Palavra 'crítico' segundo o Houaiss:
Acepções■
adjetivo e substantivo masculino
1 que ou quem julga, examina
2 que ou quem examina, caracteriza, classifica obra de arte, ciência, costumes, comportamentos etc. Ex.:
3 que ou quem avalia competentemente, distinguindo o verdadeiro do falso, o bom do mau etc.
Etimologia
lat. critìcus,a,um adp. do gr. kritikós 'que julga, que avalia e decide', cog. do v. gr. krínó 'separar, decidir, julgar'; ing. critic (1544) critical (1590), fr. critique (sXIV acp. med, 1690 'decisivo'), esp. crítico (1615);
Antigamente era fácil achar um bom crítico musical, um bom jornalista que escrevia com conhecimento de causa. Antigamente.
A internet veio para esculhambar isso, tornar preguiçoso até mesmo o profissional que, algumas vezes, ganha bem para isso.
Tô cansado de ler matérias sobre as novas revelações, as novas tendências, o hype do momento e essas bobagens em fim.
Até a primeira metade dos anos 1980, essa coisa de rock, ainda era pouco explorada tanto nos USA e Europa, quanto aqui no Brasil. Eram poucas as bandas/artistas. Digamos assim que a cada 20 nomes, 5 eram bons. Hoje, com o mercado saturado, são 999 trilhões de nomes e 1 bom.
Hoje leio críticos indicando bandas por esses ou aqueles motivos e me pergunto: onde é que eles acham essas bandas? Eles simplesmente entram no sites ou compram revistas como New Musical Express, Rolling Stone, Uncut, Pitchfork, olham o que essas mídias estão comentando e comentam também. Aí, assim, dessa forma, até minha querida mãezinha, de 67 anos que adora Carpenters e Willie Nelson.
Quero ver algum desses críticos acharem, por si só, algum bom nome e apostar nele, sem depender da palavra dos outros. Quero ver coragem. Achar banda/artista bom hoje é fácil e eu não entendo o motivo pelo qual esses críticos não fazem isso. Sim, preguiça e covardia, como já falei, mas se é tão fácil caminhar com as próprias pernas, então porque não fazer isso?
Eu já escrevi para revistas especializadas, sites, jornais de todo o país, mas confesso que não gosto de escrever para os outros, mesmo porque o texto já vem direcionado, dificilmente com liberdade de escrita. Não gosto. Meu negócio é televisão, vídeo e meus blogs.
Hoje falata embasamento de quem escreve. Não acho que basta escutar e gostar de rock, tem que ter algo mais. Muito desses fraldinhasque escrevem para os grandes jornais e revistas não sabem da dificuldade de se fazer um disco, uma composição, e tudo o que envolve o mercado musical. É aquela coisa como no futebol que técnico bom é aquele que já foi jogador. E é verdade. Tem que ter conhecimento de causa.Não se deixe enganar e não espere esses picaretas dizerem à você o que é bom ou ruim. Vá atrás do que você gosta, até porque não interessa mais se outros gostam ou deixam de gostar. Tem tanta coisa legal que eu escuto e que ninguém nunca ouviu falar. Hoje, como falei, tem trilhões de bandas por aí. Ache as tuas e deixe as críticas pra lá. Isso é coisa do passado. Isso é coisa anterior a internet.
Desde 2007. Aqui há cultura pop, entrevistas, diários, matérias antigas, resenhas, comportamento, ficção e política. A maior parte das publicações é atemporal, então venha quando quiser, sente-se, pegue uma dose e fique à vontade. Siga no Instagram: sete_doses_de_cachaca
2 de setembro de 2008
10 de agosto de 2008
Fúria com Slash, Ice T e Danzig
As datas certas, claro, não me vem na memória. Não sei ao certo quemveio primeiro desses. Mas as entrevistas realizadas no Fúria MTV são sempre históricas. Volta e meia encontro alguém que, quando descobre que eu era o diretor do programa, me comenta algo, relembra boaspassagens e a maioria deles tem várias VHS com clipes e entrevistas gravadas. Aos poucos vou relembrando todas as que fizemos. Agora é a vez dessastrês figuras.O Slash tínhamos um pouco de receio, pois era um cara que vinha de uma banda super ultra famosa, mil turnês, trocentas entrevistas e já mega calejado com os jornalistas. "Será que vai ser na boa?" era o que perguntávamos...Sim, foi super na boa. Slash gente fina praca. Chegou lá sozinho – não sabíamos se ele iria com a banda – chegou com sua cartola e fumando seu Gitanes. Aliás, parecia que ele era patrocinado pelo cigarro francês, pois acendia um atrás do outro, mesmo. Terminava um, acendiao outro. A entrevista durou, sei lá, uma meia hora, e ele deixou uns 5 tocos no chão do estúdio. Inclusive em qualquer estúdio do mundo é proibido fumar, mas vai falar isso para o Slash. Como todos os entrevistados do Gastão, Slash também gostou da entrevista e ficou à vontade. Ao final deu tchau à todos. À noite eu e Gastão fomos ao showdo Snakepit e fiquei de boca aberta. Showzaço! Bela banda, ótimov ocal, tudo. Fomos para ver umas cinco músicas e ficamos quase que o show inteiro. Pra mim, milhões de vezes melhor que Guns N'Roses.
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O Ice T, vou confessar que estávamos morrendo de medo. "Vai chegar um cara mau humorado, carrancudo, gangsta rapper, vai olhar pra nós dois branquelos, cuspir na nossa cara e dar um chute no nosso saco e ir embora... haha." Ledo engano. Foi a entrevista mais engraçada que fiz no Fúria. Ice T superou todas as expectativas. Chegou contando piada e saiu da mesma forma. Alto astral, sorrizão na cara, ficou lá numa boa, foi até mais que uma entrevista, foi um bate papo. Lembro-me de coisas que ele falava do guitarrista do Body Count tipo; "Não dá pra ser guitarrista, negro, canhoto e não achar que seja o Jimi Hendrix". Deu aula de rock'n'roll, falou de Black Sabbath, Led Zep e outros dinossauros. Disparada uma das mais descontraídas entrevistas. Taí um cara legal pacas!
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Desculpem os fãs, mas Danzig é um puta cara babaca. O oposto de Ice T.Esse sim sábiamos que seria difícil. A entrevista foi muito boa, maisdo que imaginávamos, pois, como disse, as pautas de Gastão deixavam qualquer entrevistado de boca aberta. Nunca era o óbvio. E olha que nessa época ainda não havia internet para pesquisar. Danzig até foi simpático durante o papo, Gastão dobrou o cara, mas ele tem cara de poucos amigos e não faz questão de ser diferente. Lá no dia, estava um amigo nosso, um amigo de muita gente que trabalhava na MTV e que era ultra mega super fã de Danzig. Ele levou uma pasta com diversas reportagens da carreira dele... reportagens do mundo todo. Durante a entrevista ficou ali no canto do estúdio quietinho. Quando terminou a filmagem, foi conversar com Danzig, pedir autógrafo e mostrar a pasta. Nesse momento eu já não estava no estúdio, mas disseram que Danzig começou ver as reportagens até chegar uma que falava do dia em que ele tomou um pau de um cara de uma outra banda (que agora não me lembro o nome). Nesse momento ele fechou a cara, e largou a pasta (não lembro se a jogou). Seu empresário chegou para nosso amigo e disse que ele havia estragado o dia do Danzig. Úi bem, ficou nervosa, santa?!?! Não fui no show pois não sou fã da nervosa...
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O Ice T, vou confessar que estávamos morrendo de medo. "Vai chegar um cara mau humorado, carrancudo, gangsta rapper, vai olhar pra nós dois branquelos, cuspir na nossa cara e dar um chute no nosso saco e ir embora... haha." Ledo engano. Foi a entrevista mais engraçada que fiz no Fúria. Ice T superou todas as expectativas. Chegou contando piada e saiu da mesma forma. Alto astral, sorrizão na cara, ficou lá numa boa, foi até mais que uma entrevista, foi um bate papo. Lembro-me de coisas que ele falava do guitarrista do Body Count tipo; "Não dá pra ser guitarrista, negro, canhoto e não achar que seja o Jimi Hendrix". Deu aula de rock'n'roll, falou de Black Sabbath, Led Zep e outros dinossauros. Disparada uma das mais descontraídas entrevistas. Taí um cara legal pacas!
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Desculpem os fãs, mas Danzig é um puta cara babaca. O oposto de Ice T.Esse sim sábiamos que seria difícil. A entrevista foi muito boa, maisdo que imaginávamos, pois, como disse, as pautas de Gastão deixavam qualquer entrevistado de boca aberta. Nunca era o óbvio. E olha que nessa época ainda não havia internet para pesquisar. Danzig até foi simpático durante o papo, Gastão dobrou o cara, mas ele tem cara de poucos amigos e não faz questão de ser diferente. Lá no dia, estava um amigo nosso, um amigo de muita gente que trabalhava na MTV e que era ultra mega super fã de Danzig. Ele levou uma pasta com diversas reportagens da carreira dele... reportagens do mundo todo. Durante a entrevista ficou ali no canto do estúdio quietinho. Quando terminou a filmagem, foi conversar com Danzig, pedir autógrafo e mostrar a pasta. Nesse momento eu já não estava no estúdio, mas disseram que Danzig começou ver as reportagens até chegar uma que falava do dia em que ele tomou um pau de um cara de uma outra banda (que agora não me lembro o nome). Nesse momento ele fechou a cara, e largou a pasta (não lembro se a jogou). Seu empresário chegou para nosso amigo e disse que ele havia estragado o dia do Danzig. Úi bem, ficou nervosa, santa?!?! Não fui no show pois não sou fã da nervosa...
10 de julho de 2008
50 anos de Bosta Nova
Ok. Eu sei que a Bossa Nova é um ritmo, um gênero tipicamente brasileiro, que encantou o mundo – principalmente os americanos – e que mudou os rumos da música no Brasil.
Mas também é verdade que ela é um gênero limitado, assim como é, por exemplo, o reggae. São trilhões de músicos de Bossa Nova, mas todos eles fazem tudo bem parecido. “A tardinha cai”, “o patinho faz quac quac”, “seu coração é lindinho”...
Antes da Bossa, os cantores tinham aquele vozeirão dos cantores de rádio e depois dela, todos viram a possibilidade de cantar de outras formas, alias, muitos viram que nem era preciso saber cantar muito.
Logo após o surgimento de João Gilberto, houve um boom de cantores de Bossa e até Roberto Carlos tentou ser um. Também na sequência Frank Sinatra e outros americanos descobriram a beleza da levada da Bossa.
A partir daí, pra mim, a Bossa virou música para turista. Tanto é que muitos artistas brasileiros passaram a fazer sucesso nos EUA e Europa, mas não foram reconhecidos aqui no Brasil. Vide Leila Pinheiro, Sérgio Mendes, Oscar Castro Neves, etc...
A Bossa Nova invadiu os bares do RJ que usavam o gênero para atrair os turistas. A Bossa virou, praticamente um ritmo carioca. Foram eles que dominaram essa música e exploraram suas possibilidades ao máximo. Foi lá que Nara Leão e esse turma toda se reunia para tocar, conversar, compor... nada mais justo que a Bossa seja ligada ao Rio.
Depois os modernetes e colocaram ritmos eletrônicos fazendo Bossa, tipo Style Council, Bebel Gilberto, Everything But The Girl...
Hoje até já ficou chato esse negócio de misturar batidas modernas com a Bossa. Já deu. Já encheu. Mesmo assim, novas cantoras sempre aparecem com essa coisa e as gravadoras exploram isso como se fosse a grande novidade. Argh!
Óbvio que, como um punk rocker, odeio Bossa, mas gosto de algumas coisas da MPB dos anos 70 que usam a influência dela. Mas também não tudo, é claro. Essa MPB é mais legal quando explora o rock, o psicodelismo e usa a Bossa Nova no meio disso.
Bem, o fato é que até hoje babam o ovo pra cima da Bosta Nova, isso enche os meus pacuá e pra mim ela não passa, mais uma vez digo, de música de turista. A Bossa não tem pra onde correr.
Esses 50 anos que ela completa só me confirmou uma coisa: que o rock continua marginal. Que bom.
Dos 50 anos da Bossa Nova qualquer Zé Mané falou e comentou. Agora dos 50 anos do Rock Brasileiro, completados em 2005, nem emissoras como Multishow e MTV e rádios como 89FM, Brasil 2000 e Kiss FM falaram absolutamente nada.
O rock deu muito dinheiro para as gravadoras e para esses meios de comunicação, mas essa é uma prova de que o que importa é o dinheiro. Esses prêmios tipo Multishow, VMB... só querem ganhar em cima da imagem do artista e do rock, agora dar algo em troca nada.
As favas com a Bosta Nova. As favas com o Emocore.
Por essas e outras eu continuo aqui escutando Loki?, Elo Perdido de Arnaldo Baptistae Tente Mudar o Amanhã do Cólera.
Mas também é verdade que ela é um gênero limitado, assim como é, por exemplo, o reggae. São trilhões de músicos de Bossa Nova, mas todos eles fazem tudo bem parecido. “A tardinha cai”, “o patinho faz quac quac”, “seu coração é lindinho”...
Antes da Bossa, os cantores tinham aquele vozeirão dos cantores de rádio e depois dela, todos viram a possibilidade de cantar de outras formas, alias, muitos viram que nem era preciso saber cantar muito.
Logo após o surgimento de João Gilberto, houve um boom de cantores de Bossa e até Roberto Carlos tentou ser um. Também na sequência Frank Sinatra e outros americanos descobriram a beleza da levada da Bossa.
A partir daí, pra mim, a Bossa virou música para turista. Tanto é que muitos artistas brasileiros passaram a fazer sucesso nos EUA e Europa, mas não foram reconhecidos aqui no Brasil. Vide Leila Pinheiro, Sérgio Mendes, Oscar Castro Neves, etc...
A Bossa Nova invadiu os bares do RJ que usavam o gênero para atrair os turistas. A Bossa virou, praticamente um ritmo carioca. Foram eles que dominaram essa música e exploraram suas possibilidades ao máximo. Foi lá que Nara Leão e esse turma toda se reunia para tocar, conversar, compor... nada mais justo que a Bossa seja ligada ao Rio.
Depois os modernetes e colocaram ritmos eletrônicos fazendo Bossa, tipo Style Council, Bebel Gilberto, Everything But The Girl...
Hoje até já ficou chato esse negócio de misturar batidas modernas com a Bossa. Já deu. Já encheu. Mesmo assim, novas cantoras sempre aparecem com essa coisa e as gravadoras exploram isso como se fosse a grande novidade. Argh!
Óbvio que, como um punk rocker, odeio Bossa, mas gosto de algumas coisas da MPB dos anos 70 que usam a influência dela. Mas também não tudo, é claro. Essa MPB é mais legal quando explora o rock, o psicodelismo e usa a Bossa Nova no meio disso.
Bem, o fato é que até hoje babam o ovo pra cima da Bosta Nova, isso enche os meus pacuá e pra mim ela não passa, mais uma vez digo, de música de turista. A Bossa não tem pra onde correr.
Esses 50 anos que ela completa só me confirmou uma coisa: que o rock continua marginal. Que bom.
Dos 50 anos da Bossa Nova qualquer Zé Mané falou e comentou. Agora dos 50 anos do Rock Brasileiro, completados em 2005, nem emissoras como Multishow e MTV e rádios como 89FM, Brasil 2000 e Kiss FM falaram absolutamente nada.
O rock deu muito dinheiro para as gravadoras e para esses meios de comunicação, mas essa é uma prova de que o que importa é o dinheiro. Esses prêmios tipo Multishow, VMB... só querem ganhar em cima da imagem do artista e do rock, agora dar algo em troca nada.
As favas com a Bosta Nova. As favas com o Emocore.
Por essas e outras eu continuo aqui escutando Loki?, Elo Perdido de Arnaldo Baptistae Tente Mudar o Amanhã do Cólera.
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