“Ô cês três aí. Tava pensando em fazer uns rocks, me ajudam?”. Foi assim que Maysa chegou em Raul Seixas, Júlio Barroso e Cazuza. Eles estavam em uma mesa no Baixo Gávea. Claro que ninguém os via. Teve até um momento em que uma garota viva, já meio alta, passou pela mesa e comentou com a amiga: “parece que o Cazuza tá aqui, você não sente?”. Era 1993.
Os quatro continuavam iguais ao que eram quando vivo, apenas Cazuza resolveu ficar com a aparência de Billie Holiday. Era a voz e o jeitão de Cazuza na pele de Billie Holiday. Apenas uma brincadeira de Cazuza que durou pouco mais de um ano...
Após sua morte, Raul continuou fazendo seus shows, sempre lotados. Porém, durante os anos 1990 ele não compôs nenhuma música. Continuou cultuado, ora tocava só voz e violão, ora com banda. Seus shows são verdadeiras festas, pura diversão.
Cazuza continuou compondo, e agora no céu, podia tocar violão e piano. Muitas de suas músicas feitas após sua morte foram compostas e gravadas por diversos artistas vivos que, sem saber, foram intuídos. Sempre que isso acontecia todos diziam a amigos: “sentei para compor e em cinco minutos fiz a música”.Júlio Barroso, depois de ajudar a Gang 90 a gravar mais dois discos – Rosas & Tigres e Pedra 90 – formou uma banda para fazer o repertório da própria Gang, só que pesado, mais puxado para o punk. Continuou a compor, mas as músicas novas eram tocadas só pela banda que formou no céu.
Poucos anos depois, no início de 1996, já sabendo das vindas próximas de Renato Russo e Chico Sciense, resolveram formar um super grupo para fazer um som parecido com Talking Heads e Ian Dury. Rock com soul e funk.
Sempre frequentando o Baixo Gávea e, de vez em quando, a Vila Madalena em São Paulo. Assim, a cada encontro foram formatando a nova banda, que foi pensada com duas guitarras, baixo, bateria, percussão, teclados, vocais com mais três backing vocais. A ideia é uma banda grande para botar tudo mundo pra dançar.
Por fim, com tantos compositores e letristas na formação, o nome foi escolhido: Sociedade dos Poetas Mortos, que mais tarde acabou se tornando mais que uma banda, um coletivo.A banda se tornou uma espécie de Gang 90 que também não tinha uma formação certa, além dos quatro fundadores. Nela, Cazuza quis ficar nos teclados e piano. Maysa se tornou a baixista, sendo um dos destaques. Esse projeto durou até o início de 2002. Renato Russo e Chico Sciense participaram de diversos shows e até compuseram juntos. Renato acabou se tornando outro assíduo no Baixo Gávea. Porém o grupo acabou recebendo outro grande nome da MPB: Tim Maia. E dá-lhe Baixo Gávea! Só Chico Sciense não era tão assíduo, pois preferia passar a maior parte de seu tempo no Recife.
Naturalmente a banda foi terminando suas atividades, por causa de outros compromissos, trabalhos no plano espiritual, viagens de longo período, etc. Nunca houve brigas ou discussões.
A Sociedade dos Poetas Mortos continuou existindo e quando todos se encontram no BG acabam sempre declamando textos novos e, se há um violão ou outro instrumento, até rola um som improvisado.
Desde que a banda parou de tocar há diversos espíritos que pedem sua volta. Wander Taffo e Marcelo Fromer são dois que estão loucos para fazer parte. Conversas estão acontecendo e há boatos até de músicas novas já compostas. Quem sabe ainda esse ano acontece uma volta ao menos para alguns shows.


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