13 de julho de 2011

Ingressos e Crachás: 3 - Shows Que Não Me Lembro

Não sei você, mas eu já tentei fazer um exercício impossível: um belo dia resolvi lembrar de todos os shows que assisti. Não consegui.

Os anos 1990 particularmente foram ricos nesse sentido. Tinha show praticamente todo final de semana: Aeroanta, Dama Xoc, Espaço Retrô, Der Temple, Britânia, Garage, Urbano, Columbia, Empório Cultural, Centro Cultural, Olympia, Palace, festivais, eram muitos os locais, dos menores aos maiores.

Inclusive houve um tempo na MTV que bastava você mostrar seu crachá de funcionário para ter acesso livre, tanto em shows brasileiros, quanto internacionais.

Algumas vezes os ingressos apareciam em cima da mesa, outras vezes era nome na lista. Mas a medida em que o tempo foi passando, esse privilégio foi diminuindo, chegando ao ponto de o ingresso ir de preferência para quem gostava muito do artista ou então por se tratar de um nome que fazia parte direto de seu trabalho, por isso, fui em quase todos os shows de punk rock, hardcore e heavy metal realizados nos anos 1990, afinal eu era o diretor do Fúria Metal (depois só Fúria).

Não dá pra dizer, por exemplo, o melhor show do Sepultura que assisti, afinal foram muitos. O que me vem à cabeça na hora que lembro de Sepultura ao vivo, são dois ensaios: um quando se preparavam para gravar o Roots e outro quando Derrick tinha acabado de entrar para a banda. Isso não dá pra esquecer.

Em São Paulo, a principal casa de shows dos 1990 era o Olympia, que ficava na Lapa. Um dos primeiros shows que assisti lá foi o do Yellowman, com abertura do Cidade Negra ainda com o Ras Bernardo no vocal. Esse show me faz lembrar de um baseado “da lata” numa época que ninguém mais tinha. Não vi o show inteiro, mas valeu. Yellowman é fera.

O show do Beastie Boys eu fui com o pé atrás, pois sabia que eu corria perigo de assistir a uma apresentação de MCs, e foi o que aconteceu. Eu queria ter visto, na verdade, um show mais rock, mais de instrumentos e menos de pick up. Me decepcionei, show ruim.

Muita gente costuma me perguntar sobre os shows em Brasília, na época em que Legião, Plebe e Capital ainda eram bandas pequenas, mas é difícil lembrar de detalhes. Há shows antigos que me lembro de tudo, mas há outros que não lembro sequer das músicas ou mesmo de como era o local. Esse do Beastie Boys não lembro de nenhuma música. Só lembro de ter ficado no fundo por ter chegado em cima da hora.

Achei um crachá de um show bastante inusitado que foi esse com Dr. Sin, Raimundos, Angra e Pit Bulls on Crack. Apesar de ter meu nome vinculado ao da MTV, acredito ser um show especial da antiga 89 FM. Eu devia estar com o Raimundos. Inclusive pode ter sido, talvez, a primeira vez que a banda pisou no palco do Olympia. Zero lembrança.

O do Agent Orange no Palace então nem se fala, inclusive porque nunca fui muito fã da banda. Também nunca fui muito fã dessa geração de bandas punk da Califórnia na virada de 1970 para 1980, nem mesmo Black Flag. Apenas algumas coisas de Fear, Circle Jerks e The Germs me interessam. Fui ao Agent Orange pela oportunidade de ver uma banda histórica e também por trabalho.

Achei um crachá do Kaiser Music, mas não faço a menor idéia de quando esse festival aconteceu e nem quem tocou. De todos os ingressos e crachás esse é o que realmente não lembro de absolutamente nada.

O show do Pantera no Olympia eu fui, com certeza absoluta, unicamente por trabalho. Odeio Pantera. Acho a banda a mais impostora do metal farofa camuflada de metal porrada. Um verdadeiro lixo (desculpe os fãs). Duvido ter ficado até o fim. Desses shows que eu ia por trabalho eu não costumava esperar o final, salvo exceções. Lembro sim da entrevista que fizemos com o baterista Vinnie Paul. O cara foi super gente boa. O idiota do Phil Anselmo preferiu ficar dormindo a atender a imprensa brasileira e sul americana.

Outra banda que assisti a milhares de shows foi o Paralamas do Sucesso, inclusive muitos deles no Olympia. O que mais me recordo foi o de lançamento do disco Bora Bora (que não é desse ingresso que está postado aqui). Do show desse ingresso lembro de uma história curiosa: Gastão (ex-VJ MTV) também foi ao show acompanhado de sua namorada na época. Parou o carro a dois quarteirões do Olympia e no final do show, quando voltou ao carro, o abriu, entrou e na hora de colocar a chave na ignição percebeu que seu volante (e só o volante) fora roubado. Mesmo com o carro inteiro, teve que esperar o guincho do seguro, pois como iria dirigir?

O show do Slash me lembro do todo. Ele foi à MTV fazer uma exclusiva para o Fúria, não parou de fumar seu Gitanes um segundo sequer, e foi muito gente boa, sossegadão. Lembro que eu e Gastão ficamos em um lugar perto do palco, no mezanino, e eu fiquei de queixo caído. Puta show de rock! Era o projeto Slash’s Snakepit. O vocalista era um animal. Ótima voz, ótima presença. Deixou o Guns no chulé.

O crachá do Rock For Help não faço a menor idéia. Talvez tenha acontecido no ginásio do Ibirapuera e era algo com o Rip Monsters. Se for isso, ainda tinha PUS, Neanthertal, Golpe de Estado, e outros. Não sei...

O Rock São Paulo, que aconteceu no Pacaembú, foi na verdade um festival fracassado que não houve público, pois a prefeitura não autorizou sua realização. Mesmo assim tinha palco e equipamento de áudio e luz montados. Muitas bandas alternativas no line up, mas só me lembro de Raimundos tocando. Foram acho que umas três ou quatro músicas (devidamente registradas pela minha VHS, material raro que tenho hoje). Lembro do Pacaembú escuro e vazio, e muitas bandas na beira do palco esperando para se apresentar. Foi bizarro.

O Super Metal Festival foi gravado pela MTV e aconteceu no ginásio da Portuguesa de Desportos. Se não me engano aconteceu no início de 1994 e lembro mais precisamente do show do PUS, pois Selvagem (baixista) estava com uma das pernas engessadas de cima a baixo e, por isso, ele foi obrigado a tocar sentado, encostado no praticável da bateria. Foi um puta show, até porque Selvagem era disparado o melhor baixista de Brasília. Vê-lo tocar era realmente uma experiência única – assim como ver Fejão em ação.

Shows, muitos shows!

Um comentário:

Daniel disse...

Valeu por compartilhar essas histórias com a gente.

Sério mesmo que o Beastie Boys foi ruim?? kkkkkkkkkk.

Um detalhe é que os ingressos antigos hoje em dia tem um valor considerado "perfeito", mas na época eram os olhos da cara.

Abraço.