18 de junho de 2019

Histórias da MTV: Bobinhas, Mas Proibidas

O Casal Maconheiro

Certa vez chegou um casal de veteranos na MTV para divulgar um lançamento especial. Por estarem na MTV pela 1ª vez, se empolgaram e pediram um baseado, já que queriam dar entrevista doidões. A pessoa que estava com eles – do Departamento de Relações Artísticas – foi atrás de um baseado já que conhecia os maconheiros que trabalhavam lá. E não eram poucos, assim como também tinha uma infinidade de outras pessoas que trabalhavam lá e que eram absolutamente caretas.
Descolado o baseado, a questão agora era em que lugar fumar. Foi sugerido a escada de incêndio que era o “fumódromo oficial”, mas por algum motivo não quiseram. Daí então, depois der quebrarem a cabeça, resolveram fumar no figurino.
Lá era uma sala pequena, com apenas um trocador, onde ficavam as araras com os figurinos de todos os VJs, prateleiras, espelho, mas nenhum armário fechado. Além disso não havia janelas. Fumaram, fizeram o programa felizes e tudo ok.
No dia seguinte, a Sabrina chegou pra gravar seus programas e quando começaram a separar as roupas, perceberam que todas elas estavam cheirando maconha. Foram verificar e TODAS as roupas que estavam na sala foram levadas para o térreo para tomarem banho de sol para o cheiro de maconha sair.

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Casa da Praia

Em 1993 a direção da MTV resolveu criar alguns eventos para chamar a atenção para a emissora que ainda tentava entrar no mercado publicitário e convencer de sua importância até mesmo para os artistas e as gravadoras. Entre as criações estava a Casa da Praia, primeiro programa de verão da MTV. A emissora alugou uma casa na beira da praia de Camburi, no litoral norte de São Paulo, a cenografou inteira e diversos programas foram gravados lá durante o verão: Gás Total, Pix, Disk e outros especiais.
Os convidados – artistas solos e grupos – faziam um bate volta de van até Camburi. Saiam de SP de manhã e voltavam pelas 18h. Passavam o dia na casa gravando programas e se divertindo.
Cada grupo que chegava lá ganhava uma garrafa de Jack Daniel’s (não sei se todos eles, mas a maioria). Teve um grupo, que está na ativa até hoje, que gravou um programa especial onde escolhia e chamava seus clipes preferidos. Porém além de ter bebido toda a garrafa de Jack, o grupo também tomou um ácido. Resultado: estavam todos tão doidões no programa que ele não foi ao ar.

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Baculejo no Aeroporto

A partir da Casa da Praia de 93-94, a MTV passou a fazer especiais de verão todos os anos. Viagens para várias praias aconteciam e a cada ano VJs e equipe mudavam (ou não).
Em um período em que a MTV ainda era pouco conhecida, já que era uma emissora segmentada, bandos de jovens invadiam os aeroportos de cidades litorâneas sempre saindo de São Paulo.
Em uma dessas etapas de um desse  anos, a equipe de segurança cismou com a equipe da MTV já que todo mundo andava sempre largado, de havaianas (que ainda não eram gourmet), roupas rasgadas e descabelados e resolveu então dar um senhor baculejo em todo mundo, incluindo aí os VJs, que não eram nada conhecidos. Até acessórios de maquiagem foram minuciosamente vasculhados.
Um dos VJs estava com um punhado de maconha escondido no meio das pernas e seguranças o levaram para uma sala onde estavam revistando todo mundo. Deram o baculejo e não acharam nada, daí pediram pra ele tirar o tênis e nada. Pediram pra tirar a camiseta e nada. Pediram pra tirar a bermuda e nada. Daí, de cueca, ele começou a suar frio do tipo “fudeu”. Então pediram pra ele tirar a cueca, porém em um improviso repentino, ficou bravo, reclamou, disse estar se sentindo humilhado já que era um apresentador de TV, etc. No fim desistiram da cueca e pediram pra ele colocar a roupa e sair da sala. Essa foi por pouco!

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VMB 1ª Edição

Como estratégia comercial e de marketing (como disse no texto da Casa da Praia) a direção da MTV Brasil resolveu produzir sua própria premiação, o que não era comum na franquia mundial da MTV. Mobilização total da emissora para essa produção. Todo mundo achou estranho quando a emissora resolveu colocar outra pessoa que não fosse VJ para apresentar a festa... evidentemente VJs reclamaram com justiça, claro.
Nem todos os funcionários da MTV se envolveram na produção, mas todos deveriam ir assistir à premiação. VJs tinham seus lugares marcados, eram VIPs, e alguns deles até participaram da premiação.
Tanto a premiação, quanto a festa pós aconteceram no Memorial da América Latina. Havia o famoso tapete vermelho, mas nesse primeiro VMB a MTV ainda não o mostrava.
Na correria para as resoluções técnicas – era a 1ª transmissão ao vivo da história da MTV Brasil – não houve ensaio geral, e cada equipe, cada profissional envolvido na festa, estava trabalhando como louco há dias, inclusive o pessoal que tomava conta dos convidados e seus lugares (todos eles minuciosamente calculados).
Convidados extremamente chiques, canhões de luzes que iluminavam as nuvens, movimentação de carros chegando, gente entrando, burburinho e tals, e eis que surge um VJ nos bastidores perdido, sem saber onde era a entrada. Uma pessoa da produção o leva até a porta dos fundos e aponta a entrada pra ele: “Tá vendo as luzes e os carros? É ali. Só seguir reto!”. Passados 5 minutos o VJ reaparece nos bastidores: “Putz! Tô procurando a entrada...”. Novamente a pessoa da produção o leva até a porta e diz a ele: “segue esse casal que ele vai até a entrada”, e o VJ foi seguindo o casal. Passados mais 5 minutos, pimba! O VJ ressurge nos bastidores perdidinho. A pessoa da produção chega nele e diz: “Está tudo bem com você?”. E o VJ: “Tá tudo lindo, só que pingaram duas gotas de LSD na minha língua e não consigo encontrar ninguém”. A pessoa da produção então o pegou na mão, o levou até a porta, literalmente o entregou a outro produtor da MTV dizendo: “Esse aqui tá doidão de LSD, não tira o olho dele”.
Sem dúvida, de todos os VMBs, a 1ª edição foi a melhor premiação promovida pela MTV, disparada!

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Pego no Baculejo

A caminho para a gravação de um programa em locação externa estavam duas kombis: uma com o equipamento e um membro da equipe técnica, além do motorista; na outra o VJ e a equipe que ia gravar o programa (diretor, figurinista, cameraman, assistente...).
As kombis passam por uma blitz. A da frente que estava com o equipamento, de portas abertas e com o técnico fumando maconha passou direto pela barreira, mas a Kombi com a equipe foi parada. Dentro dela apenas um case de máquina fotográfica, e o policial quis ver cada compartimento do case. Eis que por acaso achou um baseado enrolado, fino e pequeno.
O policial olha pra equipe e pergunta: e aí, como vai ser? Todos da equipe olham para o dono do case com olhares matadores rsrs. Assim todo mundo colocou a mão no bolso e conseguiu juntar alguns reais.
Pedindo desculpas, a pessoa dona do case prometeu devolver o dinheiro para todo mundo. Assim arrumou uma nota fiscal simples de almoço com o valor dado no baculejo, e apresentou para o departamento que reembolsou o dinheiro gasto. Dessa forma a pessoa cumpriu o prometido devolvendo a grana pra todo mundo que contribuiu na vaquinha para o policial.

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Pegação Geral

Cornos e cornas havia de montão na MTV. Era VJ pegando mulher de executivo; executivo pegando mulher de produtor; produtora pegando diretor casado... Acontecia de tudo naquele prédio, nas viagens e nas festas... Ah as festas.... sabe como é esse negócio de festa com bebida de graça, né!?  Inclusive nessa história de relacionamentos e sexo, tinham feministas que faziam sexo pra subir profissionalmente; gays escondendo relacionamentos com héteros. Era chefe pegando funcionário e vice versa; VJ pegando VJ e todo mundo ao mesmo tempo corneando todo mundo.
Era normal volta e meia você encontrar pelo prédio, pelo elevador, gente corna com o chifre ainda quentinho. Éramos uma turma, muitos amigos, muitos eventos, festas e acontecimentos. Natural nesse contexto acontecer relações casuais... e dessa história toda também surgiram casais que estão juntos até hoje. Mas que era uma pegação, ah isso era!

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Comemoração Privada (só que não)

Algumas premiações do VMB foram especiais para alguns grupos que se saíram consagrados da premiação, nem sempre por ganharem diversas estatuetas, mas por ganharem os principais prêmios.
E entre as boas coisas que uma premiação do VMB trazia ao artista era aumento nas vendagens do disco em questão e aumento na venda de shows. Ganhar VMB significava mais din din no bolso.
Por algumas edições a festa pós premiação acontecia no mesmo local da festa da premiação. Nesses casos a equipe da festa pós costumava fazer um caminho com cavaletes de ferro que direcionava as pessoas da sala de premiação ao local da festa. Algumas edições aconteceram no Centro de Convenções do Anhembi e as festas eram realizadas em toldos montados no próprio estacionamento do Centro. Dessa forma os convidados caminhavam por entre os carros até chegar na entrada da festa. Esse caminho devia ter algo em torno de 200 metros e ele se tornava uma verdadeira avenida de gente.
Em uma das edições o grupo que foi o grande vencedor da noite resolveu comemorar no estacionamento bem no meio do caminho entre o local da premiação e o local da festa, a uns 20 metros da tal avenida de gente.
O único problema era que todo mundo que andava pela avenida de gente podia ver nitidamente o grupo aglomerado em torno de um espelho retrovisor de uma SUV, e só os leigos não percebiam o que o grupo fazia quando colocava o nariz perto do espelho...  











19 de maio de 2019

Acústico MTV


Por que o Acústico MTV não se chama simplesmente Acústico? Por ser um show especialmente feito para TV.

O Acústico MTV foi criado por um cameraman americano exatamente com a intenção de privilegiar a fotografia, os planos longos, os movimentos de câmera com começo-meio-fim.

O fato de ser acústico é proposital para também desacelerar a música, e fazê-la se encaixar nos planos lentos e artísticos, além de trazer uma apresentação diferente e absolutamente intimista (não à toa a plateia ficava sempre bem próxima aos músicos).

Aqui no Brasil essa proposta se perdeu e são poucos os Acústicos que pegaram na veia, aqui no caso, em relação ao meu gosto e ao que eu assisti. Mas disso falo mais ali na frente...

Comecei a fazer direção artística na MTV em março de 1994, e em algum momento desse mesmo ano passei a ser o responsável por todos os ‘ao vivo’ que chegavam à emissora. “Todos” significa todos mesmo, desde pequenas apresentações nos estúdios das MTVs pelo mundo até Acústicos e grandes festivais. Podia ser qualquer artista: de Roxette a Pixies. Era ao vivo, passava pela minha mão.

Minha função era assistir tudo para ver se havia necessidade de acrescentar legendas (em falas que aconteciam entre as músicas), cortar algo (Iggy Pop lambendo o sangue da fã que se cortou no braço), separar em blocos, acrescentar vinhetas, ou seja, é o que chamamos de embalar para ir ao ar aqui no Brasil. Assistia também pra ver se era relevante passar aqui.

Cada apresentação que eu assistia era uma aula de produção e direção de show, seja de como fazer ou como não fazer. Eu assisti a todos os Acústicos internacionais de meados de 1994 até 2000, quando sai de lá.

Nunca fiz direção de nenhum Acústico, e o único que me coloquei a disposição pra fazer foi o do Paralamas que, ainda bem não fiz!

O do Legião Urbana lançado em 1999 como edição especial fui o responsável pela edição e toda a pós-produção de vídeo. Foi bastante trabalhoso por eu não ter material suficiente pra trabalhar. Já escrevi sobre ele aqui no Sete Doses.

E pra mim há dois Acústicos da MTV Brasil que são exemplos de Acústicos de verdade: o do próprio Legião e o do Gilberto Gil.

O do Legião é o mais intimista de todos os da MTV Brasil e um dos mais intimistas de todas as MTVs. Foi gravado em clima de piloto, o próprio grupo não levou a sério, fazendo um único ensaio na casa de Renato, a tarde, com dois violões e Bonfá sem nada pra fazer hahaha. É um Acústico incrível, honesto, puro.

O do Gil é um primor na direção artística de Rodrigo Carelli e de toda a produção, não só da emissora, mas a do Gil também. Figurino impecável, banda impecável, versões impecáveis. Até hoje assisto a esse Acústico com o mesmo prazer da primeira vez. Carelli gravou tudo separado e o montou na ilha. Seguiu perfeitamente a proposta inicial do projeto.

Dos gringos, é difícil lembrar de todos, foram muitos, mas me chamaram a atenção e gostei muito do Cure, Live, REM, Sheryl Crow, Kiss, Lenny Kravitz, Café Tacuba e Nirvana. Me parece que o Cure fez dois, mas me refiro ao primeiro em que todos estão sentados no chão em roda. Maravilhoso! O do Live os violões são incríveis, REM também bastante intimista, o da Sheryl também. Tem mais Acústicos legais, mas não consigo me lembrar de todos, claro. Na gringa eles eram produzidos em maior escala, os artistas se preparavam pra eles, havia uma produção por trás, mas nunca teve a importância que teve para o mercado fonográfico aqui do Brasil.

A partir do Acústico do Titãs, uma áurea ridícula se fez em torno do projeto. E o do Titãs, assim como o do Moraes Moreira, já não gostei nem um pouco.

Não estou aqui pra apontar culpados, mas no Brasil deturparam a essência do projeto. A culpa é um pouco de cada parte envolvida, incluindo o próprio artista.

Depois que o Titãs vendeu 2 milhões de CDs e não sei quanto de DVDs, resgatando o grupo que não estava nada bem na carreira depois do não tão aceito Domingo, tanto gravadoras, quanto artistas, todos queriam seu Acústico. Se tornou uma corrida de cegos, e a MTV Brasil não tinha estrutura para tanta demanda.

Cada produção passou a ser tratada como se fosse a última antes do fim do mundo. Seja Rita Lee e Cássia Eller ou Art Popular e Zeca Pagodinho, todos se perderam de alguma forma.

Pra minha decepção, um dos piores Acústicos é o do Paralamas. Megalomaníaco, com sopro, percussão e o diabo a quatro. Aquela versão de ‘Que País é Este?” devo admitir, é uma das coisas mais tristes da carreira do grupo. Paralamas pra mim é o melhor grupo de sua geração e um dos melhores da história do rock brasileiro, mas errou feio ao fugir completamente do objetivo real do projeto.

Inclusive na lista de artistas brasileiros que fizeram o Acústico, tem alguns nomes que a carreira é praticamente feita de música acústica, então me pergunto até hoje: por que diabos fazer um Acústico?!! Virou coisa de doido hahaha.

Sei que a MTV Brasil vai voltar a fazer Acústico, mas não sei quais são os objetivos e as intenções. Só sei que vou torcer loucamente para que ele seja feito com base em sua proposta original: o artista despido de superprodução, tocando de forma intimista e acústica para câmeras que passeiam lentamente pelo palco.

Em termos de apresentação para câmera, tem coisa mais simples do que o artista no violão e percussão, tocando e contando histórias?

É isso, que o novo Acústico traga o artista mais humanizado e simples.


PS: O 1º Acústico da MTV Brasil foi com Camisa de Vênus, mas tratado como o programa piloto. Foi também bastante simples e intimista, bem parecido com o do Legião.








5 de março de 2019

Consumo


Lembro certa vez em 2008, quando eu fazia a direção da 1ª temporada do programa Urbano no Multishow, quando fui conversar com um senhor intelectual que havia sido Ministro no Governo FHC, em que disse que entraríamos em um tempo de desapego.

Naquele ano ainda existiam locadoras de DVDs, era o boom das vendas de DVDs musicais, as vendas de CDs iam bem apesar de já existir download gratuito de músicas e discos, e até o mercado pirata ganhava com isso, inclusive com a venda de games.

Hoje o streaming e OnDemand praticamente acabaram com tudo isso, inclusive com o mercado pirata. Hoje ter a mídia física é só uma questão de gosto, de costume, do hábito do consumo e do acúmulo.

Eu uso IPod e minha filha que nasceu em 2001 diz que isso é coisa de dinossauro. Mas se tenho, funciona e cabem 500 músicas, porque não usar? Além do mais gasto menos bateria do smartphone não usando aplicativos como Spotify, que tenho a versão gratuita.

Nem sei dizer qual foi a última vez em que comprei um CD, disco ou DVD. Aliás hoje em dia é difícil eu comprar algo que não seja para consumo rápido. Não sou acumulador, pelo contrário, tento me livrar cada vez mais das poucas coisas que tenho na vida.

Minha épica e rica coleção de discos de vinil eu vendi inteira. Ganhei uma boa grana, mas me desfiz de discos como a 1ª edição inglesa do Combat Rock do Clash e a 1ª edição inglesa de La Folie do Stranglers, a 1ª edição inglesa do Stone Roses, 1ª edição americana do Halfway to Sanity do Ramones, entre outras raridades preciosas, tanto gringas quanto nacionais.

Só não me desfiz dos meus mais de mil CDs porque ninguém se interessou em comprá-los.

Livros eu compro e depois vendo ou troco em sebos. Os de estudo e pesquisa mantenho comigo, o resto tchau.

Não tenho coleções e tento ao máximo ter apenas o básico: roupas, cama, geladeira, computador... só o que preciso para viver o dia-a-dia.

Além da tecnologia, outro fator que contribui pro fim do consumo de supérfluos, é o número de gente que existe no mundo – cada vez maior – e que obrigou arquitetos e engenheiros a pensarem em moradias cada vez menores. Veja o que o Japão faz com seu espaço físico!

Hoje há inclusive prédios pensados apenas para moradores que tenham bicicleta, onde não há garagem. No caso de SP há até certos benefícios para quem constrói algo assim.

Há outra desvantagem em se acumular supérfluos: a dor de cabeça que você deixará à sua família quando você morrer. Meu pai que não era nenhum acumulador, quando morreu em 1989, foi difícil e demorado em desfazer de suas coisas.

Tenho amigos acumuladores, que compram tudo o que veem pela frente: brinquedos, discos de vinil, CDs e DVDs especiais entre outras coisas. Vou a casa deles e vejo estantes com livros, quadrinhos, bonecos, CDs, DVDs, bebidas e outras coleções.

Nesse início de 2019 estou em um trabalho aonde vou à casa de algumas pessoas famosas ou não, para entrevistá-las. Fui a mais de 20 residências diferentes, e vi de tudo: uns com mais objetos e outros com menos, mas todos tem em comum esse lance de separar um espaço físico em suas residências para coisas que não precisariam estar lá.

Percebo que ao mesmo tempo em que vivemos em um mundo superpopuloso e de espaços diminutos, há um mundo paralelo e cada vez mais fora da realidade voltado para o consumo desenfreado.

Conheci colecionadores que tem até chácaras para construir galpões só pra guardar os carros que compram. Colecionador de brinquedos que construiu uma edícula (maior que muita casa e apartamento) só pra guardar brinquedos de todos os tipos. Conheci até um colecionador de objetos de guerra que tinha garagem para guardar os jipes a até tanque de guerra!

No final de 2018 fui visitar um amigo que acabara de se mudar para o apartamento que comprou as duras penas. O prédio tem churrasqueira, uma piscina, academia e garagem pra um carro. O apartamento é minúsculo, tanto que ele acabou integrando a sacada a sala. Em seu quarto, uma suíte, só coube sua cama, na medida certa e um pequeno espaço entre a cama e o pequeno armário embutido. A cama fica colada na janela.

No outro quarto só coube uma cama de solteiro, uma pequena escrivaninha e o armário embutido. Tudo apertado. Na sala o espaço entre a parede onde fica a tv e o sofá é pequeno e a cozinha é americana com uma pequena área com um tanque pequeno e espaço para uma máquina de lavar e apenas um varal de teto.

Se ele quisesse ter uma pick up, coleção de discos de vinil, uma estante recheada de livros, coleção de bonecos do Super Homem ou algo assim, não haveria espaço.

Aí vejo todos esses lançamentos especiais de tudo e as pessoas consumindo essas coisas desesperadamente sem se dar conta de que a vida sem aquilo segue perfeitamente.

 
Coleção de discos de vinil coloridos do Led Zeppelin; livro especial de fotos dos Beatles; tênis edição especial Star Wars; Playmobil série especial Super Heróis; bonecos do Kurt Cobain ou Gene Simmons; discografia em vinil transparente do artista X e outras tantas besteiras supérfluas. Tudo isso te leva a um consumo irracional. Comprar por comprar. Pra quê ter todas essas coisas? Apenas pela satisfação de possuí-las?

É que os tempos e o contexto são outros, senão seria ótimo viver como Jesus que nem bolso na roupa tinha.