16 de maio de 2007

McDonalds da Fé II – O Papa no Brasil

Foi ridícula a cobertura excessiva da imprensa sobre a vinda do Papa no Brasil. Dava desgosto de ver. Tanta coisa pra falar e só falavam de Papa. Tvs, jornais, revistas, rádios, sites. Todos exageraram. Acredito piamente que esse excesso de cobertura não tenha sido pelo que ele representa, do tipo “olha gente, é o Papa, viva a paz e um mundo melhor”. Se fosse neste tom, até seria um pouco compreensível o exagero: “Vamos aproveitar essa figura ilustre e pedir mais harmonia entre a população”.
Mas não, o excesso, obviamente, foi pela busca de audiência, vender mais jornais e revistas. E tudo isso na cara dura. Um nojo. Para muitos, o exemplo maior desse exagero foi a falta de respeito da Globo em tirar do ar a corrida de Fórmula 1 da Espanha para transmitir a missa do Papa sem qualquer aviso. Lamentável.
Mais nojento ainda foi ver – e eu vi por acaso – o dia em que o Papa declarou Frei Galvão santo. No primeiro intervalo comercial, não lembro a emissora, já havia propaganda de venda de medalhinhas do Frei. E da-lhe cifra!
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Jesus sempre pregou a caridade e a humildade. Proibiu seus apóstolos de receberem qualquer privilégio. Disse a eles para não se preocuparem com os bens matérias, pois eles seriam devidamente acolhidos a cada cidade que entrassem. Disse para não se preocuparem com roupas, comida e aparência.
“Fora da caridade não há salvação” - essa é a grande máxima – e que a igreja católica tratou de mudar para “fora da igreja não há salvação” pensando, claro, em seu bolso.
Humildade, essa é a palavra! O Cristo Jesus nosso senhor nunca se preocupou em ser anunciado, em ter uma boa vestimenta, em ser exaltado pela multidão. Pelo contrário: andava a pé, nunca tinha dinheiro no bolso ou comida guardada e, se muito, andava em cima de um jegue. Ele mesmo não lavou os pés dos apóstolos que ficaram estarrecidos com sua atitude? Pois é...
Por tudo isso pergunto: onde está a humildade do Papa? Veja como a igreja o trata. Veja como ele gosta de ser recebido. Tem carro e avião próprio! Não dizem que o Vaticano não é o país mais rico do mundo?! Entre os sete pecados capitais não estão a luxúria, a avareza, a soberba e a vaidade?
Quanta contradição! Quanta tristeza em ver tudo isso...

24 de abril de 2007

McDonald’s da Fé – Igreja Católica

Dias atrás saiu à notícia dizendo que o Vaticano já não considera que uma criança morta e não batizada vá para o limbo. Agora ela vai para o paraíso. Puxa, ainda bem, né? Agora o mundo todo está mais aliviado. Como pode uma coisa dessas? Os católicos devem estar com vergonha e o Vaticano deveria fazer como o avestruz e enfiar a cara na terra.

Em primeiro lugar, não existe limbo. Em segundo uma criança recém nascida nem sabe que existe ou o que é. O triste é ver que a igreja católica ainda exerce alguma influencia no mundo e isso é reflexo da época da Inquisição – a qual se matou mais que o próprio nazismo.

Infelizmente a alta cúpula católica vem atrasando e muito o progresso, em todos os sentidos. Exemplos disso é a proibição em se usar camisinha e a proibição em usar células tronco para pesquisas e curas – o que salvaria a vida de milhões de pessoas.

Mas a história nos mostra que, infelizmente, sempre foi assim. A ciência acha um caminho, mostra uma saída e a igreja católica retarda tudo. Pra mim, a alta cúpula católica deveria se preocupar com os padres pedófilos, com os padres festeiros que engravidam as beatas, fazem orgias, usam drogas e fazem mau uso do dinheiro arrecadado.

Aqui no Brasil, por exemplo, a igreja tem posse de muitas terras que, obviamente, estão improdutivas. Por que então não ajudar as famílias dos sem-terra? Porque não usar essas terras para plantar alimentos e doá-los a instituições que ajudam crianças carentes? Porque a igreja em certa hora fecha suas portas em vez de deixá-las abertas para que mendigos e necessitados pernoitem nelas? Se o principal foco é ajudar a quem precisa, então...

Porque a igreja católica não acredita em vida após a morte se o próprio Mestre Jesus Cristo mostrou sua existência através da ressurreição? Onde Cristo esteve nos três dias que separaram sua morte da ressurreição? O catolicismo fecha o olho para aquilo que não o interessa ou o que não possa explicar. Grave erro!

O limbo, assim como o paraíso e o inferno, é pura invenção da igreja. Deus Pai todo poderoso e todo misericordioso jamais poria seus filhos em eterno castigo. Ele perdoa a quem reconhece de coração seus erros e permite a redenção através da reencarnação. Mas isso já é outro assunto...

DVD Acústico Legião Urbana Edição Especial

Em agosto de 2006 me pediram para contar como foi feita a edição do Acústico da Legião Urbana. Republico ele agora aqui no Sete Doses:


Eu estava de férias, no Rio, começando a fazer meu livro. Tinha marcado uma conversa com algumas pessoas, entre elas Dado e Bonfá. Quando cheguei lá, liguei pra todos e fique sabendo que os integrantes da Legião estavam fora do país, acho que em Londres, mixando o Acústico MTV. Não dei muita bola, pois, além de estar de férias, tinha meu livro na cabeça e toda uma logística a seguir.

Passada as férias, logo que voltei fui convocado a editar a versão integral do Acústico da Legião. Aí que me toquei: “Dado e Bonfá estavam mixando o áudio e, claro, tem o programa”.

O Acústico foi gravado em 1992, foi um dos primeiros, tudo meio mambembe ainda. Fez parte da primeira leva junto com Marcelo Nova (piloto), João Bosco e Barão Vermelho.

Já havia se passado seis anos da captação e ninguém da emissora sabia o que tinha de material guardado e fui fazer o levantamento. Simplesmente não havia nenhuma câmera paralela e o material bruto era, além das músicas do show, mais alguns takes 2 de algumas músicas que não ficaram boas durante a apresentação. Pelo que me lembre a banda refez em torno de seis músicas.

Chamamos de câmera paralela, aquelas câmeras que são gravadas em tempo integral, geralmente a da grua, uma geral ou a do trilho do palco, se tiver. Assim, quando há um plano no show que não ficou legal, tipo fora de foco ou tremido, você recorre às câmeras paralelas para substituir aquele plano errado. Só que no caso desse acústico, não havia as paralelas, e tinham muitos takes ruins para substituir. Muitas câmeras trêmulas, movimentos errados e outros defeitos técnicos. Um exemplo é o plano inicial do acústico, uma grua, não ficou legal, mas eu não tinha como substituí-lo, pois não havia material para substituí-lo.

Para substituir esses planos tive que recorrer às imagens das músicas que ficaram fora do acústico, em sua 1ª exibição de apenas meia hora. Foi realmente uma dor de cabeça. Se pelo menos eu tivesse algo em torno de 5 minutos de imagens de público, o trabalho seria absurdamente menor, mas nem isso eu tinha. Reparem os planos em ‘slow motion’. Todos eles são para cobrir algum take errado. A maioria das vezes tive que recorrer as imagens de Bonfá, pois era mais fácil inserí-lo num take fora de sincronismo, do que Dado ou Renato.

Foram quase três meses de edição. Primeiro chegou a mim um CD master com o áudio já pronto. Passei para uma fita beta e toda a edição foi feita em cima do áudio, já o sincronizando com o vídeo. Lembro muito bem que empacarmos no cover de Neil Young. Essa música foi tocada duas vezes e quando mixaram o áudio, pegaram a introdução do take 1 e ‘colaram’ com o resto da música que foi a do take 2. Até descobrirmos isso demorou acho que 2 ou 3 dias. O vídeo não sincronizava de maneira alguma com o áudio. Foi realmente dureza. Tudo foi feito analógico, pois as ilhas de edição digitais naquela época ainda estavam sendo implantadas (1998).

Além de tudo isso, tive que preparar um programa especial com esse Acústico e, pra isso, gravei uma entrevista com Dado e Bonfá juntos, falando um pouco de cada música e/ou o disco em questão. Também não foi fácil, pois nesse período, apesar desse lançamento, nem Dado e nem Bonfá estavam com ânimo para falar de Legião. Estavam os dois com a cabeça no futuro e tentando se desvincular um pouco deste passado. Completamente compreensível. Então não quis abusar e fiz uma entrevista mais direta, em cima do acústico mesmo.

Foi muito bom fazer esse trabalho, mas foi uma overdose, pois foram dois programas, mais o 1º clipe deste Acústico e, além de tudo, estava iniciando meu livro.

Pra fechar com chave de ouro, depois de meses vendo e ouvindo Legião, tive que fazer uma apresentação especial para a imprensa no SESC Pompéia. Desde então nunca mais vi e ouvi o Acústico Legião Urbana.