O texto é longo, mas o dividi por décadas, então dá pra ler por partes ou a(s) década(s) que lhe interessar. É uma viagem no tempo!
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Para
iniciar o texto, eu até pensei em colocar uma lista de nascimento e óbito de
artistas, mas como é muita gente, desisti pra ir direto aos fatos. Tenho muita
data das décadas de 1940 e 50, mas é tudo data de nascimento.
Timidamente,
os acontecimentos relacionados ao rock brasileiro começaram a ser registrados a
partir de outubro de 1955, quando Nora Ney fez a 1ª gravação no Brasil. Nesse
período o pioneiro Bob Bolão já tocava o Twist - como também era conhecido o
rock nesse período.
Os
Ídolos brasileiros do rock só surgiram a partir da virada dos anos 1950 para
1960. Dito isso, há fatos relevantes que aconteceram em 1964, ano do estouro da
Beatlemania e de afirmação de uma nova cena que passou a ser chamada de Jovem
Guarda. Muitos clássicos atemporais foram lançados: “Ritmo da Chuva” e “A
Bruxa” (Demétrius); “Rua Augusta” e “Biquini de Bolinha…” (Ronnie Cord); “O Que Eu Faço do
Latim?” (Meire Pavão); “Terror dos Namorados” e “Minha Fama de Mau” (Erasmo
Carlos). Depois de passar por Renato e Seus Blue Caps, Erasmo lançou seus 1º
compactos em 1964, enquanto Wanderléa lançava o 2º disco Quero Você e Roberto
Carlos lançava o 3º disco - o clássico - É Proibido Fumar. No ano seguinte os 3
passaram a apresentar o programa Jovem Guarda na Record.
Todos
esses discos de cantores e cantoras da JG eram acompanhados pelas bandas que
haviam na
época e que também lançavam seus compactos e discos próprios. É o
caso de Renato e Seus Blues Caps (que gravou com Wanderléa neste disco de 64),
The Jet Black’s (que gravou com Meire Pavão), The Youngsters (que gravou com
Roberto Carlos) e The Panters (do Raul Seixas).
Todas essas bandas também
tiveram lançamentos em 1964, mas o ano foi mais agitado para o The Clevers que,
além de lançar dois discos, viajou para a Itália onde acompanhou a cantora Rita
Pavone. Na volta, em novembro, o grupo mudou o nome para Os Incríveis (nome de
um dos lançamentos de 64).
Tirando
esses fatos, a cena estava bombando com programas no rádio e na TV, as
gravadoras contratando e os artistas começando a apostar em composições
próprias e não apenas versões de sucessos internacionais.
1974
A
década de 1970 foi de grande produção fonográfica para nosso rock e MPB. Década
rica culturalmente falando apesar da ditadura militar. Tiveram festivais,
programas de TV, shows em teatros e ginásios e até premiações.
Em
1974 já estava todo mundo inserido no rock progressivo e psicodélico, que eram
a
bola da vez juntamente com o movimento hippie. Foi o ano do fim do Secos e
Molhados (que até chegou a lançar o 2º disco no início de agosto, dias depois
recolhido); o
Dzi Croquettes atuando; e muitos lançamentos significativos! Ah
sim, foi o ano do show de Alice Cooper com a abertura do Som Nosso de Cada Dia
que lançou, meses depois, o clássico Snegs. Uma
curiosidade ainda do S&M:
em maio havia saído uma nota em um jornal de grande circulação dizendo que Ney
Matogrosso havia recebido oferta da gravadora RCA.
Um
grande disco lançado no início de 1974, foi o 1º solo de Zé Rodrix chamado 1º
Acto. Rodrix - grande referência do rock rural - já tinha passado por Sá &
Guarabyra, por Secos e Molhados e já tinha algumas composições e arranjos gravados
por outros artistas.
Sobre
lançamentos, 1974 está cheio de estreias que se tornaram clássicos: Snegs (Som
Nosso de Cada Dia), Atrás do Porto tem Uma Cidade (Rita Lee & Tutti
Frutti), Ave Sangria (Ave Sangria), Gita (Raul Seixas), Moto Perpétuo (Moto Perpétuo),
Made in Brazil (Made in Brazil), Tudo Foi Feito Pelo Sol (Os Mutantes) e Loki?
(Arnaldo Baptista). Evidente que há outros lançamentos no ano, mas quis
destacar estes.
Outra
curiosidade do ano, mas referente ao Mutantes, é o lançamento do 1º disco do
grupo sem Rita e Arnaldo, e que se tornou uma das maiores referências do rock
progressivo brasileiro. Também tem a estreia de Rita Lee com o Tutti Frutti e
do Arnaldo Baptista solo. Tudo discaço!
No
caso do Ave Sangria, o maravilhoso 1º disco teve um número considerável de
vendas por conta do
sucesso que “Seu Valdir” fez na época do lançamento. A
música chegou ao 1º lugar da Rádio Globo mas, por reclamações dos ouvintes que
consideravam uma
música que fazia ode ao homossexualismo, tanto a música,
quanto o disco, sofreram censura. Resumindo a história: “Seu Valdir” foi
composta para uma cantora gravar, mas como ela não quis a música, o próprio
Ave
Sangria gravou. Anos mais tarde, creio que em 1980, Ney Matogrosso gravou e
lançou a música.
Em
relação ao Raul, Gita vendeu 600 mil cópias impulsionado por “Medo da Chuva” e
"Sociedade Alternativa”.
O
Moto Perpétuo, banda que tinha Guilherme Arantes como vocal e teclado, gravou o
disco em 5 dias e, assim como o do Made in Brazil, foi lançado no final do ano.
Em
outubro aconteceu a estreia da banda Veludo, ex-Veludo Elétrico. Quando Lulu
Santos e Fernando Gama saíram da banda para formar o Vímana, o Veludo foi
reformulado e abreviou o nome. Este 1º show aconteceu no Teatro João Caetano
(RJ), junto com o Vímana, O Terço e Mutantes.
Também
no fim de 1974 rolou um evento chamado Rock Concerteza que foi uma semana de
shows no Teatro 13 de maio (SP) que terminou com uma premiação dos melhores de
1974. Os shows foram The Beatnicks, Burmah (Argentina), Som Nosso de Cada
Dia (com Liminha no baixo), Edy Star e Próspero Albanese.
Com
relação à noite de premiação, entre os ganhadores estão: Ney Matogrosso (melhor
vocalista, S&M),
Sérgio Dias (melhor guitarrista, Os Mutantes), Gerson
Tatini (melhor baixista, Moto Perpétuo), Raul Seixas (melhor trabalho musical
pelo disco Gita) e O Terço (melhor show, realizado no
MASP em 13/10/1974).
Pra
finalizar, é bom deixar registrado que em 1974 foram gravados cerca de 20
discos de bandas brasileiras, aconteceu algo em torno de 300 shows e mais de um
milhão de cópias vendidas de discos de rock brasileiro (um fenômeno pra época).
1984
Não
menos intenso foi 1984, ano que precedeu o Rock in Rio. Aliás, a partir de
determinado momento, o festival tomou conta da mídia. A imprensa só falou de
duas coisas em 1984: a emenda Dante de Oliveira (Diretas Já) e Rock in Rio.
Para
o universo do rock e do pop, 1984 quase não teve fim, de tanta coisa que
aconteceu. Logo no início do ano o RPM apresentou sua 1ª demo para a CBS (hoje
Sony), mesmo antes de fazer sua estreia ao vivo, que só aconteceu em maio no
Cineclube Zoom (SP), abrindo para o Ira (sem exclamação). Essa foi uma das
estreias do ano, porque também teve Os Replicantes, Violeta de Outono, Smack,
Akira S & As Garotas que Erraram, entre outras. No caso do Replicantes,
aconteceu a mesma coisa que o RPM: a banda gravou a 1ª demo (com “Nicotina”)
antes mesmo da estreia que aconteceu, também, em maio.
Apesar
das
estreias e lançamentos, já havia “veteranos” na cena. Esse é o caso de
Gang
90 & Absurdettes e Léo Jaime. Em fevereiro as Absurdettes May East e Lonita
Renaux (Denise Barroso, irmã de Júlio),
anunciaram a saída da Gang. Já Léo Jaime,
que havia passado pelo João Penca, finalmente pode lançar seu 1º disco solo
Phodas C. Era pra ter sido lançado em 1983, mas a censura postergou ao
máximo.
Clássico que tem a participação de Fernanda Abreu (ex-Blitz), Alice Pink Pank
(ex-Gang 90 e Lobão), Wander Taffo (ex-Rádio Taxi), Lobão, entre outros.
Tem
muitos acontecimentos em 84, então vou listar alguns dos principais lançamentos
do ano: Seu Espião (Kid Abelha), Blitz 3 (Blitz), Tudo Azul (Lulu Santos),
Ronaldo Foi Pra Guerra (Lobão & Os Ronaldos), Maior Abandonado (Barão
Vermelho), O Passo do Lui (Os Paralamas do Sucesso), Metrô Linha 743 e Ao
Vivo-Único e Exclusivo (Raul Seixas) e o 1º do Titãs.
Ainda
teve o 2º compacto do Ultraje (com “Eu Me Amo” e Rebelde Sem Causa”), a
coletânea gaúcha chamada Rock Garagem com 10 grupos, entre eles Taranatiriça,
Garotos da Rua, Urubu Rei (pré-De Falla com o Miranda), Fluxo e Os Replicantes.
Em Brasília a coletânea Rumores foi gravada no meio do ano, mas por conta de uma série de
atrasos só foi lançada em 1985 (Escola de Escândalo, Elite Sofisticada, Detrito
Federal e Finis Africae).
Dito
os principais lançamentos, vou logo para o lado triste do ano, que foi a morte
repentina de Júlio Barroso. Este fato deixou todo mundo do meio artístico e os
fãs que conheciam o trabalho da Gang e a história de Júlio estupefatos. Luto
geral. Até rolou um show em homenagem a ele no Noites Cariocas (RJ) um mês
depois, mas o clima não ficou bom após esse acontecimento. Morte prematura do
responsável pelo o que foi o rock brasileiro dos 80s.
No
início disse que em 84 a imprensa praticamente falou de 2 assuntos, mas houve
um
terceiro que foi inesperado: o lançamento e mega sucesso do filme Bete
Balanço. Um verdadeiro fenômeno! Em Brasília, fui duas vezes com minha namorada
na época e as duas tivemos que sentar no
chão, na escada entre as cadeiras. As
salas de cinema do país inteiro ficaram assim lotadas em todas as sessões. Algo
impressionante. Hoje você assiste ao
filme e até acha bobinho, e é, mas para o
contexto daquele momento pré abertura, pré Rock in Rio e com um monte de coisas
acontecendo no universo jovem no comportamento, na
música, no figurino, no
cinema, aquele filme era o máximo. A trilha sonora era só de rock brasileiro e tinha Barão
Vermelho, Sangue da Cidade, Lobão e os Ronaldos, Brylho,
Celso Blues Boy,
Titãs e Metralhatxeca.
O
Barão também participou do filme, compôs a música tema que ficou de fora do
disco que foi gravado e lançado antes do filme. A música só entrou no Maior Abandonado em edições posteriores ao lançamento. Em compensação o compacto vendeu horrores entre agosto e dezembro. Teve até festival do filme em
SP.
O
filme foi lançado em agosto, quando já rolavam reportagens sobre os possíveis
artistas que viriam ao Rock in Rio. Blitz, Paralamas e Barão estavam voando
baixo. Durante os shows de lançamento do disco aqui em SP o Barão chegou a ir
pra delegacia por porte de maconha encontrada durante um “baculejo” nos quartos
do hotel onde a banda estava hospedada.
Várias
capitais estavam com sua cena local fervendo. Época das danceterias. Ano em que
Legião, Ira, Ultraje, RPM, todas elas foram contratadas.
Em
São Paulo, na vontade de fazer e acontecer, Júlio Barroso, antes de morrer,
teve a ideia de reunir bandas locais para uma uma temporada de shows que
aconteceu na boate Val Improviso que durou de outubro a dezembro. Entre as que
tocaram estavam Ira, Mercenárias, Smack, Voluntários da Pátria, Gang 90,
Inocentes, Garotas do Centro, Metrópolis, Fellini, Basculantes, 25 Segundos
Depois e Cabine C.
Chateado
por não ter participado da temporada (e reunião), Guilherme Isnard, então
vocalista do Zero, reclamou publicamente para o jornalista Pepe Escobar (que
escrevia na Folha de SP) que havia uma panelinha entre as bandas de SP. Pepe
então escreveu o artigo Desventuras do Rock Paulistano onde fala mal da cena
paulistana dizendo, entre outras palavras, que “o rock paulista debate-se em
guetos, e neles permanece” (...) “O Zero está com uma ótima fita gravada em
estúdio. O resto é de lascar.”
Este
artigo levou 12 integrantes de bandas paulistanas até a redação da Folha de São
Paulo. Lá, o Nazi (vocal do Ira que até então assinava com “z”) partiu pra cima
do jornalista e foi contido pelos colegas. Eles foram lá desautorizar Pepe a
escrever sobre eles. A Folha até chegou a realizar um debate em seu auditório,
mas ficou feio de qualquer jeito.
Tudo
isso aconteceu entre outubro e novembro, mas o ano foi pouco pra tanta coisa
porque entre o Natal e o réveillon de 1984 para 1985, houve todo um movimento
no Titãs, que resolveu pela saída do baterista André Jung justamente no Natal e
formalização de convite ao Charles Gavin no dia 31 de dezembro.
Sabe
quando você enche a panela de água até a boca e quando ela ferve começa a voar
água pra todos os lados? 1984 foi isso, foi fazer pipoca sem tampar a panela,
se é que você me entende!
1994
1994 foi um ano intenso pra todo mundo que gostava de cultura pop e música. A MTV
Brasil finalmente começava a ser notada pelas gravadoras e artistas. Um ano
bastante significativo tanto no início, quanto no meio e no fim.
Porém,
antes de tudo, quero
registrar os fatos que envolveram as gerações anteriores a
de 1990, a começar por uma coincidência que envolve duas perdas: Sérgio Sampaio
e Miriam Batucada. Os dois
morreram aos 47 anos e participaram do cultuado
disco Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez. Nenhum deles tinha
ligação com o rock, principalmente Miriam que era
sambista. Esse disco, uma
ideia doida de Raul Seixas feita às escondidas dos chefes da gravadora, não foi
bem recebido pelo público, mas com o
tempo sua importância foi reconhecida.
Além dessas coincidências, as datas de falecimento foram próximas, 15 de maio
(Sérgio) e 2 de julho (Miriam).
Alguns
veteranos dos anos 1980 se arriscaram em outros projetos ou em discos solos.
Dinho, que estava fora do Capital Inicial, lançou disco com a nova banda,
Vértigo. Fui em alguns shows que eram ótimos. Era uma bandaça, diga-se de
passagem. Uma época muito doida em SP.
Por
outro lado, o Capital Inicial, então com o vocalista Murilo Lima (gente
boníssima!), lançou o ótimo e pesado Rua 47, de forma independente numa tentativa
de recomeço. Infelizmente não aconteceu. Nessa época Loro ainda morava em
Perdizes e nos víamos bastante. Esse Capital participou da Casa da Praia na MTV
(verão 94/95). Mas os anos 90 não foram bons para Dinho e nem Capital, que só
voltou a chamar a atenção de novo em 1998 com o Atrás dos Olhos, disco da volta
do Dinho.
Em
1994 o Barão Vermelho lançou o Carne Crua. Barão foi um dos veteranos que se
deu bem nos 90, assim como Paralamas, Legião e Titãs. Por citar Titãs, tem
fatos relacionados à banda que são de importância crucial para esta
década.
Agora,
esse final dos veteranos fica tudo em casa, porque a Cássia Eller lançou o 3º
disco que tem “Malandragem” e “Blues do Iniciante” que são do Cazuza e do Barão
Vermelho; e “1º de julho” e “Música Urbana 2” de Legião Urbana e Renato Russo.
Esse foi o disco que deu um empurrão na carreira da Cássia. Importantíssimo!
Falando
de Renato Russo, 1994 foi quando ele lançou o 1º disco solo The Stonewall
Celebration Concert, que fez enorme sucesso vendendo na época do lançamento 250
mil cópias.
Ainda
sobre disco solo, pra iniciar o bloco sobre o Titãs, Paulo Miklos lançou o seu
1º da carreira, ainda quando estava na banda. 1994 foi um ano de férias para o
grupo, mas todos eles continuaram na ativa e imersos no que acontecia de novo
na década.
Foi
logo em janeiro que foi anunciada a criação do selo Banguela - de gestão dos
integrantes do Titãs - e parceria com a Warner. Ainda a respeito de lançamentos
ligados ao Titãs, no final do ano o Kleiderman lançou o bom e barulhento Con El
Mundo a Mis Pies.
No
Banguela os integrantes se tornaram executivos e produtores. Contrataram
algumas bandas e a de maior sucesso foi Raimundos, que em maio lançou o 1º
disco, quando também tocou pela 1ª vez em SP abrindo exatamente para o Titãs. O
disco, quando lançado, começou tímido, mas depois explodiu (com a ajuda de
“Selim”). O mundo livre s/a também lançou seu 1º disco Samba Esquema Noise, que
fez barulho, mas não como o Raimundos.
Evidentemente
que na MTV as coisas também estavam bombando. A todo instante recebíamos
novidades daqui e de fora. Demos, CDs independentes, sacolinhas das gravadoras
com os lançamentos da semana e muitos, mas muitos, videoclipes. A emissora
tinha lá seus programas que ajudavam a
divulgar o underground e as novidades do
mainstream, mas não era suficiente para o que acontecia. Também haviam as
rádios segmentadas de rock e pop e também algumas revistas.
A
chegada do Banguela em janeiro de 94 só foi um prenúncio do que seria o ano. É
que não tenho datas relacionadas a cena underground, mas eram várias cenas
locais em ebulição como em Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo
Horizonte, Curitiba, Porto Alegre. Festivais independentes acontecendo, criação
de selos, surgimento de casas noturnas e a volta da música autoral ao vivo.
Pouco
antes do lançamento de Raimundos, o Chico Science & Nação Zumbi lançou o 1º
disco Da Lama ao Caos que se tornou um dos clássicos dessa década. A MTV gravou
o show de lançamento em SP e essa foi a 1ª vez que vi o grupo ao vivo.
Além
desses dois clássicos Raimundos e Da Lama ao Caos, em 1994 também foi lançado o
2º do Skank, o excelente Calango; o 1º do Rappa, que também tocou muito nas
rádios e na MTV.
Impulsionada
pela criação do Banguela, a gravadora Sony Music criou o selo Chaos (em parceria
com Elza Cohen, criadora do festival SuperDemo) no final de 1994, apesar disso
lançou antes o CSNZ e Skank.
Pelo selo Chaos, mas não tendo
ligação direta com a cena rock, aconteceu o
lançamento do 1º disco do Gabriel O Pensador que tem “Lôraburra”, “175 Nada
Especial”, “Retrato de Um Playboy” e a polêmica e censurada
“Tô Feliz (Matei o
Presidente)”. Tocou muito!
1994
foi o ano em que Sepultura trabalhou o Chaos A.D., lançado em setembro/outubro
de 1993. O ano começou com o Max indo pra delegacia depois do show no Hollywood
Rock em SP, acusado de ter pisado na bandeira brasileira (e quanta gente nesses
últimos anos pisou e até ateou fogo na Bandeira Nacional e nada aconteceu!). Um
fato bastante relevante para o Sepultura neste ano foi a participação no
festival Monsters of Rock que aconteceu em Castle Donington, nos EUA. Entre as
atrações do palco principal (onde Sepultura tocou) tinha Aerosmith, Pantera e
Extreme. Foi a 1ª vez que uma banda do 3º Mundo tocou no MoR, ainda mais no palco
principal! Apesar desse fato ter acontecido em junho, é com esta data grandiosa
que fecho os acontecimentos de 1994 e, mais uma vez, lembro que a cena
independente estava fervendo e as gravadoras todas estavam contratando.
2004-14
Com
relação às datas a partir de 2000, eu não fui muito a fundo na pesquisa. O
rock/pop, os artistas e os discos lançados a partir desse início de Século XXI
não são relevantes se comparados às décadas anteriores, então fui mais comedido
quanto aos acontecimentos. Além disso, com a internet, ficou mais fácil pra
todo mundo pesquisar datas. Dito isso, pra finalizar o texto, quero registrar
que em 2014 perdemos Jorge Amiden, um grande guitarrista e compositor que foi
um dos formadores do O Terço e depois do Karma (com quem lançou apenas um
disco, que se tornou um clássico).