8 de março de 2009

Série Clássicos de 1986: 9 - Cabeça Dinossauro


Eis agora, pelo relato de Sérgio Britto, histórias de um dos grandes clássicos não só de 1986 ou da década inteira, mas um clássico supimpa do Rock Brasileiro. Lembro que havia expectativa com esse lançamento, pois mesmo sendo sucesso de público, o Titãs ainda não havia emplacado no mercado um grande disco. Quando saiu o 'Cabeça Dinossauro' uma boa imagem é de uma multidão de queixo caído. A qualidade da produção do disco e das composições, um absurdo.

Tenho uma curiosidade: no começo da década de 1980 as 1ª edições do Hollywood Rock eram de graça, na praia. Para minha sorte, o festival acontecia na praia da Enseada, em Guarujá (SP), a qual frequentei de 1976 até 1995. Numa dessas edições tocou o Titãs, que fazia os shows do disco 'Televisão', e nessa apresentação tocou uma nova que se chamava "O Grito", uma porrada, que com a gravação de 'Cabeça' acabou virando "AA UU".


"Embora possa parecer, Cabeça Dinossauro não foi propriamente uma mudança de rumo, uma “guinada radical” na nossa maneira de pensar e fazer música.

Foi, isso sim, fruto de algo que já vinha acontecendo há algum tempo. Por exemplo : “Bichos Escrotos” é anterior à gravação do nosso primeiro disco (Titãs, 1984), que só não gravamos naquela ocasião por que a censura não permitiu. No disco que antecede o “Cabeça” (Televisão, 1985) a faixa título, “Massacre”, “Pavimentação” e “Autonomia” já apontavam também para essa direção. “Babi índio” e “Pule “, do primeiro disco, se tivessem sido gravadas com um pouco mais de qualidade, também poderiam ser vistas desse modo.
Fazer um disco com uma sonoridade e um repertório mais pesado era um desejo antigo de alguns de nós que aos poucos contaminou todo mundo. A prisão do Arnaldo e do Tony (NR: por porte de heroína) e, conseqüentemente, o relativo fracasso de Televisão são fatores extra-musical que naquele momento talvez também tenham contribuído para essa virada.

Fizemos o disco num tempo relativamente curto: um mês para gravar e mixar. Em duas semanas já estava quase tudo pronto. As canções, os arranjos e até mesmo o formato das músicas já estavam definidos muito antes de entrarmos em estúdio. A primeira faixa a ser gravada foi “AAUU”: já tocávamos a música em shows e o arranjo estava muito bem resolvido. A última foi “O Que” e foi também a que mais deu trabalho. O arranjo mudou totalmente e o Liminha teve participação decisiva: programou a bateria eletrônica, sugeriu a linha de baixo, tocou guitarra e deixou a gente fazendo uma “Jam” interminavel durante dois dias até a chegarmos ao resultado final. Aquilo abriu um novo horizonte para nós e nos colocou em contato com elementos que iríamos explorar bastante nos anos seguintes.

Este disco, com certeza, se não é o melhor, é um dos melhores que fizemos. Só comparável a Õ Blésq Blom e Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas.

Apesar disso não me atrevo a apontar nenhuma banda que pareça ter sido diretamente influenciada por ele. Em contrapartida, Õ Blésq Blom, se não influenciou, ao menos antecipou toda a onda do Mangue Beat e a mistura de MPB e música nordestina com elemetos de rock e programações eletrônicas.

Algumas curiosidades
- Os acetatos com os esboços do Leonardo da Vinci que estão na capa e na contra capa do disco vieram diretamente do museu Louvre, trazidos por um amigo de meu pai. Antes disso, o que tínhamos eram reproduções pequenas e sem qualidade suficiente para viabilizar o projeto gráfico. As primeiras 30 mil cópias do disco foram feitas em um papel fosco e poroso muito mais caro que o normal. Generosidade do André Midani, então presidente da Warner, que nos deu total apoio antes, durante e depois da gravação atendendo a tudo o que pedíamos.

- A percussão na faixa “Cabeça Dinossauro” foi Liminha que tocou. Depois de várias tentativas mais elaboradas, ele começou a improvisar - tocando nas paredes, no chão e nas colunas do estúdio - numa espécie de transe. Assim que ele acabou, todo mundo disse imediatamente: “é isso aí, do caralho!!”.

- Gravei a voz solo de “Polícia” no primeiro take, enquanto Liminha conversava sobre pesca submarina com Evandro Mesquita (talvez isso tenha me ajudado a ficar mais puto ainda). Quando fomos ouvir o resultado, eu queria regravar a voz a qualquer custo (tinha sido muito fácil), mas todos acabaram me convencendo de que estava bom.

- A voz de “A Face do Destruidor” foi gravada em cima da base tocada de trás pra frente. Quando gravamos tínhamos que pensar que aquilo ia ser ouvido dessa maneira.

- O Tony fez todos os solos importantes do disco usando uma técnica no mínimo curiosa: revezava um anel grande que ele tinha na mão direita com a palheta para tocar e, ao mesmo tempo, tirar efeitos percussivos da guitarra. Isso funcionava também como uma espécie de ‘bottle neck’ e acabou dando uma cara diferente para os solos que ele fez."


Sérgio Britto, vocalista do Titãs

5 de março de 2009

Quando a ANTA fala...

Recebi esse e-mail e achei legal postá-lo. Nunca votei no Lula, pois não voto em quem não trabalha. Alguém aí já viu o Lula trabalhar?


Lula, o nosso comandante em chefe, deu esta declaração "histórica", esta semana, na posse de diretores do Sebrae:

"Temos que reconhecer que a situação é delicada, que essa crise é possivelmente maior que a crise de 1929 e temos que reconhecer que o Roosevelt só conseguiu resolver a crise de 29 por causa da II Guerra Mundial. Como não queremos guerra, queremos paz, nós vamos ter que ter mais ousadia, mais sinceridade, mais inteligência, por que eu não admito que uma guerra para resolver um problema econômico tenha 6 milhões de mortos".

Depois, comentários específicos:

1. A Segunda Guerra Mundial não teve absolutamente nada a ver com a crise americana de 1929; 2. A Segunda Guerra Mundial foi motivada pelas condições impostas à Alemanha pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918;
3. A Segunda Guerra Mundial encerrou com perto de 52 milhões de mortos, quase dez vezes mais que o número que o boçal falou;
4. Seis milhões foram as vitimas do Holocausto, patrocinado pelos nazistas. Confundiu tudo o que a Assessoria dele informou (tenha paciência, não queira que ele decore tudo que lhe passam).
5. Em 1929, o mundo não tinha e nem imaginava o que seria uma economia globalizada;
6. Franklin D Roosevelt resolveu a crise americana diminuindo custos e impostos, e reduziu drasticamente as despesas do governo, exatamente o contrário do que o boçal e seus ministros estão fazendo;
7. Pela declaração imbecil, Lulla imagina que a crise só será extinta por meio de uma guerra mundial, mas ele, "o grande pacifista e magnânimo líder" não admitirá uma guerra mundial para que a crise seja solucionada;

E esse é o cara que atingiu 84% de popularidade.............. Dá para acreditar?

4 de março de 2009

Série O Resgate da Memória: 4 - Ritchie

ENTREVISTA RITCHIE
REVISTA ROLL – ANO 2 – Nº 18 – MAIO/1984


1) Durante quase dois anos Ritchie foi visto como o novo grande nome do rock brasileiro por causa de “Menina Veneno” que virou febre nacional. Rádio am e fm, televisão, novela, cinema, revistas, jornais tudo era “Menina Veneno”. Era uma verdadeira praga. Era da classe ‘E’ até a ‘A’, na quitanda ou escola, no parque ou no trabalho, na hora do parto ou no leito de morte. Todos queriam Ritchie. Todos queriam a menina veneno.

2) Bio ultra mega resumida
O inglês Ritchie chegou no Brasil no início dos anos 70. Conhecera alguns brasileiros na Inglaterra (incluindo aí Rita Lee e Liminha) que o convidaram para conhecer o país. Como namorava uma brasileira, acabou vindo. Pouco tempo depois o namoro terminou e Ritchie resolveu ficar por aqui. Pra se virar, de início deu aulas particulares de inglês. Formou uma banda que não foi adiante (Scaladácida) e em meados dos 70 entrou para a banda carioca de Rock Progressivo Vímana, que também tinha Lulu Santos e Lobão em sua formação. Gravaram disco, mas apenas lançaram o compacto Zebra (encontrado na coletânea de Lulu Santos lançada na coleção E-Collection, da Warner).
Estourou nacionalmente em 1983 com a música “Menina Veneno”, e com ela desbancou as vendas do Rei Roberto Carlos. Sim, verdade!
Brigou com a produção do Chacrinha, não quis entrar no ‘esquema’ e aos poucos foi sumindo, apesar de ter emplacado mais uns dois hits..
Essa entrevista foi feita na época do lançamento do 2º disco ‘...E a Vida Continua’. Ritchie fala das parcerias do disco, de sua vida na Inglaterra, de quando conheceu Mick Jagger e outras coisas mais. A transcrição foi fiel, com erros e tudo.


ROLL
“Busco a comunicação através do Rock”
(Nota: não há nome do jornalista)

Ritchie está trabalhando com o rock no Brasil desde meados da década de 70, pouco tempo depois de ter chegado aqui. Antes disso viveu toda e efervescência musical do gênero, no começo da década passada da Inglaterra. É, portanto um profundo conhecedor do assunto e acima de tudo um curtidor inveterado desse estilo musical diversificado que é na verdade a expressão exata de nossa época. Com o Rock, Ritchie experimentou em várias áreas. Do som elaborado do Vímana ao tom pop de seu trabalho mais recente, ele tem atacado em diversas direções. Aqui, um papo da maior importância com esse pesquisador incansável.

Roll - Antes de vir ao Brasil, você viveu sempre na Inglaterra?
Ritchie – Como meu pai era militar eu passei minha infância toda viajando. Eu nunca parei mais de 2 anos em nenhum lugar. Eu passei vários períodos de 2 anos na Inglaterra, na Escócia, esses lugares, mas nunca seguidamente. O lugar que eu mais vivi seguidamente foi no Brasil.

Você veio pra cá quando?
Ritchie – Em 72. A idéia era ficar pouco tempo, mas eu não faço planos, nunca fiz e nunca farei. E acabei ficando por aqui.

Como começou o envolvimento com a música?
Ritchie – A partir dos 15 anos eu comecei a me interessar por Rock, e passei a freqüentar cada vez mais a Inglaterra. Depois de fazer 18 anos até vir pra cá aos 21 eu morei na Inglaterra. E essa foi uma época em que vi muita música, em que eu passei a me profissionalizar em música. Mas antes disso, nos supermercados de compras para as Forças Armadas, havia seleções de discos incríveis. Tinha James Brown, Wilson Pickett, Otis Redding, muita música americana. Aí eu comecei a ouvir muito Soul.

Tem muita influência da música americana na Inglaterra, não?
Ritchie – Atualmente a influência do Soul na Inglaterra é muito forte. Bandas como Spandau Ballet, você vê a influência de Aretha Franklin, de todo o movimento daquele selo Stax. Eu ouvia muito Soul quando tinha 17 anos. Houve também uma influência muito grande da música progressiva. Você vê que são coisas completamente diferentes, mas eu tive uma formação clássica de música. E esse som progressivo, embora seja uma coisa falida musicalmente – eu digo, uma coisa pastiche – eu tive uma identificação com ele por causa desse lance com a música clássica. Então eu entendia as intenções deles, se bem que eu ache que a música progressiva nunca chegou a se realizar totalmente. Ela estava indo numa boa direção, em LPs como “The Yes Álbum”, pois ainda tinha muita pulsação. Depois eles passaram um pouco do ponto, começaram a entrar muitos tempos compostos e tudo ficou um pouco acima do público. Uma coisa meio sofisticada, e na verdade sofisticada numa ruim, embora eu tenha identificação. Você vê, o Vímana era um conjunto progressivo. Atualmente, quando eu olho em retrospectiva, quando vou ouvir um disco do Gentle GIant, que eu adorava, eu vejo que era uma coisa um pouco introspectiva demais. E minha busca através do Rock’n’Roll é a comunicação e não isso.

Você teve ter visto muitos shows históricos, não?
Ritchie – Eu tentei até ver os Beatles, mas cheguei no Queen Elizabeth Hall e não consegui entrar. Nessa época eu tinha 10 anos e era um dos últimos shows que eles fizeram na Inglaterra – foi a primeira vez que tentei ir a um show de Rock.
Agora, eu vi muita coisa. Como eu disse, eu era fã do Gentle Giant. Do Genesis eu era macaco de auditório, e seguia o grupo por todo lado. Até 72 eles eram um grupo que ainda não tinha estourado. Tinha o “Nursery Crime” e estavam começando a fazer “Foxtrot”, quando eu vim pra cá. Eu fiquei fascinado com a figura de Peter Gabriel, que no meu entender continua sendo uma das figuras mais interessantes dentro do Rock inglês. Em primeiro lugar admiro-o por ter abandonado o barco quando o abandonou, para procurar uma coisa mais vanguarda. E hoje em dia acho que o trabalho dele é muito interessante, embora não tenha um pingo de comercialismo. E ele está sempre pesquisando. Eu acho importante ter esse underground com gente como Robert Fripp, como Peter Gabriel, mantendo o underground num nível muito forte e sem preocupação comercial.

E acabam virando trabalhos comerciais...
Ritchie – Às vezes você tem algo como “Shock The Monkey” ou “Sulsbury Hill” do Peter Gabriel. Ele sabe fazer uma boa melodia e eu respeito o lance dele pesquisar coisas um pouco mais obscuras... percussão africana. Agora ele está de olho aqui no Brasil, como todos, na verdade, estão. Você vê, a Sade e o Style Council estão fazendo Bossa Nova.

Mas a Bossa Nova deles não tende mais para o Jazz?
Ritchie – Totalmente. Mas tem aquele batuque, aquele aspecto latino.

Você pensa em levar sua música para a Inglaterra?
Ritchie – É possível que isso aconteça. Eu inclusive gravei “Mulher Invisível” em inglês. Não sei se vão lançar, mas me pediram e nós fizemos uma letra. Digo fizemos porque o Bernardo Vilhena trabalhou na letra também – eu queria manter a parceria ail. Ele não fala inglês bem, mas tem boas idéias e eu fui corrigindo. Mas foi mais porque eles pediram do que por vontade nossa.

“Mulher Invisível” ou “Menina Veneno”?
Ritchie – “Mulher Invisível” mesmo, porque eles acham mais atual. “Menina Veneno”, na verdade, não tem grande apelo na Inglaterra. Tem nos países latinos. Estourou na Espanha, em Portugal, na América Latina. Então eu acho que se acontecer naturalmente tudo bem, mas não é um plano. Eu gosto de estar morando neste país e de fazer o meu trabalho aqui.

Como você compõe suas músicas?
Ritchie – O importante é você ter condições de estar perto de um instrumento a toda hora. É como o bom fotógrafo que carrega sua câmera para todo lado. Eu procuro criar de todas as maneiras. Quando estou no carro, por exemplo, eu tenho um micro gravador que eu uso para gravar melodias. Também estou sempre com meu quatro canais ligado lá em casa para qualquer coisa. Agora, a inspiração é fundamental. Não adianta você chegar e dizer que vai escrever uma música. Porque às vezes sai, às vezes não acontece. Agora, acho importante você tocar 4 horas por dia, que é o que eu faço, e também estar ali pesquisando. Eu não vejo a música como uma coisa construtiva. A música é um lance que vem e a gente capta de uma maneira pior ou melhor, é coisa de sintonia. Pergunte ao Gil. É um lance de sincronização de sua época.

Como é a parceria com Lobão, Liminha, Steve Hackett?
Ritchie – Com cada um é diferente, inclusive minhas experiências com Liminha são poucas. “Bons Amigos” era uma música pronta com um refrão mal resolvido, e o Liminha chegou com uma introdução que eu gostei demais e que acabou virando a harmonia do refrão. A participação dele não foi no momento da criação, foi uma coisa posterior que valorizou a música. “Bad Boy”, que eu fiz em parceria com Lobão, é uma música antiga e ela nem ia entrar no disco. Mas como “Bons Amigos” não estava saindo bem, Lobão sugeriu que a gente esquentasse com “Bad Boy”. Aí esquentamos e o Liminha ligou as máquinas e saiu com essa versão mesmo. Foi de primeira por isso não está tecnicamente perfeita. Mas está com uma garra e uma energia que jamais teríamos captado de novo. Com o Steve foi mais ou menos como com o Liminha. Ele sugeriu que aquela parte de “Mulher Invisível” que diz “Ela está onde ninguém está / Ela é dona da noite”, que era num tom maior, que fosse feita numa progressão menor. Ele disse para eu tocar “James Bond Theme”, e aí a música ficou com a mesma progressão. A participação dele foi uma sugestão verbal, e ele nem tocou na guitarra. Mas eu não posso negar que ele alterou a face da música. Agora, parceria mesmo é com Bernardo.

E a sua participação no vídeo(clipe) do (Mick) Jagger, como foi?
Ritchie – Foi muito bom. Gostei muito de conhecer Mick Jagger. Eu dividi o trailler com ele para fazer a maquiagem e a gente bateu um papo sobre mil coisas. Ele é muito legal e muito pragmático em termos de trabalho. Ele disse que tinha ouvido Rock Brasileiro e que não tinha se interessado muito, não. Eu disse que a gente ainda está engatinhando e lembrei que a tradição de Rock fora do Brasil tem 30 anos e que aqui ainda é uma novidade, tem só 10 anos. Ainda é uma coisa começando a ser explorada, com muita forçação de gravadora. Eu disse pra ele voltar daqui um, dois anos, para ver. Ele ouviu meu primeiro disco e disse que gostou, mas eu não sei até que ponto ele estava fazendo uma média. Agora foi muito bom ver como ele domina o seu trabalho. Ele estava aqui supervisionando tudo. Iluminação, maquiagem, direção, mudou o script. Em todos esses aspectos ele estava presente e ativo.

E a gravação de “Sky Moon”, como aconteceu?
Ritchie – A música é genial. Eu cheguei pro Caetano no show do Palace, antes mesmo dele ter gravado, e perguntei se ele pretendia gravá-la. E ele disse que não. Eu falei então que queria que ele deixasse eu gravar. Ele perguntou por quê, e eu respondi que tinha achado a música genial e que era uma poesia perfeita em inglês e que estava pensando em lançá-la lá fora. Eu queria que os outros ingleses ouvissem a música. Ai ele falou que nesse caso pensaria duas vezes. Aí, quando ele decidiu gravar, me convidou para cantar com ele.