18 de abril de 2020

Resposta a Um Amigo*

No dia 18/4 não aguentei e publiquei uma provocação. Tinha me prometido que nunca mais iria fazer isso, mas é que na atual conjuntura, impossível ficar isento de comentar.

Vergonha alheia total essa mania de postar uma falsa máscara aplicada virtualmente com os dizeres “fora Bolsonaro”. Mas põe vergonha alheia nisso! Sinceramente foi o protesto mais ridículo que vi nesses recentes tempos políticos no Brasil. E foi isso que disse em minha postagem.

Em menos de 40 minutos já tinham 30 comentários.

A maioria ou sendo agressivo ou tentado justificar esse ato que além de ser completamente inócuo, é infantil e ridículo. Você em casa baixa um aplicativo que põe uma máscara na sua cara e você escreve “fora Bolsonaro”. Faça-me o favor! É pra dar risada, no mínimo!

Entre as pessoas que comentaram, havia um amigo que me perguntou ao menos 3 vezes se eu apoiava o Governo Bolsonaro. Por razões que digo na resposta, apenas respondia algo rápido. Pela postura e pelo tom autoritário dele, achei melhor enviar uma mensagem inbox.

Segue minha resposta:

Amigo, não apoio a figura do Bolsonaro. Mas a questão é que quando as pessoas batiam panela pra Dilma, todo mundo ridicularizava, inclusive eu em várias postagens, e boa parte das pessoas que me agrediram com minha postagem hoje estava lá curtindo o que eu falava das panelas da Dilma. Mas agora, como são elas quem estão batendo panela e fazendo protestos ridículos, então não posso criticar. Isso é um tanto estranho, não!?!

Não sei qual sua intenção de me colocar na parede perguntando se apoio ou não o Governo. Achei estranha sua postura.

Sou de Brasília, sei bem como as coisas lá funcionam. Inclusive meu pai decidiu voltar pra SP - ele era agrônomo na EMBRAPA - porque a corrupção literalmente bateu na porta de sua sala do tipo "ou dá ou desce". Ele não pensou duas vezes e desceu.

O que o ministério da infraestrutura, da Agronomia, da econômica e da justiça estão fazendo agora é de se louvar! Inclusive o da Infraestrutura.

O que não apoio é um Governo corrupto e mentiroso como o do PT, e não chamo meus amigos que gostam do PT ou Lula ou Haddad de ladrões e condizentes com o roubo praticado por eles.

Não te respondi ali porque o buraco é mais embaixo, do que simplesmente falar "apoio ou não apoio".

Participei de protestos em Brasília nos tempos militares, ações que sequer eram retratadas em jornais. Eu estava lá no Congresso no dia da votação da emenda Dante de Oliveira.

Votei no Bolsonaro por ser a favor da democracia e contra ditadura partidária, principalmente ela sendo encabeçada por um partido que se tornou quadrilha.

Em Brasília acontecem muitas coisas que passam longe da imprensa, que sabe o que acontece mas “não pode” relatar.

Eu ter votado em Bolsonaro não me quer dizer todo esse clichê que a esquerda costuma dizer: fascista etc. Apenas quer dizer que não queria mais a velha política, a mesma que me fez ir embora de BsB, coisa que jamais queria.

Eu ter votado no Bolsonaro não me torna inimigo de ninguém, não da minha parte.

Esquerda ou direita, isso não existe. Sou um punk velho, portanto não torço por ditadura nenhuma, torço por liberdade, por democracia, pelo fim das bandeiras, muros e fronteiras.

Não me incomoda em nada o fato de amigos levantarem bandeiras ideológicas ou de votarem em quem nos rouba. Liberdade é fundamental.

Nada é maior do que a relação humana.

E, pra mim, levantar bandeiras, idolatrar políticos ou partidos é sinal de desconhecimento.

Veja a situação atual, por exemplo: Dória aliado ao Lula. Então posso dizer que você é um admirador do Dória? Claro que não!

Política é uma merda e azar de quem compra esse ou aquele lado.

Tô tão fudido agora, quanto estava nos Governos petistas. Se eu posso tentar um novo caminho com meu voto, por que não tentar?

Não idolatro político nenhum, jamais.

Achei estranha a forma como insistiu em sua pergunta, e como se vê, a resposta não poderia ser apenas um ‘sim’ ou ‘não’.

Se quiser conversar mais sobre isso estou à disposição.

No mais torço para que respeite a forma como voto e penso, assim como já disse que respeito como os outros pensam e votam.

Pra mim, colocar uma máscara falsa na cara dizendo "fora Bolsonaro" é tão ridículo, ou mais, do que ficar batendo panela, seja pra quem for...
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Já escrevi bastante aqui sobre tudo que disse nessa resposta resumida. É engraçado essa cobrança que algumas pessoas fazem pra quem votou no Bolsonaro. Há sempre um tom de arrogância, de superioridade, as quais são bem ridículas.

Bolsonaro pode ter seus defeitos, e são muitos, porém nem ele e nem o Governo que montou têm a história suja que o PT e seus aliados têm.  

É ao mesmo tempo engraçado e triste ver pessoas que admiram gente que rouba e mente te cobrar algo. Como pode o PT e a Esquerda que são a favor de uma máquina estatal elitista e que só pensa em poder, além de serem aliados de nomes podres como Sarney, Collor, Maluf, Renan Calheiros, Sérgio Cabral e tantos outros tão podres quanto esses, cobrar algo de alguém que votou em Bolsonaro? Da mesma forma pergunto: como alguém que vota e veste a camisa de gente tão maldosa e ruim pode cobrar algo de alguém que votou no Bolsonaro?

* Se é que ele ainda me considera amigo.

4 de abril de 2020

Coronavírus COVID-19 Comprova: É Necessário Estado Mínimo Já!

O que se espera dessa pandemia é que o Planeta Terra evolua, que as autoridades de todos os países evoluam e que as pessoas evoluam. É o mínimo, porém custo acreditar que depois de tudo isso passar haverá uma mudança de comportamento no mundo. Pode até acontecer em um primeiro momento, mas com a distância do tempo, todo mundo irá relaxar e voltaremos a ser maus como sempre fomos. O ser humano pende para o mau, e a nossa grande missão é combatê-lo, mas como somos um bando de preguiçosos e materialistas, preferimos alimentar o mau porque é mais fácil e cômodo.

Um exemplo é ver autoridades querendo fechar os olhos em relação a culpa do Governo chinês. Tem gente que acha incrível e extravagante a gastronomia da China que se alimenta de insetos e bichos estranhos como o morcego, mas se o Governo não fosse ditador e fechado, provavelmente a população chinesa teria alimento suficiente pra não precisar comer essas coisas estranhas. Custo a acreditar que comem porque sempre gostaram dessas coisas bizarras, não acredito que seja uma tradição, a não ser que seja uma tradição imposta pela necessidade, aí sim concordo! E provavelmente foi....

A China já matou milhões e continua matando, aprisionando e maltratando sua população. Isso é sabido por todos, mas o que o mundo faz? Nada! E isso precisa mudar.

A China é uma empresa riquíssima e absurdamente lucrativa. Deve ser a empresa mais rica do mundo, disparada! Até mais que qualquer outra empresa/país. O Governo chinês usa e abusa da população que é praticamente escrava de suas resoluções. Se não gostar vai pra prisão... pra dizer o mais leve.

Imagine então se o Governo trata bem seus funcionários, paga bons salários, benefícios mínimos... Claro que não! Quanto trabalho análogo à escravidão existe na China? Deve ser algo comum...

O Governo chinês produz muito, importa muito e fica com praticamente toda a grana que chega. Ou você acha que os empresários chineses não são controlados?

Essa história de empresários chineses bonzinhos eu não engulo. Até que me provem o contrário, são tão vilões quanto qualquer Governo ditador comunista.

China podre de rica deveria pagar pelo prejuízo causado no mundo todo! E países ainda têm coragem de comprar insumos hospitalares desse país vilão. E ninguém sabe como esses insumos são produzidos. Alias, compra-se tudo da China sem saber como são e como funcionam as linhas de produção chinesas. Ou você vai acreditar em todos esses vídeos e reportagens feitas pelo próprio Governo chinês?

Mas esse não é o assunto desse texto.

O COVID-19 mostra ao Brasil o quanto é necessário termos um Estado Mínimo, pois se o tivéssemos desde sempre, ele agora não precisaria quebrar a cabeça pra conseguir o dinheiro necessário para se preparar para tudo o que está acontecendo no país por conta do novo coronavírus.

E quero lembrar aqui, mesmo que em um parágrafo solto, que a burocracia é sócia da corrupção. Andam de mãos dadas. E o Brasil é uma burocracia em forma de país.

Estado mínimo é ter dinheiro para o que realmente é necessário: Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura.

Hoje vemos claramente o quanto os políticos, seja na esfera Federal, Estadual e Municipal, usam de forma errada o dinheiro público. Sempre soubemos disso, mas é que agora conseguimos ver esse movimento na nossa frente.

Bilhões de reais destinados a nada: pra pagar salários superfaturados e irreais até para países de 1º mundo, pra pagar benefícios luxuosos, pra custear regalias e até pra ser usado como moeda de compra de pessoas e segredos.

O dinheiro do fundão partidário serve pra tudo, menos pra beneficiar a população. É gasto até com casarões em Brasília que servem pra reuniões secretas, festas regadas a prostitutas e drogas ilícitas, jantares luxuosos....

O Congresso Nacional custa R$17 bilhões por ano; STF custa por volta de R$650 milhões. São apenas dois exemplos, e te pergunto: você acha que é preciso todo esse gasto? É claro que não! Certamente mais de R$10 bilhões do total são gastos inúteis.

Fora esse gasto dentro do próprio Governo, há os gastos bilionários inúteis com tantas estatais completamente inúteis.

Diminuir o salário do funcionalismo público, as gratificações, os benefícios, os extras, as aposentadorias absurdas, os ganhos que filhos e filhas de sei lá o quê que ganham fortunas sem fazer nada; todos os ‘vales’ absurdos, dinheiro pra quem foi torturado (mas que trabalha, tem saúde e é bem de vida).... essa grana toda deveria estar no cofre do Governo. É grana dada pra gente mau caráter, que sabe que está mamando na teta do Estado e fica quieta. Gente bandida mesmo, que vai queimar no fogo do inferno.

Esses salários astronômicos com todos os “penduricalhos” já são irreais para nossa realidade normal, e hoje com o COVID-19 isso ficou pior,  em pior. Deveria ser motivo de vergonha para os mamadores...

Imagine se pudéssemos juntar todo esse desperdício de dinheiro com a grana de toda corrupção causada pelos Governos petistas!!! Jamais deveríamos ter feito Copa do Mundo e Olimpíadas. Quanto dinheiro foi gasto desde a compra de votos até a construção dos estádios “elefantes brancos”? Quanto teríamos no cofre caso esses eventos não tivessem sido feitos?

Mas pra Lula que é ladrão, mentiroso e corrupto, pensar em hospital é retrocesso.

O Estado não deve ter mil empresas, muito menos um “Manual da Burocracia”. O Estado deveria ser simples e objetivo, deveria ter um cofre recheado com trilhões de reais, e isso não é uma viagem da minha cabeça, é só uma conta feita por alto.

O Estado brasileiro é um gigante gordo e sedentário com cara de labirinto.

Nesse momento de pânico a iniciativa privada não tem o que fazer e ela não têm culpa, pelo contrário! Hoje se vê o quanto ela é importante para a população, até porque é ela que alimenta, lembrando, o gordo e sedentário Estado brasileiro.

O protagonismo das soluções dos problemas causados pelo COVID-19 é 100% do Estado. A iniciativa privada já faz sua parte sendo valente o suficiente pra querer existir mesmo com tanta burocracia e tanto imposto. Se o Estado não tivesse tanto gasto inútil de dinheiro, poderia ajudar a população, os empresários, microempresários e autônomos, e ainda sobrar.

Vou dar um ótimo exemplo que foi dado pelo excelente Ministro Tarcísio Freitas: privatizar as principais rodovias dá um bom dinheiro, e livra o Estado de gastos com manutenção. Assim, sobrando dinheiro em caixa, o Ministério da Infraestrutura tem dinheiro suficiente para aí sim fazer estradas aonde a iniciativa privada não vai.

Sem gastar bilhões com X empresas públicas que poderiam muito bem ser geridas pela iniciativa privada, é ter dinheiro para investir nas regiões mais carentes, porque todos sabem que há estados completamente esquecidos nas regiões Norte e Nordeste, principalmente. Esses são geralmente lugares em que bandidos usam a política pra se beneficiar do poder e do dinheiro público.

Sem precisar dar dinheiro pra esses canalhas que falam que vão investir em educação e infraestrutura, mas que põe o dinheiro no bolso, o controle do dinheiro dado aos Estados seria melhor, mais objetivo e mais claro pra todos.

Com o Estado pequeno todo mundo se beneficia: a população, a iniciativa privada e o próprio Estado.

O PT mostrou na prática que um Estado inchado é nada mais que uma grande máquina de burocracia, desvio de dinheiro e corrupção. Esse Estado grandão que corruptos e toda a Esquerda amam, é a Casa da Moeda Política. A história já nos tinha mostrado isso em tantos outros exemplos, inclusive com a queda do comunismo no início dos anos 90. Mas como existe gente que gosta de mamar no Estado, então há quem persista em uma ideia já morta há décadas.

Não à toa à esquerda odeia que fale em Estado Mínimo. Porque ela finge que ele é ruim para os pobres, mas a história mostra o contrário: com o Estado gigante o Governo controla tudo, os ricos e principalmente os pobres. Inclusive a manobra feita pelos partidos, incluindo TODOS os de esquerda, para não perderem o Fundo Partidário em favor da Saúde Pública, corrobora com tudo o que escrevo aqui. 

Deu pra entender que sem precisar gastar com empresas inoperantes, funcionários em excesso, manutenção, salários e benefícios nababescos etc... sobrará dinheiro para pagar melhor policiais, médicos, professores...? Que sobrará dinheiro pra investir em escolas, hospitais, segurança, estradas, ferrovias, etc?

Estado Mínimo não quer dizer Estado sem dinheiro, muito pelo contrário!

Se você é a favor de um Estado inchado, grandão, gordo, sedentário e cheio de estatais inúteis, então certamente você é a favor da desigualdade social, de privilégios, da política suja, da corrupção e de desvio de dinheiro público.

24 de março de 2020

Grunge

Esses dias estava dando uma olhada nas postagens do blog e percebi que nunca havia escrito sobre Grunge. Nunca gostei desse termo. Nunca entendi essa cena!

Eu estava na MTV durante o auge do grunge, e até relatei aqui o dia da morte de Kurt Cobain. E falar nele, me lembro de um programa especial do Nirvana que fiz em que Krist Novoselic dizia que o papo de grunge era coisa de jornalista, que em Seattle não havia nada disso; que a relação entre os grupos era ‘cada um por si’. Havia sim amizade entre um ou outro grupo, mas não havia uma grande união, não havia uma cena.

Quem construiu isso foram os jornalistas, com pautas tontas do tipo ‘como se vestir como um grunge’. Era algo vergonhoso, mas que a geração daquela época comprou. Um horror!

Era tudo muito forçado. Pra começar nem todos os grupos eram de Seattle, apesar de ter vários deles. O Nirvana mesmo era de Washington. Nem havia uma unidade sonora entre todos eles. Cada grupo atirava pra um lado e como desculpa, jornalista pontuou isso como característica, coisa que sempre me fez rir...

Eu saia pra rua – como relatei na série Anos 90 – e via aquele monte de gente vestida com blusas de flanelas, cabelos cumpridos, casaco jeans desgastado... aquele clichezão, manja!? Nós aqui em um país tropical, mas com roupa de Seattle, um lugar úmido que chove o tempo todo!

Há dois fatos positivos relacionados ao grunge: 1) conseguiu fazer com que os jovens passassem a assumir que gostavam tanto de punk, quanto de heavy, quanto new wave, quanto progressivo, quanto alternativo, rockabilly... foi quando acabou de vez a briga boba que havia entre essas tribos. A partir dali tudo bem gostar de King Crimson, Ramones e Duran Duran. 2) Foi graças ao grunge que o então já ultrapassado metal farofa foi pro saco de vez. O metal laquê já estava indo pro ralo, quando o jornalismo criou o grunge. E venhamos e convenhamos: apesar dos pesares, antes grunge do que metal laquê!

Havia também a Madchester, e que também já estava sem força por volta de 1992/93.

Não gosto de 98% dos grupos ditos grunge. Gosto de Nirvana, Melvins, Mudhoney e do projeto Monkeywrench. O resto não acrescenta nada pra história, é cópia da cópia. O Nirvana mesmo tinha suas influências bem explícitas, mas isso era algo proposital, e era disparado o grupo de maior personalidade dessa pseudo cena.

Tinham grupos da mesma época do grunge, que tocavam nos mesmos festivais, nos mesmos programas de TV e rádio, saiam nas mesmas revistas, mas não eram tidos como grunge. Posso citar o Dinosaur Jr. como exemplo. Achava isso estranho, apesar de estar dentro da MTV.

Então o grunge foi uma coisa muito mal inventada. Teve Seattle como “sede”, a Sub Pop como a gravadora símbolo, mas nada disso justificaria uma cena. Cena foi o que aconteceu com a turma de Nova Iorque, Londres, o punk de SP, a Turma da Colina, Manchester na virada dos 70-80 e na virada dos 80-90. Aí sim nesses lugares surgiram cenas verdadeiras com os grupos pensando juntos, faziam shows juntos, selos juntos, festas, baladas; dividiam equipamento, acessórios, roupas, as mesmas influencias... Era uma turma só.

Na MTV o grunge era prato cheio. Clipes e notícias dos grupos estavam sempre em pauta. E, além de Nirvana, os grupos queridinhos da emissora musical eram Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Temple of The Dog, L7 e Alice in Chains.

Pra mim, todos esses grupos são bem ruins! Um pior que o outro, mas estavam no lugar certo e na hora certa, então... A coisa toda era tão fraca que tudo girava em torno do Nirvana, porque tudo que o grupo fazia virava parâmetro. Digo “fraca” porque pra uma cena depender de um só nome, é porque ela de fato não existe.

E isso ficou muito bem comprovado com a morte de Kurt Cobain, que sempre sentiu (no mal sentido) o peso de carregar essa cena nos ombros, mesmo não querendo. Com ele morreu o grunge e sobreviveu quem realmente tinha algo que ia além de toda a mentira grunge. Esse foi o caso do Pearl Jam (gosto do ‘Binatural’). Outros tantos grupos conforme foram perdendo a força (que era falsa), acabaram.

Aqui no Brasil ficou muito claro o que aconteceu: os grupos que estavam cagando e andando para o grunge e fazendo sua história, se deram bem. Falo de Planet Hemp, Skank, Raimundos, Pato Fu, O Rappa, Chico Science e Nação Zumbi, mundo livre s/a. Grupos que estavam fazendo o seu lance independente de moda, cantando em português, concentrados em suas influencias raiz e não em modismos, se deram bem. Isso eu vi de perto.

Os grupos que não só cantavam em inglês, mas que tinham vergonha e se recusavam veementemente a cantar em português, insistindo em fazer um som grunge 100% americanizado, também foram se perdendo. Muitos deles até mudaram o nome e fizeram repertório em português, mas aí já era algo bastante ridículo. Dava pena ver esse desespero de fama a qualquer custo.

O que eu falo aqui não é viagem da minha cabeça. É só você colocar todos esses ditos grupos grunges na sua frente e perceber que nada tinha a ver com nada. Inclusive nessa cena tinha o lance de um não ir com a cara do outro.

Pelas fotos, principalmente oficiais, você vê que esses 98% de grupos ruins herdaram do ‘metal laquê’ a pose, e as longas madeixas. Os grunges, inclusive os brasileiros, adoravam cabelos longos e bem tratados!

Desculpe, não resisti! Inclusive muitos dos meus amigos que eram cabeludos naquela época, hoje são carecas. E eu continuo com o meu cabelo... sempre na máquina nº 2, mas com cabelo!

Bem, e hoje com o distanciamento do tempo, dá pra se ver mais claramente que tudo aquilo era uma farsa. Vê-se esse reflexo até mesmo quando se pergunta para grupos novos sobre suas influencias, são poucos os que passam pelo grunge.

No Brasil a mesma coisa, até porque os grupos que estouraram nos anos 90 e que citei acima, já estavam tocando há anos quando aconteceu o auge do grunge entre 1992-94. As influencias deles todos eram outras.

Você não vê nenhum grupo com influencia nítida do grunge. Não vê qualquer artista que possa dizer “se não fosse o grunge ele não existiria”, exatamente pelo fato do grunge não ter algo que marque seu som. Você pode falar do cabelo, da roupa, da década, mas não da música.

Eu entendo o grunge apenas como uma referência para o rock que estava no auge entre 1992-94. Mais nada.

Depois vou falar do pré-grunge.