19 de fevereiro de 2016

Série Coisa Fina: 22 - The Slits

Sumi do mapa. Final de 2015 e início de 2016, pra mim, foi uma massa só. É uma única coisa. Tudo ao mesmo tempo agora. Por isso abri mão de meu tradicional texto ‘positivo’ de fim e começo de ano rsrs.

Mas disso eu falo depois. Voltei. O Sete Doses voltou. Em abril completa o 9º ano, e desde 2009 botei na minha cabeça: “haja o que houver, ele sempre estará ativo”.

Cheio de ideias. Cheio de textos iniciados e não acabados, e sei lá porque cargas d’água quando estava agora em Brasília para fazer o show de lançamento do Filhos de Mengele, deu vontade de escutar The Slits. Esses resgates malucos que acontecem. E quando dá na telha quero ouvir tudo.

E toda vez que escuto Slits, fico me perguntando o motivo de darem tanta importância para The Runaways, com aquele roquinho xôxo.

Há bandas que no Brasil ninguém fala, apesar de ser de suma importância para a história do rock. Uma delas, no caso, é The Slits.

Mas isso aqui não é aquela coisa “jornalista especializado” dizendo sobre “a banda que só eu conheço sua importância e por isso sou mais fodão que você”. Hahaha. Nada disso.

Slits. e Runaways eram as duas bandas femininas do mesmo período, meados dos 70, e transitavam na mesma turma, apesar de Runaways ser americana (1º disco solo de Joan Jett é produzido por Paul Cook e Steve Jones). Que fique registrado aqui a lembrança de que na cena punk havia muitas garotas como The Raincoats, a própria Siouxsie, Poly Styrene (X-Ray Spex), Chrissie Hynde e outras que não tinham bandas, mas que estavam juntas. Todas eram amigas, eram da mesma turma e frequentavam os mesmos lugares.

Acredito que todo mundo fala mais das garotas americanas porque o rock delas é mais fácil de digerir. Hard rock básico (“I Love Playing With Fire” poderia muito bem ser o Kiss). Ao contrário das garotas europeias que faziam algo mais elaborado, mais difícil de digerir e entender. Rock, reggae, dub, gótico, pós-punk.

A vocalista e mentora Ari Up tinha 14 anos em 1976 quando formou The Slits. Ela nasceu em Berlim, mas sua mãe se mudou para Londres e se casou com Johnny Rotten, do Sex Pistols. A casa de Ari Up era frequentada por todas as bandas punks inglesas da época. Foi Joe Strummer, do Clash, que a ensinou a tocar guitarra.

Além de Ari Up, tinha Palmolive, Tessa Pollitt e Viv Albertine. Palmolive saiu e ficaram as três.

Fez shows e turnês com Sex Pistols, Clash, Buzzcocks, Generation X, Damned, Siouxsie and The Banshees, Subway Sect e outras. Mas não só foi pioneira na mistura de punk rock com reggae (como o Clash, Police, Ruts), mas também ajudou a definir a sonoridade pós punk. Há músicas completamente anti comerciais, que não são pra tocar em festas, mas escutar só. E dá pra perceber o quanto ela serviu de inspiração para The Cure, Bauhaus, The Specials e outras que não tinham medo de experimentar. Os punk rocks são ótimos, os reggaes doidos também.

Mesmo no auge do punk rock entre 1976 e 1978, já tinham bandas que faziam um som que ia além do punk, três acordes, sem parte B ou solo, um único timbre e boa. Tinha Subway Sect, Alternative TV, Talking Heads, Blondie, Ultravox e outras já citadas... além de Slits.

Ari Up é incrível. Linda, tava nem aí. Nunca teve medo de arriscar. The Slits, apesar de estar no contexto punk, de ter seus punk rocks, e ser uma banda surgida na cena punk, tinha como principal influencia o reggae, e tocava reggae com experiências sonoras legais.

Lançou três discos, dois deles na na virada da década, Cut de 1979 e Return of the Giant Slits de 1981. Depois a banda se desfez, foi cada uma pro seu lado. Em 2009 Ari Up e Tessa reuniram uma nova banda, que contava com a filha de Paul Cook (ex-Sex Pistols), e The Slits lançou o ótimo Trapped Animal. Há gravações do programa Peel Sessions que também valem a pena.

Praticamente um ano depois desse lançamento, em outubro de 2010, infelizmente a genial Ari Up morreu vítima de câncer. Deixou uma bela obra, grandes amigos e muitas histórias.


Pode ir atrás que The Slits vale muito a pena!






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