25 de fevereiro de 2016

The Stiff Records

O problema hoje não está no artista. Eu reclamo aqui, mas tem muito artista bom por aí. Talvez a maior parte do problema e da culpa de a cultura pop e a música hoje estar careta, é exatamente quem trabalha com isso. As rádios, emissoras de TV, gravadoras, revistas e todo o resto desse pessoal que está a frente.

Sim, porque não adianta ter um selo muito louco, com três ou quatro aritstas legais e propostas malucas. A loucura deve ser abraçada por todos. Agora há regras pra tudo, o que caretiou tudo: marketing, publicidade, grade de programas.

Um horror. ESTA FALTANDO UM POUCO DE FODA-SE NESSE UNIVERSO! Quem tem culhão pra arriscar?

Já falei disso, mas é sempre bom lembrar. J

Então vamos a Stiff Records que é referência pra selos do mundo todo. Só foi o maior selo independente inglês dos anos 70. Só isso.

E tudo começou com o bom e velho Pub Rock. Pioneiro em resgatar o rock em sua raiz, em querer tirar a burocracia implantada pelo rock progressivo/psicodélico. Pub Rock é algo direto, objetivo e com as influencias de raiz: o country e o blues. Era a novidade do momento em Londres e redondezas.

Stiff foi criado por Jake Riviera e Dave Robinson, duas figuras conhecidas na cena musical inglesa da época. Circulavam pelos pubs e agenciavam bandas. Dave foi gerente de turnê de Hendrix e Animals, trabalhou com Dr. Feelgood, Graham Parker e outras. Jake também trabalhou com Chilli Willi and The Red Hot Peppers, Brinsley Schwarz, Elvis Costello…

Com 400 libras emprestadas de Lee Brilleaux (ex-vocal Dr. Feelgood), a Stiff iniciou suas atividades em 1976. Eles estavam vendo algo de novo acontece e não tiveram medo algum em arriscar.

Em 1975 o rock já estava ficando chato com o progressivo e psicodélico. Todas essas bandas disputando quem faria o disco mais conceitual de todos, a música mais longa, a viagem mais doida.... e isso já estava dando no saco.

Naquele momento em Londres a novidade era o Pub Rock. Eram dezenas de bandas e artistas. Show direto. Alguém tinha que fazer alguma coisa com aquela bolha que poderia explodir a qualquer momento, e Stiff foi o selo que abraçou essa cena, e conseguiu boas parcerias de distribuição com grandes gravadoras: EMI, Virgin, Arista, Epic, Island, CBS (hoje Sony).

Tanto que o primeiro lançamento foi Nick Lowe, ex-baixista do Brinsley Schwars, e grande hitmaker. Por algumas razões ele foi o escolhido para ser o lançamento inicial e o single de “So It Goes”/”Heart of City”, lançado em agosto de 76, chegou ao 1º lugar das paradas duas semanas depois.

Jake e Dave, na época com 28 anos, nada mais faziam do que qualquer outro amante do rock: sair, ir a shows e se divertir. Era o circuito underground da época, e nesse circuito estava acontecendo coisas interessantes e eles resolveram pegar as bandas que conheciam e lançá-las.

Todo e qualquer jovem inglês frequenta pub, e todos os insatisfeitos com o rock progressivo, largaram seus discos do Genesis e Pink Floyd e foram formar suas bandas para tocarem nos pubs. Nada mais natural. Entre eles estavam praticamente todos os que formaram a primeira geração do punk inglês.

Era prato cheio, uma no meio disso tudo Jake e Dave viram várias oportunidades. Foi a Stiff Records que lançou o primeiro single com a alcunha de punk rock. Em outubro de 76 lançou “New Rose” do Damned. Lançou também “Blank Generation” do Richard Hell (o cabelo espetado e o uso do alfinete vem dele), Elvis Costello, Ian Dury, Devo, Madness, Dr. Feelgood (claro!), Desmond Dekker, The Pogues, Tenpole Tudor (que por um triz não substituiu Johnny Rotten no Sex Pistols).

Em 1977 até rolou uma super turnê local da Stiff com Elvis Costello, Nick Lowe, Ian Dury e Wreckless Eric, lembrando aquelas turnês de gravadoras realizadas nos anos 50 e 60.

É fácil achar material da Stiff Records, há boas coletâneas e indico a ótima The Stiff Records Box Set, com 4 CDs.








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