Sem afobação. (a biografia da banda descrita no site all music guide é bem melhor que o filme)

Fique com Chico e dispense The Runaways (inclusive nem há grandes momentos musicais no filme).


Fotos: 1ª) As verdadeiras Runaways. 2ª) Runaways do filme. 3ª) Runaways verdadeiras. 4ª) Chico Xavier verdadeiro. 5ª) Chico do filme (ator Nelson Xavier)

2 comentários:

Anônimo disse...

Legal a crítica, não acho tão ruim a banda, mas a historia realmente foi mal contada no filme.

Anônimo disse...

runaways não foi a primeira banda de rock formada só por mulheres. Uma pesquisa básica evita esse tipo de informação errada. Esse tipo de chute acaba com qualquer credibilidade.