22 de novembro de 2020

Esquerda Preconceituosa e Segregadora

Você já percebeu que pessoas de esquerda são ranzinzas e mal humoradas? Dificilmente gente maldosa dá um sorriso... Eis aqui algumas das razões disso acontecer...

O comunismo é uma ideologia do mal. É um regime do mal. É o que mostra sua história de crueldade, autoritarismo e intolerância. Comunistas odeiam, mas é sempre bom lembrar que ele, o fascismo e o nazismo são primos. Eles podem ter objetivos diferentes, inimigos diferentes, mas as maldades são iguais. Nos três o ditador está acima de tudo.

Natural que quem compactua com essa história de crueldades gosta também dessa violência. 

O que essa massa de manobra não percebe é que também compactua com preconceitos de todos os tipos, e isso já começa dentro dessas células que se dizem adeptas aos ideais de esquerda. O preconceito está no nariz de todas essas pessoas, mas elas são cegas e ignorantes.

Me pergunto como uma pessoa que grita por igualdade, pode achar normal se dividir, por exemplo, em LGBTQIA+....

Se somos todos iguais, então porque tanta divisão? Pouco me importa se você é gay. Menos me importa ainda quais são suas preferências e seus sentimentos dentro desse universo. Não faz diferença pra mim se você é gay, trans, binário, se tem seio falso, se tirou o pênis ou colocou um, se gosta de travesti, se quer ter barba.

Da mesma forma que não interessa a ninguém o que uma pessoa heterossexual faz com sua escolha: se transa com mulher baixa, alta, ruiva, morena, preta, branca ou amarela, de saia ou calça; musculosa, magra ou gorda. Se põe calcinha pra transar, se anda sem cueca ou se gosta de celulite e estrias.

Esse discurso de criança que começa a entrar na adolescência de que o mundo não é justo, que todos tem direitos iguais, etc. Isso todo mundo sabe, não é privilégio de quem se diz de esquerda. Pelo contrário! A esquerda não quer a igualdade. Ela quer que você pense isso, mas ela quer ter massa de manobra, e atualmente sabemos que o que não falta é gente que gosta de ser massa de manobra.

Quando você não tem leitura e estudo, é difícil andar de forma independente. Uma pessoa ignorante se escora na primeira que fale o que ela quer escutar, sendo mentira ou não (sendo ignorante isso pouco importa).

Essa gente da esquerda gosta de tirar sarro de costumes ditos conservadores. Na verdade, pra mim, todas essas denominações criadas por essas ideologias bestas são tão idiotas quanto esse negócio de ideologia. Não consigo entender esse troço de querer dividir o ser humano e colocá-lo em estantes diferentes.

Bem, nessa esquerda incoerente tem quem fale mal da família. Coisa mais besta. Daí você vê no mundo todo pessoas gays formando famílias tendo filhos de forma alternativa, seja com inseminação artificial, adoção, entre outras formas. Fazendo planos para o futuro, levando os filhos pra escola, planejando férias, comprando presentes de Natal e datas especiais, passando fins de semana com amigos e crianças juntas, fim de ano e vivendo como uma família heterossexual.

Quer coisa mais legal que isso!?! Eu mesmo tenho amigos e fiz um programa em que mostrava gente do universo LGBT levando essa vida familiar que tanta gente de esquerda abomina ao dizer de forma pejorativa não gostar dessa “gente de bem”.

E o que é ser ”gente de bem” senão querer levar uma vida comum, com seu emprego, pagando o imposto e fazendo planos futuros. Os pais cuidando dos filhos, os parentes cuidando dos parentes, os amigos cuidando dos amigos e todos desejando saúde, amor e harmonia. Qual é o mal de querer isso na vida?

Ao tirar sarro de “gente de bem”, a esquerda quer dizer o quê? Que bonito é ser marginal? Que bonito é mandar família, filhos e amigos à merda e foda-se tudo?

Coisa mais idiota. Fato é que sendo massa de manobra, essas pessoas não pensam na hora de falar essas besteiras.

Conheço gente de todos os tipos, não só com orientação sexual diferentes, mas punks, católicos, gente alternativa toda tatuada e furada com intervenção corporal, evangélicos, pobres, ricos, gente humilde, gente arrogante, homem, mulher... E todo mundo lutando para ter uma vida simples, cuidar dos filhos, reunir os amigos e família, ter seus empregos, objetivos de vida, etc.

Qual o mal em ser assim!?

Se a pessoa de esquerda reclama disso, então como ela vê a vida? 

Para a esquerda, tudo o que sai de seu controle é coisa ruim. Eu tenho dois amigos egocêntricos que são iguais à esquerda: ou você faz parte da minha bolha ou não quero saber de você!

Para os pseudos socialistas é assim: ou você pensa igual a mim e se torna um robô igual a mim, ou você é um idiota que não se importa com os problemas do mundo.

E esse discurso de adolescente descobrindo que o mundo é cruel é um saco. Haja paciência para lidar com essas crianças que gostam ainda de brincar de comunistas X regime militar.

E esse é outro ponto que já até falei aqui recentemente: o quanto essa gente besta que se diz de esquerda é atrasada. Esse pessoal parou nos anos 70.

A história mostra que comunismo é comunismo e democracia é democracia. Como água e azeite, não se misturam. Assim como são distintos socialismo e liberdade.

Então vemos pessoas comunistas dizendo que lutam pela democracia. Como assim?

Para os partidos brasileiros de esquerda a Venezuela é democracia e Chavez + Maduro são líderes exemplares, e um xenófobo assassino e homofóbico como Che Guevara é herói.

Gritam viva a democracia, mas não param de reclamar que saíram do Poder. Não aceitam de forma alguma que há outra pessoa no Poder que pensa diferente.

Como alguém pode compactuar com tanta bobagem?

Gente de esquerda olha pra você, que não engole as bobagens ditas por essa ideologia furada, e te vê como inimigo mortal. Não sabe conviver com diferenças, pelo contrário, faz questão de te colocar em divisórias dentro de estantes distintas.

O mundo comemorou a queda da "Cortina de Ferro" da URSS e do Muro de Berlim na Alemanha, e hoje essa gente comunista quer levantar esses muros e outros tantos muros novamente.

Recentemente discuti com uma pessoa que se indignou com um comentário meu. Quis me dar lição de moral e dizer que eu não poderia dizer o que disse. A pessoa sequer notou que estava me censurando e impondo uma forma de pensar. Quando mostrei à pessoa a forma como ela estava agindo, o tempo fechou, ficou brava.  É aquela velha máxima sobre a esquerda que, ao perceber que está perdendo a partida de xadrex, chuta o tabuleiro, bagunça as peças e diz que há complô.

Para a esquerda não basta ser ser humano, tem que ter seu rótulo: branco, preto, amarelo, vermelho, pobre, rico, índio, aborígene, lésbica, transexual, binário, bissexual, chefe, empregado, opressor, repressor, vítima, fascista, racista, genocida, etc.

O muro, o preconceito, a necessidade de deixar clara diferenças entre humanos (e que pouco importam), o estímulo a violência e a intolerância, o gosto pela censura e pelo controle total: essa é a esquerda, o socialismo, o comunismo ou seja lá como queira chamar esse troço do mal que matou e ainda mata milhares de pessoas inocentes.

A essa altura dos acontecimentos, já chegamos a um ponto que, quem se diz de esquerda é porque tem total consciência da maldade e do preconceito que molda esse regime do demônio, ou seja, assina embaixo de toda história autoritária e assassina dessa ideologia.

Inclusive bloqueei das minhas contas pessoas que não tiveram pudor em me dizer que são defensoras dos fuzilamentos de Che Guevara e das atrocidades que aconteciam nos Gulogs da URSS. Não posso ter amizade com gente assim, como me nego a ter amizade com nazistas, fascistas (de verdade), integrantes de torcidas organizadas e tantas outras organizações violentas e autoritárias.

Dessa gente ruim, mal humorada e de energia negativa quero só distância!!!


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18 de agosto de 2020

A Música em 2020

Já publiquei vários textos sobre a cena musical dos últimos anos, mas a tecnologia muda tudo da noite para o dia.

Quem já leu alguns deles, sabe que em alguns falo das mesmas coisas até por ser inevitável, mas fato é que sou um pessimista quanto a esse assunto.

Aqui no Sete Doses já decretei a morte do rock e a morte da música autoral, e pedras me jogaram! Tudo bem, discussão saudável e divertida.

Em resumo, tudo no rock já foi feito, tudo na MBP foi feito, tudo no popular brega foi feito e nada mais causa impacto como causava antigamente. Por força da mídia ainda tivemos dois movimentos: o grunge e o britpop. Antes deles o Poser e Madchester na virada de 1980 pra 1990.

Porém esses últimos movimentos (não dá pra chamar de “cena”) já não eram mais uma novidade, mas sim um apanhado de tudo o que já tinha sido feito até então. Posso citar a música psicodélica, o punk rock, o hard rock e alguns outros subgêneros que eram referências pra essas gerações. Você ouve Nirvana, Soundgarden ou Black Crowes e tem a impressão de já ter ouvido aquilo em algum lugar.

Quando eu digo que a música autoral morreu, quero dizer que ela nunca mais terá a força que um dia já teve. Não é mais relevante.  Nada mais vai surpreender e, principalmente, o público hoje está interessado em muitas outras coisas. De 2010-15 pra cá muita coisa mudou e a pandemia deixou aparente o que todo mundo já via.

Tivemos os 78 rotações dos gramofones, os discos de vinil a partir de 1948, depois o CD, a música digital que necessitava de um aparelho só pra ela, e hoje a digital que você acessa de qualquer aparelho que tenha internet.

Já brinquei aqui dizendo que um dia a música estará nas partículas de ar e começo a pensar que isso será possível...

A qualidade dos artistas, seja qual for o gênero, está cada vez pior. Em minha opinião, estamos no nível ‘mais do mesmo’ desde o final dos anos 1990. Digo isso pra ser legal, mas se for realista e cruel, então digo que o ‘mais do mesmo’ acontece desde o início dos 1990.

Com tantas redes sociais a música se tornou apenas mais uma distração entre outras tantas distrações. Em cada uma dessas redes sociais há uma infinidade de possibilidades de diversão em vídeo, áudio, montagens, ilustrações, memes e outros.

São vários universos: Instagram, Facebook, Twitter, YouTube e plataformas de vídeo on demand. Fica difícil pra música competir com todas essas ferramentas e conseguir ter a relevância que um dia teve.

Hoje a ferramenta do jovem pra expressar sua opinião são essas redes e não mais a música. Esse protagonismo ela perdeu faz tempo.

Fora isso, a música sempre foi fortemente ligada a fatores sociais de comportamento. Você pode pensar no blues, no jazz dos tempos dos cabarets, o período dos standards e do jazz big band, na soul music e no rock’n’roll dos 1940 e 50, nos rocks psicodélico e progressivo, o punk rock, gótico, metal, etc.

Aqui no Brasil, além de absorver todos esses períodos, ainda nesse sentido social, também teve o samba do morro, a bossa nova, jovem guarda, a psicodelia dos anos 1970, a geração da abertura e do Rock in Rio e a geração da década de 90, do Real.

Sinceramente depois da geração 90 nunca mais houve algo marcante na parte social que pudesse fazer explodir uma nova onda como todas essas que citei. A música em todos esses exemplos era a consequência de tudo o que acontecia e, por isso, era protagonista junto com a mudança de comportamento que cada um desses períodos gerou.

Depois da internet e de todas as ferramentas tecnológicas que surgem em cada vez mais curtíssimos espaços de tempo, o jovem mudou. Seus interesses mudaram e se diluíram. Não há mais tempo para ler um livro, não há mais tempo para depender da grade de programação da televisão, não há mais tempo para se escutar um disco inteiro. Aqui ainda digo ‘disco’, pela força do costume, porque hoje nem sei como me referir às músicas lançadas de forma digital.

A mudança também aconteceu com os artistas. Há quem ainda lance um ‘álbum de músicas digitais’ com 12 a 15 composições, mas isso está mudando. Tem artistas que lançam aos poucos, de 3 em 3 ou de 5 em 5 músicas.

Vivemos atualmente um momento conturbado. Não só no Brasil, mas no mundo. Não digo apenas pela Covid-19, mas pelas brigas ideológicas. Daí você pensa: momento bom para escrever canções, mas músicas de protesto têm aos montes, mais uma não fará diferença, mesmo que for escrita pelo Bob Dylan.

Jello Biafra, ex-Dead Kennedys, lançou alguns discos recentemente, eu gosto muito, mas não causam mais o impacto que um dia já causaram.

Hoje grupos, artistas solos, músicas e lançamentos continuam surgindo. Tem de tudo aos montes. Pare pra pensar quantas músicas você conhece e que já ouviu. Nem dá pra fazer essa conta! Agora imagine hoje o quanto de coisas novas surgem e que você nem fica sabendo. Deve ser, no mínimo, o triplo do que você já ouviu.

E de tudo o que é lançado hoje, o que é relevante? O que fez a diferença? Quem mudou as estruturas? Quem trouxe novidades e novos ares? Ninguém! Nada mais se destaca! É muito de tudo do mais do mesmo!

As coisas mudaram, não dá pra querer forçar à barra! O que acontecia no universo musical até os anos 1990 ficou lá, não vai mais acontecer!

Hoje o jovem quer gravar seu vídeo, fazer seu site, suas contas digitais e abastecê-las com conteúdo autoral. Tem quem fale de política, tem quem fale de maquiagem, de saúde, de pintura, economia, pedagogia, música, há quem fique apenas dançando em frente à câmera.

O jovem escuta funk, pagode, tecnobrega, mistura tudo, não está preocupado com estilos, muito menos com bom conteúdo. Como eu disse, ele não se expressa pela música, apenas se diverte com ela no baile, no pancadão, na festa.

Pro lado do rock, da cena alternativa e underground acontece a mesma coisa. É tudo igual, com letras pobres, composições que não dizem ao que vieram.

A postura no palco é a mesma, o jeito de segurar o instrumento, as roupas, as tatuagens, a postura. Todos são iguais.

Isso é reflexo desses tempos do jovem sem foco, que tem toda informação do mundo em seu colo, mas não a aproveita. Também não se interessa mais em se engajar e que mal conhece a história do Brasil, mesmo a recente.

A música é vítima disso e pior, o jovem não quer saber dos artistas do passado. A história vai se apagando junto com os grandes clássicos e as influências que fazem a diferença deixam de existir.

Do jeito que a vida se encaminha logo ninguém saberá quem foi Tim Maia, Raul Seixas, Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto e Erasmo Carlos.

Da mesma forma como hoje não se conhece Noel Rosa, Chiquinha Gonzaga, Lupicínio Rodrigues, Jackson do Pandeiro, Francisco Alves e até mesmo Carmem Miranda.

É duro, mas é verdade.

29 de julho de 2020

Série O Resgate da Memória: 53 - Barão Vermelho (Revista Roll)


Foi no fim de julho de 1985 que Cazuza anunciou sua saída do Barão Vermelho. Foi um bafafá já que na época o Barão estava voando baixo, em plena ascensão, com belas apresentações no RiR, com diversos hits, agenda cheia e tals. De repente, não mais que de repente, Cazuza resolveu sair e com ele levou o repertório que o Barão iria gravar (e certamente faria mais sucesso ainda). Baque total pro grupo, pra mídia e pros fãs. (esse contexto me faz lembrar, de certa forma, a saída de Rodolfo do Raimundos).

Pra lembrar essa data, posto aqui a 1ª entrevista do Barão Vermelho pós-Cazuza, ao menos para uma revista especializada. Poucos meses depois surgiu a Bizz, mas até então a Roll era a principal revista brasileira de música do segmento rock/pop. Nessa entrevista o grupo fala sobre os planos para o 1º disco pós-Cazuza.

Nesse mesmo número, de janeiro de 1986, a Roll fez a jogada de também publicar uma matéria com Cazuza sobre o disco 'Exagerado'. Prometo postá-la logo mais!

PS1: Curiosidade - não achei foto nenhuma do Barão Vermelho pós-Cazuza nos anos 80, nem nos 90. Procurei no Google e no Pingerest. Nada!
PS2:No final do texto há links para 4 publicações referente ao Barão e Cazuza.






E Agora Barão?
(Revista Roll, janeiro 1986)

O Barão Vermelho está firme e forte e preparando o primeiro LP depois da saída de Cazuza. Contrariando as expectativas pessimistas, Frejat, Maurício, Dé e Guto deram a volta por cima e revelam aqui os seus planos. Moa Peracini esteve com eles no estúdio e traz novidades.

ROLL – O novo LP do Barão Vermelho era, antes da saída do Cazuza, esperado com ansiedade. Agora, então, a expectativa aumentou em torno da nova situação. O que vocês tem pra adiantar sobre este quarto disco?
FREJAT – Estamos neste momento no ensaio, passando as músicas, pois tem muita coisa que decidimos no estúdio, quando começamos a tocar. Se acontece alguma coisa especial na hora em que estamos tocando, então gravamos. Nós estamos ensaiando mais músicas do que pretendemos colocar no disco, estamos ensaiando umas quinze músicas e estamos na dúvida se fazemos um disco com dez ou doze faixas. Inclusive o disco já tem título, chama-se “Declare Guerra”. Esse disco tem uma variedade de autores porque, com a saída do Cazuza, nós começamos a transar a responsabilidade de compor...
MAURÍCIO – Começamos a abrir espaço para letristas...
FREJAT – É, o Guto começou a escrever algumas coisas, outros amigos nossos começaram a escrever, além de pedirmos trabalhos pra algumas pessoas. Por exemplo, temos músicas do Maurício com Humberto Effe, do grupo Verso, e com o Pequinho (Nós na Garganta). Tem músicas minhas com o Guto, com o Orlando Antunes, com o Antônio Cícero. A única música que não tem nenhuma participação de nenhum de nós é um blues intitulado “Bumerangue Blues”, de autoria de Renato Russo...
GUTO – Todas as outras tem participação de um ou outro componente fazendo algo.

ROLL – Vocês acham que, com a saída de Cazuza e a inclusão de novos compositores, muda a linguagem musical do grupo?
FREJAT – A linguagem musical não, eu acho que o que mais muda é a parte das letras. Menos pela temática, mais pela forma de dizer; porque antes tínhamos um poeta dentro da banda com o qual nós fazíamos músicas em cima de poesias...

ROLL – Estruturados em cima do trabalho dele?
FREJAT – É, de repente agora nós fazemos uma coisa que é uma letra de música. Então nós nos questionamos: eu quero dizer isso, então como é que vou fazer? E não ir fazendo uma poesia que por acaso vai virar música. Realmente são estilos diferentes, tem até o trabalho do Cícero, que é um poeta, mas não chega a diferenciar a linguagem da coisa em relação ao trabalho do Cazuza, você entende?
MAURÍCIO – Mas a temática mesmo se mantém...
FREJAT – Se mantém, é lógico. Músicas românticas, de amor, do dia-a-dia, do cotidiano das grandes cidades; cosias que nós vivemos realmente, porque nós não podemos dizer coisas que realmente não pintam. Ainda agora eu estive lendo as letras todas e percebi que a coisa está um pouco reflexiva, tem muitas vezes que falamos sobre o fato de estar vivo, de observar o mundo e refletir mais do que falar ou descrever uma situação...

ROLL – Uma visão mais existencialista, então?
FREJAT – Exatamente. Mas sem entrar naquela coisa esotérica. Mantendo o pé no chão, aquela coisa urbana, terra-a-terra mesmo
.
ROLL – Eu notei que o som de vocês para este novo disco está tendendo para um rock bem básico. Faz parte da evolução do grupo ou é uma espécie de retomada em busca de uma nova linguagem musical?
FREJAT – Não é bem isso. Esse disco tem coisas funks, tem rock mesmo, até blues acústico. Porque nós sempre gostamos de fazer um rock que tenha bastante influência negra. Então quando nós fazemos rock, é uma coisa que vem do fundo do blues, que é a raiz da coisa, tem o rock e tem o lado funk que é o outro caminho que a música negra tomou. E que também agrada a gente, apesar de nós sermos funkeiros brabos, funciona como um bom tempero e tem o mesmo objetivo, pois tem que ter essa coisa do dancing, você tem que sentir a música...
GUTO – E nesse disco isso está mais nítido...
FREJAT – Por mais que você escute a letra, por mais genial que ela seja ou qualquer coisa nesse sentido, você sempre fica a fim de dançar...
MAURÍCIO – Nesse disco o material está bem variado, mesmo os dois funks que tem no disco estão bem diferentes, não é aquela coisa que você ouve e diz que um está parecido com o outro.
FREJAT – Também as músicas foram feitas em épocas diferentes; alguma há muito tempo, outras há pouco, umas agora mesmo. Então tem uma diferença nítida, pois quando se faz várias músicas de uma vez só, tem aquela coisa de fase, uma certa época dentro daquilo que se está fazendo.

ROLL – Isso proporciona uma diversificação muito grande, não?
FREJAT – É, dá uma diversificação muito boa. Estávamos pretendendo gravar o quarto disco do Barão há seis meses atrás. Então tem coisas que são daquela época, dde um mês atrás, da semana passada, de hoje, inclusive. Vamos entrar no estúdio daqui a uma semana e pegamos essa música hoje. Quer dizer, o trabalho está saindo bem solto, isso reflete também o disco; acho que ele está relax, não tem o compromisso de provar que é ótimo com o sem o Cazuza.
MAURÍCIO – Inclusive nós continuamos fazendo o trabalho sem as concessões que se faz, buscando compensações do tipo “Tudo bem, se ele saiu nós vamos fazer músicas que peguem o público, de forma que eles não vão sentir a sua saída”. Não é isso, nós queremos fazer o nosso trabalho. Se o público demorar a se acostumar com essa cara nova do Barão, nessa nova fase, tudo bem, estamos dispostos a recomeçar, apesar de o público ter correspondido em muito essa expectativa.

ROLL – De repente essa saída do Cazuza proporcionou a descoberta do potencial de todos, porque o grupo estava muito estruturado em cima do trabalho dele, não?
GUTO – É, tiramos outras do baralho, que é enorme.
MAURÍCIO – Abriu um espaço muito grande. Inclusive foi uma surpresa pra muita gente, que via o Barão de uma forma que não era bem aquilo. Eles cobravam: “Vocês não cantam, vocês não isso, vocês não aquilo”. Nós sempre fizemos backing nos shows. Agora eu também canto, o Guto escreve, etc... Agora eles expressam surpresa.
FREJAT – Houve cobrança não só do público como de nós mesmos...
MAURÍCIO – A posição do Barão sempre foi de fazer o som e o Cazuza cantar, tinha aquele lance dele ser o showman, e de certa forma ficamos acomodados em cima disso.

ROLL – Vocês foram de certa maneira um grupo pioneiro de sucesso neste ressurgimento do rock no Brasil, como uma linguagem própria, junto com o Kid Abelha, Os Paralamas do Sucesso...
FREJAT – Na verdade somos mais pioneiros, do que pioneiros do sucesso, porque o Barão realmente pintou assim na primeira leva. Quando ele começou a tocar, o Kid Abelha e Os Paralamas ainda não tinham assinado com gravadora. Havia a Blitz, o Barão, o Herva Doce e o Rádio Táxi. Eram os quatro grupos que ascendiam. Eles foram realmente os quatro primeiros. Mas a Blitz fez sucesso bem antes, dois anos antes dde nós. O Rádio Táxi e o Herva Doce também. Mas de repente, a partir do momento que estouramos, nós mantivemos uma continuidade, nós sempre tivemos bem. Nunca no auge, mas sempre com um sucesso no ar e uma constância de trabalho...

ROLL – Nesse processo todo, vocês nunca sofreram pressões da gravadora pra darem uma guinadinha pro lado comercial, pro pop?
GUTO – Todas as músicas que gravamos até hoje fomos nós quatro que arranjamos sem interferências.
FREJAT – Pressão de gravadora realmente existe, mas por acaso nós nunca a sofremos. De repente outras pessoas sofreram.

ROLL – Ultimamente o rock está, não voltando às origens, mas antes de tudo continuando uma linha evolutiva que foi abortada. Pelo menos aqui no Brasil ele passou por uma crise gravíssima, quase totalmente varrido do ar. A invasão-imposição de discotecas arrasou com qualquer expressão tupiniquim dentro do rock, mas ele ressurgiu bem e até mais forte. No entanto os puristas da MPB estão fazendo pressões no sentido de proteger o patrimônio musical do país contra a “invasão” do rock. Como funciona isso pra vocês?
MAURÍCIO – Pois é, até hoje nós ficamos discutindo com os caras dizendo: “Nós somos brasileiros, estamos cantando em português. O que está faltando?!
 O que está pegando, será que vamos ter que tocar cavaquinho?” O Dé até vai tocar nesse próximo disco (risos), vai ter bandolim, vai ter bumbo.
FREJAT – Na verdade foram as gravadoras que fizeram maior pressão contra o rock, elas só gravavam Música Popular Brasileira e quando ouviam rock diziam – “Mas isso é música americana”, quando não é verdade. Se você está cantando em português, está transmitindo tua mensagem na língua do país em que vive, falando sobre nossa realidade, porque não é música brasileira? Tem muita gente que considera música brasileira certos estilos, por exemplo, uma balada super country, onde o autor fala do matinho que ele nunca morou, já que ele mora numa grande cidade.