15 de abril de 2013

Itaú o Banco Moderno


São 12h04 de um dia qualquer em abril de 2013. O cliente entra no banco Itaú, se dirige a mesa de informações e pergunta ao atendente:

Cliente: “Oi. Por favor, preciso do meu informe de rendimentos para o Imposto de Renda”.
Atendente: “Claro, pois não. Tiro pra você já”.

Assim que termina de falar o cliente passa o cartão para o atendente que, na mesma hora que pega o cartão, diz:

Atendente: “Putz. É conta empresa, né? Melhor falar com o gerente X que ele tira pra você”.
Cliente: “Eu só preciso saber o meu saldo em 31 de dezembro de 2012. Você não consegue ver no seu sistema?”
Atendente: “Por aqui não. Fala com o gerente X. Ele está ali”.

O cliente agradece sem entender como o atendente de um banco que se diz  ultra mega moderno não consegue ver um simples saldo, e se dirige a mesa do gerente X. Chegando encontra com o gerente saindo do banheiro:

Cliente: “Olá. O atendente disse que você poderá me ajudar com meu informe de rendimento. Eu só preciso do meu saldo em 31/12/2012”.
Gerente X: “Putz amigo, eu já bati meu ponto para o almoço. Por favor, fala com a gerente Z naquela mesa ali”.

O cliente não só agradece como se desculpa por atrapalhar o gerente X em sua hora de almoço. A gerente Z está atendendo alguém e o cliente se senta em uma poltrona para aguardar sua vez. É hora do almoço, hora em que muita gente aproveita para resolver problemas, mas o banco Itaú, trilionário e ultra mega moderno, está às moscas de funcionários. O cliente olha para o lado e vê a fila dos caixas aumentando e outros clientes chegando para falar com o gerente Z, o único presente no local.

Não por acaso o cliente lembra da propaganda engraçadinha do Itaú com o bebezinho que rasga o papel. Lembra da assinatura da propaganda que dizia que o banco Itaú é ultra mega moderno e que não precisa de papel. O cliente também se lembra que o Itaú se orgulha de ser considerado um banco que luta pela sustentabilidade e mais uma vez se pergunta que merda isso significa para ele e os demais clientes do Itaú. O cliente se pergunta : “será que vão aumentar as tarifas por causa disso” e ri sozinho. Lembra de quando teve que trocar de cartão e que foi obrigado a levar pra casa quatro papeis inúteis impressos pelo Itaú, mesmo pedindo para que eles não fossem impressos. “Pra que todo esse papel, moça?”. “É o comprovante de que você retirou o cartão”. “Mas eu não preciso disso. Vamos economizar papel!”. “Não dá. Eu preciso te dar esses papeis”. Aí o cliente percebe que o banco Itaú, além de ser trilionário e se dizer ultra mega moderno, é também mentiroso e usa a voz do dono pra dizer isso!

Depois de pouco mais de dez minutos gerente Z fica disponível, o cliente se aproxima e se senta:
Cliente: “Oi. Por favor, preciso do meu informe de rendimento para o IR. Você pode tirar pra mim? Na verdade eu só preciso saber do saldo em 31/12/2012. Você pode ver isso pra mim?”

A gerente Z pega o cartão do cliente e acessa uma tela de seu computador:

Gerente Z: “Olha, não sei se consigo tirar pra você. Preciso ver aqui. Ah! A conta não é dessa agência, né?”.
Cliente: “Não”.
Gerente Z: “Ih. Não vai dar. Não tenho acesso”.
Cliente: “Mas você não é gerente de conta jurídica? Você não consegue nem ver meu saldo em 31/12/2012?”.
Gerente Z: “Não consigo fazer nada daqui. Você pode tentar pela internet ou ligar para o seu gerente”.
Cliente: “Mas você não consegue me ajudar dentro de um banco que se diz tão ultra mega moderno? Eu entrei aqui para pegar um simples saldo de conta corrente e vou sair sem porque o próprio banco não consegue ver este saldo? Isso é ser banco ultra mega moderno? Que adianta ter um lucro gigantesco se não o aplica em melhorias?”.

O cliente, absurdamente insatisfeito, sai do banco Itaú, o mesmo que se diz ultra mega moderno e trilionário, e vai pra casa puto por ter que ligar para o gerente para pedir um mísero saldo. Mas como a gerente Z falou, há a possibilidade de pegar o informe de IR no site do banco.

O cliente chegando em casa liga o computador e entra no site do banco Itaú, que é trilionário e ultra mega moderno. Depois de passar pelas devidas páginas de segurança, o cliente acessa sua conta e procura por informe de rendimento. Ao clicar, automaticamente o site informa que a conta não tem informe de rendimento. O cliente diz pra ele mesmo: “Ok, então pegarei meu saldo em 31/12/2012”.

Ao pedir o saldo e/ou extrato do dia 31/12/2012, o site diz que não é possível informar movimentações além de 40 dias. Daí cliente lembra que o Itaú é trilionário, vende modernidade e  também mentira. Ele respira fundo, vai até seu armário, revira a pasta de documentos atrás do extratos consolidados que o moderno banco Itaú envia aos clientes por correio. Finalmente o cliente acha o que precisava: um simples saldo.

O cliente finalmente consegue o saldo através de papeis que o Itaú diz lutar para acabar, para ser um banco, digamos, sustentável. Imagine você se o cliente resolve cancelar o envio desses extratos consolidados! Como ele iria conseguir o saldo de que necessita?

Para finalizar toda sua maratona o cliente, após anotar seu saldo de 31/12/2012, lê no envelope do extrato consolidado: Mude. Papel só no que vale a pena. Mude para digital. É mais simples, rápido e seguro.

Após ler este texto no envelope do trilionário e ultra moderno banco Itaú, o cliente toca seu nariz para se certificar de que não está com um nariz de palhaço.

8 de abril de 2013

Série Coisa Fina: 19 – The Stranglers

Mal-encarados, sujos, velhos, cínicos e feios. Stranglers me faz sentir-se bem. Muito bem. Não sei ao certo quando e como ouvi The Stranglers pela primeira vez, mas quando minha irmã chegou de viagem com o Rattus Norvegicus e o La Folie debaixo do braço em setembro de 1982 eu fiquei perplexo. Até foi festejada a chegada do La Folie, o “novo” do Stranglers que, na verdade, havia sido lançado em novembro de 1981. Para a época era considerado disco novíssimo em folha, como se tivesse saído um dia antes. Ainda mais se tratando de um disco que jamais seria lançado no Brasil.

Pensando fundo é muito improvável escutar Stranglers na Brasília do final dos 1970 e início dos 1980. Não sei quem “descobriu” a banda, mas certo é que isso foi coisa ou dos irmãos Lemos (Fê e Flávio) ou dos Mueller (André e Bernardo). Eu conheci com o André, que tem a belíssima caixa The Old Testament. Muita gente dessa Turma de Brasília é apaixonada por Stranglers, e essa influencia é um dos elementos diferenciais no Rock de Brasília (da Turma! Rock de Brasília é, antes de tudo, o rock da Turma) .

Em Brasília a banda fazia parte das coletâneas que eram feitas nas fitas cassetes. Todo mundo escutava no carro, nas festas, em casa. Até hoje eu escuto corriqueiramente. Tenho escutado muito os três últimos lançamentos: Norfolk Coast, Suite XVI e Giants. Os três são ótimos, pra se escutar de cabo a rabo.

Giants foi lançado em 2012 e é o último do Stranglers que já anunciou a aposentadoria. Discaço! Saidêra de ouro! Inclusive a capa do disco é uma foto dos quatro enforcados: JJ Burnel (voz e baixo), Jet Black (bateria), Dave Greenfield (teclados) e Baz Warne (voz e guitarra). Um dos motivos da aposentadoria é a saúde de Jet Black. Em 2013 ele completa 75 anos. 75 anos! Ele tem arritmia cardíaca e deixou de se apresentar com a banda em diversas ocasiões, sempre substituído por seu roadie.

Jet Black é contido, faz o necessário e gosta de jazz. Em 1974, quando já tinha 36 anos, respondeu a um anúncio de procura por baterista na finada Melody Maker. Antes disso já havia tocado em uma banda e acompanhado outras diversas em pequenos shows em pubs. Ele tinha sido baterista amador e quando respondeu ao anúncio, era empresário dono de vans que vendiam sorvete pelas ruas de Londres. Jet também era revendedor de uma famosa marca de equipamentos para fabricação de bebida caseira, principalmente cerveja. De saco cheio da vida, há um tempo ele tentava formar uma banda, fazendo testes com baixistas e guitarristas que não lhe chamavam a atenção.

O anúncio que respondeu era para entrar em uma banda chamada Johnny Sox, que já tinha Hugh Cornwell, JJ e Dave. Essa banda foi formada na Suécia quando Hugh foi pra lá estudar bioquímica. Conheceu Hans Warmling e começaram a tocar juntos. Quando os estudos acabaram, Hugh voltou para Londres, reformulou a banda e continuou o Johnny Sox junto com Hans, que foi passar uma temporada na Inglaterra. Foi aí que Jet entrou.

Esse Johnny Sox inglês era Hugh, Hans, JJ e Jet. Depois de pouco tempo Hans voltou para Suécia e Dave Greenfield entrou. Isso tudo aconteceu entre final de 1973 e 1974.

A cena punk londrina nem existia na época e o Stranglers fazia o circuito de pubs. Isso trouxe à banda forte influencia do pub rock. O fato de também ter teclado era um diferencial. Mas como naturalmente eles todos se vestiam de forma simples, com roupas sujas e amassadas, falavam de comportamento, muito sexo, guerras, política e religião, não foi nada difícil e estranho para a banda entrar no contexto punk e fazer parte da turma punk londrina dos anos 1970. Inclusive Stranglers abriu os famosos shows que o Ramones fez em Londres em 1976.

Desde o início Stranglers se diferenciou de todas as bandas de sua geração. Era diferente dentro da cena pub rock e diferente dentro da cena punk. Pra mim, é uma banda de gênios, por ter uma visão muito além de seu tempo. Seus discos são atemporais mesmo tendo teclados. Alias, Stranglers é referência obrigatória pra quem quer ter banda com teclados.

Seus shows sempre tinham confusão. Muita gente acusava a banda de sexista e aproveitava pra fazer protestos. Em determinados shows a banda costumava contratar prostitutas para ficarem dançando peladas no palco. Fora que os próprios integrantes tinham (e tem) cara de poucos amigos. Por conta disso, Stranglers costumava fazer shows escondido, usando outros nomes. Era banda que a crítica não gostava, mas que o público adorava. Nunca chegou ao Top 1 (graças a Deus!), mas entrava nas paradas).

Em 1980, depois que Hugh Cornwell foi preso por porte de heroína, Stranglers organizou um show para ajudar a pagar os custos do processo e chamou diversos amigos/fãs para participar. Foi lançado o ótimo Live in Concert 1980 The Stranglers and Friends e, na lista de participações, tem Robert Smith (The Cure), Robert Fripp (King Crimson), Wilco Johnson (Dr. Feelgood), Ian Dury e outros famosos nomes do rock inglês.

Nos anos 1970 muita gente se referia ao Stranglers como uma banda de velhos. E pra calar a boca dessa gente, a banda acabou sendo uma das poucas de sua geração a permanecer na ativa até hoje. Pra mim, dos 17 discos de estúdio, do Rattus Norvegicus até Giants, apenas 6 considero ruins. 5 deles foram lançados na década mais fraca da banda, que foi 1990. Hugh Cornwell saiu logo depois de lançar o ‘10’, exatamente em 1990. Contando com este último de Hugh, Stranglers lançou outros ruins com Paul Roberts no vocal (ex-Vibrators). Paul não era o cara certo. A banda passou essa década sem muita inspiração.

Nos anos 1970 o som era cru e com muita energia, raiva. Distorção na guitarra e no baixo, experimentações com timbres de teclados. Os vocais graves de Hugh também são marca do Stranglers. O baixo sempre em destaque junto com os outros instrumentos e em certas músicas ganha até mais destaque, o que era outro diferencial tanto para a cena punk, quanto para o pub rock. (e no final dos 70 o baixo se tornou o destaque no pós-punk)

Nos anos 1980 o som mudou, e muito. Entraram violões com cordas de aço, muita melodia, guitarras dedilhadas, os timbres de bateria mudaram e o baixo, apesar das boas frases de JJ, deixou de ter a importância que tinha. A sonoridade punk e o pub rock raivoso saíram de cena. Tudo ficou mais leve e estranho. Perdeu-se o som ogro dos 1970. O Feline e o Dreamtime são bem esquisitos (no mau sentido). Dentro dessa nova sonoridade pós La Folie, o grande disco é Aural Sculpture. Do começo ao fim.

De 1990 até 2006 Stranglers se tornou um quinteto, mas dois anos depois de Norfolk, Paul Roberts saiu e a banda voltou a ser um quarteto com Baz Warne na guitarra e voz. Baz começou a carreira profissional em 1983 tocando baixo no Toy Dolls. Em 1995 acompanhou Stranglers em uma turnê. O legal dele é que ele é fã e deixa isso na cara. Dá pra ver a felicidade dele no palco, faz muito bem as partes de Hugh e tem personalidade (próximo do que CJ foi para o Ramones).

Duas coisas diferem Stranglers das demais bandas (não só de sua geração): os geniais teclados de Dave Greenfield, dono de um ultra bom gosto, tanto nos arranjos, quanto nos timbres; e o baixo de JJ Burnel que foi um dos grandes responsáveis por mudar o rumo desse instrumento dentro do rock/pop.

The Stranglers foi o patinho feio em todas as cenas que a mídia tentou encaixá-lo. Caiu melhor no punk, pela postura, pelo som pesado. Pouca gente aqui no Brasil conhece ou gosta. É banda atemporal, influência para qualquer geração.

Amo demais. É banda companheira de todas as horas. Fiquei muito feliz quando voltou a gravar bons discos a partir do Norfolk Coast. O peso e o baixo marcado voltaram. A sonoridade ficou mais próxima dos anos 1970. 

Pela aposentadoria, faço dessa publicação minha humilde homenagem a essa banda que, quando escuto, me ajuda a pensar e resolver as coisas da vida.

(Em 2019 The Stranglers voltou a fazer shows, sem Jet Black e Hugh, e pelo conteúdo publicado nas redes sociais, a banda tá bem feliz em botar o pé na estrada de novo)

Justa aposentadoria desses caras mal-encarados, sujos, velhos, cínicos e feios.

Meus 5 preferidos
1º) Rattus Norvegicus 
2º) La Folie 
3º) Black and White 
4º) No More Heroes 
5º) The Raven







27 de março de 2013

Em abril...


Como todo mês, em abril há fatos curiosos. Não sei se é coincidência, estratégia, ou sei lá o quê, mas o Pato Fú lançou quatro discos neste mês: Rotomusic de Liquidificapum (1º), Gol de Quem? (2º), Televisão de Cachorro (4º) e Ruído Rosa (6º).

Foi em abril de 1957 que Betinho e Seu Conjunto lançou “Enrolando o Rock”, primeiro rock brasileiro gravado com guitarra elétrica. Foi usada uma Fender Stratocaster. 

Dois Ronnies tiveram lançamentos marcantes: o Cord lançou compacto com o clássico “Rua Augusta” (“Brotinho Difícil” no lado B); o Von lançou Máquina Voadora, um clássico do rock psicodélico brasileiro. Não, Ronnie Von nunca tomou drogas. Fazia rock psicodélico 100% consciente.

Aconteceu em abril, em 1982, o lançamento da ultra mega plus golden coletânea Grito Suburbano. São essenciais em minha vida Grito Suburbano, SUB e O Começo do Fim do Mundo. GS foi a primeira coletânea punk brasileira. Feita na raça. Fábio alugou um estúdio e teve 12 horas para fazer tudo. Obviamente ficou ruim porque os técnicos de som não entenderam nada. Mas Grito Suburbano é lindo e é o primeiro registro de pérolas como “Subúrbio Geral”, “Pânico em SP” e “Eu Não Sei”. Pra continuar no underground de SP, Ultraje a Rigor celebrou seu contrato com a WEA após um show no Lira Paulistana, e no mesmo ano saiu o compacto com “Inútil” e “Mim Quer Tocar”.

Andreas Kisser entrou para o Sepultura e mudou-se de BH para SP.

A banda Metrô lançou, em abril de 1985, o primeiro disco e, em abril de 1988, fez o último show da carreira.

Vários discos clássicos comemoram lançamentos: o primeiro do Raimundos, Usuário (Planet Hemp), Ideologia (Cazuza) e É Ferro na Boneca, clássico primeiro disco do Os Novos Baianos. Tem também E Agora Pra Dançar?, segundo disco do Gueto, que considero um clássico e já escrevi aqui sobre ele. Maravilhoso! Exatamente um ano depois de Barão Vermelho lançar Declare Guerra, Cazuza descobriu ser portador do vírus HIV. Tem mais uma penca de outros lançamentos importantes, mas esses já dão um baita peso ao mês. Ah! Curiosidade do disco do Barão, entre as músicas gravadas há "Boomerang Blues", de Renato Russo.

Quase perto uma da outra, 11 anos separam a estreia ao vivo de Rita Lee solo e a estreia da Gang 90 & Absurdettes. O show de Rita Lee, patrocinado pela Rhodia, se chamava ‘Nhô-Look’. Dois meses depois do show da Gang 90, ela lançou o primeiro compacto e fez sucesso com “Perdidos na Selva”. Os dois shows aconteceram em SP.

Alguns aniversariantes: Roberto Carlos, Maurício Barros (Barão Vermelho) e Leoni (ex-Kid Abelha) no mesmo dia, Léo Jaime, Paulo Xisto (Sepultura), Chorão, Sérgio Sampaio, Alvin Lee, Supla, Cazuza, Netinho (Os Incríveis), Gustavo Mullen (Camisa de Vênus), Boka (RDP), Gerson Conrad (Secos e Molhados).

Tem a triste morte do cantor Antônio Marcos, pai da atriz Paloma Duarte, que morreu de cirrose hepática devido ao consumo de álcool. Ele fez sucesso na jovem guarda e lançou 13 discos.

Há casos de polícia que envolvem Roberto Carlos, Lobão e Paulo Ricardo. No auge da jovem guarda RC foi acusado de atirar contra cinco rapazes que tentaram lhe agredir. O juiz o absolveu depois de aceitar o pedido de legítima defesa. Nesse período volta e meia tanto Roberto Carlos, quanto Erasmo Carlos e outros grupos da jovem guarda se envolviam em confusões das mais diversas, por conta de rapazes ciumentos, polícia e juízes que odiavam rock, pais que não aceitavam cabelos compridos. O carro de Erasmo chegou a ser atingido por tiros em uma estrada quando voltava do interior para São Paulo capital. Brigas e discussões aconteciam toda hora. Houve até um período em SP que o rock foi proibido em festas, bailes, rádios e televisão.

Lobão e Paulo Ricardo foram julgados juntos por porte de drogas, mas em ocorrências diferentes. A coincidência é que os dois foram pegos no Aeroporto do Galeão, no RJ. Paulo Ricardo, que era o bonitão e galã, foi absolvido por “bons serviços culturais prestados à nação”; Lobão, que era feio e contestador, pegou um ano de prisão e cumpriu três meses. Todos ficaram se perguntando se Lobão, por acaso, também não prestava bons serviços culturais à nação?!? Ao meu ver, prestava até infinitamente melhor que Paulo Ricardo.

Em abril se completa 30 anos da 1ª edição do festival Abril Pro Rock. Infelizmente ele não é o mesmo. Foi responsável pela divulgação do mangue beat, e por ele passaram todas as importantes bandas dos anos 1990. O festival, naturalmente, cresceu e deixou de ser alternativo.

Foi em abril que a revista Veja pisou na bola feio, quando a matéria de capa teve a chamada “Cazuza – Uma vítima da aids agoniza em praça pública”. Gerou muita indignação e a resposta de Cazuza para a revista está aqui no Sete Doses de Cachaça (creio que ainda na lista dos mais lidos bem ao lado).

Pra fechar mais curiosidades: nos anos 1960 a editora Formar lançou um livro de Roberto Carlos chamado Roberto Carlos em Prosa e Verso. Foi o maior contrato editorial assinado até então no Brasil.

Outra coisa que praticamente ninguém sabe é que a banda Os Ronaldos, quando se separou de Lobão, tentou continuar a carreira e chegou a lançar um single com as músicas “Stay Cat Gomalina” e “I Love You”. Dois bons rocks. Mas não aconteceu nada. Não sei o que houve, só sei que nem chegou a tocar em rádio.