21 de outubro de 2026

71 Anos de Rock brasileiro

Agora dia 24 de outubro de 2026 o rock brasileiro completa 71 anos de vida. Este título é provocativo, claro, até porque ninguém comemora uma data quebrada assim, ainda mais logo após uma data redonda que, aqui no caso do Brasil, “ninguém” comemorou. A palavra ninguém entre aspas porque eu comemorei lançando o livro O Calendário do Rock Brasileiro em março de 2025, 7 meses antes da data de 70 anos. Lancei de forma independente e só foram vendidos 50 exemplares de 60 feitos (10 para dar para a família, pra mim e alguns amigos). 

Aqui falo dos 71 anos exatamente para lembrar que ninguém lembrou dos 70 anos do rock brasileiro, nem mesmo a mídia que se diz especializada e que, só por não ter comemorado esta data, já mostra que de especializada essa mídia capenga não tem nada. Já escrevi algumas vezes sobre este assunto, mas é bom reforçar.

Em julho último participei do 1º Seminário Mercosul do Rock, que aconteceu em Brasília, onde fiz a palestra magna sobre o rock brasileiro como patrimônio cultural e quero deixar aqui neste texto parte do que falei nesta palestra.

Já publiquei, aqui mesmo no Sete Doses de Cachaça, em 2012, 2014 e 2025, textos sobre o fim do rock e o fim da música autoral (este abriu discussão nos comentários) e que não tiro uma vírgula do que foi dito.

O Menosprezo pelo Rock Brasileiro 

A Morte do Rock Brasileiro?!?

O Fim da Música Autoral!?!

E vou além… já que o problema do rock brasileiro não é apenas a falta de conhecimento geral da nova geração do rock. Fora do Brasil, digo nos EUA e na Inglaterra, ainda surgem bons nomes e de diferentes estilos, mas aqui o buraco fica cada vez mais fundo.

Como já dito, a falta de leitura e de conhecimento sobre história e tantas outras coisas, faz com que as letras sejam rasas, sem substância, sem profundidade, com vocabulário pobre e sem assunto. Ou seja, já no texto se vê algo pobre.

Na parte musical a mesma coisa, já que muita gente - e não só a nova geração que hoje está aí tocando - sequer conhece a história do próprio rock brasileiro. Ao contrário do que acontece fora, onde os artistas novos são cheios de referências que vão além do trivial. Aqui no Brasil o pessoal fica apenas no superficial e olha lá! Fora, se ouve na música referências de rock, folk, pop, soul, blues, country, soft, pub e tantos outros estilos. Aqui a ideia que os grupos novos (e artistas solos) passam é de que o rock começou com Nirvana, passa por Metallica e Red Hot Chili Peppers, e segue com Arctic Monkeys.

O roqueiro brasileiro não sabe o que aconteceu no rock brasileiro na década de 50, 60 e 70. Apenas algo raso como a Jovem Guarda com Roberto e Erasmo Carlos e os anos 70 com Mutantes e Secos e Molhados.

Ninguém sabe quem é Sérgio Murilo, Ronnie Cord, Demétrius, Albert Pavão, Baby Santiago e Getúlio Côrtes. O roqueiro brasileiro não sabe quais rocks foram gravados nos anos 50. Não sabe quem é Bob Bolão, Betinho e Seu Conjunto ou mesmo Celly e Tony Campello. É uma vergonha! Duvido que já tenha escutado, por exemplo, “Rock’n’Roll em Copacabana”, “Xaxado Rock”, “Rock do Saci”, “A Bruxa”, inclusive, “Rua Augusta”. Tirando o Magazine que gravou "Adivinhão" nos anos 80, nunca nenhuma banda brasileira revisitou esses primeiros rocks brasileiros, algo que, fora do Brasil, é feito.

Desconhece de todas as possibilidades que grupos como A Barca do Sol, Som Imaginário, Novos Baianos, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Sá Rodrix & Guarabyra, Ave Sangria e tantos outros que misturavam, com maestria, os ritmos brasileiros e a MPB com o rock.

Como uma pessoa que tem banda e luta por reconhecimento pode reclamar de não ter espaço, se ele próprio não conhece o que foi feito antes dele, salvo o trivial como Mutantes, Legião Urbana, Planet Hemp e Los Hermanos.

Em meu feed no Instagram (só tenho FB e Instagram), surgem bandas novas por conta do algoritmo e dou atenção a todas elas. Mesmo sem segui-las, vou ao perfil, olho as postagens, procuro trecho de músicas (seja em ensaio, shows ou videoclipe), procuro entender o contexto, mas o que vejo é triste e até vergonhoso. Já vi banda dizer “se você gosta de Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii, então escuta isso aqui” e começa a tocar uma composição tosca, de melodia pobre, letra rasa e que nada tem a ver com as referências ditas.

Já vi publicação de banda tocando no ensaio com a legenda fixa no vídeo dizendo “quem disse que o rock atual não tem qualidade?” com uma música ruim de doer, sem qualquer novidade, sem qualquer qualidade. Isso mostra o quanto essas bandas não conhecem nada que veio antes de Oasis ou Raimundos. Uma tristeza. Dá vergonha alheia.

Riffs pobres, batidas pobres, frases de baixo pobres, letras pobres e zero referência. Vejo músicos que não tem personalidade, não tem pegada, não tem presença e que só sabem imitar seus ídolos no jeito de tocar e até no jeito de pegar o instrumento. Isso fica claro pra qualquer pessoa que, de fato, conhece o rock brasileiro.

Daí fica difícil qualquer pessoa influente ajudar, seja um produtor, uma gravadora ou um jornalista.

Quer fazer rock? Então comece a ler, adquirir conhecimento sobre o Brasil e o mundo sobre todas as áreas, vai atrás do que foi feito no Brasil, vai conhecer outros gêneros como a Soul Music que é riquíssima em relação a referências, e é a base de tudo.

Só pra finalizar, imagine se Renato Russo, Rita Lee, Raul Seixas, Roberto Carlos, Arnaldo Antunes, Herbert Vianna, Zé Rodrix e tantos outros roqueiros brasileiros não gostassem de ler. O que seria de nós!?!

Se você quer tocar hoje, tem a obrigação de saber o que já foi feito e, se quiser fazer a diferença, precisa achar algo novo ou algo que realmente tenha relevância, até porque, depois de tudo o que já foi feito de bom  nesses 70 anos de história, é preciso conhecer a fundo  tudo para achar um caminho que traga alguma relevância para o que se faz hoje, caso contrário, largue a música.

1 de outubro de 2026

Artistas Sem Caráter (e sem cérebro)

Eu fico estupefato em ver a classe artística – que com o Governo do PT se transformou em funcionarismo público – defendendo um governo sujo, ladrão, autoritário, censor e corrupto.

Vejo todos aqueles artistas dos anos 1980, que naquela época gritavam contra a corrupção e registravam a indignação em músicas, discos e palavras, hoje defendendo o que antes eram contra. Fica feio, é algo incoerente que mostra, inclusive, falta de caráter.

Fico imaginando se, naquelas décadas de 1970 e 1980, existisse Lei Rouanet. Se existisse, certamente não teríamos 1/5 das músicas e discos que pautaram àquele momento, principalmente a década de 1980, quando os militares deixaram o Poder.

Caso tivesse a Lei Rouanet nessas décadas passadas, não tenho dúvidas de que não teríamos reclamações sobre os militares e reclamações sobre o Governo Sarney. A realidade daquele período seria omitida, assim como os 20 anos de PT no Poder.

Justamente nesses 20 anos em que a corrupção, a desigualdade social, a censura e o modus operandi sujo reinou mais até que em qualquer outro governo pós-Militares, não teremos nada registrado pelos artistas, exatamente porque eles viraram funcionários públicos pagos para se calarem.

Até mesmo quem se diz do movimento punk abraçou a corrupção do PT e não só isso, mas defendeu toda a sujeira que foi feita nessas décadas decadentes. Vou além, ainda hoje pedem votos para essa máfia.

Essa classe artística sem caráter perdeu toda a relevância que um dia teve, exatamente porque se mostrou prostituta. É só pagar que nada será falado.

Não é por acaso que a música desses artistas caiu no conceito do público. Não é por acaso de aquela senhora que vive com o Caetano reclamou com o ex-presidiário que os shows estão vazios.

O público que hoje ainda abraça esses veteranos e também as novas gerações que mamam nas tetas do poder, é o público que vive nessa bolha. São todos cúmplices de toda a barbaridade e atraso que aconteceu no Brasil durante esses 5 mandatos que o PT reinou com sua ladroagem.

O PT foi contra tudo o que ajudou o Brasil a evoluir um pouco mais, como a Constituição de 1988 e o Plano Real. O PT e seu ladrão maior não são a favor da evolução, não são a favor de um país melhor para a população. Aliás, ninguém que abraça o cruel comunismo, é a favor do povo.  

O comunismo é uma ideologia autoritária que só quer o bem de quem está no Poder. Impossível ser a favor de algo que mata milhares de pessoas por ano; impossível ser a favor de quem não admite arte autoral livre; impossível ser a favor de algo que oprime a sua própria população; impossível ser a favor de um regime que serviu de base para o n@zism0 e o f@cism0; impossível ser a favor de uma ideologia que escraviza seu povo.

Por tudo isso, como admirar uma classe artística que é a favor de um regime que odeia a arte livre? Como admirar uma classe artística que é a favor de corrupção contanto que a pague pra isso?

Gente suja, vendida, sem caráter e, principalmente, sem capacidade de se manter em pé sem a ajuda do Estado.

Que morram de fome por falta de shows e de plays nos streamings. Já que abraçam o lixo do comunismo, nada mais coerente do que morrerem de fome mesmo.

18 de setembro de 2026

Estúdio Be Bop: O QG do Banguela

Em 1994 foi criado, pelos integrantes do Titãs, o selo Banguela. A criação aconteceu exatamente em janeiro de 94.

Não sei como isso aconteceu, mas, o estúdio Be Bop que ficava no bairro de Pinheiros/Vila Madalena, em São Paulo, foi escolhido como QG do selo que foi subsidiado pela gravadora Warner.

Também não me lembro de quando as atividades do Banguela se iniciaram, mas eu, assim como outras pessoas ligadas à cena musical daquele momento, passei a frequentar o Be Bop assiduamente até porque, além de Raimundos, o selo contratou outras bandas de Brasília: Little Quail and The Mad Birds, Maskavo Roots e Pravda!

O Be Bop era uma casa que ficava quase na esquina da Av. Pedroso de Morais, onde havia intenso comércio: padarias, lanchonetes, botecos, livrarias, sebos e lojas das mais diversas. Então era comum sair do Be Bop para ir comer ou beber algo durante a tarde ou à noite. Quando Raimundos estava gravando o 1º álbum era comum irmos a algum boteco pra matar a fome.

Eu costumava sair da MTV, onde trabalhava e ficava no Sumaré, bairro ao lado e bem perto do estúdio, e ir para lá pra ver meus amigos. Na verdade, o Be Bop se tornou uma espécie de ponto de encontro de muita gente. Sempre havia movimento por lá, seja à tarde ou à noite, sempre tinha alguém gravando.


E vou dizer aqui: O Miranda odiava toda aquela movimentação. Falo isso porque ele mesmo me confessou isso, e não só uma vez. Volta e meia eu percebia certo mau humor nele exatamente pela intensidade de gente que ficava por lá. Dou total razão à ele, afinal, era um local de trabalho e não de festa ou esquenta.

Nessa época, eu costumava sair com minha câmera VHS em uma mochila pra gravar shows e outros conteúdos, inclusive no Be Bop. Mas antes que você me pergunte, digo que, infelizmente, perdi praticamente todas as fitas, sobrando um ou outro showzinho. Fui roubado de uma empresa de guarda móveis que sumiu com diversas caixas minhas e as fitas e DVDs estavam lá.

No Be Bop tinha dois estúdios: A e B, mas eles nunca funcionavam simultaneamente, ao menos nunca vi isso acontecer. Inclusive porque o Miranda é quem produzia todos os contratados do selo, então não dava pra se dedicar a duas gravações ao mesmo tempo, claro!

O estúdio B, o menor deles, era onde aconteceram a maioria dos álbuns do Banguela, mas também acompanhei gravações no A. Lembro até de uma gravação do Little Quail que aconteceu em uma tarde, quando Miranda e Gabriel (Thomas) colocaram mais de 100 pessoas no A para gravar o backing vocal de “1, 2, 3, 4”. Gabriel me deu sua câmera handycam, peguei uma escada alta que havia no Be Bop, subi até o topo e gravei essa cena que realmente foi engraçada e inusitada. (Cadê a gravação, Gabriel!?!). Claro que virou uma puta zona porque eram todos amigos, músicos e quem estivesse por lá. Nem preciso dizer do cheiro no estúdio. Até o velho amigo e saudoso Fejão estava lá com o pessoal do Dungeon. Era muita gente! Evidente que Miranda ficou doido. Ao mesmo tempo em que ele se divertia, também tinha que coordenar aquele bando de gente. Apesar da bagunça, deu tudo certo.

O Be Bop funcionava de 2ª a 2ª, ou seja, era gravação praticamente todos os dias, inclusive porque Miranda gravava outros projetos que não eram do Banguela. Nas gravações noturnas, o estúdio se tornava um local de esquenta pra galera que se encontrava lá para ir aos shows underground que aconteciam no Aeroanta (ali perto), no Der Temple, Dama Xoc, Espaço Retrô e outros locais. A noite era pizza chegando o tempo todo. Comi algumas vezes com o Miranda na cozinha do Be Bop e ali era o momento em que ele reclamava pra mim da bagunça no local de trabalho.

A casa tinha dois andares e a parte de cima era onde ficava o administrativo do Banguela. A movimentação mesmo acontecia onde eram os estúdios e no corredor que ligava-os. A fumaça rolava solta lá o tempo todo. Quando marcávamos esquenta, geralmente nas quintas e sextas, também tinha muita cerveja.

Acompanhei as gravações de Raimundos, parte do Maskavo Roots e algumas outras. Por causa das reclamações de Miranda, eu costumava ficar quieto nos cantos dos estúdios ou das salas técnicas exatamente pra não atrapalhar, até porque era um entra e sai da sala para o estúdio, tanto do Miranda quanto do graaande Beto Machado, engenheiro de som da maioria desses álbuns do Banguela.

A energia no ambiente era sempre boa, mas a concentração e seriedade para preparar os sets de bateria, de guitarras e baixos eram intensas: arruma microfone, muda o amplificador, muda de lugar isso ou aquilo, troca a pele, muda as cordas, afinação… Era divertido, mas era trabalho sério. Muito parecido com o ambienteda MTV (só que lá não tinha um bando de maconheiros andando pra lá e pra cá kkkk). Bem, tem muita história que não dá pra contar aqui, mas o importante é que fica esse registro de como foi àquele tempo, que durou pouco, mas foi bem intenso!

Feito este contexto, deixo aqui, como homenagem, um texto que meu velho chapa e cumpádi Canisso fez pra mim no início da década de 2010 pra alguma outra ocasião que não me lembro e que resgatei pra usar aqui. Diga lá meu amigo:

 


“Pois é, e a gente dá uma piscada e lá se vão 15 anos... nós quatro chegamos de Brasília de ônibus e nos hospedamos no Arthur's hotel, um hotelzinho meia bomba que ficava em Pinheiros, que diziam as más línguas já ter sido um hospital e tinha fama de mal-assombrado... iríamos gravar no Be-Bop, que acabou se transformando na sede do Banguela, duas mesas e uma linha de telefone gentilmente emprestados pelo Marcelo e pela Ana, donos do estúdio...

Lá, entre caixas e caixas de pizza pra viagem e no meio da névoa espessa de cigarros feitos à mão, foi traduzido pra uma gravação decente toda a tosqueira e espontaneidade de um som visceral e urgente, resultado da união de influências e vivências de quatro malucos de Brasília que de certa forma conseguiram juntar no seu som elementos pesados e ao mesmo tempo populares, música pra headbanger e porteiro de prédio, forró e hardcore...

Encontramos no Be-Bop uma estrutura fenomenal, um quartel-general com  todo o apoio dos Titãs, sócios do Miranda na empreitada de fazer um selo pra dar lugar às novas tendências que já começavam a pipocar... gravamos com instrumentos emprestados, virando madrugadas sem sentir, e a coisa foi ganhando vida própria, até hoje não canso de ouvir e me surpreender...

Com o disco pronto começaram os shows, e aí pintou o desafio de transportar aquela sonoridade obtida arduamente no estúdio pras apresentações ao vivo, e isso foi norteando o trabalho desde então, com humildade pra aprender nas oportunidades que tivemos de tocar com bandas mais experientes, e investindo em equipo e instrumentos... mas no começo foi pauleira, viajamos muito de ônibus de linha e van, empilhados junto com os cases e disputando espaço com os caminhoneiros nas churrascarias de beira de estrada...mas bastava uma horinha de show com a mulekada começando a conhecer e cantar junto nossas músicas pra dar uma sensação estranha, um misto de orgulho e dever cumprido...

Existia um clima de solidariedade, de pessoas em diferentes posições dentro da cena que se formava com um mesmo espírito de "fazer acontecer", de dar sua contribuição ao "movimento" espírito esse muito bem traduzido pelo Miranda na definição perfeita: BRODAGEM!!!

Eram jornalistas, radialistas, bandas, produtores, empresários... o barulho feito por essa corrente que queria dar voz a uma nova forma de fazer música pesada BRASILEIRA, começou a incomodar a mesmice reinante, e sem abaixar a crista pra nada que viesse de fora e tocando de igual pra igual com os "medalhões" a parada vinha como um caminhão sem freio numa ladeira, atropelando tudo no seu caminho, e começou a invadir os salões chiques com seu sotaque de peão, lavando a alma com orgulho de ser brasileiro e cantando em português chulo...”

24 de maio de 2026

Rodox no Estúdio (janeiro 2003)

Faz 10 meses que não publico nada! São outros tempos e, na minha cabeça, as pessoas não querem mais saber de ler. Não sei até onde este blog, outros blogs e sites especializados (falo de música e cultura) fazem a diferença em tempos de redes sociais que priorizam o vídeo. 

De qualquer forma, nos últimos meses escrevi alguns textos, até mesmo revisei outros já publicados, e vou agora aproveitá-los aqui, a começar com o resgate da memória do mês que fiquei junto com Rodox durante a gravação do 2º álbum, lançado em 2003. Já que está todo mundo falando de Rodox, vou aproveitar a onda, certo?

Quero aproveitar também para deixar aqui explícito o que algumas pessoas ainda não compreendem ou mesmo não conhecem. Muitos textos que faço aqui fazem parte do jornalismo gonzo, ou seja, dou a informação fazendo parte dela, estando inserido nela, tento vivido-a na pele. Quando escrevo algo que resgata a memória - como a série a respeito dos anos 1990 - eu junto a vivência, a informação e o contexto. Assim o faço desde meus primeiros textos na internet, ainda nos idos de 2001. E vamos ao Rodox no estúdio:

                                             __________________________________________

 

Após o término do programa que eu fazia para o Disney Channel, em novembro de 2002, como freelancer, não tinha nenhum projeto em vista, até por ser fim de ano.

Neste projeto, que envolvia SBT e Disney, conheci a Carolina Telles que, como eu, é uma operária do audiovisual, diretora, roteirista e criadora de conteúdo. Ela tinha acabado de comprar algo absolutamente novo no mercado: a câmera digital profissional PD150. Era uma fortuna, e foi um belíssimo investimento. Pra se ter uma ideia, as pequenas fitas digitais usadas nela nem eram vendidas no Brasil, muito menos a câmera.

Carol era casada com Fernandão, que foi baterista do Korzus, do Treta e que naquela época tocava no Rodox. Ao mesmo tempo, eu e Rodolfo éramos velhos amigos de Brasília. Além disso, eu conhecia o próprio Fernandão da época em que eu era Diretor do Fúria MTV e também conhecia o Bob. Juntamos todo esse contexto com o fato do Rodox ter estúdio marcado em janeiro de 2003 para o 2º álbum, então lá fomos nós dois para o Rio acompanhar todo o processo de gravação que teria exato um mês para fazê-lo.

A gravação aconteceu no estúdio Toca do Bandido do também velho amigo Tom Capone. Além de Rodolfo e Tom, ainda tinha o Wagner que trabalhava com Capone na Warner e que também era outro velho amigo de Brasília (Wagner foi vocalista do Peter Perfeito).

Tudo combinado, então fomos para o Rio com o carro da Carol e ficamos hospedados no mesmo flat que a banda. Seguimos todos os passos do Rodox, do começo ao fim.

Na chegada do Rio, prestes a entrar na Av. Brasil, eu e Carol tomamos um estranhíssimo baculejo de uma polícia sem identificação alguma. Estávamos em paz na estrada, um carro sem identificação aparelhou com o nosso, um cara de camisa branca aberta e segurando uma metralhadora gritava pra nós “polícia! Encosta! Encosta!” Em um primeiro momento até exitamos, mas diante da brutalidade, encostamos. Nos encheram de perguntas enquanto revistavam o carro e analisavam os documentos. Tudo isso parou imediatamente quando abri minha mala e em cima de toda roupa estava um projeto que eu havia apresentado para o SBT com o logo da emissora enorme. Na hora que o cara viu o projeto encadernado com esse logo, nem olhou a mala, pediu pra fechá-la e nos dispensou.

O repertório não estava 100% pronto. Havia as músicas, os riffs e as ideias, mas elas foram moldadas em estúdio. O produtor foi Álvaro, também de Brasília, que fez diversos trabalhos junto com Tom. Rodolfo, Bob, Marcão, Pedro, Patrick e Fernandão. Essa era a banda que foi formada inicialmente para apenas gravar um clipe do álbum anterior.

Eu já conhecia a Toca do Bandido porque já havia gravado lá pela MTV em duas ocasiões. O Tom eu conheci nos primeiros ensaios do Peter Perfeito, quando ele nem ligava pra música, sequer sabia tocar instrumento algum. Quando resolveu tocar, algo mágico aconteceu, porque em poucos meses ele se tornou um expert na guitarra. Depois, com a gravação das primeiras demos do Peter, se tornou expert em estúdio. O que aconteceu com Tom foi, de fato, algo mágico.

Foi ótimo revê-lo, assim como o Wagner. Em 1983-84 era uma turma enorme que ficava no estacionamento do colégio Objetivo em Brasília, na 913 Sul. Dessa turma também fazia parte Canisso que, na época, mal sabia assobiar. Foi lá que o Peter Perfeito foi formado. Tinha o Babú, Wagner, Canisso, Ricardo (irmão do Tom), Cássio, Sucupira…

O primeiro momento da gravação que me lembro foi a bateria. Fernandão montou seu set no estúdio e eu e Carol gravamos desde a montagem da bateria. Ele não sabia como eram as músicas e, em nenhuma delas, houve mais do que 2 takes. Fernandão é monstro! Ficamos no estúdio acompanhando música a música e ouvindo só a bateria, sem fone de ouvido. Uma experiência e tanto. Muito profissionalismo envolvido. Fernandão escutava a música uma vez no fone e depois saía tocando. Na minha vida, acompanhei muitas gravações profissionais, eu mesmo gravei um álbum, e nunca havia visto algo igual.

A Toca do Bandido fica na Barra da Tijuca, em um condomínio no meio do mato e o flat que ficamos também era na Barra. Íamos e voltávamos juntos para o estúdio. Chegávamos ao estúdio no fim da manhã e só saíamos no início da noite. Todo mundo ficou junto durante todo o processo de gravação.

Lá eu conheci a famosa Anna Júlia que inspirou o mega hit do Los Hermanos, porque ela era namorada do Patrick, e esteve na Toca ao menos duas vezes. Eu e Carol gravamos tudo, cada instrumento e cada movimentação na Toca. Teve até um dia, quando Patrick estava colocando os baixos e estava com dificuldade em uma das músicas que eu pedi permissão e sugeri que ele tocasse com palheta. Ele olhou pra mim com fumaça saindo dos ouvidos e disse: “baixo não se toca com palheta”. Um pensamento um tanto radical (o baixo, quando inventado, era tocado com palheta). Me surpreendi ao ver Patrick hoje, nessa volta do Rodox, tocando com palheta. É um baita baixista! Vai falar pro Paul McCartney, pro Dee Dee Ramone e para JJ Burnell (The Stranglers) que não se toca baixo com palheta! (brincadeira!!!)

Tom ia pouco ao estúdio, apesar de ficar nos fundos de sua casa. Mas, certa vez, demos uma volta na parte externa da casa batendo papo e ele levou eu e Carol até a garagem da casa e disse pra pensarmos em gravar ali uma apresentação do Rodox para um DVD. Era uma garagem bem pequena e apertada. Até fizemos imagens dela pra registrar a locação, mas o projeto não vingou. Nem sei se a ideia foi falada pra banda. Tempos depois, vi um DVD do Rappa gravado lá.

Teve um dia que eu e Rodolfo, na volta do estúdio, saímos pra comer algo e depois fomos ao quarto dele pra continuar conversando e fomos até umas 4 da manhã. Rodolfo me contou todo o contexto da saída do Raimundos, algo que, segundo ele, não havia falado pra ninguém. Eu praticamente só o ouvi. Falou tudo que hoje todos sabem: do stress que estava passando, das coisas estranhas que estavam acontecendo com a sua saúde. Não foi um processo fácil pra ele. Talvez ele tenha me contado por eu, apesar de eu ser um velho amigo, não estar tão presente no dia a dia do Raimundos, mas ao mesmo tempo conhecer todo mundo. Também percebi que ele precisava desabafar com alguém.

A gravação foi interrompida por duas vezes para a banda cumprir agenda de shows. Fomos até Belo Horizonte para um show que tinha, além de Rodox, Charlie Brown Jr. e, talvez, Capital Inicial (realmente não me lembro). Foi um bate e volta e foi bem divertido. A segunda saída foi para São Paulo mesmo, um show no Centro Cultural. Nesse show, inclusive, eu e Carol pegamos depoimentos de fãs que estavam na fila para entrar no auditório. Como este show foi em SP, eu proveitei pra ficar, já que eu ia começar um outro trabalho. Desta forma, Carol continuou a gravação dos bastidores sozinha. Mas, quando eu já não estava, só o Bob ainda não tinha feito sua parte, e ainda teve um outro show, mas não me lembro do local.

Mais uma vez me impressionei com o processo de Rodolfo em relação às letras, porque ele não tinha nada escrito até as músicas ficarem prontas. Assim como no Raimundos, ele escrevia tudo depois. Então ficávamos na sala técnica do estúdio ouvindo as bases e, durante a  audição, ele ia rabiscando as ideias no caderno.

O combinado entre eu e Carol era pegar os depoimentos de todo mundo depois da gravação, para dar um distanciamento de todo o processo. Mas, infelizmente, isso não aconteceu, pelo fato da banda ter sido dispensada da Warner depois da divulgação do álbum. Inclusive, após a gravação, continuei conversando com Wagner a respeito do material que tínhamos em mãos, tanto para fazer futuros videoclipes quanto para lançá-lo em DVD, mas, pelas conversas, eu já tive a impressão de que o contrato não ia continuar e que não havia interesse em tudo o que foi captado.

Então, a ideia e o material bruto foram engavetados. De qualquer forma, valeu a experiência. 

 

PS-1: Depois de escrever este texto, me toquei de que vivi dois momentos importantes nessa história da separação Rodolfo-Raiumudos: logo após a separação, por causa da festa de lançamento do meu livro O Diário da Turma 1976-1986, Digão e Canisso voltaram a se falar e demos uns rolés por Brasília; e Rodolfo se abriu comigo falando os seus motivos reais, pela primeira vez, com alguém de fora da história.

PS-2: Na 2º foto, junto com Rodox, estão Tom Capone e Wagner Vianna.




1 de agosto de 2025

Os 70 Anos de Rock Brasileiro em Vídeo!

Nesta virada de julho para agosto de 2025 retomei a gravação e publicação de vídeos para comemorar os 70 anos de Rock Brasileiro. Comecei a gravar em 2020, no auge da pandemia, quando o rock completou 65 anos, mas tive que interromper por conta de trabalho. Agora, para completar a playlist ‘O Rock Brasileiro e Suas Histórias’, tenho feito novos vídeos que, aos poucos vou publicá-los.

Além dessa playlist, tem a ‘MTV 30 Anos (Bastidores)’, onde também falo de música e conto muitas histórias de bastidores.

Playlist ‘O Rock Brasileiro e Suas Histórias’:

https://youtube.com/playlist?list=PLMP9rYxXbEE3UBwBuGctixo76ZvJ-0HS0&si=DA7sdkFZjMaRyTK7

- 65 Anos de Rock Brasileiro: Uma Vida Sem Comemorações 
- 65 Anos de Rock Brasileiro: 1982-83 O Início da Geração 80 
- 65 Anos de Rock Brasileiro: Anos 50, 60 e 70. Os 1º hits e os Clássicos dos anos 70 
- 65 Anos de Rock Brasileiro: 4 – O Triênio 1984-85-86 
- Adorava Gravar Discos! O Valor da Música e o Início dos Anos 80 
- O Contexto de Júlio Barroso e a Revolução Chamada Gang 90 & Absurdettes 
- Rock de Brasília Pré-Sucesso: Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude em Brasília! Como era? 
- Calendário do Rock Brasileiro: Os Lançamentos de setembro 
- Calendário do Rock Brasileiro: Os Anos 70 em agosto!

Novos: 
- 70 Anos de Rock Brasileiro: A Mistura da MPB com o Rock dos Anos 1970 
- 70 Anos de Rock Brasileiro: Cazuza e Renato Russo


Playlist ‘MTV 30 Anos (Bastidores)’:

https://youtube.com/playlist?list=PLMP9rYxXbEE0WyBh66v1QR7oTJMKqM_RV&si=fm8OeNn43BQgM3u4

- MTV Brasil 30 Anos (bastidores) 1: Ambiente de Trabalho - Parte 1 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 2: Ambiente de Trabalho - Parte 2 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 3: A morte de Kurt Cobain, Teleguiado e Na Chapa 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 4: Fúria, Monsters of Rock... e o skank do Tim Maia 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 5: O dia a dia, a escada de incêndio e a programação de clipes 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 6: Acústico Legião Urbana e Especial Legião Urbana 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 7: MTV no Verão 1995 e o Baculejo Épico! 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 8: MTV Brasil e a Cena Underground 1990 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 9: Histórias com Artistas e Outras Mais! 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 10: 1º VMB sem Ensaio Geral, o Camarim Enfumaçado e Outras Histórias 
- MTV Brasil 30 anos (bastidores) 11: O Lado Ruim e O Começo do Fim!



15 de julho de 2025

O Menosprezo Pelo Rock Brasileiro

Não dá pra entender essa urgência do brasileiro em comemorar o tal do Dia Mundial do Rock (13 de julho). O Brasil é, praticamente, o único país que faz isso. O resto do mundo lembra o que foi o Live Aid, as atrações, as músicas, o evento, e só, porque é isso.

Por que será que não existe essa urgência em relação ao rock brasileiro? Muito doido isso!

Som Três, Revista Roll, Revista Bizz, MTV Brasil , 89 FM e Revista 89, Brasil 2000, Rock Press, Kiss FM e mais um monte de mídias segmentadas nunca fizeram nada em relação aos fatos marcantes do rock brasileiro, mas quando chega a hora de comemorar algo que foi elaborado por ingleses e americanos (o Live Aid) e que, em algum momento desse evento alguém comentou muito por cima que aquele dia 13 de julho poderia ser o dia mundial do rock, essa mídia nacional baba e não vê a hora de publicar algo a respeito.

Essa mídia – que me recuso a dizer “especializada” – nunca fala, mostra ou escreve nada sobre os primeiros anos do rock brasileiro, as primeiras décadas, os discos lançados, os primeiros nomes importantes (Bob Bolão, Betinho, Ronnie Cord etc.), as primeiras gravações, as cenas dos anos 1950, 1960, 1970, os principais lançamentos dessas cenas, os principais nomes.

Mas sabe o motivo disso? Eu sei: ninguém tem a mínima noção dos acontecimentos do rock brasileiro. Por isso que me recuso a escrever “imprensa especializada”, exatamente porque ela não sabe nada. Sabe apenas o básico, sabe apenas o que está na mão. Por isso que só comemora efemérides clichês como o nascimento e morte de Raul Seixas, Renato Russo, Chico Science, Chorão...

Isso acontece, também, com os próprios artistas que não tem ideia de nada. Eles só sabem o valor do cachê deles e dos discos que lançaram na carreira, mas sem saber o dia e sequer o mês de lançamento.

É um desprezo gigantesco pela nossa história. Quem faz rock – seja artistas, mídia ou gravadoras – não sabe sequer de 1/5 da história. Nem sabem a data que se comemora o início do rock brasileiro e nem o motivo de existir essa data.

Por volta de 2003 ou 2004, eu cheguei a ser contratado por um empresário para fazer a curadoria de um grande festival que iria acontecer em 2005 exatamente para comemorar os 50 anos de rock brasileiro e que só teria artistas nacionais. O festival iria ter o porte do Rock in Rio e o empresário me procurou porque leu uma reportagem sobre o rock brasileiro que eu havia feito para uma dessas revistas que se achavam especializadas e que nela eu falava sobre a importância do dia 24 de outubro de 1955.

Até hoje, ele foi a única pessoa que vi ter essa visão. Ele investiu mesmo! Me pagou um bom cachê, fez reuniões com empresários de artistas, fez brindes para os possíveis parceiros comerciais para levá-los nas reuniões e investiu firme na ideia até, infelizmente, perceber que ninguém estava nem aí com os 50 anos de rock brasileiro.

Seria um festival 100% nacional e que foi completamente menosprezado por quem poderia ter ajudado a concretizar essa ótima ideia. Tinha até local, planta baixa, desenho e maquete do palco (seria um só) e todos os detalhes necessários. Só faltava o apoio das gravadoras (que ajudariam no contato com os artistas) e do apoio financeiro.

O rock brasileiro já passou pelos seus 10, 20, 30, 40, 50 e 60 anos e nunca ninguém comemorou nada em relação a essas datas. Sequer um showzinho na esquina.

Aqui no Brasil se comemora efemérides relacionadas a Beatles, Stones, U2, Nirvana ou qualquer outro artista gringo, mas não se comemora nada a respeito de Celly Campello, Renato e Seus Blue Caps, Módulo 1000, Ave Sangria, Gang 90 & Absurdettes, Paralamas...

Lancei O Calendário do Rock Brasileiro em março deste ano exatamente por causa dessa data redonda. Trata-se do único livro que traz praticamente toda a história desses 70 anos e o livro, até agora, foi menosprezado não só pelos artistas, mas por essa mídia preguiçosa, perdida e sem conhecimento.

Trata-se do primeiro e único livro desse gênero na literatura brasileira e quem deveria tê-lo, não quer saber dele. Agora, ir na minha conta do Instagram roubar as informações que eu publicava em relação as datas, todo mundo ia. Porém, publicavam sem os devidos créditos – inclusive artistas que são meus amigos. Foi por esse motivo que parei de publicar datas.

Muito estranho esse desprezo pela nossa história. Por outro lado, esse desprezo é natural, já que desprezamos tudo o que tem relação com nossa história, independente da área.

Em 2025 comemoramos 70 anos de rock brasileiro em 24 de outubro e até agora, nenhuma dessas mídias segmentadas falou sobre isso e, pelo jeito, nem vai falar.

Brasileiro é um povo preguiçoso e acomodado.

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Tenho apenas mais 10 exemplares da pequena tiragem que fiz do O Calendário do Rock Brasileiro. Quem tiver interesse em adquiri-lo, deve enviar e-mail para:

calendariodorockbr@gmail.com

O valor é R$100,00 + R$15,00 (envio)

Faço pacote com O Calendário do Rock Brasileiro + O Diário da Turma 1976-1986 que sai por:

R$100,00 + R$50,00 + R$15,00 (envio) 



3 de julho de 2025

Jornalismo Preguiçoso

Em março lancei, de forma discreta e independente, o meu 2º livro chamado O Calendário do Rock Brasileiro e, por sugestão de um amigo, contratei uma assessoria para me dar um apoio na imprensa. Eu nem tinha pensado nisso! 

A assessoria foi voltada para o segmento rock e pouco mais de 250 jornalistas sites / blogs / contas / perfis receberam o release do livro já escrito no formato de reportagem (algo que hoje é comum).  

De todo mundo que recebeu o release, apenas 5 jornalistas sites / blogs / contas / perfis tiveram a proatividade de querer saber mais sobre este que é o 1º livro do gênero na literatura brasileira: 

- Bacurau Web Rádio 
- Enciclopédia do Rock 
- Ethnos Rock 
- Angelo’s Gallery 
- Rádio Cultura 

245 mídias apenas publicaram o release, sem querer saber de mais detalhes, ou seja, não fizeram o trabalho correto de jornalismo. Este é o 1º livro deste gênero na literatura brasileira. Só isso. 

Repare que, dos 5 nomes, 4 deles são mídias independentes. Da chamada mídia mainstream, só a fabulosa Rádio Cultura, se interessou por mais informação. Não à toa tem em seu nome “cultura”. 

As tais rádios de rock não deram a mínima, inclusive nem adquiriram o livro. Na mídia impressa de grande alcance, o mesmo desdém. Até entreguei, a contragosto, um exemplar para um editor de um grande jornal de São Paulo, mas já sabendo que o fofinho apenas queria o livro pra ele e não para fazer uma resenha. Sou veterano.... além do quê, este mesmo jornal já havia me sacaneado outras duas vezes.  

(Nenhum artista também se interessou pelo livro. Junto a esta informação, é importante dizer que alguns artistas me procuravam pra saber data de lançamentos ou outro acontecimentos, eu dava a informação, mas na publicação não davam crédito. Parei de publicar datas todos os dias também porque muitos desses artistas pegavam a informação, a publicavam sem dar o devido crédito. Agora que o livro está à disposição, nenhum deles quer. Acredite: parei de publicar as efemérides em redes sociais por causa dos próprios artistas.) 

Não é à toa que o jornalismo brasileiro atual está agonizando. Os próprios profissionais sabotam sua área e a qualidade de seu trabalho. 

Vejo hoje o embate “jornalismo maistream X jornalismo independente” da mesma forma como via o embate “gravadoras multinacionais X Naspter”: se não houver adaptação, haverá morte.  

Na verdade, parte de nosso jornalismo – o que virou estatal – já morreu há tempos pra muita gente, e ele continua perdido como um rabo de lagartixa desprendido do corpo. 

A preguiça se institucionalizou neste jornalismo comercial, que é a cara dessa nova geração: ele quer que as notícias e os furos caiam no colo sem o mínimo esforço. Esta situação já é bem aparente com o tanto de programas voltados para as rodas de debate, que geram pouquíssimo custo e quase nada de apuração. É a opinião pela opinião. 

O problema é que, do jornalista esperamos jornalismo e não opinião rasa e sem qualquer apuração. Opinião dessa forma, se nivela com a do porteiro do meu prédio ou do padeiro da esquina.  

Isso acontece nas redes sociais quando uma mídia deixa de dar a notícia completa para escrever “leia mais no link”, nos comentários quem complementa a informação é o padeiro, a secretária, o advogado, o engenheiro, a dentista. Ou seja, para o jornalista isso deveria ser o fim, uma completa vergonha. Mas ele não está nem aí... 

É absolutamente cômodo publicar um release que já vem pronto. Só acho que publicar aspas que o próprio autor escreveu como sendo uma fala dita em uma entrevista / conversa é algo que vai além da preguiça: é uma mentira. Eu, como jornalista que sou, me sentiria um tanto incomodado com isso. 

Eu, quando fui editor de música do falecido site tantofaz.net, pedia todas as entrevistas possíveis. Pedia o máximo de detalhes possíveis e que não estavam nos releases - que eram diferentes do de hoje, porque os de antigamente eram feitos para te ajudar a preparar uma pauta, lembrando que qualquer notícia que chega até o jornalista precisa ser investigada. 

Eu queria entrevista, queria cobrir o show, falar com o produtor do disco, dar detalhes das composições, entre outros assuntos. 

Recentemente foi publicada uma história mal contada de uma brasileira de 22 anos que se tornaria astronauta da NASA. Muitas contas replicaram a notícia, incluindo portais de notícias de grupos de comunicação grandes e, depois de alguns dias, um único alguém que resolveu apurar essa história melhor, viu que não era nada disso. 

A preguiça em apurar / investigar uma notícia é a grande prova de que o jornalismo perdeu, por completo, sua função. Jornalismo é investigação.  

Mas este é só um de dezenas de exemplos do tanto de notícias que saem e que os “profissionais” compartilham sem ir atrás de qualquer outra informação complementar. 

O jogador Diogo Jota faleceu em um acidente de carro, junto com seu irmão, em 2 de julho de 2025 e poucas foram as mídias que deram a notícia completa porque, na verdade, todas elas esperam alguém apurar e publicar mais detalhes para daí sim todas elas fazerem o famoso “copia e cola” (copy paste).  

Há uma comodidade absurda nessas mídias tradicionais. O que se vê é que todas elas esperam as notícias caírem no colo, como já disse. Como é o caso do lançamento do meu livro. 

Autoridades públicas estão em Portugal neste momento usando dinheiro público para participar de um evento privado, e não há sequer um repórter ou qualquer outro profissional da mídia cobrindo o evento. 

O time do São Paulo trocou de técnico no meio do campeonato mundial de clubes, e ninguém foi atrás de uma entrevista, além da coletiva protocolar. 

Há atualmente muitos avanços na medicina, incluindo aí possíveis curas de doenças até então incuráveis. Veja se há alguma mídia interessada em saber mais sobre esses avanços e sobre o que será da medicina com a tecnologia dos laboratórios misturada com a Inteligência Artificial. 

Não há mais ninguém pensando em boas pautas, em como achar notícias ao invés de esperar por elas embaixo da coberta. 

É lamentável essa preguiça de pré-adolescente que tomou conta do jornalismo de uma forma geral. Inclusive do jornalismo independente que, até onde sei, veio exatamente para ser a alternativa para esse jornalismo mainstream que se tornou um braço estatal e parceiro de quem lhe entrega regalias e um bom “tchules” em forma de publicidade. 

Por causa de nossa péssima educação base, a qualidade de qualquer área profissional no Brasil caiu vertiginosamente: jornalismo, medicina, direito, publicidade, marketing, pedagogia... seja humanas, exatas ou biológicas, está tudo se encaminhando para o nível mais baixo de conhecimento e profissionalismo. Os índices nacionais e internacionais de educação comprovam isso (inclusive o Governo atual colocou sob sigilo o resultado de algumas avaliações de programas federais de educação). 

Estamos caminhando a passos largos para depender cada vez mais da Inteligência Artificial, porque a humana está definhando a olhos nus. 

 

PS: Ah! E meu livro O Calendário do Rock Brasileiro, que é um puuuuta de um documento histórico para a cultura brasileira - mesmo que segmentada - mas que não interessa a nenhuma mídia que se diz especializada em música, continua a venda e, sem apoio até para distribuí-lo, sou eu mesmo quem faço as vendagens, humildemente, através do e-mail: calendariodorockbr@gmail.com 

São R$100,00 + R$ 15,00 (envio) 

Caso queira a 2ª edição do O Diário da Turma 1976-1986: A História do Rock de Brasília, só acrescentar mais R$50,00. 

Calendário + O Diário = R$150,00 + R$15,00 

Restam menos de 20 exemplares do Calendário (isso em 03/07/2025)