14 de outubro de 2007

Ozzy Osbourne no Fúria Metal

A expectativa era grande. Era 1995 ou 1996, agora não me lembro bem, mas sei que se tratava da 1ª vez de Ozzy no Brasil após o show do Rock in Rio em 1985. Se não me engano era o Monsters of Rock que iria acontecer.

Apesar de o Fúria sempre ter sido tratado com desprezo pela direção da MTV Brasil, conseguíamos entrevistas maravilhosas. A do Ozzy foi uma delas.


A entrevista estava marcada para as 15h00. Gastão como sempre havia preparado uma excelente pauta – alias muitos músicos consagrados com suas turnês mundiais intermináveis sempre elogiavam as pautas de Moreira falando algo do tipo “já estou nessa turnê a mais de ano e essa foi a melhor entrevista que dei”.

Bom, a conversa entre Gastão e Ozzy aconteceria no estúdio B, onde era gravado o Fúria, mas ele estava sendo usado por algum programa e o cenário não poderia ser montado antes das 14h00, algo assim. Tudo bem, pois 1 hora era mais que suficiente para erguer cenário e afinar luz.

Estava eu lá na produção, em minha mesa, e era tipo 13h00 quando toca o telefone. Era o departamento de relações artísticas me avisando que Ozzy acabara de chegar. Entrei em pânico! Estava marcado para as 15h00, o que ele estava fazendo lá as 13h00???
Na mesma hora avisei Gastão, que já estava no andar do figurino e maquiagem. Corri para o estúdio B para saber como estavam as coisas por lá e fui atrás de Zé, o iluminador. A gravação no B estava já no fim – não lembro qual programa era. Perguntei ao Zé quanto tempo levaríamos para armar o cenário e fazer a luz. Resposta: não em menos de 1 hora. Meu Deus! Fazer o Ozzy esperar 1 hora sentado no sofazinho do departamento de Relações Artísticas seria uma ofensa! De modo algum faria isso! Liguei para o 9º andar, onde era a sala de reunião da MTV, na cobertura, bonita, coisa e tal. Pensei: farei lá, pois é tranqüilo. Nada feito, pois a sala estava sendo usada.

Procurei pelo cenógrafo que estava almoçando. Pânico! Uma hora para a luz ficar pronta e o cenógrafo havia saído para almoçar! Corri para o Estúdio A. Menor, era onde se gravava os programas de clipes com fundo chroma – aqueles em que só o VJ aparece com um fundo animado.


Subi a luz do A junto com o Zé e ela estava boa. Falei: se eu colocar dois banquinhos ali tudo bem, né? Sim, tudo bem, a luz está ótima. E o Zé me pergunta: e o cenário? Esse estúdio está uma bagunça... E realmente tinha objetos espalhados no chão, escada encostada na parede, panos dobrados em cima de uma mesinha, enfim, olhei para o Zé e disse: Vai ser aqui mesmo, dane-se o cenário. Não posso deixar o Ozzy tomando chá de cadeira, é uma falta de respeito com tamanha personalidade.

Desci onde Gastão estava e disse a ele que faríamos a entrevista no A, sem qualquer cenário. Ele não acreditou, mas confirmei e ele me olhou desconfiado: “Fazer a entrevista num estúdio bagunçado? Isso não é legal”. Disse a ele que não seria nada legal deixar Ozzy sentado no TAR por mais de uma hora. Ele me deu razão, mesmo que ainda estivesse indignado em fazer a entrevista no meio da bagunça. Disse a ele: numa entrevista com Ozzy, você ficaria observando o cenário??? Enfim, mesmo ele não querendo, consegui convencê-lo com meus argumentos. E realmente o que seria o cenário diante das palavras de Ozzy???
Coloquei os banquinhos no lugar, chamei o câmera, o operador de áudio, coloquei o Gastão lá, chamei o Ozzy e mandei ver.

A entrevista rolou linda, mas como Ozzy já estava afetado, o engraçado era que em algumas questões o Gastão fazia a pergunta e o ajudava a responder, pois sua memória era bem fraca.
E eu pergunto: você se lembra da entrevista do Ozzy ou do cenário em que ela foi feita?


7 de outubro de 2007

Paralamas e Titãs em Sorocaba

Alô Carlos! Meu primo André trabalha com shows e, por coincidência, neste final de semana ele trabalhou no show do Titãs e Paralamas que aconteceu em Sorocaba, no Clube Recreativo. Foi o show que abriu essa turnê que vai até novembro e depois será retomada em 2008.
Segundo seu relato o show foi duca! Foram 2 horas sem parar só de hits.
Cada uma das bandas tocou apenas 5 músicas em separado e o resto do show fizeram juntas. 1º elas entraram juntas, depois ficou só o Paralamas. Depois do Paralamas, o Titãs voltou ao palco para outro set juntas e após esse set o Titãs é que ficou sozinho no palco e no fim o Paralamas voltou e as duas juntas terminaram o show.
Som pesado, muita guitarra e entre as músicas do repertório mandaram “Polícia”, “Track Track”, “Bichos Escrotos”, “Diversão”, “Ska”, “Alagados”, “Marvin”, “Óculos”, “Lourinha Brombril” (numa versão de arrebentar), “Go Back”, “O Beco”... Tem música do Titãs que Herbert cantou, tem música do Paralamas que o Titãs cantou. Enfim, foi um show pra ficar na memória das 3.500 pessoas que lá estiveram. Show bem divertido que vale a pena assistir.
Obviamente essa turnê será transformada em DVD e CD.

As Datas desse ano:
06/10 - Sorocaba/SP (Clube Recreativo)
27/10 - Belo Horizonte/MG (Chevrolet Hall)
11/11 - Salvador/BA (Concha Acústica)
24/11 - São Paulo/SP (Via Funchal)

21 de setembro de 2007

VMB Gringo!?!

Durante sete anos trabalhei na MTV Brasil, dirigi diversos programas na emissora. Foram anos maravilhosos, até porque naquela época a MTV Brasil ainda era, digamos, underground, pois não havia grandes compromissos comerciais. Nós diretores e produtores fazíamos os programas e eles iam ao ar como queríamos, sem ter que passar pelo crivo da diretoria. Assim a MTV Brasil construiu seu nome e foi o norte dos anos 1990. Quem naquela época tinha banda, fazia de tudo para aparecer lá, seja em clipe ou em algum programa.
Hoje a MTV Brasil, claro, mudou e desde há muito tem seus compromissos comerciais e se tornou uma grande marca. Normal. O crescimento é natural e com ela a responsabilidade vem junto. Tem quem goste e tem quem não goste. Viva a democracia!
Ainda tenho alguns amigos que trabalham lá, meus ex-chefes continuam lá. Volta e meia nos encontramos e continuamos bons amigos, dando boas risadas... E a vida segue...
Mas uma coisa não posso deixar de criticar: atrações internacionais no VMB? Não dá pra entender!?! A festa é brasileira e não acho certo tirar espaço de uma atração nacional para dar lugar a uma atração internacional. Hoje, mais do que nunca, há muitos artistas e bandas, e muito pouco lugar para divulgá-los. Aí podem me dizer: “É marketing”. E eu falo: “Hoje a MTV Brasil não precisa de marketing. Pelo menos não desse tipo”.
Ora, esse espaço que será usado por Marilyn Manson e Juliette Lewis, poderia muito bem ser o espaço de um novo artista ou, melhor ainda, um espaço reservado para a nossa história. Esses artistas internacionais não concorrem a nada, então coloquemos nossos artistas históricos para participar. Que tal Made In Brazil, Patife Band, O Terço, algo especial do Júlio Barroso, Cazuza, Raul Seixas, a Jovem Guarda, Secos & Molhados, Lafayette, José “Gato” Provetti, enfim, como foi feito com a Tropicália quando subiram ao palco Tom Zé, Caetano, Rita Lee... Vamos valorizar a nossa história!
Aqui fica minha humilde crítica e dica afinal, em 2005 o rock brasileiro completou 50 anos e nem mesmo a MTV Brasil falou nada a respeito. Antes tarde do que nunca, certo?

PS: Aliás, o Multishow colocará no ar, a partir de 04 de outubro, um especial em 13 capítulos sobre o Rock / Pop brasileiro... Do qual faço a consultoria. Prepare-se, pois valerá a pena!