10 de setembro de 2008

Teleguiado MTV

Em 1995 a MTV, como todo ano e como todas as emissoras, veio com nova programação. Esse foi um ano marco para a emissora pois entre os novos programas, estava o Teleguiado: o primeiro programa ao vivo e interativo da MTV (e deve ter sido o primeiro programa interativo da televisão brasileira).
A idéia era simples: Cazé recebia telefonemas dos telespectadores cadastrados que pediam clipe e colocávamos na hora. Qualquer clipe que tivesse na casa. E só uma regra valia: se pedisse clipe que já tivesse passado na semana tomaria o famoso “NA CARA”. Cazé desligava o telefone na cara da pessoa.
Se não me engano o programa entrou no ar em março de 1995, nesse primeiro ano das 12h30 as 13h00. Era uma correria, pois eu e Cazé terminávamos de gravar o Na Chapa (que em breve falarei dele aqui) por volta das 12h00, ele ia para o camarim se trocar enquanto o pessoal do estúdio montava o cenário. O cenário do Na Chapa e o do Teleguiado eram duas “estantes” que de um lado era o Na Chapa e do outro o Teleguiado. Tínhamos também uma velha cadeira de barbeiro, uma micro câmera e mais alguns objetos de cena.
A partir de 1996 até seu fim, acho que em 1999, o Teleguiado ia ao ar das 20h00 as 20h30.
Fiz a direção do programa de 1995 até o final de 1998, ou seja, quase quatro anos ao vivo e diário. Não havia feriado. E era uma aventura.
A princípio, claro, todos nervosos, pois programa ao vivo era novidade na casa. O assunto? Papo furado. Nos primeiros meses Cazé perguntava da escola, do almoço, usava os textos do Na Chapa para criar assuntos (o Na Chapa era sobre cultura inútil).
Nesses anos todos que fiquei a frente do programa aconteceu de tudo. Teve até uma vez que Cazé foi ao banheiro cinco minutos antes de entrar no ar. Segurei a entrada do programa o quanto pude, até que tive que começar o programa sem o Cazé. Escrevi na tela: “Cadê o Cazé?”, subi a trilha e a câmera ficou passeando pela cadeira vazia. Deu 1 minuto e Cazé apareceu. Um minuto na televisão é uma eternidade!
Depois de 6 meses no ar, já sabíamos lidar com o ao vivo. Cazé também começou a ir atrás de assuntos para abordar no programa, inventou o ‘Dia de Chiva’, que era toda sexta-feira, quando ele destruía algum objeto, e foi de tudo: microondas, televisão, geladeira, bonecos de políticos, enfim, o que se pode imaginar. Nos primeiros, claro, chegamos a tomar bronca da direção, pois usávamos a escada de incêndio para colocar fogo em alguns objetos.
Tinha programa que era uma festa e tinha programa que era muito chato. Fazíamos placar de clipe nacional contra clipe internacional. Fazer televisão ao vivo é uma delícia, não há coisa melhor. Pode acontecer de tudo e isso que é legal.
Mas chegou 1998, as coisas mudaram bastante na MTV, o meu tesão pelo Teleguiado não era o mesmo e no momento oportuno acabei saindo. Até porque eu não fazia só o Teleguiado, fazia mais uma penca de programas. Mas foi legal, uma verdadeira escola.
Pena que aqui não possa me aprofundar mais em outras boas histórias do programa... hehe.
Ah! A música de abertura do programa, que muita gente perguntava na época, era do Pizzicato Five.
Teleguiado no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=uP061WtlPsk

2 de setembro de 2008

O Crítico Musical (argh!)

Palavra 'crítico' segundo o Houaiss:

Acepções■
adjetivo e substantivo masculino
1 que ou quem julga, examina
2 que ou quem examina, caracteriza, classifica obra de arte, ciência, costumes, comportamentos etc. Ex.:
3 que ou quem avalia competentemente, distinguindo o verdadeiro do falso, o bom do mau etc.

Etimologia
lat. critìcus,a,um adp. do gr. kritikós 'que julga, que avalia e decide', cog. do v. gr. krínó 'separar, decidir, julgar'; ing. critic (1544) critical (1590), fr. critique (sXIV acp. med, 1690 'decisivo'), esp. crítico (1615);

Antigamente era fácil achar um bom crítico musical, um bom jornalista que escrevia com conhecimento de causa. Antigamente.
A internet veio para esculhambar isso, tornar preguiçoso até mesmo o profissional que, algumas vezes, ganha bem para isso.
Tô cansado de ler matérias sobre as novas revelações, as novas tendências, o hype do momento e essas bobagens em fim.
Até a primeira metade dos anos 1980, essa coisa de rock, ainda era pouco explorada tanto nos USA e Europa, quanto aqui no Brasil. Eram poucas as bandas/artistas. Digamos assim que a cada 20 nomes, 5 eram bons. Hoje, com o mercado saturado, são 999 trilhões de nomes e 1 bom.
Hoje leio críticos indicando bandas por esses ou aqueles motivos e me pergunto: onde é que eles acham essas bandas? Eles simplesmente entram no sites ou compram revistas como New Musical Express, Rolling Stone, Uncut, Pitchfork, olham o que essas mídias estão comentando e comentam também. Aí, assim, dessa forma, até minha querida mãezinha, de 67 anos que adora Carpenters e Willie Nelson.
Quero ver algum desses críticos acharem, por si só, algum bom nome e apostar nele, sem depender da palavra dos outros. Quero ver coragem. Achar banda/artista bom hoje é fácil e eu não entendo o motivo pelo qual esses críticos não fazem isso. Sim, preguiça e covardia, como já falei, mas se é tão fácil caminhar com as próprias pernas, então porque não fazer isso?
Eu já escrevi para revistas especializadas, sites, jornais de todo o país, mas confesso que não gosto de escrever para os outros, mesmo porque o texto já vem direcionado, dificilmente com liberdade de escrita. Não gosto. Meu negócio é televisão, vídeo e meus blogs.
Hoje falata embasamento de quem escreve. Não acho que basta escutar e gostar de rock, tem que ter algo mais. Muito desses fraldinhasque escrevem para os grandes jornais e revistas não sabem da dificuldade de se fazer um disco, uma composição, e tudo o que envolve o mercado musical. É aquela coisa como no futebol que técnico bom é aquele que já foi jogador. E é verdade. Tem que ter conhecimento de causa.Não se deixe enganar e não espere esses picaretas dizerem à você o que é bom ou ruim. Vá atrás do que você gosta, até porque não interessa mais se outros gostam ou deixam de gostar. Tem tanta coisa legal que eu escuto e que ninguém nunca ouviu falar. Hoje, como falei, tem trilhões de bandas por aí. Ache as tuas e deixe as críticas pra lá. Isso é coisa do passado. Isso é coisa anterior a internet.

10 de agosto de 2008

Fúria com Slash, Ice T e Danzig

As datas certas, claro, não me vem na memória. Não sei ao certo quemveio primeiro desses. Mas as entrevistas realizadas no Fúria MTV são sempre históricas. Volta e meia encontro alguém que, quando descobre que eu era o diretor do programa, me comenta algo, relembra boaspassagens e a maioria deles tem várias VHS com clipes e entrevistas gravadas. Aos poucos vou relembrando todas as que fizemos. Agora é a vez dessastrês figuras.O Slash tínhamos um pouco de receio, pois era um cara que vinha de uma banda super ultra famosa, mil turnês, trocentas entrevistas e já mega calejado com os jornalistas. "Será que vai ser na boa?" era o que perguntávamos...Sim, foi super na boa. Slash gente fina praca. Chegou lá sozinho – não sabíamos se ele iria com a banda – chegou com sua cartola e fumando seu Gitanes. Aliás, parecia que ele era patrocinado pelo cigarro francês, pois acendia um atrás do outro, mesmo. Terminava um, acendiao outro. A entrevista durou, sei lá, uma meia hora, e ele deixou uns 5 tocos no chão do estúdio. Inclusive em qualquer estúdio do mundo é proibido fumar, mas vai falar isso para o Slash. Como todos os entrevistados do Gastão, Slash também gostou da entrevista e ficou à vontade. Ao final deu tchau à todos. À noite eu e Gastão fomos ao showdo Snakepit e fiquei de boca aberta. Showzaço! Bela banda, ótimov ocal, tudo. Fomos para ver umas cinco músicas e ficamos quase que o show inteiro. Pra mim, milhões de vezes melhor que Guns N'Roses.
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O Ice T, vou confessar que estávamos morrendo de medo. "Vai chegar um cara mau humorado, carrancudo, gangsta rapper, vai olhar pra nós dois branquelos, cuspir na nossa cara e dar um chute no nosso saco e ir embora... haha." Ledo engano. Foi a entrevista mais engraçada que fiz no Fúria. Ice T superou todas as expectativas. Chegou contando piada e saiu da mesma forma. Alto astral, sorrizão na cara, ficou lá numa boa, foi até mais que uma entrevista, foi um bate papo. Lembro-me de coisas que ele falava do guitarrista do Body Count tipo; "Não dá pra ser guitarrista, negro, canhoto e não achar que seja o Jimi Hendrix". Deu aula de rock'n'roll, falou de Black Sabbath, Led Zep e outros dinossauros. Disparada uma das mais descontraídas entrevistas. Taí um cara legal pacas!
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Desculpem os fãs, mas Danzig é um puta cara babaca. O oposto de Ice T.Esse sim sábiamos que seria difícil. A entrevista foi muito boa, maisdo que imaginávamos, pois, como disse, as pautas de Gastão deixavam qualquer entrevistado de boca aberta. Nunca era o óbvio. E olha que nessa época ainda não havia internet para pesquisar. Danzig até foi simpático durante o papo, Gastão dobrou o cara, mas ele tem cara de poucos amigos e não faz questão de ser diferente. Lá no dia, estava um amigo nosso, um amigo de muita gente que trabalhava na MTV e que era ultra mega super fã de Danzig. Ele levou uma pasta com diversas reportagens da carreira dele... reportagens do mundo todo. Durante a entrevista ficou ali no canto do estúdio quietinho. Quando terminou a filmagem, foi conversar com Danzig, pedir autógrafo e mostrar a pasta. Nesse momento eu já não estava no estúdio, mas disseram que Danzig começou ver as reportagens até chegar uma que falava do dia em que ele tomou um pau de um cara de uma outra banda (que agora não me lembro o nome). Nesse momento ele fechou a cara, e largou a pasta (não lembro se a jogou). Seu empresário chegou para nosso amigo e disse que ele havia estragado o dia do Danzig. Úi bem, ficou nervosa, santa?!?! Não fui no show pois não sou fã da nervosa...