3 de agosto de 2023

As Novas Gerações de Artistas e o Conhecimento Musical

A literatura espírita diz que o ser humano não tem ideia do quanto a música é, pra nós, um remédio de suma importância. Nem é preciso provar sobre isso porque basta colocar um disco, um artista, uma música que você goste pra sentir o que ela faz com você. Música é como olfato que nos remete a pessoas, situações e lugares.

Tem música que eu não ponho quando estou concentrado em outras coisas, porque me faz perder a concentração, paro pra cantar, ouvir e batucar. A música que faz isso comigo pode ser da década de 1960, 70, 80, 90 ou mesmo atual – Alabama Shakes é um bom exemplo. Tem discos do Cure, Durutti Column, Stranglers, Clash, Police e outros que escuto e me levam pra vários lugares e situações. Muita coisa de soft rock e soul music também mexem com lembranças e emoções, e eram músicas que eu escutava com meus pais, quando eu ainda era pequeno, no início dos 70. Graças a tecnologia, do Napster pra cá, pude encontrar muita coisa que eu escutava, mas que estava em fitas cassetes e sem informação. Bendito Spotify!

A música brasileira é também outra fonte riquíssima de influências e lembranças. Em 1978 assisti, no Guarujá, ao show do disco Realce do Gilberto Gil. Eu tinha 8 anos e lembro como se fosse ontem. Não à toa adoro a trilogia Refazenda, Refavela e Realce. As primeiras vezes que vi o pessoal da Turma da Colina no Food’s, apesar de não entender nada da música, me marcou, e hoje quando escuto as gravações e demos daquela época, entro em uma máquina do tempo que mistura imagens e sentimentos. 

Isso acontece com todo mundo, dentro de cada contexto pessoal.

A força da música foi tamanha na minha vida que, aos 12 anos, eu já queria formar um grupo. Assim foi praticamente com todo mundo que se enveredou para a música. Você pega de exemplo, sei lá, o George Harrison que aos 15 anos começou a tocar com John Lennon e Paul McCartney. Tem as histórias das dificuldades de grandes estrelas da soul music que também iniciaram jovens, em igrejas e todo o enorme preconceito daquela época. Michael Jackson começou quase que ainda usando fraldas!

Até certo momento, fazer música era puro amor. Isso mudou, principalmente, a partir da década de 1960, quando as gravadoras aprenderam a lidar com o rock e todas as quebras de paradigmas que a beatlemania trouxe.

Comprar discos e fitas cassetes não era fácil porque eram itens caros. Muita gente reaproveitava fitas, roubava dos pais, dos amigos e fazia o que era possível para ter as músicas e os discos preferidos. As revistas eram poucas; as imagens raras; as notícias eram curtas, incompletas e atrasadas, mas nós amávamos e fazíamos de tudo pra também ter o máximo de informações possíveis. Gostar de música e ter artistas preferidos não era nada fácil!

Contei tudo isso porque, naquela época, ao formar um grupo, você levava pra ele todo este contexto, e não só a influência da música que você ouvia. Por isso, naturalmente, havia muito amor no que era feito. Se nos anos 1970 as pessoas fossem pensar em dinheiro ao formar um grupo, então não haveria a rica história que temos dessa década: Som Nosso de Cada Dia, Clube da Esquina, Secos e Molhados, Os Mutantes, Módulo 1000, Vímana, Som Imaginário, Bixo da Seda, Veludo, Peso, Joelho de Porco e tantos outros que lutaram bravamente pra manter uma carreira e tentar um espaço.

Mesmo na jovem guarda, nem todo mundo conseguiu ganhar dinheiro. Na verdade, nem os que eram mais conhecidos tinham segurança financeira. Cachês e direitos autorais, tudo isso era bem diferente nos anos 1960.

Aí sim nos anos 1980 o rock chegou ao mainstream, muita gravadora ganhou dinheiro e os artistas inteligentes souberam aproveitar o momento e juntar uma grana. Houve o boom do rock, mas nem todo mundo se deu bem. Se você contar tudo o que foi lançado entre 1982 e 1989, verá que foram poucos que se deram bem. Se eu for citá-los aqui - e todo mundo sabe quem são - serão, no máximo, uns 10 ou 12 nomes. Mesmo pra esses nomes que se deram bem nessa década, não havia segurança financeira. 

A mesma coisa aconteceu na década de 1990, a última a trazer uma cena rock que alcançou o mainstream. Entre 1993 e 1995 uma nova geração surgiu e ainda teve a força da MTV para ajudar na divulgação.

Tudo isso eu já detalhei em diversos textos publicados no Sete Doses, mas repito aqui bem por cima porque a intenção deste texto é mostrar a semelhança entre essas décadas quando você pega apenas os artistas que se deram bem ou os mais lembrados de suas gerações. 

Roberto e Erasmo Carlos estouraram no miolo década de 60, mas já estavam na ativa na época da Turma do Matoso, na segunda metade dos anos 1950. Muitos dos grandes nomes do rock dos 70, mesmo que não tenha chegado ao mainstream, já ralavam no fim da década de 60, já pensando em algo além da Jovem Guarda. O Liverpool virou Bixo da Seda e o próprio Mutantes se reinventou. Tem toda uma geração da região Nordeste, o Festival de Música Experimental, o Paêbiru e Ave Sangria, a história do Raul Seixas que também começa na Jovem Guarda.

Em todas essas gerações há músicos que se tornaram produtores, executivos e donos de selos; os que montaram seus estúdios para gravações profissionais; os que criaram produtoras de jingles e trilhas; empresas de montagem de palco, etc.

Os primeiros grupos que estouraram nos anos 80, muitos dos músicos que estavam neles já tocavam no final dos anos 70 já com influência do punk rock, ska, pós-punk. A mesma coisa aconteceu na década de 1990: todo mundo que tocava no Skank, O Rappa, Planet Hemp, Raimundos, Pato Fú já estava na ativa nos anos 80.

Ou seja: todo mundo que se deu bem, independente da geração, ralou anos até conseguir destaque.

Toda essa galera tinha as dificuldades que descrevi no início do texto e ninguém imaginava ser rockstar. Independente da geração, todo mundo que decide fazer um som tem o sonho de se tornar conhecido, mas pra essas gerações passadas, esse sonho era muito mais distante. Mas mesmo assim, gravando discos e fazendo shows pelo país, muitos músicos fizeram questão de terminar a faculdade e continuaram a trabalhar até o momento em que realmente se profissionalizaram com agenda de shows, gravações e outros compromissos que impediam ter outro emprego. No Brasil, a gente nunca sabe o que vai acontecer conosco quando optamos por uma vida na arte, não é mesmo!?

Daí a gente chega nas gerações pós-1990 e fica um vazio tremendo. A partir desse momento você passa a ter apenas casos isolados, e não mais uma cena ou um movimento. Também nada mais de inovações e nada mais de mudar o mundo com a música.

Essas novas gerações que cresceram com a internet não tiveram a dificuldade que as outras gerações tiveram, portanto, não valorizam a música feita no passado como valorizávamos (e ainda valorizamos). O sucesso comercial dos anos 80 e 90 fez muito artista surgir apenas com o desejo de aparecer na mídia e hoje, com as redes sociais, o que vejo é a mesma coisa.

Você percebe que são gerações donas de composições rasas, sem contexto, sem paixão, sem razão. Estamos em 2023 e nada de novo nessas duas décadas marcou a história com grandes canções e grandes discos. Isso não é uma opinião minha, é um fato.

Gostar e fazer música está ligado à importância que você dá para a história dela. Conheci muita gente que tocava bateria, guitarra ou baixo, mas que não escutava música, tinha poucos discos e não se importava com os outros grupos que estavam ao seu redor. Essas pessoas sumiram. Olha quanta gente que gravou disco nos 80 e 90 e que não aconteceu nada.

Tem que ter paixão e conhecimento e isso não existe mais. Em tempos tecnológicos, qualquer pessoa pode fazer música. Hoje você grava um disco no smartphone dentro do seu quarto. O que ouço da geração atual dói os ouvidos por causa do texto, da rima, da melodia, da harmonia e da nítida falta de conhecimento.

A maior loucura disso tudo é que, volta e meia, vejo gente das novas ou mais recentes gerações reclamando e, pior, tentando filosofar sobre o motivo de o rock, o pop, a nova MPB ou seja lá o que for não ter espaço na mídia. Claro que não tem espaço! Claro que não há interesse de ninguém em uma geração que nada traz de novo e ainda se diz comunista. É muita ignorância junta (verbo ignorar: não saber, não conhecer).

Antes, fazer música era bastante difícil. Havia muitas barreiras a começar pela família, dinheiro pra comprar instrumentos, etc. Hoje, com toda a facilidade que se tem pra fazer música e tendo à mão todas as influencias possíveis, se faz uma música ruim e sem tempero. Mas isso é resultado exatamente da facilidade e, de novo: uma absurda falta de conhecimento musical.

Quem faz música hoje precisa saber que está competindo com artistas do calibre de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Legião Urbana, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Cássia Eller, Elis Regina, Gal Costa, João Gilberto, Ney Matogrosso, Titãs, Paralamas do Sucesso, Skank, Raimundos, Milton Nascimento. Se você não fizer algo que tenha, no mínimo, o mesmo padrão de qualidade na composição, então esquece! Não adianta reclamar que a mídia não dá bola, da falta de espaço pra tocar, da falta de atenção, etc. 

Antes de gravar e lançar um disco pare pra pensar se vale a pena gastar tempo e dinheiro com isso. Analise tudo antes de tomar essa decisão. Até mesmo os poucos artistas novos que têm certa relevância não recebem a devida atenção da mídia e do público. Pego como exemplo a maravilhosa Tulipa Ruiz que lançou ótimos trabalhos, mas que nunca recebeu o merecido valor pela sua excelente obra. Esse tipo de coisa vai acontecer cada vez mais.

O que você está compondo, que vai lançar e que me fará dividir a atenção com a boa e velha Soul Music de Aretha Franklin, Temptations, Curtis Mayfield e Stevie Wonder? O que você vai lançar que vai me fazer dividir a atenção com Jackson do Pandeiro, Secos e Molhados, Tim Maia, Chico Buarque e Clube da Esquina?

Isso é difícil demais! Um incomensurável desafio! Primeiramente é preciso conhecer todos esses artistas brasileiros muito bem, assim como os artistas internacionais. Depois disso, encontrar um estilo próprio (o que hoje em dia é quase impossível), daí começar a experimentar composições, estruturas, refrões, riffs, letras, diferentes afinações e tudo o que pode soar como novo. É preciso tratar a música com mais carinho e mais profundidade.

Ter paixão é tudo! Ter conhecimento é tudo! E é isso que falta pra quem faz música no Brasil desde a entrada do século XXI.

PS: Você que é da nova geração, que nasceu a partir da década de 1990, sabe dizer quem são os artistas que ilustram esta publicação?

18 de julho de 2023

Série O Resgate da Memória: 55 - Cláudio César Dias Baptista (Som Três, 1986)

Até a abertura econômica que aconteceu no (corrupto) Governo Collor, o Brasil tinha que se contentar com os péssimos produtos nacionais.

Em relação ao universo da indústria fonográfica, o brasileiro sofria horrores não só com instrumentos sofríveis, mas também com os acessórios e equipamentos: mesa de som, amplificadores, equalizadores, pedais, microfones, cabos, plugs... Não à toa a qualidade de gravação de muitos discos das décadas de 1970 e 1980 são sofríveis.

Cláudio César é o irmão mais velho dos irmãos Dias Baptista – Sérgio e Arnaldo – e também graças a ele que Os Mutantes manteve qualidade sonora de nível internacional.

Em uma época que era praticamente impossível importar instrumentos e equipamentos, Cláudio deu aos artistas dos 1960 e 70 uma qualidade inimaginável para àquele período.

Aqui – como homenagem a este pioneiro dos equipamentos artesanais – transcrevo uma reportagem publicada na saudosa revista Som Três de agosto de 1986:

 


 

INSTRUMENTOS

A Fábrica do Eu-Sozinho

A CCDB significa Cláudio César Dias Baptista. Sozinho ele pesquisa, idealiza, projeta, desenvolve, monta e vende uma enorme quantidade de equipamentos, desde amplificadores até câmaras de reverberação e vocoders.

Mesas de sonorização e gravação de 12, 16 ou 24 canais, amplificadores de potência monofônicos e amplificadores turbo-compressor para instrumentos musicais e vozes, câmaras de reverberação, vocoders, pedais, captadores para violões e outros instrumentos acústicos e mais de uma centena de equipamentos de áudio, com uma sofisticada tecnologia, totalmente idealizada e desenvolvida no Brasil. Aí estão os produtos CCDB, famosos entre muitos músicos brasileiros.

A marca é, na verdade, as iniciais de Cláudio César Dias Baptista, um “artesão eletrônico” que há mais de 20 anos vem desenvolvendo um trabalho pioneiro no setor de áudio. Com preços bem inferiores aos dos produtos importados do gênero, eles só são feitos por encomenda. Cláudio, que trabalha como autônomo, oferece uma garantia de 5 anos e completa assistência técnica. Com mais de 600 clientes cadastrados, ele, no entanto, diz que não tem tido problemas com seus aparelhos, utilizados por grupos e artistas como Herva Doce, Sérgio “Mutantes” Dias Baptista, Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, A Cor do Som, Blitz...

Autodidata em eletrônica e áudio, Cláudio César desde a infância mostrou habilidade para o trabalho manual, construindo telescópios óticos e fazendo aeromodelismo. Através dos pais – César Dias Baptista já falecido, foi cantor lírico e Clarisse Leite é pianista clássica – ele herdou a paixão pela música e no início dos anos 60, insatisfeito com as guitarras nacionais, começou a fabricar seus primeiros instrumentos. Logo ele já dominava a arte e a partir de 1965 passou a vender suas guitarras. Cada uma era um protótipo, sendo aperfeiçoada a cada nova encomenda, já que Cláudio não se propunha a fabricar nada em série. O seu trabalho seria conhecido através do grupo de seus irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista, mais Rita Lee, nada mesnos do que os lendários Mutantes. A guitarra “de ouro”, semi-acústica, que Sérgio Dias usou durante muitos anos, por exemplo, é um dos frutos do trabalho de Cláudio e, segundo ele, já foi considerada por músicos do mundo todo como uma das melhores guitarras do gênero.

 Tudo Sozinho

De 1965 a 1972, Cláudio fabricou cerca de 200 guitarras sólidas e mais umas 30 acústicas. Ele esteve a ponto de exportar seus instrumentos, mas a tentativa de industrialização não chegou a se concretizar devido, entre outras coisas, a um acidente com seu sócio na época. Formado em administração de empresas, na EAESP-FGV, Cláudio César acabou chegando à conclusão de que, para seus propósitos e seu tipo de personalidade, a melhor forma de atuação seria como autônomo. Daí trabalhar apenas com encomendas, sem intermediários ou lojas, como um sofisticado artesão e inventor eletrônico. Tudo passa por sua mão e além de idealizar, pesquisar, projetar, desenvolver e montar seus aparelhos, Cláudio também redige e imprime os folhetos explicativos que acompanham suas crias. Ele assegura que tudo que produz se equipara, ou é melhor, aos similares importados.

Para se ter uma ideia do trabalho deste “mago da tecnologia de áudio”, aí vai um trecho do prospecto “O Uso das Mesas CCDB”: “Até astronaves podem apresentar defeitos. A melhor cura para um defeito é preveni-lo e uma das formas de fazermos isto é conhecermos as possibilidades de defeitos e nos prepararmos para resolvê-los correta e eficientemente. Os circuitos integrados CCDB são importados (...) O resto do material é o melhor nacional (...) Uma prova de qualidade é o histórico de assistência técnica das mesas CCDB. Até a data da redação deste prospecto, de 48 mesas Flightmix já em operação, nenhuma teve assistência técnica.”

30 de maio de 2023

O Último dos Moicanos

Em 2001, quando fui editor de música do finado site tantofaz.net eu tinha, fora da música, uma capa livre por semana. Era mania minha publicar textos de ficção, mas com um tom não-ficção. Assim foi com O Dólar de Um Milhão, A Verdade Sobre os Cangaceiros Buth Cassidy and Sundance Kid, Elvis Não Morreu e outros.

Entre eles havia um chamado O Último dos Moicanos, sobre o último dos ídolos musicais dos velhos tempos e, por consequência, a última pessoa ainda viva do público que assistiu ao vivo aos velhos ídolos e viveu o lançamento de grandes discos clássicos. Eu, por exemplo, tive a 1ª edição inglesa do Combat Rock do Clash logo após seu lançamento; assisti Ramones, Iggy Pop, Lou Reed, PIL, Cólera, Itamar Assumpção, Cazuza, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Caetano... Será que no futuro eu serei a última pessoa a ter visto esses artistas surgidos até, no máximo, a primeira metade da década de 1990?

A recém partida de Erasmo Carlos e Rita Lee me fez querer resgatar esse tema. É duro perder artistas de tamanha grandeza!

Quem será o último ídolo da velha guarda a morrer? Dave Grohl? Bono Vox? Peter Frampton? Jello Biafra? Debbie Harry? Chrissie Hynde?

E no Brasil, quem seria o último? Arnaldo Antunes? Dado Villa Lobos? Lobão? Próspero Albanese? Sérgio Hinds? Marcelo D2?

Desse rock que ouvimos e que chegou ao público a partir da década de 1950, hoje, a maioria dos artistas que são dessa geração já está na casa dos 70 e 80 anos. Este é o caso de Beatles e Rolling Stones, pioneiros que transformaram todo o universo do mercado fonográfico e da cultura pop. Toda essa geração que iniciou carreira na década de 1960 - seja no começo dela ou no final – é nascida na década de 1940 (a mesma coisa acontece com os artistas da Soul Music).

Hoje, em 2023, já são raros aqueles que nasceram na década de 1930 e, daqui poucos anos, raros serão os ídolos nascidos nos anos 1940. A partir daí o ciclo da vida vai terminar para esses que falo aqui, que são os grandes nomes do rock. Daqui duas décadas, no máximo, a geração que transformou a música na década de 60, que tocou no Woodstock, que fez o rock psicodélico e progressivo, toda ela terá ido embora. Assim como a geração que fez o punk rock e o heavy metal, por consequência, a new wave, rock alternativo, etc. também terá ido e, quem sobrar, estará na casa dos 90 anos.

Nessa década de 2040 a geração 1980 estará na casa dos 80 anos. Tanto os artistas internacionais, quanto os brasileiros. Bono Vox, Nando Reis, Flea, Edgard Scandurra, Morrisey...

Segundo a ONU, a média mundial de expectativa de vida é de 73,4 anos (para homens 70,8 e mulheres 76). Então, certamente, estou aqui sendo otimista quanto ao aumento dessa expectativa nessas próximas duas décadas (coisa que sei que não vai acontecer).

Nos próximos 20 anos veremos os shows desses artistas diminuírem e aposentadorias sendo anunciadas. Naturalmente, (e infelizmente) nesse futuro próximo, veremos ídolos das três principais décadas da música – 1960, 1970 e 1980 – irem embora.

Logo depois que isso acontecer, os poucos ídolos musicais das décadas de 1990 e 2000, que já não são tão relevantes como os artistas das décadas anteriores, também vão embora e essa é a única certeza dessa vida!

Mas, apesar disso, os artistas não morrem nunca! Eles sempre foram e continuarão sendo os discos, as músicas, os vídeos e as fotos.